Notas iniciais
Kora! Kora! Kora! Ahhhh!!! Me desculpem, preciso de um momento para processar, é apenas... Muito.

muito

KORA, 36 ANOS

Eram muitas coisas para Kora processar.

Em muito pouco tempo.

Ela ainda não conseguia entender tudo aquilo que Andrew disse, era apenas... Muito. Uma coisa atrás da outra que não fazia sentido, que não se completava, que ela não entendia. Eram palavras novas e antigas; doenças e não doenças; acontecimentos e sentimentos.

Apenas era... muito.

Sua filha mais velha estava doente?

Sua filha... não era sua filha? Callie era um menino? Calum era Callie que preferia ser chamada de Calum e ele e dele?

Era muito para ela processar.

E como Andrew podia dizer aquilo daquela forma, tal fácil e simples, como se não significasse nada? Suas filhas precisavam dela! Suas filhas precisavam dela há tanto tempo e ela nem sabia!

O que... o que ela podia fazer?

—Você... – Noah respirou fundo. – Andrew – disse ele devagar, rangendo os dentes – eu reconheço que você é um ótimo médico e me sinto melhor por saber que irá cuidar da minha filha, mas não se envolva...

—Não – disse Kora, sem perceber. Do que seu marido falava? Se ela não sabia, não entendia o que acontecia com Call... Calum, Noah quem não sabia mesmo, então por que ele recusava a ajuda de Andrew?

—Kora... – começou Noah, chocado, surpreso e... um pouco irritado?

Kora ignorou. Uma das suas filhas já estava doente, ela não iria perder a outra também – não se pudesse impedir. Ela entendia a surpresa e irritação de Noah, ela era a mulher que sempre concordava com seu marido, que se mantinha calada, entretanto algumas vezes você tinha que se manter firme, dizer o que pensava, o que queria.

Aquele era um daqueles momentos.

—Não – repetiu ela. – Se Callie quer ser chamada de Calum, ela será – disse firme. – Ele. Ele será.

Notas finais
Eu não ia escrever da perspectiva da Kora – eu não gostava muito dela, mas, não sei, eu ainda não gosto, mas eu entendo como ela agiu agora. Eu não concordo, mas eu entendo. E sinceramente? Eu fico triste por tudo e um pouco feliz por ter visto o amor que ela tem por Calum – aceitar algo que você não entende? Concordar com algo que você não concorda? (Visão imparcial!) Isso é amor. E ela amava, ama, Calum. E é o que importa. Às vezes. Nem sempre. Estou num momento odiando (nem tanto) seres humanos e são comportamentos. Estou tão confusa?! Seres humanos são tão confusos?! Confusão?! Eu estou confusa.