Pecados Íntimos

5 Capítulo 4 – Doutor Damon Salvatore


Notas iniciais
Mais uma vez, obrigada pelos comentários. Fic está com uma capa nova feita para Wendy Falls, o que vocês acharam? Aqui está o cap mais esperado por todos... Espero que gostem

Acordei assustada sem saber aonde eu estava, foi ó depois que lembrei que aquele era o meu antigo quarto na casa do meu pai em Mystic Falls. O local estava exatamente do mesmo jeito que quando eu fui embora para a faculdade: uns CDs de quando eu era adolescente, livros que não quis levar para Nova York, algumas fotos e uma boneca de porcelana que eu pensei em dar para Eve, mas só quando ela for mais velha pois agora pode quebrá-la.

Peguei uma calça jeans e uma blusa qualquer e fui para o banheiro tomar uma rápida ducha. Quando fui até o quarto de Jer acordar a minha filha, vi que ela não estava mais na cama, então a encontrei sentada na mesa da cozinha.

– Bom dia, irmãzinha! — Jer sorriu assim que me viu – Eu fiz panquecas, você vai querer alguma?

– Você fazendo panqueca? — franzi a testa, quando morávamos juntos, Jeremy nunca tinha nem tocado no fogão – Quem é você e o que fez com o meu irmão caçula.

– Engraçadinha – fez uma careta para mim – Já disse, morar sozinho me fez aprender a cozinhar e a Eve esta adorando a minha panqueca.

– Está boa mesmo, mamãe! — ela concordou.

Então eu me sentei e peguei uma panqueca e coloquei um pouco de geleia de morango e uma xícara de café com leite.

– Bom, eu tenho que dar um braço a torcer, Jer – brinquei – A sua panqueca é mesmo uma delícia.

– Parece a panqueca que a Bonnie faz, não é mamãe? — Eve comentou.

– Tem razão – concordei. E era verdade, essa panqueca parecia muito com a de Bonnie, se eu não soubesse que os dois não se conhecem, imaginaria que meu irmão tinha pego a receita com ela.

– Quem é Bonnie? — Jeremy perguntou, reforçando o meu pensamento anterior.

– É a nossa governanta – expliquei – E sabe, ela é a melhor cozinheira de toda a cidade de Nova York.

– Eleninha com uma governanta em casa – cruzou os braços e me encarou – Acho que você está virando uma daquelas peruas que não lava um copo em casa e passa o dia inteiro na academia e no salão de beleza.

– Engraçadinho – mostrei a língua para ele em um gesto bem infantil – Em minha defesa, eu não queria uma governanta, mas o Klaus insistiu, disse que seria bom para eu ter um ajudar, principalmente depois que a Eve nascesse e ele tinha razão.

– Bom, desde que você esteja feliz, para mim está tudo bem – deu de ombros.

Dei um fraco sorriso em resposta, felicidade é uma coisa muito relativa. Quem olha de longe pode, realmente, pensar que eu estou feliz, afinal eu tenho um belo marido que me dá tudo, um apartamento maravilhoso no sul de Manhattan e uma linda filha. Mas nada disso compra o tempo que eu quero passar com o meu marido, não faz ela parar de trabalhar tanto, ainda espero que essa seja apenas uma fase.

De repente uma música romântica preencheu o ambiente, era o celular de Jeremy. Achei aquilo muito estranho, meu irmão nunca foi sentimental a esse ponto, quem será?

– Com licença, eu tenho que atender – avisou enquanto pegava o aparelho – Oi, estava esperando a sua ligação – disse, um sorrio bobo nos lábios – O meu pai continua internado, mas está conversando – ficou alguns segundos em silêncio, enquanto a pessoa do outro lado da linha falava – A minha irmã e a minha sobrinha chegaram ontem a Mystic Falls e eu estou aqui paparicando um pouco as duas.

Então ele saiu para continuar conversando, agora eu tinha toda certeza do mundo de que se tratava de uma garota.

– Sabe, Eve – sussurrei para a minha filha – Acho que o seu tio Jeremy tem uma nova namorada.

– Tio Jeremy tem uma namorada? — fez uma careta – Isso quer dizer que ele vai ter menos tempo ainda para mim.

– Ora, mas é claro que não – passei a mão pelo seu cabelinho – Só que agora você vai ter uma outra tia.

Igual a tia Bekah? — ficou totalmente animada nesse momento, ela adorava mesmo a irmã de Klaus.

– Bom, mas ou menos – tentei explicar. Nesse momento Jeremy voltou, ele já tinha deligado o telefone.

– Podemos sair a hora que vocês quiserem – avisou – O horário de visita já deve estar para começar.

– Certo, me deixa terminar de comer e já poderemos ir – avisei – Mas antes me fale uma coisa, quem é ela?

– Ela quem? — e fingiu de desentendido – Não tenho a menor ideia do que você está falando.

– Ora, Jer, eu não estou idiota – insisti – Sei muito bem que você estava falando com uma namorada.

– Certo! — deu um longo suspiro e se sentou em frente a mim – O nome dela é Anna e está no primeiro ano do curso de jornalismo. Fui voluntário na recepção aos calouros do último semestre.

– Que fofo! — sorri – Papai já conhece ela?

– Não pessoalmente! — explicou – Pretendo trazê-la nas próximas férias para conhecer Mystic Falls, mas esse não seria o melhor momento para fazer isso, não acha?

– Com certeza – concordei – E eu também quero conhecer a minha nova cunhada, já vou avisando.

– E você irá conhecê-la – garantiu.

Menos de meia hora depois estávamos saindo de casa, rumo ao hospital. Fomos até a recepcionista, que estava olhando alguma coisa na tela do computador e lixando a unha.

– Com licença, meu nome é Elena Gilbert – disse – Meu pai, Grayson Gilbert, está internado na UTI e eu queria visitá-lo.

– Um minuto – ela começou a digitar algo enquanto falava – Aqui está, Grayson Gilbert, as visitas na UTI já começaram, mas só poe entrar uma pessoa por vez.

– Tudo bem! — Jer falou – Eu fico aqui com Eve enquanto você vê o papai, tudo bem?

Não pude deixar de me sentir aliviada nesse momento. UTI não era mesmo o lugar para uma menina de dois anos, era melhor ela ficar aqui com o meu irmão.

– Mas eu queria ver o vovô – Eve ficou totalmente emburrada – Por que eu não posso ir também.

– Depois você vai ver o vovô, meu amorzinho – garanti, dando um beijo na sua bochecha – Fica um pouquinho aqui com tio Jer, tudo bem?

– Certo! — concordou, por fim.

– Vou levar ela para a lanchonete, tudo bem? — meu irmão avisou.

– Está bem – concordei – Se ela se comportar bem você pode dar um sorvete para ela, mas não muito perto do almoço ou ela vai perder o apetite.

Logo apareceu uma enfermeira que me levou até a porta da UTI, que ficava no segundo andar do hospital. Meu pai estava ali deitado na cama, cheio de tubos ligados ao seu corpo e um aparelho monitorando a sua frequência cardíaca. Senti uma dor no coração ao vê-lo desse jeito.

– Pai... — sussurrei, ele virou na direção em que eu estava.

– Elena! — sorriu e estendeu a mão na minha direção – Que surpresa ver você aqui hoje.

– Achou mesmo que eu não fosse vir? — comentei – Quando o Jeremy me ligou ontem, eu quase morri de preocupação.

– Eu estou bem – garantiu – Não precisava ter vindo de Nova York até aqui tão rápido assim.

– Claro que eu precisava – me aproximei da cama e passei a mão pelo seu braço – Não tem ideia do quanto eu estou feliz por te ver assim tão bem.

– Relaxa, você não vai se livrar de mim assim tão fácil – riu – Não vai ser um enfarte que vai me derrubar.

– É bom mesmo que não – fiquei séria – Sabe que agora vai ter que começar a se cuidar, não é mesmo?

– Sim, eu sei, seu irmão já me falou isso tudo quando esteve aqui ontem – revirou os olhos – Mas vamos mudar de assunto, cadê a Eve? Ela não veio com você?

– Veio sim – afirmei com a cabeça – Ela está com o Jeremy, agora. Não pode entrar comigo.

– É uma pena – deu um suspiro triste – Queria tanto ver a minha netinha. Já faz mais de seis meses desde que eu fui visitar vocês em Nova York, aposto que ela deve ter crescido bastante.

– Ela cresceu cinco centímetros desde o último natal – expliquei – E vou falar com o seu médico depois para saber se eu posso trazer a Eve para vê-lo – talvez seja bom mesmo para o meu pai ver a neta um pouco, mal não vai fazer.

– Bom dia, Grayson, está na hora dos seus exames – alguém começou a falar enquanto abria a porta.

Quando eu me virei, lá estava ele. Não era tão alto, apenas alguns centímetros a mais do que eu, seu cabelo era preto e os olhos bem azuis, era muito bonito, isso não tem como negar. Usava um jaleco branco o que me fez supor que era médico, mas era bem novo, não devia ter muitos anos de formado.

– Desculpa, não sabia que você tinha visitas – parecia totalmente sem graça nesse momento.

– Damon, essa daqui é Elena, minha filha mais velha – meu pai fez as apresentações – Esse é Damon, ele está cuidando de mim enquanto estou aqui.

– É um prazer, finalmente conhecê-la, senhorita Gilbert – estendeu a mão para mim –Seu falou muitas coisas a seu respeito.

– Na verdade, é senhora Mikaelson – retribui o seu gesto, o cumprimentando – Mas, você disse que meu pai falou a meu respeito, como assim.

– Oh sim, me desculpe – dei um sorriso torto totalmente encantador – Seu pai foi meu supervisor quando eu fiz a residência aqui no hospital de Mystic Falls. Foi graças a ele que eu escolhi a cardiologia.

– Não sabia que você era supervisor dos residentes, pai? — me virei, em dúvida, para ele.

– Foi só da turma do Damon – explicou – Eles estavam sem ninguém para esse serviço, então me candidatei.

– Certamente foi o melhor professor que eu já tive e não estou falando isso só porque eu ele está bem aqui – garantiu – E quando eu soube o que aconteceu, fiz questão de ser o médico a cuidar dele.

– E está me fazendo sofrer desde ontem – meu pai revirou os olhos.

– Dizem que os médicos são os piores pacientes – deu de ombros – Quem inventou essa frase não poderia estar mais certo.

– Está vendo, pai – o reprovei – Você tem que parar de dar trabalho para o seu médico, não ia querer que fizessem a mesma coisa para você, não é mesmo?

– Certo! — revirou os olhos, como uma criança.

– Doutor Salvatore, será que eu posso conversar com você por um minuto? — perguntei, me virando novamente para o médico.

– Claro! — concordou – Mas antes eu preciso fazer uns exames no seu pai, se não se importar de esperar um pouco.

– Não me importo, vou esperar lá fora – avisei – Tchau, pai, comporte-se – dei um beijo na sua testa.

– Pode deixar, eu sempre me comporto – brincou – E não se esqueça de perguntar que se a Eve pode vir aqui da próxima vez.

– Vou perguntar – garanti.

Sentei em um banquinho que ficava bem em frente a UTI. Abri a bolsa e peguei o celular que estava no modo silencioso, estava recebendo uma ligação e reconheci o número de minha casa.

– Alô! — disse, atendendo a ao telefonema.

Lena! – era a voz do meu marido – Eu te liguei três vezes e você não atendeu e também liguei na casa do seu pai, fiquei preocupado.

– Desculpa, meu amor, é que eu estava dentro da UTI com o meu pai e coloquei o celular no silencioso – expliquei.

Oh sim, entendo – falou – E como é que ele está?

– Parece bem – dei um longo suspiro antes de responder – O médico está fazendo alguns exames e eu estou esperando para conversar direito com ele.

Mas você já conseguiu falar com ele, isso é um bom sinal – lembrou – E a minha princesinha, está ai com você?

– Não, a Eve está na lanchonete do hospital com o Jer – sorri, adorava quando ele se referia a nossa filha desse jeito – Ela está bem feliz por conhecer Mystic Falls, acho que amanhã vou levá-la na pracinha aonde eu ia com a minha mãe quando tinha, mais ou menos a idade dela, é uma das lembranças mais fortes que eu tenho dela.

É uma ótima ideia, tenho certeza de que a Eve vai amar – concordou – Ontem eu contei para a minha mãe que você fosse uma viagem de emergência para Mystic Falls por causa do seu pai e ela mandou dizer que está rezando por ele.

– Diga a ela que agradeço – nesse momento a porta dupla da UTI abriu e o doutor Salvatore saiu lá de dentro – Klaus, eu tenho que ir, o médico do meu pai acabou de aparecer.

Tudo bem, vai lá falar com ele, então – se despediu – Eu te amo, Lena.

– Eu também! — foi tudo que eu disse, por algum motivo, não consegui falar a palavra “amor” perto daquele homem, achei que me faria parecer patética.

– Desculpe, eu não queria interromper a sua conversa – falou no momento em que eu guardei o celular na bolsa e me levantei.

– Tudo bem – o tranquilizei – Era o meu marido, queria saber como estava tudo por aqui.

– Seu marido – passou a encarar os próprios sapatos – É tão estranho pensar em você como uma mulher casada, é tão nova.

– Obrigada pelo elogio – enrolei a ponta do cabelo com o dedo – Eu tive filho cedo e acabei casando sendo também.

– É uma pena – acho que ele disse sem querer, pois logo se arrependeu – Quero dizer, casando cedo e com um bebê para criar você deve ter perdido a sua liberdade e não pode aproveitar muita coisa.

– Não posso mentir, eu engravidei logo depois de me formar na faculdade, gostaria de ter aproveitado mais e talvez me estabilizado profissionalmente, mas eu também não trocaria a minha Eve por nada desse mundo – dei um sorrio bobo, como todas as vezes que falava da minha filha – Mas agora me diga uma coisa, e quero que seja sincero comigo, como está o meu pai.

– Bom, senhora Mikaelson, não posso dizer muita coisa além do que eu conversei com o seu irmão ontem – explicou – Foi um infarto bem agressivo e o estado dele ainda expira cuidados, quero deixá-lo em observação na UTI por pelo menos 48 horas, esse, normalmente, é o tempo mais perigoso depois de uma ataque cardíaco. Mas eu fiz os exames e ele continua da mesma maneira, não apresentou melhora e também não piorou, o que é um bom sinal.

– Depois a Eve, meu pai é a pessoa mais importante da minha vida – falei – Então eu te peço, por favor, faça qualquer coisa para salvá-lo.

– Eu farei, senhora Mikaelson, quanto a isso pode ficar tranquila – garantiu.

– E, por favor, me chame de Elena – pedi – Senhora Mikaelson é a minha sogra, não que eu não goste dela, mas isso me faz com que eu me sinta muito velha.

– Tudo bem, Elena – ouvir meu nome sair da sua boca fez com que meu corpo inteiro se arrepiasse – Mas só se você me chamar de Damon.

– Damon... — repeti o nome dele.

– Se dependesse de mim eu ficaria aqui conversando com você o dia inteiro – admiti – Mas eu tenho outros pacientes internados para visitar, então, acho que nos vemos depois.

– Claro, eu também preciso ir – dei um suspiro triste, a verdade é que eu também queria ficar ali conversando com ele – Só mais uma coisa, meu pai disse que queria ver a Eve, será que eu poderia trazê-la para visitá-lo amanhã no horário de visitas.

– Mas é claro que sim – afirmou – Pode trazê-la amanhã, vai ser bom para o Grayson ver a neta. Ele também fala muito dela.

Doutor Salvatore, por favor, dirija-se a emergência – a voz saída do alto-falante ecoou por todo o ambiente.

– Agora eu preciso mesmo ir – disse em seguida – Só quero dizer que foi um prazer, finalmente, conhecê-la, Elena.

Ele se inclinou e me deu um beijo na bochecha, fazendo com que eu ficasse extremamente vermelha.

– Digo o mesmo, Damon – foi a última coisa que eu disse antes de me afastar.

Não sei o que estava acontecendo comigo, tudo bem, o Damon era lindo, qualquer uma podia enxergar isso, mas nada justificava a minha atitude. Eu estava parecendo uma adolescente boba e deslumbrada com o primeiro amor e não é assim que coisas tem que funcionar agora.

Dei uma olhada na aliança de ouro brilhando na minha mão esquerda, eu sou casa e tenho uma marido preocupado comigo e esperando por mim lá em Nova York, sem contar que também sou mãe e preciso dar um bom exemplo para a minha filha. Está decidido, preciso tirar esses pensamentos da minha cabeça.

Quando cheguei a lanchonete Jeremy estava sentado em uma das mesas juntamente com Eve, que devorava um enorme sorvete de chocolate.

– Mamãe! — ela sorriu, sua boquinha estava toda suja de calda.

– Oi, minha gatinha lambuzada – ri enquanto pegava um guardanapo e a limpava – Pelo jeito vocês se divertiram muito.

– Sim! — afirmou – O tio Jer é muito legal, ele comprou esse soverte para mim.

– Eu estou vendo! — ri – É bom ele saber que se todo esse chocolate te deixar elétrica, ele vai ter que ficar de olho em você.

– Pode deixar – meu irmão concordou – E como foi lá com o papai?

– Tudo ótimo, eu consegui falar com ele – respondi – E também falei com o doutor Salvatore.

– Isso é bom – concordou – E está tudo bem mesmo, Lena? Você parece preocupada com alguma coisa.

– Está tudo bem, Jer – menti.

Então esperamos Liv terminar o sorvete e fomos embora. Por sorte não encontrei mais com Damon na saída do hospital, mas sei que não vou conseguir evitá-lo para sempre.

Notas finais
E então gente, o que acharam do primeiro encontro do Damon e da Elena? Deu para ver que a Lena ficou bem mexida não foi. No próximo cap teremos o ponto de vista do Damon e vocês vão entender o que se passa na cabeça dele. Bom, é isso, comentem e digam o que estão achando. Será que é muito cedo para pedir recomendações?