Pecados Íntimos
17 Capítulo 16 – Dúvidas
Notas iniciais
Já tinha se passado meia hora desde que terminamos de almoçar, aproveitei que a cozinha estava vazia e silenciosa e decidi lavar toda a louça que tinha ficado acumulada desde o café da manhã. Preciso admitir, tia Jenna foi embora ontem a noite e eu já estou com saudades.
Sentei meu celular, que estava no bolso de trás da minha calça jeans, vibrar. Quando o peguei vi tinha acabado de chegar uma mensagem, era de Damon.
Lena,
Estou em Richmond com o Stef e a Kath, viemos almoçar em um restaurante que o meu irmão gosta muito e fez várias recomendações. Claro que eu gosto de passar um tempo com os meus irmãos, mas eu tenho que admitir que preferia passar esse dia de folga com você.
Damon.
Não pude deixar de dar um sorriso bobo, tudo isso me fez lembrar da manhã seguinte a última noite em que passamos juntos, foi totalmente diferente da vez anterior.
*Flash Back*
Acordei ouvindo barulho do chuveiro, a porta do banheiro estava aberta, mas dava para ver uma fresta de luz passando por debaixo. Não demorou muito para Damon voltar para o quarto, ele estava apenas com um toalha branca enrolada na cintura.
– Bom dia! — sorriu assim que ele percebeu que eu estava acordada – Você dormiu bem? Parecia tão cansada ontem a noite.
– Sim, eu dormi bem – afirmei com a cabeça, apesar de todas as atividades de ontem a noite e de eu ter acordado no meio da madrugada, consegui descansar bem.
Damon se sentou na ponta da cama e colocou a mão sob a minha e a outra, ele passou no cabelo, que estava levemente úmido.
– Ontem a noite eu disse que não iria para lugar algum quando acordasse – lembrei – E eu não estava mentindo, pretendo ficar aqui pelo tempo que você quiser e, é claro, que me aguentar.
– Por mim, você ficava aqui o dia inteiro – garantiu – Mas, infelizmente, eu tenho que ir para o hospital, o dever me chamar – deu um longo suspiro antes de se levantar.
– Isso é mesmo uma pena – fiz um biquinho, não sei de onde eu tirei isso, não usava essa arma de sedução desde que estava com o Tyler – Pensei que fossemos fazer aquela sessão de sexo matinal que você tanto queria.
Pegando até a mim mesma de surpresa, mais uma vez, eu o puxei pela toalha, fazendo com que ela se abrisse. Como já tinha imaginado, ele estava totalmente nu por debaixo daquela única peça de roupa, não pude deixar de dar um sorriso safado.
– Sabia que a senhorita está ficando muito safadinha? — brincou – O que aconteceu com aquela Elena tímida que eu conheci há menos de duas semanas?
– Deve ter ficado perdida em algum lugar no meio de toda essa nossa aventura – dei de ombros enquanto eu aproximava os lábios dos seus – Talvez eu esteja virando uma ninfomaníaca, mas eu não me importo com isso.
Segurei seu membro e comecei a massageá-lo com as duas mãos em movimentos para cima e para baixo, não demorou muito para ele começar a ficar excitado. Damon, automaticamente começou a me beijar e a desabotoar a sua blusa que eu continuava a usar.
– Preciso estar no hospital em vinte minutos – avisou enquanto me fazia deitar na cama – Por isso temos que ser rápidos.
Retirou minhas mãos do seu membro e logo foi se direcionando até a entrada da minha intimidade e me penetrou de uma vez só. Não houve preliminares, muito menos algum aviso prévio, mas isso não impediu que fosse tão prazeroso quanto das outras vezes, estava se movimentando rapidamente dentro de mim, foi impossível não soltar um gemido.
Claro que não demorou muito para chegarmos ao ápice quase ao mesmo tempo e, em seguida, Damon se levantou e caminhou até o seu armário para poder escolher uma roupa para se vestir. Sabia que isso era inevitável, afinal ele está com pressa para ir ao trabalho, mesmo assim não pude deixar de ter uma sensação de vazio.
O celular que estava em cima da mesinha tocou para avisar a chegada de uma mensagem e ele pegou o aparelho para poder lê-la.
– Meu primeiro paciente já chegou ao hospital e está lá me esperando – disse, enquanto ainda olhava para a tela – Essa vai ser a primeira vez que eu chego atrasado em seis anos que eu estou no hospital de Mystic Falls, que péssimo exemplo, Elena.
–Vai me dizer que você não gostou? -cruzei os braços e o encarei seriamente.
– Certo, não posso mentir, valeu muito a pena, cada segundo de atraso – ajoelhou-se na frente da cama e me deu um selinho – Eu preciso ir, mas você pode ficar o tempo que quiser.
– Não pretendo ficar muito tempo avisei – Vou tomar banho, tomar café e ir embora. Afinal, não quero atrapalhar a privacidade da sua irmã, sem contar que eu preciso ir ver como estão o meu pai e a Eve.
– Você quem sabe – completou – Agora eu estou indo mesmo – ele me deu mais um selinho antes de sair, definitivamente, do quarto.
*Fim do Flash Back*
Isso aconteceu ontem pela manhã, infelizmente, Damon passou o dia inteiro trabalhando, essa sempre seria uma das desvantagens de se estar saindo com um médico. Hoje é o seu dia de folga, mas sabia que ele precisava passar um tempo com os irmãos, afinal, Katherine veio para cá justamente para isso, então abri de nos vermos, pelo menos na parte da manhã.
Sei que eu não deveria estar sentindo essas coisas, mas tenho que admitir que estou com saudades dele, não só da sensação do seu corpo no meu, que é maravilhosa, também a sua companhia. Claro que jamais admitirei isso em voz alta, é algo que vou guardar apenas para mim, principalmente quando eu voltar para Nova York.
– Oi, Elena! — a voz do meu pai faz com que eu desperte, ainda estava encarando a tela do meu celular – Eu te assustei, minha filha?
– Não, eu só estava um pouco distraída – balancei a cabeça negativamente e guardei o telefone novamente no meu bolso.
– E será que você estava distraída com algo que viu no seu celular – cruzou os braços e ficou observando – Talvez alguma coisa a ver com um certo moreno de olhos azuis e que está sempre usando branco?
Não pude deixar de revirar os olhos; Claro que meu pai está desconfiando que esteja acontecendo alguma coisa entre mim e Damon, principalmente pelo fato de que eu passei duas noites fora de casa nessa semana, mas eu não iria dizer que ele tem razão.
– Pensei que você tivesse ido dormir – mudei totalmente de assunto.
– E eu ia dormir, mas então eu peguei um livro e comecei a folheá-lo, então perdi o sono – deu de ombros – Vim até aqui saber se você está precisando de ajuda com a louça.
– Não precisa, eu faço isso rapidinho – garanti me virando na direção da pia e comecei a ensaboar os copos.
– Pelo menos vou ficar aqui te fazendo companhia – sentou-se em uma das cadeiras que tinha no local – Aonde é que está a Eve?
– Lá em cima no meu quarto – expliquei – Klaus ligou na hora em que ela estava indo tirar uma soneca e eu a deixei conversar com o pai antes de dormir.
– Quer dizer que o Klaus ligou especialmente para falar com a Eve? — pareceu totalmente surpreso – Acho que foi a primeira vez desde que eu recebi alta que ele faz isso.
– O Klaus está sempre ocupado com o trabalho – defendi – Quando ele liga para cá é sempre rapidamente, por isso nunca fala com ela.
Sei que isso não é justificativa para isso, mas não conseguia ouvir ninguém falando mal do meu marido, mesmo que eu mesma não concorde.
– Ele trabalha demais – revirou os olhos – Enquanto isso,sua filha quase não vê o próprio pai. Às vezes eu penso se a Eve se lembra como é o rosto dele.
– Não precisa exagerar – comentei – Quando eu tinha a idade da Eve você também trabalhava demais e eu nunca fiquei traumatizada com isso.
– Podia até trabalhar bastante, mas eu fazia questão de vir para casa cedo para passar um tempo com você e o Jeremy, sem contar que eu sempre passava os finais de semana com vocês – lembrou – Tanto que quando sua mãe morreu você e seu irmão não ficaram desamparados. Mas falando sério, Elena, se algum dia você faltar como a Eve vai ficar? Vai deixá-la 24 horas por dia como uma babá?
Acho que nem eu mesma tinha um argumento para isso, era tudo a mais pura verdade.
– Não necessariamente com uma babá, ela poderia ficar com a mãe do Klaus e também tem a Rebekah – tentei argumentar – Sem contar que eu espero ter você e o Jer para ajudarem caso um dia eu falte.
– Nada substitui a presença dos pais – completou – Você, mais do que ninguém, deveria saber disso.
– Não posso negar que isso é verdade – concordei – Mas eu estou aqui e isso não é importante.
Voltei a lavar a louça, ignorando qualquer comentário negativo do meu pai. Quando terminei disse que ia ver como a Eve estava, cheguei ao quarto e ela continuava sentada no meio da cama com as perninhas cruzadas e segurando o telefone no ouvido.
– Também estou com saudades de você papai – disse – Seria muito legal se você viesse aqui para Mystic Falls no final de semana, sei que a mamãe ia gostar muito.
– Muito bem, senhorita, você já conversou demais por hoje – avisei – Se você não dormir agora vai ficar de mal humor o restante do dia.
– Pai vou ter que desligar – avisou, depois esperou alguns segundos, enquanto ouvia algo – Tudo bem! — afastou o telefone e se virou para mim – Ele quer falar com você, mamãe!
– Certo, me dá aqui – peguei o aparelho – Você já escovou os seus dentes? — ela balançou a cabeça negativamente – Então vai lá.
Ela pulou da cama e saiu correndo em direção ao banheiro, que tinha uma porta de acesso pelo quarto. Sentei na ponta do colchão para conversar mais a vontade com o meu marido.
– Oi, Klaus! — disse, por fim – Como é que estão as coisas ai em Nova York?
– Tudo as mil maravilhas – garantiu – Embora eu esteja sentindo muita falta das duas mulheres da minha vida em casa.
– Você sabe que estou aqui por uma boa causa – lembrei – Mas então foi por isso que você ligou no meio da tarde?
– Exatamente!– confirmou – Estava pensando em ir passar o próximo final de semana em Mystic Falls.
Essa não! Nessas duas semanas que eu estou aqui Klaus não demonstrou vir aqui em momento algum e agora que eu não quero isso de maneira nenhuma ele diz uma coisa dessas, devo ser mesmo a pessoa com menos sorte nesse mundo.
– Não! — disse de uma vez, meio que sem pensar em nada.
– Uau!– continuou – Pensei que você também estivesse com saudades de mim, mas, pelo jeito, não é bem assim.
– Não é isso, Klaus – tentei contornar a situação – Acontece que eu estou aqui tomando conta do meu pai, você vai ficar entediado aqui.
– Oh sim, Eve me contou que a sua tia Jenna foi embora ontem – falou – Na verdade, ela me contou tudo que fez desde que chegou aqui a Mystic Falls.
Foi impossível não engolir em seco nesse momento. Espero que minha filha tenha omitido as minhas escapadas noturnas, o que eu acho que ela fez, ou então Klaus sabe mentir muito bem.
– A Eve gosta muito de Mystic Falls – expliquei – Acho que pela fato dela ter passado a vida inteira em uma cidade grande como Nova York ela gosta daqui. É um lugar tranquilo e bom para crianças.
– Do jeito que você fala, vou começar a acreditar que você está querendo me convencer a nos mudarmos para Mystic Falls – brincou.
– Até que não seria tão ruim – eu nasci e fui criada aqui, não seria tão rui assim voltar para a cidade em que estão a maior parte das minhas lembranças boas e das ruins também, além disso, eu ficaria perto do Damon, se bem que não tenho certeza de que será uma boa ideia ter o meu marido e o meu “amante” tão perto um do outro – Mas você tem o seu trabalho ai, tenho certeza de que não vai aceitar.
– Você tem razão quanto a isso – concordou – Mas quem sabe você não me convencer se eu passasse dois dias ai?
Ele não tinha desistido da ideia de vir para cá o final de semana, precisava tirar essa ideia da sua cabeça.
– Klaus, eu já disse a minha opinião de você vir para cá – continuei.
– Tenho certeza de que não vou ficar entediado – garantiu – Além disso, eu posso te ajudar a cuidar do seu pai.
– Você me ajudar com o meu pai – comecei a rir – Klaus, eu me lembro quando a Eve caiu da escada quando estava começando a andar e abriu o queixo. Você ficou longe o tempo todo e só chegou perto quando eu conseguir estancar o sangue, sem contar que não quis ficar no consultório enquanto ela tomava ponto.
– Tudo bem, admito que não sou a melhor pessoal do mundo quando envolve qualquer coisa a respeito de saúde e cuidados médicos – agora era ele quem estava rindo – Mas será que você não percebeu que a minha intenção é apenas passar um tempo com você e a nossa filha.
Abri e fechei a boca várias vezes mais não saiu som algum. Klaus parecia totalmente sincero, ele estava querendo abrir mão do seu precioso trabalho por alguns dias e vir para cá, quase me faz sentir culpada por tudo que estou fazendo.
– Bom, ainda não tenho certeza se vou mesmo poder ir, tudo depende de um processo em que eu estou trabalhando – mas é claro, estava mesmo tudo bom demais para ser verdade – Te dou a resposta em alguns dias.
– Tudo bem – soltei um longo suspiro de frustração – Não vá prejudicar no trabalho por minha causa.
– Senhor Mikaelson, estão esperando o senhor na reunião– ouvi a voz da secretária dele ao fundo.
– Está bem, Halley, obrigado – falou com ela – Agora eu preciso ir, Lena, nos falamos uma outra hora. Eu te amo.
– Eu também -foi tudo que eu disse antes de desligar.
Cobri o meu rosto com a mão, meu marido não tinha jeito mesmo, gostaria de, apenas uma vez, ser mais importante para ele do que o trabalho. Foi nesse momento que Eve voltou para dentro do quarto, ela correu e pulou no meu colo, meu mal humor desapareceu na mesma hora.
– Estou prontinha para dormir – disse totalmente orgulhosa.
– Muito bem – dei um beijo na sua bochecha – Agora a senhorita vai deitar e dormir direitinho por duas horas – fiz com com que ela se deitasse com a cabeça no meu travesseiro e a cobri.
– Me conta uma história – pediu, sua voz deixava bem claro que ela já estava com bastante sono – Uma história bem bonita, sobre príncipes e princesas.
– Tudo bem – fiquei passando a mão pelo seu cabelinho – Mas uma bem rápida, tenho um monte de coisa para fazer por aqui.
Eve gostava de ouvir histórias na hora de dormir, tenho que admitir que não era fácil ter que inventar uma nova todas as noites, mas com o tempo eu acabei pegando o jeito.
Minha filha já estava adormecida quando a campainha tocou no andar debaixo. Levantei e sai do quarto com todo o cuidado para não acordá-la. Já do alto das escadas, vi que meu pai já tinha aberto a porta, era Caroline.
– Amiga! — acenou na minha direção assim que me viu – Desculpa a demora, é que eu estava terminando de resolver algumas coisas no trabalho.
Minha amiga estava mesmo muito curiosa para saber de toda a história, tanto que me ligou ontem para que marcássemos de conversar. Tinha ficado combinado de que ela viria até aqui hoje logo depois do almoço, mas estava começando a acreditar que tinha se esquecido disso.
– Não tem problema, Car – garanti enquanto descia as escadas – Estava mesmo colocando a Eve para dormir.
– Acho que vou continuar lendo lá no meu quarto – meu pai avisou – Assim que deixo vocês duas conversado a vontade.
Esperamos que ele não tivesse mais a vista, então sentamos, cada uma em uma ponta do sofá branco que tinha na sala.
– Você quer beber alguma coisa? — perguntei – Posso fazer café ou chá, também tem refrigerante e suco.
– Não quero nada – balançou a cabeça negativamente – Eu vim aqui saber sobre a sua história com o Damon e você vai ter que me explicar detalhe por detalhe.
– Fala mais baixo, Car – pedi sussurrando, tentando dizer que era assim que eu queria que ela falasse – Alguém pode te ouvir.
– Ah, por favor, Elena – revirou os olhos – Seu pai está no quarto dele e a Eve está dormindo, como você mesma disse. Mas, se preferir, podemos ir conversar no Grill, mas imagino que lá tenha muito mais gente para escutar.
– Tudo bem – dei um suspiro frustrada – O que você quer saber?
– Quero saber de tudo – respondeu – Como isso começou? O que exatamente está acontecendo? E, principal, como você está se sentindo em relação a isso?
Comecei a explicar tudo que aconteceu desde a nossa última conversa. Como eu cheguei a decisão de ir ao encontro do Damon, a nossa primeira noite juntos, a minha fuga depois do telefonema de Klaus, meu convencimento de que não adiantava tentar ficar longe e, finalmente, a minha ida ao apartamento de Damon há dois dias , quando eu encontrei Caroline por lá.
– Sei que essa não é a melhor decisão nem a mais adulta de se tomar — continuei – Mas vou continuar me encontrando com o Damon.
– E por que essa não é a melhor decisão a se tomar? — quis saber – Você quer estar com ele e está feliz, não tem porque sentir vergonha disso ou achar que é errado.
– Eu sou casada! — sei que essa não era a melhor desculpa, mas é o único argumento que eu tenho – Klaus fez tudo por mim e eu estou aqui traindo ele.
A conversa com meu marido, agora a pouco, me veio a cabeça. Ele estava querendo vir aqui me ver e ver a Eve e eu fiz de tudo para tirar essa ideia da sua cabeça. Essa não é uma atitude esperada de uma mulher casada.
– Tudo bem, Elena, eu admito que traição não é o melhor caminho – concordou – Mas você está infeliz com o Klaus, já me admitiu isso, e dá para ver que não acontece agora com o Damon. Acho que está bem claro com quem você quer ficar.
– Não acho que eu e Damon tenhamos um futuro – dei de ombros – Lembro que conversamos logo depois que ele me beijou e você me disse que ele não se envolve com nenhuma mulher e que tinha certeza de que ele não estava encarando nada de uma maneira diferente uma aventura.
– Eu realmente disse isso – concordou – Mas ele está diferente das outra vezes que estava com alguém só por diversão. Eu o vi na hora em que você entrou no apartamento e os olhos dele estavam brilhando, parecia até apaixonado.
Isso era tudo que eu não queria que acontecesse. Quando eu decidi embarcar nessa história de cabeça sabia que que alguém poderia sair magoado nessa história, mas ignorei esse pensamento, agora tinha a confirmação de que estava certa.
– Não vai acontecer nada mais sério que isso, Car, é só uma atração, apenas sexo – continuei – Eu amo o Klaus, nós somos casados e temos uma linda filha juntos. Tenho certeza de que o Damon concorda com isso.
– Se você diz – deu de ombros – Mas sabe, eu conversei com o Stefan e ele está preocupado com o irmão, tem medo de que você possa magoá-lo de alguma forma.
– Pode dizer para ele que não precisa se preocupar – garanti com toda a certeza do mundo, pelo menos era assim que eu esperava que as coisas fossem – Não vai acontecer nada de ruim.
– Se você diz – deu de ombros – Mas depois não diz que eu não avisei.
– Vou fazer café para mim – mudei de assunto enquanto eu me levantava – Você quer uma xícara também?
– Já que insisti – respondeu.
Fui até a cozinha e liguei a cafeteira antes de pegar as xícaras. Não estava com tanta vontade assim de tomar café, mas eu queria sair dali o mais rápido possível
– Aqui está! — voltei e entreguei uma xícara da a minha amiga – Espero que esteja bom para você, gosto do café bem forte.
– Está bom — respondeu depois de dar um gole na sua bebida – Sabe, eu sei que você só fez café para se livrar de mim, mas não ligo.
– Caroline, por favor, vamos acabar com esse assunto – pedi, gentilmente – Não quero mais falar sobre mim, o Damon ou o Klaus, e não quero acabar brigando com você se continuar insistindo.
– Certo – percebi que ela não ficou muito feliz, mas aquele era o única jeito de fazê-la parar – Não quis te deixar irritada.
– Só estou cansada disso – continuei – Estou feliz do jeito que as coisas estão e não quero pensar nas possíveis consequências, pelo menos não tão cedo.
– Lena, você é minha melhor amiga – lembrou – Eu só quero ver você feliz.
– E eu estou feliz, como acabei de dizer – coloquei a mão sob a dela – Tem que confiar mais em mim, eu sei muito bem o que estou fazendo.
Pelo menos é isso que eu acho...
Passamos mais uma hora conversando animadamente sem mencionar o Damon ou o Klaus em nenhum momento, o que era um alívio. Quando a campainha tocou nos olhamos confusa, quem poderia ser?
– Acho melhor eu ir atender – avisei.
Quando abri a porta, dei de cara do o Damon. Ele estava usando uma blusa polo vermelha e um calça jeans.
– Oi! — disse, totalmente surpresa.
– Oi, Lena! — acenou para mim – Acabei de chegar de Richmond e decidi vir aqui te ver, afinal, ainda é meu dia de folga e temos um tempo para ficarmos juntos.
– Damon! — Caroline apareceu atrás de mim – Não esperava ver você por aqui.
– Acho que posso dizer o mesmo, cunhadinha – seu sorriso era totalmente decepcionante – Imagino que vocês estejam conversando e eu não vou atrapalhar.
– Eu já estava de saída – minha amiga garantiu – Fique a vontade – me puxou para dar espaço para que Damon entrasse.
Nesse momento meu pai apareceu no alto da escada, provavelmente ouviu o som da campainha e decidiu verificar quem estava na porta.
– Damon! — disse – Por favor, não venha me dizer que veio aqui verificar como está a minha saúde?
– Não foi para isso, Grayson, pode ficar tranquilo, hoje é meu dia de folga – brincou – Vim até aqui convidar a sua filha para tomar um sorvete.
– E ela aceita – respondeu, na mesma hora.
– Pai! — o reprimi antes de me virar para o recém-chegado – Damon eu adoraria ir, mas eu não posso.
– Por que? — meu pai e Caroline perguntaram ao mesmo tempo. Era só o que me faltava, agora eu tinha duas pessoas me empurrando para cima do Damon.
– A Eve está dormindo e daqui a pouco ela vai acordar – expliquei – E vou precisar fazer o lanche dela.
– Não seja por isso, minha filha, eu posso ficar tomando conta dela por uma meia hora – claro, não poderia esperar outra coisa do senhor Gilbert, sempre pronto a ajudar quando lhe convinha.
– Legal, Lena agora você pode ir – Car completou.
Damon estava ali, totalmente esperançoso esperando pela minha resposta e não pude deixar de pensar na conversa que tive com a minha melhor amiga, será mesmo que ele estava se apaixonando por mim? Nossos encontros só deveriam acontecer entre quatro paredes, para não correr risco de não alimentar nenhuma falsa esperança.
– Tudo bem, vamos – disse por fim, contrariando todo o meu pensamento anterior – Acha que eu estou bem assim, ou é melhor eu trocar de roupa?
Estava usando uma bermuda jeans, uma camiseta regata cor de rosa e uma sandália rasteirinha. Era bem confortável para ficar em casa, mas não tinha certeza se era adequado para a rua.
– Você está linda assim – ele garantiu – Vamos logo, assim você não demora e não fica muito tempo longe da Eve.
– Vou sair junto com vocês – Caroline avisou – Como você está aqui é sinal de que o Stefan também, vou encontrá-lo.
Damon segurou a minha mão e saímos da casa. Acho que estou me afundando cada vez mais nessa história e daqui a pouco vai ser tarde demais para voltar atrás.
Fale com o autor