Notas iniciais
Olá gente, primeiramente: muito obrigada pelos reviews e pelas fichas, eu amei todas! Esse capítulo é um dos meus favoritos até agora e podemos ver como Lorde Voldemort se comporta, as principais amizades do meio, além de uma pequena amostra sobre um mal que aflige Bellatrix. Alguns leitores de Hopeless me perguntaram se Pecados se passa no mesmo "Universo", apenas numa linha de tempo diferente e sim, é no mesmo universo, tanto que vez ou outra vocês verão personagens que são citados em Hopeless (como é o caso do Anthony). Inclusive, eu fiz uma one sobre a Narcissa, caso queiram conferir: https://fanfiction.com.br/historia/753220/A_Singularidade_De_Um_Toque/ Boa leitura!

Aurora Malfoy.

25 de agosto de 1969.

As principais famílias sangue-puro da Inglaterra adoravam se reunir em jantares e festas. Considerada uma forma de ostentar toda a riqueza que possuíam, eles organizavam os melhores bailes, com as mais deliciosas comidas e roupas que custavam uma verdadeira fortuna. Tudo com muita classe e elegância, é claro.

Uma semana antes das voltas as aulas em Hogwarts, a família Malfoy havia promovido, com muito luxo e capricho, um belo baile, com a desculpa de ser uma despedida dos alunos. Se Lucrécia Malfoy, a matriarca da família, estivesse viva, teria sentido orgulho do cuidado e dedicação que a filha Aurora havia tido, em cuidar de tudo com muita atenção e ter selecionado bem quem convidaria.

Assim, procurando fazer jus a uma festa tão bem organizada, a jovem Malfoy se mantinha há horas trancada em seu quarto, utilizando-se de feitiços de aparência muito bem conhecidos pelas garotas da sua idade, que realçavam beleza tão exuberante.

A primeira peça que havia escolhido tinha sido a lingerie. Nunca sabia como a noite poderia acabar e se, seguisse seus desejos, seria com alguém em sua cama. É claro que ninguém poderia desconfiar disso. A maliciosa ideia lhe fez brotar um sorriso nos lábios, junto com o desejo quente em seu ventre.

Respirando fundo, controlou seus desejos sempre tão... aflorados.

Seus cabelos loiros, de um tom tão claro quanto o resto da família, estavam presos para trás em uma bela tiara de esmeraldas, que realçavam sua pele pálida. O longo vestido preto possuía um corpete muito bem preso, que chamava atenção para o decote. Havia escolhido poucas joias, apenas uma gargantilha prateada e pequenos brincos de esmeraldas, semelhantes a tiara. Não precisava de muito para que se rosto marcante fosse notado até mesmo de longe. Longos saltos lhe deixavam mais alta e elegante.

Uma leve maquiagem havia sido espalhada pela sua face e ela sorriu, finalmente, orgulhosa do trabalho. Era, das meninas da sua idade, provavelmente uma das mais belas, para o terror de seu irmão gêmeo que tentava, a todo custo, sempre mantê-la afastada dos garotos que lhe rodeavam.

Pobre Lucius, pensou, se ele apenas soubesse...

Aurora sorriu maliciosa para o próprio reflexo, antes de piscar os olhos e tratar de se proteger com uma máscara bem-feita de inocência. Era assim que sua família a reconhecia e não mudaria isso tão facilmente.

Quando finalmente se deu por satisfeita, deixou o quarto, andando em passos curtos até o topo da escadaria que levava ao primeiro andar, onde a festa já ocorria. Havia se atrasado de propósito, contente com os inúmeros olhares que se viraram para si, enquanto descia os degraus.

Sorrindo para fingir uma timidez que não possuía, ela encontrou o pai no final das escadas.

— Finalmente está pronta — Abraxas disse, erguendo a sobrancelha. Não era um homem muito carinhoso, contudo ele possuía seus momentos de descontração e, para ela, esses valiam o mundo.

— Não se pode apressar a perfeição, papai — explicou, dando de ombros e fazendo o homem soltar uma risada grave. O que os Malfoy tinham de riqueza, possuíam em igualdade de arrogância e orgulhoso.

Ele lhe estendeu o braço, para que o acompanhasse pela sala. Esta era muito bem decorada, as paredes pintadas de branco faziam os móveis escuros se destacarem. Era diferente de qualquer outra casa que já houvesse visto e, por isso, tão conhecida pela sua elegância.

Um servo se aproximou de ambos, oferecendo taças de hidromel que, prontamente, tanto Aurora quanto Abraxas aceitaram. Somente em tais ocasiões lhe era permitido beber e, sem dúvidas, aproveitava, tomando cuidado para nunca chegar até o limite.

Tinha uma imagem a zelar, afinal. Imagem essa muito bem elaborada para que todos se derretessem pela filha exemplar e irmã dedicada, ninguém era capaz de fugir da teia de perfeição que havia montado.

Assim, Abraxas a guiava orgulhoso pelo local, onde bruxos de todas as idades se reuniam, em sua maioria bebendo, animados, enquanto alguns outros dançavam no centro. Muitos acenavam para si, velhos conhecidos, enquanto seu pai se aproximava do casal Black, que poderiam ser facilmente reconhecidos em qualquer lugar.

Druella Black era realmente linda, com seus cabelos loiros claros, de um tom muito próximo ao de Aurora, presos em um coque elaborado no topo de sua cabeça. Isso deixa o rosto aristocrata totalmente amostra, sempre permeado por um sorriso que, para alguns, era claramente falso, porém nunca deixando de ser admirável.

Ao seu lado, Cygnus estava imponente em um pelo traje preto, com seus cabelos negros se destacando ao lado da esposa. Tinha toda as características dos Black, principalmente os olhos escuros e afiados, que fitavam pai e filha.

— Cygnus, meu grande amigo, que bom que pode vir! — cumprimentou o colega com um caloroso aperto de mãos e, em seguida, depositou um suave beijo dos dedos de Druella. A bebida já o deixava sociável o suficiente, porém por baixo de todos as afetividades, a verdadeira intensão do baile era clara.

Abraxas precisava falar com os homens mais importantes e influentes do mundo bruxo.

— O prazer é meu — disse o outro, movimento a cabeça de leve. — Aurora, é um prazer revê-la.

A jovem sorriu, agradecendo. Conhecia a família Black muito bem, já que frequentava a casa deles sempre, graças a amizade profunda e sincera que possuía com as três filhas do casal.

Druella retribuiu seu sorriso, sempre havia gostado muito da garota.

— Está cada dia mais parecida com Lucrécia — elogiou a mulher, recordando com carinho a falecida amiga. Aurora corou com o elogio, sentindo-se acolhida. Sempre que lhe comparavam a mãe sentia uma ponta de saudades, ainda que achasse impossível realmente sentir falta de alguém cujo qual jamais conheceu.

— Obrigada, devo dizer também que Narcissa está a cada dia mais parecida com a senhora — retribuiu, fazendo um brilho de orgulho surgir em seus olhos azuis.

— Falando em Narcissa... imagino que queira se juntar as garotas de sua idade, querida — seu pai afirmou, dispensando-a com suavidade— tenho assuntos a tratar em particular com o Sr. Black.

— Claro, papai. — Ela disse, grata por poder se aproximar dos seus amigos.

Se despediu deles com um aceno de cabeça. Antes de se afastar totalmente pode ouvir um murmúrio de Cygnus: “ele nos quer dentro do Ministério, no controle, acho que está planejando algo grandioso”, conteve um suspiro.

Havia algo novo no ar, escapando por entre comentários baixos dos mais velhos. Ninguém sabia ao certo o que era, mas todos estavam temerosos.

Após se afastar alguns passos, parou, olhando em volta do salão, procurando qualquer alma conhecida. Quase suspirou de alivio ao encontrar Alexandra e Morgana, juntamente as três primas Black, em um canto mais afastado do salão. Ao se aproximar, notou uma Bellatrix profundamente irritada.

— Olá – as cumprimentou, recebendo sorrisos de todas, exceto da mais velha, que encarava com fúria um ponto atrás de si. — O que houve, Bellatrix?

— Rodolphus está aqui. — Explicou Narcissa, revirando os belos olhos azuis. — Bella está tentando fulminar ele com o olhar, no lugar de aproveitar a noite.

A jovem encarou a irmã, aparentemente mais irritada ainda com o comentário. Aurora se virou, procurando o Lestrange, encontrando-o junto com os primos, Gregory e Marjorie. Notou que uma verdadeira raiva transparecia em seu olhar, direcionada exatamente para sua noiva. Conteve uma risada.

— Quer apostar quem assassina quem primeiro? —sussurrou Alexandra, se aproximando de Aurora e evitando que a prima as ouvisse. — 50 galeões na Bella.

— Feito — disse, rindo baixo, tentando evitar que a fúria da morena se voltasse para si. — Ela é durona, mas Rodolphus é mais velho e inteligente.

A Rosier se limitou a balançar a cabeça lentamente, um sorriso irônico espalhado em sua face. Aurora não se incomodou, conhecia bem a garota para saber que a mesma apostaria todo o dinheiro da família em Bella, sem pensar duas vezes. A venerava, como um religioso e sua divindade.

Uma música mais animada começou a tocar no salão, fazendo alguns casais sorrirem e irem em direção ao centro. Aurora se surpreendeu a notar a raiva contida de Bellatrix se dissipar em um sorriso cruel, quando um jovem se aproximou do grupo.

— Senhoritas — a voz de Anthony Fimmel era facilmente reconhecida. Era um dos principais amigos da mais velha dos Black, sempre lhe acompanhando em diversas detenções. Muitos acreditavam que tinham um caso, Aurora possuía suas dúvidas sobre isso. Conhecia o garoto melhor do que ele imagina, afinal. — Que prazer encontra-las essa noite.

— Achamos que você não viria mais — Narcissa comentou, tomando um longe gole da taça de vinho que segurava. Assim como ela, só poderia beber em tais festas.

— Você sabe que eu não perderia essa adorável festa, pequena Black — comentou em um tom sarcástico, irritando Cissa com o único apelido que usava para se referir a ela. — Além disso, alguém precisa tirar Bella dessa nuvem negra de mal humor.

— Bom que sabe — a mesma comentou, largando sua própria bebida na mão de Andrômeda. — Dance comigo, acho que isso não vai agradar meu adorado noivo.

A palavra saiu com desgosto da boca dela, agradando o jovem. Rodolphus e Anthony nunca se deram bem, sempre competindo nas classes de duelo, trocando farpas e disputando amizades.

Ele segurou sua mão, a puxando para o meio de tantos casais que dançavam animadamente. Não demorou até Bellatrix se aproximar mais do que deveria, soltando risos provocativos.

— Que papai não veja isso... — suspirou Andrômeda, preocupada com a reação que Cygnus poderia ter, vendo a filha irritar tão explicitamente o noivo.

— Bellatrix sabe o que faz — Morgana disse, enquanto Aurora notava que Alexandra já estava alheia a conversa delas, os olhos percorrendo o salão em busca de alguém.

— Duvido um pouco disso. Se não se importam, vou procurar Norma — Andrômeda disse, se referindo a jovem Burks, e logo se afastou, sobre o olhar desconfiado de Narcissa lhe seguindo em meio as pessoas. A caçula dos Black soltou um profundo suspiro.

— Ah, finalmente! — Alexandra exclamou, atraindo o olhar das duas garotas. — Achei que seu irmão fosse ficar trancado naquele quarto dele o resto da noite. Rosamée está com ele, venham.

Alexandra as guiou, com a Malfoy ao seu lado, através do salão, em direção aos dois adolescentes conversando animadamente.

A jovem era amiga de infância dos gêmeos, visto que Cora, sua mãe, era madrinha de Aurora, fazendo com que os três fossem extremamente próximos. Muitos apostavam que, um dia, a jovem acabaria se casando com e era divertido ver como a ideia deixava ambos enjoados.

Não vou beijar alguém que é como um irmão, insistia a Rosier sempre que tocavam no assunto.

De qualquer forma, sabia também que tanto ela quanto Narcissa apenas esperavam Bellatrix se afastar, para poderem se aproximar de Rosamée, cujo qual todos sabiam que vivia em uma eterna, e perigosa, guerra com a primogênita dos Black.

Porém, o sorriso elegante da Rosier rapidamente se desfez quando se aproximou o suficiente para notar que os dois não estavam sozinhos. Marya, Beatrice e Demetrius conversavam com ambos.

Aurora se lembrou da amiga comentando que o pai pensava em casa-la com o Sancoeur. Sabia que os dois nunca haviam tido uma conversa sozinhos e a fama dele pela escola não era nada atraente, principalmente para uma garota de família tradicional que presava a honra.

— Nós não precisamos ir lá, se você não quiser — disse Aurora, tentando aliviar o clima. Seu olhar cruzou com o irmão, que conteve um sorriso ao ver porque as meninas se negavam a se aproximar. Ele sempre achava os conflitos entre Alex e Demetrius hilários, visto que ambos eram seus melhores amigos.

Narcissa parou de andar ao notar a prima apreensiva.

— Posso chamar Rosamée e darmos uma volta no jardim com Andrômeda, soube que os Malfoy têm lindos pavões...

— Não, Cissa, não precisa — Alexandra suspirou e sua mão segurou a de Aurora com força, buscando calma. — Eu estou bem, meninas. Ele nem é meu noivo ainda e mesmo que fosse, não vou evitar ir em lugar algum por isso.

Elas concordaram, se aproximando de forma mais lenta, até Rosamée as notar e sorrir para as garotas.

— Já estava na hora de vocês aparecerem — comentou animada, enlaçando o braço no de Narcissa, dizendo algo no ouvido da Black que a fez rir calorosamente.

— E finalmente o Sr. Malfoy nos deu a honra de sua presença — comentou Alexandra, olhando para Lucius com divertimento e, claramente, ignorando Demetrius ao lado dele, que lhe observava um tanto quanto curioso. — Achei que ia se trancar no seu quarto até o fim dos dias.

— Seu exagero me comove — ele revirou os olhos, um sorriso quase lhe escapando pelos lábios. Lucius sempre havia sido muito reservado e sério, até mesmo tenso, era difícil vê-lo sorrir, mesmo entre amigos.

— Morgana, eu trouxe um livro da minha última viagem que eu acredito que você irá gostar. — Marya comentou descontraída, com seu sotaque russo um pouco acentuado; Aurora precisava admitir que a jovem era muito bonita e logo, seu olhar astuto caiu sobre ela demoradamente.

— Se for tão bom quanto o último que me emprestou, vou adorar —respondeu, sorrindo polidamente.

Pelo canto do olho, sua atenção foi cativada por Alexandra com uma expressão curiosa, e com surpresa ela notou ser para Demetrius, que narrava alguns problemas no Ministério, onde seu pai trabalha.

— .... ao que parece o Ministro que aprovar uma lei que aproxime trouxas e bruxos. Um absurdo, é claro. O mais estranho, contudo, é que um de seus mais fervorosos apoiadores acabou sendo assassinado semana passada, em situações suspeitas. Artes das Trevas, sabe? Meu pai não quis explicar direito, há muita coisa ainda sendo escondida.

Alexandra e Lucius se encararam. A jovem havia lhe contado que alguns dias atrás estava na casa dele, quando ouviram uma conversa estranha no gabinete de Abraxas, juntamente com Cygnus e Louis Rosier, pai de Alexandra.

Sua mão foi apertada com mais força, finalmente ela notou que a amiga ainda não havia lhe soltado. Aquela seria uma longa noite. Rosamée parecia desconfortável com a conversa, todos sabiam que ela não compartilhava as opiniões puristas de seus amigos.

— Possivelmente tem relação com esse novo político que papai tanto fala... — Narcissa comentou, um tanto distraída, olhando na direção de Lucius. Aurora suspeitava que ela tinha uma paixão infantil por ele.

Bebeu um gole de hidromel para disfarçar o sorriso, notando o jogo da garota: política realmente não era algo que ela dava tanta atenção, embora soubesse o necessário, e agora ela parecia realmente conhecedora do assunto.

— Ninguém nunca diz o nome dele, já repararam? — soltou, também curiosa pela conversa. — Dizem que ele é bem tradicional, mas nunca falavam abertamente sobre o assunto.

— Provavelmente é alguém inteligente o suficiente para não se expor e usar outras pessoas para seus fins. — Refletiu Marya, causando um arrepio em todos.

Aurora conhecia a história de sua família – seus pais haviam caído em desgraça após apoiarem Grindelwald, que culminou na sua morte. Porém, os contatos influentes de seu irmão mais velho fizeram eles se mudarem para a Inglaterra e se aproximarem dos Malfoy.

De alguma forma, isso fazia com que ela ficasse ainda mais intrigada pela garota.

— A questão é: que fins? Políticos tradicionais temos de monte, na verdade. Richard Sancoeur, meu pai, Abraxas, tio Cygnus.... A lista é extensa. E todos esses homens não falariam sobre um em especial, se ele não tivesse alguma ideia diferente — Alexandra disse, claramente animada com o rumo da conversa. Ela, ao contrário da prima, era apaixonada por assuntos políticos.

— Temo pelo dia que iremos descobrir os meios e fins dele. — Respondeu Rosamée, cada vez mais desconfortável.

— O fato é que se ele for tudo que falam, as pessoas vão ter que começar a escolher lados... — Disse Demetrius, sem desviar o olhar de Alexandra por um segundo sequer.

— E é isso que vai definir tudo, até mesmo nosso futuro. – Lucius concluiu.

Mal sabiam eles o quanto deveriam temer.

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Bellatrix Black.

Mansão Black.

Bellatrix não conseguia dormir. A festa já havia acabado há horas e ela continuava se revirando em sua cama, o sono nunca chegando, os minutos passando incrivelmente devagar. Às vezes, as sombras na parede pareciam se mover de forma diferente do usual e a garota controlava a vontade de sair correndo.

Não queria ter dormido sozinha e, agora, se arrependia de não ter pedido para Narcissa ou Alexandra ficarem consigo. As cicatrizes em suas costas pareciam queimar cada vez que a mesma se movia, fazendo-a apertar os lençóis em suas mãos.

Ela suspirou, engolindo o desejo de chorar.

As noites insones haviam se tornado cada vez mais frequentes, não importava a quantia de remédios que seus pais lhe dessem, ela simplesmente não conseguia fechar os olhos.

Porém, algumas noites eram piores que outras, recheadas de sombras e a aquele sussurro na sua mente, aquela voz que nunca, jamais, lhe deixava em paz, o barulho que todos os outros teimavam não ouvir, mas ela sabia que estava ali, sempre chamando seu nome.

Bellatrix...

Suspirou, erguendo-se da cama e jogando os cobertores longe. Seu coração batia um tanto acelerado.

Seu quarto era feito de cores escuras. Todas as paredes pintadas em um tom de cinza, com móveis de mogno espalhados, onde o único ponto de pureza eram os brancos lençóis. Ao redor, o único adorno se encontrava ao lado da cama: era um quadro cilíndrico, que permanecia girando, alterando duas imagens – a de uma mulher loira, com belos cabelos esvoaçantes e uma representação da lua crescente; oposto a ela estava o desenho de um homem com longos cornos de cervo e vários desenhos espalhados pela beirada do círculo. Conforme girava, ambos se alternavam, hora em cima, hora em baixo.

A jovem parou diante da imagem, ainda assustada, virando as costas para as sombras que ela tanto temia. Em baixo do quadro circular, estava uma mesinha, com alguns objetos – no centro, um pequeno caldeirão vazio, em cada lado dele tinham velas e estátuas, assim como um cálice, um athame e um pequeno bastão de madeira ornamentada.

Eram singulares, porém de tamanha importância. Bellatrix se ajoelhou em frente à mesa, recitando palavras em uma língua antiga e baixa. Essa já era uma ação constante em suas noites, quando o sono não lhe vinha, havia se tornado a única saída que lhe dava paz. Há muito se entregou para as velhas tradições religiosas da família, se tornando uma devota da magia antiga e, considerada por alguns ignorantes, obscura demais para ser utilizada.

As lembranças começavam a vir para si como flashs, as noites no hospital, os curandeiros, as amarradas da cama...

— Pare — pediu, mas quando fechava os olhos conseguia sentir a água gélida em sua pele, causando desespero. — Pare!

Seu grito ressonou pelo quarto e sua mente, obediente, afastou os pensamentos das lembranças antigas do ano anterior. Suspirou, virando sua atenção para o quadro que se movia diante de si.

Ao ouvir um barulho atrás de si, parou bruscamente seu ato religioso e virou-se, procurando a origem do som e encontrando apenas a parede escura, as sombras agora não se moviam, nada parecia fora do lugar.

Ignorando o arrepio e as sensações estranhas que agora faziam suas palavras fluírem mais rápidos, Bellatrix voltou a rezar, tentando acreditar que havia sido apenas algum pássaro batendo em sua janela, porém não conseguia se livrar daquela sensação alarmante em seu peito.

Às vezes, simplesmente sabemos quando o furacão está chegando.

Notas finais
Essa parte da Bellatrix é muito importante para a história - ela ainda não é Bella insana e homicida que conhecemos e Pecados vai mostrar justamente porque e como ela se tornou tal pessoa. É isso, espero que tenham gostado e até semana que vem!