Pedaços Transformados
33 Agora
agora
LUKE, 9 ANOS.
—Hum... — murmurou Luke.
—Hum... — zumbiu Malia de acordo.
E então eles ficaram calados.
O que dizer? Nem um deles sabia. Talvez porque não existisse, porque tudo já havia sido dito, porque nem uma palavra pudesse ser dita.
—Eu não sei o que te dizer — confessou Luke finalmente.
—Eu não sei o que você pode dizer — concordou sua amiga.
—Você já deve ter ouvido tudo sobre "eu te amo" e "não quero que você vá" e "me espere do outro lado".
—Não esse último — disse ela, virando a cabeça na cama para dar um breve olhar a ele antes de encarar o teto novamente. — Mas não se preocupe, não vou ficar a toa onde quer que eu esteja.
—Você já pensou sobre morrer? — questionou Luke. — Morrer morrer? O que vem depois? Como é o agora?
Ela respirou fundo, Luke viu aquilo e esperou calmamente, aguardando-a soltar o ar.
Ela respirou fundo e Luke prendeu a respiração, embora tentasse não ser muito óbvio que fazia isso — e soltou-a devagar porque ainda ouvia a maquina apitando, embora não visse mais os olhos de Malia.
Ela ainda estava viva, ele sabia.
Ela ainda estava viva, mas ele já chorava, porque um dia sua amiga iria respirar fundo e não respirar mais.
Um dia, o agora seria rápido — num piscar de olhos, numa batida do coração, numa respiração.
O agora já era indolor, era incerto, era passado, mas um dia... Um dia seria o presente, seria hoje.
Agora
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