Pedaços Transformados
258 Maldito
maldito
setembro, uma semana depois
A primeira coisa que Luke viu quando entrou no quarto de Calum foi a caixa de sapato rosa desbotada que Julie havia dado a Calum e as cartas de Malia espalhadas na cama.
—Como você está? — questionou, parando na porta do quarto.
—Sobre? — murmurou Calum, empurrando para o lado para passar, embora soubesse o que ele queria dizer. O que tinha para não saber? Elas estavam ali, eram provas indiscutíveis e seladas.
Ele não tinha aberto nenhuma das cartas.
—As cartas — apontou Luke, ingenuamente.
Calum seguiu os olhos dele, não sabendo o que esperava, porque sabia que elas estariam ali, como ele tinha deixado-as. E elas estavam. E Calum sentiu sua determinação fraquejar.
Abrir as cartas? Hoje? Agora? Ele havia ido para casa, mas agora...
—Ah — murmurou — as cartas — e desviou o olhar.
—Você não leu — afirmou Luke.
—Eu não li — concordou Calum, andando na direção oposta da cama e abrindo o guarda-roupa, pegando uma toalha limpa e jogando a outra
Luke mordeu o lábio indeciso do que dizer — ele não podia culpá-lo por não ter lido, Luke duvidava que já teria se estivesse na mesma situação. Caso se conhecesse tão bem quanto achava, Luke temia que teria queimado-as assim que as recebesse. Ou depois. Ou em algum momento no meio. Mas definitivamente queimadas. Quem era ele para dizer algo com um desejo desses?
—Você não deveria ligar para Julie? — perguntou Calum, não aguentando aquilo. Silêncio, olhar prolongado e... acusador. Ele jogava a grande e não adorável Julie para o fogo sem pensar nenhuma vez? Sim, ela sabia se defender. — Ela e Ashton...
—Michael está lá — interrompeu Luke, mesmo que soubesse. Não fale, não dê um pio, não deixe suas fraquezas serem exploradas e Calum sair ganhando. — E está na aposta.
—Não sei. — Calum deu de ombros. — Se você tem certeza. Quer dizer, Julie pode ter feito tanta coisa se quisesse que Michael desaparecesse, ela é ótima em conseguir o que...
—Eu sei o que você está fazendo — interrompeu Luke novamente, tentando, mesmo que soubesse que era um caso perdido. — E não está funcionando.
—Eu não estou fazendo nada. Eu estou indo tomar banho.
—Não se prenda no blinder novamente — cantarolou Luke, mordaz. Se Calum queria jogar baixo, dois podiam fazer isso.
—Foi uma vez! — exclamou Calum, virando-se ofendido. — E eu ainda estava aprendendo a usá-lo!
Luke deu de ombros, tentando passar a imagem calma e plena... que não tinha, esperando Calum pegar a toalha, a roupa e sair do quarto, para pegar o celular desesperado.
Maldito.
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