desencontro

LUKE, 12 ANOS.

Luke não entendia porque Calum o olhou aterrorizado, como se tivesse descoberto algo assustador, porque o queria longe, mas Luke sentiu-se...

Deixado.

Esquecido.

Sem valor.

E completou, querendo que Calum sentisse o mesmo que ele sentia, a mesma traição que corrompia sua alma e escurecia seu coração, que o estava deixando com pensamentos tão dramáticos:

—Não precisa se preocupar – disse, sentando-se no chão gelado e gelado, sentindo as palavras amargas na sua boca, sem nem um gosto doce de vingança... Apenas seco, insalubre. Viciante. Luke não conseguiu parar de falar, ainda mais com aquele tom rancoroso: – Eu vou para o acampamento nessas férias de no...

Calum parou, rapidamente, quase caindo, e se virou, e as palavras morreram na boca de Luke, porque uma coisa era querer uma reação e outra era não ter nem uma (quase cair não contava, Luke não estava contando).

Calum o olhou em silêncio, sem expressar nem um sentimento, complemento neutro, e... Sem palavras. Não "sem palavras" do tipo surpreso, mas do tipo que... sabia que isso iria acontecer – e Luke não sabia o que iria isso, apenas que...

Ele não entendia.

E repetiu querendo ver algo, alguma coisa, qualquer coisa, que entendesse, que o fizesse entender, que o ajudasse a entender o que estava acontecendo:

—Eu vou para o acampamento. De novo.

Calum balançou a cabeça uma, duas, três e Luke seguiu o movimento.

Calum respirou fundo e Luke prendeu sua respiração, esperando, aguardando...

Calum falou e Luke ouviu, quase soltando o fôlego e quase o perdendo, porque o que esperava depois disso, de tudo isso, era entender o que aconteceu, porque aquele era Calum e ele era Luke e apesar de nem sempre estarem na mesma página eles se encontravam no meio do caminho.