Pedaços Transformados
295 Ao seu lado
ao seu lado
outubro, duas semanas depois e dois dias
Calum andava rápido, como realmente rápido. Um pé na frente do outro, dois enquanto Luke dava um, então três, então quatro, então Luke tinha que correr um pouco novamente para alcançá-lo e então era deixado para trás novamente.
—Minha nossa — ofegou. — Você sabe que eu vim de carro, certo? Você o viu na frente da casa, não foi? Você está me fazendo pagar os meus pecados?
—Pare de falar, Luke — reclamou Calum, diminuindo a velocidade do seu caminhar apesar de suas palavras. — Você está aprendendo com a Julie?
—Sim. Está funcionando?
—O que?
—Você está melhor? Você quer se sentar e respirar e...
—Não me mande respirar, Luke Zach Hemmings — avisou Calum, virando-se e balançando o seu dedo como se o repreendesse. — Não quero ouvir uma palavra sobre respirar. Eu quero perder todo o meu fôlego e quero reclamar até não aguentar mais.
—Entendi — falou Luke devagar, pegando o dedo e entrelaçando suas mãos. — Que tal sentar agora?
—E nem me fale de sentar! — Ele levantou a outra mão.
—E...
—E qual o problema de eu estar dando um chilique? Eu não vou ser suficientemente um garoto para você? Garotos não podem dar chilique? Eu não posso dar um chilique?
Luke revirou os olhos teatralmente para ele, porque, sim, Calum dava um chilique e aquele era o chilique dentre os chiliques e mesmo assim ele não estava impressionado — Calum sempre dava um desses nos momentos mais oportunos, assim como sua irmã dava nos mais inoportunos. Mas eles sempre davam um quando era preciso.
Luke o empurrou para um banco, agradecendo por ter um no meio do parque e por eles estarem no parque, e então se sentou ao lado dele, sem soltar sua mão. Seus ombros se tocando, o calor se espalhando pelo seu corpo, a calma o engolindo por inteiro e a sensação de paz... no meio da tempestade.
Calum gostava desse sentimento, de estar certo, de ter algo certo quando tudo parecia que não. De ter Luke ao seu lado.
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