Pedaços Transformados
259 Maldito, maldito
maldito, maldito
setembro, uma semana depois
Maldito, maldito, praguejou Luke. Como ele podia ter se tornado isso? Como Calum podia ter aprendido a mudar de assunto desse jeito? Quem era essas péssimas influências?
O telefone tocou, tocou e nada de Julie responder — Luke já imaginava todos os cenários possíveis e impossíveis, que sua irmã tornaria possível. Era uma desgraça ele conhecê-la tão bem, para saber que...
Droga.
Se Luke tinha alguma dúvida que sua irmã era virgem, ele tinha certeza que depois de hoje ela não seria. Não apenas... isso não era... tudo era apenas... Urg! E droga!
—Ei, Julie — disse Luke, forçando-se a ser natural e não um louco desesperado, que queria sair correndo até sua casa naquela chuva.
—Ei, Luke — cumprimentou. Alguém. Qualquer um. Não Julie.
—Você não é a Julie — murmurou Luke... sem palavras. Oh, não, era a única coisa que vinha na sua mente.
—Você é o Luke — afirmou a voz irritante. E tão bem conhecida. De Ashton.
—O que você está fazendo aí, Ashton? — questionou.
—Estou com a minha namorada — respondeu ele, sério.
—Minha irmã.
—Sua irmã — concordou.
—Passe para ela — pediu Luke, entredentes.
—Ela está tomando banho — disse ele. — Você a conhece. Algo sobre hora ideal, mundos alinhados e chuva cain...
—Você não acha que está muito tarde, não? — interrompeu Luke. — Para estar aí?
—Está chovendo. Forte E você?
—Está chovendo forte — repetiu Luke a resposta. Ashton achava o que? Que ele teria deixado sua irmã sozinha por vontade própria?
—Quer deixar recado? — Ashton teve a audácia de perguntar.
A praga estava na sua boca e dita por sua língua antes que Luke pudesse ser impedir:
—Seu pedófilo.
—Esse seria a Julie, não? — refletiu Ashton. — Eu sou mais novo que ela.
—O que você está fazendo com o meu celular? — Luke ouviu sua irmã perguntar. — Eu não pego seu celular, então não pegue o meu, Ashton.
—Você deletou o contato da Miranda — lembrou Ashton num murmúrio.
—E você apagou todos os meus contatos!
—Todos? — repetiu ele, não acreditando no que ouvia. — Me poupe, Julie — bufou. — Você só tinha quatro números.
—Passe logo esse celular, Ashton — gritou Julie. Luke teve que afastar o telefone do ouvido com o grito que ela deu e esperou um momento por precaução antes de aproximá-lo. — Você vai dormir no sofá se não me der isso. Três, dois... Oi, Luke. Onde você está?
—O que Ashton está fazendo aí?
—Ele me trouxe para casa — respondeu Julie, falsamente inocente.
—O que ele ainda — corrigiu-se Luke — está fazendo aí?
—Está chovendo — respondeu sua irmã, honestamente. Luke amava o óbvio que sua ela contava.
—E que história é essa que ele vai dormir no sofá?
—Ele não vai dormir no sofá.
—Eu vou dormir na cama — gritou Ashton para ser ouvido. — Com a minha namorada.
—Pare de coisa, Ashton, estou te avisando... Onde você está, Luke? Está chovendo — relembrou ela.
—É — concordou ele. — Por isso estou na casa da Kora. E ela nos ameaçou com a mamãe.
—Por que você foi a ir em primeiro lugar? — questionou Julie, curiosa.
—Nada que te interesse — retrucou Luke. Na era da conta de Julie.
—E é? — perguntou ela. — Adivinhe o que não é da sua conta? Não vai perguntar?
—O que? — murmurou Luke.
—Comemos a torta.
—Mas — balbuciou ele. — Eu escondi. Dentro do armário. Num depósito. Hermético. Como você...
—Eu senti o cheiro — respondeu Julie.
—Eu senti o cheiro — discordou Ashton.
—Sim — disse ela, irritada. — Mas eu encontrei.
—Cadê o Michael? — questionou Luke antes que ouvisse uma coisa que não queria ouvir. Só isso? Isso era o que ele tinha que adivinhar? Luke não acreditava.
—Ele disse que estava cansando — respondeu Julie.
—Eu chamo isso de dor no cotovelo — comentou Ashton, alto o suficiente para todos ouvi-lo e não pudesse ignorá-lo, mas baixo para dizer que não foi de propósito.
Foi de propósito.
Luke era muito bom em ignorar isso.
Julie melhor ain...
Ah, sim, foi com eles que Calum tinha aprendido a sutil arte de ignorância.
Luke suspirou, cansado — cansado, realmente cansado, fisicamente cansado. Era um bom tipo de cansado, um cansado que seus músculos contraiam-se e doíam e deitar era uma maravilha; um tipo que o fazia dar valor ao que
tinha. Um tipo que só queria dormir.
—Ei, Luke?
—Hum?
—Quando você vai me dizer o que está acontecendo?
Luke fechou os olhos e ouviu vagamente a conversa de fundo. Quando ele diria? Por que ele não havia dito para começo de conversa? Eles nunca haviam falado sobre namorar escondido, mas, de algum jeito, ele e Calum terminaram assim. E Luke arrependia-se profundamente.
—Julie — reclamou Ashton. — Eu pensei que você tivesse...
—Eu sei — disse ela. — Luke pode esconder coisas de mim, mas... Eu não gosto disso.
Luke podia ver sua irmã mordendo os lábios, os olhos fixos no nada, pensando, tentando entender o que acontecia.
—Eu também não — concordou. — Só... — Ele não sabia.
—Tudo bem — disse ela.
—Sério?
—Não, idiota. — E avisou: — Volte para casa a tempo do meu café.
—O seu café da noite? — retrucou Luke.
—É? Tem certeza? Me deixar tanto tempo sozinha com...
—Juliee — pediu Luke. Ele tinha se esquecido!
Ela riu — e Luke ficou maravilhado como sempre ficava. Existia algo mais lindo? Mais impressionante? Que o fazia tão feliz quanto ver sua irmã feliz?
—Tudo bem, não se preocupe — tranquilizou ela.
—É, eu não vou...
—Estou na aposta — sussurrou ela rapidamente.
—O que foi que você disse? — perguntou Ashton, desconfiado. — O que você estava sussurrando?
—Eu disse que não vou deixar você dormir no sofá. E que eu o amava.
—Você me ama? — provocou Ashton.
—Não você... saia de perto. Tchau, Luke.
Luke estava muito chocado para dizer o mesmo. Será que todos sabiam dessa aposta (e estavam nela) menos ele? Ash não contava — Luke não achava que precisava se preocupar com a opinião de alguém que nem sabia que namorava até que sua namorada anunciou para todos. Mas aquilo era... é, talvez ele devesse entrar na aposta também.
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