Pedaços Transformados
1 P R Ó L O G O
Notas iniciais
PRÓLOGO
Calum só conseguia pensar no quanto a situação parecia errada. Não era para ele está ali, não era para ele está entre Luke e Julie, no meio deles. Não era para Julie está segurando sua mão esquerda enquanto Luke segurava a direita, não era para nada disso esta acontecendo.
Mas estava.
Calum estava de preto, seus amigos também, e sua irmã... Ela usava um elegante vestido preto, o que mais gostava, o que a fazia parecer um anjo da morte, como Malia sempre dizia, por causa da pele pálida e dos olhos e cabelos escuros. E agora Malia estava morta e era enterrada com ele. Ela amaria a ironia. Calum conseguia imaginá-la sorrindo tão bem que parecia que ela estava na sua frente... E não sendo coberta de terra, sufocada pela areia e pelos fungos que a tornaria pó.
Do pó nascemos e ao pó voltaremos, Malia lhe disse uma vez, quando estavam no hospital. Você consegue imaginar isso? É fascinante! Você nunca estará realmente morto. Você não desaparece, apenas se transforma. Você vira uma flor e depois é o alimento da borboleta, e depois você faz parte da borboleta... Você entende o que eu digo? Você nunca está realmente só! As pessoas que te amam e que você ama sempre existirão em você. Elas nunca desaparecem. É fascinante!
Calum não achava nada fascinante nunca mais vê-la sorrindo para ele, como ela estava quando lhe disse isso, essas palavras. Seus olhos escuros brilhavam e era fascinante. Ela é... Calum tremeu. Ela não é. Malia nunca estaria mais estaria relacionada ao presente ou ao futuro. Ela não teria futuro, ela não iria sorrir para ele ou brigar com ele, dizendo o quanto ele era um idiota. Malia era sua luz e Calum não sabia como viver sem ela...
—Pare – pediu Luke, apertando sua mão. – Pare de pensar nisso...
—E-eu não estou...
—Sim – concordou Julie, levantando a cabeça para o céu com os olhos fechados e um sorriso aberto. – Está chovendo.
Como se esperasse a deixa, as primeiras gotas de chuvas começaram a cair, fracas no começo e ficando forte com o tempo. Calum nem tinha percebido que o tempo estava fechado até sentir o próprio rosto molhado.
Talvez fosse pela chuva.
Talvez pelas lágrimas que escorriam pelas bochechas, passavam pelos seus lábios ressecados e pingavam pelo seu queixo.
Talvez a chuva tivesse um sabor salgado.
Talvez o seu próprio coração tivesse sido enterrado com sua outra metade, porque ele se sentia anestesiado desde que a encontrou caída no chão, numa poça de sangue.
Talvez, talvez, talvez...
Calum não conseguia imaginar um momento que estaria inteiro de novo.
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