Pedaços Transformados
227 Tão... quente
tão... quente
setembro, dois dias depois
—Oh, meu Deus — ofegou Julie, arrastando-se para os pés da cama de repente, arregalando os olhos conforme absorvia... tudo aquilo na televisão. — Troye Silvan é tão... quente.
—Oh, meu Deus — imitou Calum, só em parte sarcástico porque concordava com ela. — Você tem razão.
—Oh, meu Deus — murmurou Luke. — Calem-se.
A pior coisa da sua vida era isso: sua irmã e seu namorado focando sobre o quanto Troye Sivan era... quente. Tão, tão quente. Maldição, não era porque era verdade que ele queria ouvir isso — não da sua irmã e com certeza não do seu namorado.
—Vamos falar de outra coisa — sugeriu.
—Tipo? — zombou Julie, nem se dando ao trabalho de olhá-lo.
—Ga-ro-tas — silabou.
Oh, sim, esse era um tema perfeito para debater — Julie não gostava de nenhuma garota, salvo raras exceções, que eram tão raras que Luke nem se sentia corajoso a dizer quais eram, e Calum definitivamente não gostava de garotas. Assunto per-fei-to.
—Garotas — repetiu Calum, cético. — Você quer que falemos de garotas.
—Quem quer falar de garotas? — perguntou Luke, levantando a mão imediatamente, antes mesmo das palavras terem saído da sua boca.
Ele definitivamente não queria ficar sentado ouvindo Calum dizer o quanto Troye era quente — e ele nunca conseguiria ser ao menos um pouco do que ele era.
Julie e Calum se encararam. Isso estava acontecendo? Isso seriamente estava acontecendo? Julie pausou a televisão porque não acreditava e não queria perder nem um segundo da trilogia de clipes maravilhosos porque seu irmão enlouquecia.
—Quem quer falar de garotos? — questionou Julie, balançando as duas mãos. — Parece que vamos ter que nos focar no seu lado gay, Luke — informou ela, suspirando ao virar para a direção que queria e dando play. — É uma pena.
—Sim — assentiu Calum, forçando os lábios a ficarem fixos enquanto seus olhos dançavam de alegria. — É uma pena.
—É, estou vendo — murmurou Luke, batendo o ombro contra o dele e mantendo-o lá. Era quente, era bom. — Você parece muito decepcionado.
—Eu estou muito decepcionado — sussurrou Calum de volta no seu ouvido, como se contasse um segredo.
Luke olhou para Julie rapidamente, percebendo como sua irmã divagava e não prestava atenção nem um pouco nele, e então... Virou a cabeça para que seus lábios encontrassem com o dele e não com o seu ouvido e então percebeu como seus olhos antes alegres estavam tristes.
—O que foi? — perguntou, não se afastando.
A proximidade parecia íntima e segura e Luke queria passar os dedos pelo rosto dele, puxar os olhos para cima e fazê-lo sorrir.
—Nada.
Era tudo.
Luke pegou a mão dele, entrelaçando-as juntas, e sorriu tristemente para Calum, porque nada significava tudo e tudo agora parecia nada. Ele não entendia Calum, embora por um momento, quando sua irmã... era... estava... Não, Luke entendia ao menos um pouco, embora não completamente, e não existia palavras para explicar, para dizer o quanto estava triste, o quanto queria que não fosse assim. Então ele levantou as palmas unidas e beijou o dorso da mão de Calum.
—Quando souber me diga.
Os olhos de Calum se entristeceram um pouco menos e ele se permitiu sorriu ao menos um pouco, porque sabia que Luke devia estar curioso, Julie mais ainda, mas que ele não era obrigado a abrir as cartas agora — seus amigos estavam dando espaço para ele enquanto continuavam ao seu lado.
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