Pecados Íntimos
13 Capítulo 12 – Foi um erro?
Notas iniciais
Quando eu acordei já estava de manhã. Devia estar mesmo cansada, pois eu simplesmente apaguei. Me virei na cama e Damon ainda estava dormindo, seu semblante era tranquilo. Passei a mão pelo seu cabelo e ele resmungou sem nem ao menos abrir os olhos.
– Hora de acordar, Damon – sussurrei, aproximando meu rosto do dele.
– Não quero! — reclamou, colocando o travesseiro em cima do rosto – Me deixe dormir por mais cinco minutos, por favor.
– De jeito nenhum! — não pude deixar de rir, pelo jeito ele era muito manhoso de manhã – Deixa de ser preguiçoso.
– Não estou sendo preguiçoso, é que hoje é o meu dia folga – lembrou – Acordo cedo todo dia para ir ao hospital, acho que mereço dormir um dia na semana até mais tarde.
– Tudo bem, acho que você não me deixa escolha – com um sorriso malicioso, eu sentei em cima da sua perna e beijei o seu umbigo e fui subindo no seu peitoral até chegar a sua boca, aonde depositei um selinho – E agora, você vai levantar?
Damon inverteu as nossas posições e voltou a me beijar. Continuamos assim até que o ar nos foi necessário e então ele encostou a testa contra a minha.
– Essa sim é uma bela maneira de acordar – sorriu e passou a mão pelo meu cabelo – Você dormiu bem?
– Maravilhosamente bem – admiti – Infelizmente agora é hora de acordar para a realidade.
Por mais que estivesse tudo bom, precisava voltar para casa, já tinha passado tempo demais aqui.
– Como assim é hora de acordar para a realidade? — me olhou totalmente confuso.
– Era para eu ter ido embora ontem à noite – lembrei – Não era minha intenção dormir aqui.
– Mas eu queria que nós dois passássemos o dia todo juntos, aproveitando que hoje eu não preciso ir para o hospital – escondeu o rosto no meu ombro de modo que eu pudesse sentir sua respiração quente contra o meu pescoço – Podemos tomar um café da manhã reforçado, assistimos um pouco de televisão até a hora do almoço, pedimos uma pizza e passamos a tarde inteira na cama.
– Tentador, mas não posso – mesmo não querendo, tive que responder – Pedi para a tia Jenna ficar algumas horas olhando o meu pai e a Eve e já estou fora há quase doze horas, ela já deve estar totalmente preocupada.
– Liga e fala que você foi até a casa da Caroline e ela pediu para você dormir lá – sugeriu – E também diz que precisa ficar com a sua amiga mais um pouco.
– Quer que eu ligue para a minha tia e minta dizendo que estou na casa da minha melhor amiga enquanto eu estou aqui com você? — me fingi de chocada – Oh céus! Estou me sentindo com 15 anos novamente.
– Então você enganava seu pai e a sua tia quando tinha 15 anos? — sorriu – Mas que coisa feia, Elena.
– Talvez eu tenha feito isso umas duas ou três vezes – dei de ombros – O que não significa que eu vá fazer de novo.
– Sem graça! — me mostrou a língua em um gesto bem infantil – Mas, pelo menos, aceita tomar café da manhã comigo.
– Tudo bem, mas só o café da manhã, não vai me convencer a ficar mais – adverti – Como você fez aquela omelete para mim ontem, eu vou fazer o nosso café da manhã.
– Oba, vou adorar comer alguma coisa que você preparou – aproximou-se de mim e me deu um selinho, acho que poderia me acostumar com isso – Precisa de ajuda com alguma coisa?
– Não precisa – neguei com a cabeça – Posso me virar sozinha na sua cozinha.
– Perfeito! — se levantou da cama – Acho que vou tomar banho, caso você termine antes de eu sair, pode ir me acompanhar.
– Quem sabe eu faça isso – dei um sorriso malicioso e ele me correspondeu antes de caminhar na direção do banheiro.
Fiquei alguns segundos pensando no que fazer para o café da manhã, até que me decidi por panquecas, era a minha especialidade e não tinha perigo de eu errar, pois conseguia preparar de olhos fechados. Quando eu ouvi o barulho do chuveiro eu me levantei, ainda estava usando a camisa do Damon, mas não queria me trocar agora, teria tempo para isso depois.
Nossas roupas estavam espalhadas por todos os cantos da sala e eu comecei a recolher e colocar tudo em cima do sofá. Peguei a minha bolsa e decidi ver o meu celular, não tinha nenhuma chamada perdida, o que era um alívio, significa que eu não estou tão perdida assim.
– Acho melhor levar isso para a cozinha comigo – comentei sozinha.
Deixei o aparelho em cima da mesa e comecei a abrir todos os armários procurando os ingredientes da panqueca. Já tinha pegado tudo quando ele começou a tocar. Na tela estava aparecendo um número que eu conhecia muito bem, o da casa da minha sogra.
– Alô! — parecia que meu coração ia sair pela boca, tamanho era o meu nervosismo.
– Elena, meu amor!– e lá estava a voz inesquecível de Klaus – Liguei na casa do seu pai e a sua tia disse que você saiu ontem à tarde e não tinha voltado ainda, confesso que fiquei preocupado.
Ótimo, meu marido não tem o costume de ligar em nenhum momento, mas tinha que fazer isso logo hoje. Era muita falta de sorte minha mesmo, ou então era um sinal.
– Eu estou na casa da Caroline – decidi usar a “desculpa” que Damon sugeriu – Ela queria fazer uma festa do pijama, para relembrarmos o tempo que estávamos na escola.
– Parece divertido, fico feliz que tenha passado um tempo com a sua amiga – comentou – Mas você podia ter levado a Eve com você.
– Ela estava dormindo na hora em que eu saí de casa – expliquei – Além disso, não tenho certeza se ela iria se divertir.
– Talvez você tenha razão, era um tempo para você passar com a Caroline e não para se preocupar com a nossa filha –concordou – Além disso, tenho certeza de que a sua tia cuidou bem dela.
– Tia Jenna ajudou meu pai a cuidar de mim e do Jer durante quase toda a nossa infância – lembrei – Confio plenamente nela para ficar com a Eve.
– Eu também – completou – Sabe, eu estou com tanta saudade de vocês duas.
Ele tinha mesmo que falar isso? Pelo jeito eu ainda não estava me sentindo culpada o suficiente por ter traído ele, o destino ainda tinha que pregar essa peça para cima de mim.
– Também estou com saudades suas e sei que a Eve sente o mesmo – me apoiei na bancada da pia enquanto falava.
– Queria muito ir aí visitar vocês – continuou – Mas estou sem condições de sair daqui no momento. Você sabe que não posso deixar o meu pai na mão nesse momento, com a candidatura preciso ficar de olho na empresa.
E ai está o Klaus que eu conheço muito bem e que coloca o trabalho na frente de qualquer coisa. Nesse momento que eu me lembro porque estou tão insatisfeita na vida que eu tenho com ele.
– Não precisa se preocupar com isso, Klaus – garanti – Logo meu pai estará bem o suficiente para ficar aqui sozinho, então eu e a Eve voltaremos para casa.
– É bom mesmo – brincou – Nossa casa é muito solitária sem vocês.
– Falando nisso, vi que você está ligando da casa da sua mãe – decidi mudar de assunto.
– Rebekah chegou ontem e minha mãe decidiu fazer um jantar de comemoração – falou – E como já estava tarde, decidi dormir por aqui.
– Quer dizer que a Bekah está em Nova York? — sorri, totalmente animada, já fazia três meses desde que vi minha cunhada pela última vez – Mas isso é ótimo! Quanto tempo ela vai ficar aí? Espero que ainda esteja quando eu voltar para casa.
– Pode ter certeza de que ela estará – garantiu – A empresa em que ela trabalha em Londres está abrindo uma filial nos Estados Unidos e estão querendo transferi-la para cá.
– Isso é melhor ainda – nesse momento eu ouvi o chuveiro sendo desligado ao longe, Damon tinha acabado o banho – Klaus, eu preciso desligar.
– Tudo bem, nos falamos uma outra hora, então, dê um beijo na Eve por mim – pediu – Eu te amo, Lena.
– Eu também! — dei um longo suspiro, isso era tudo tão errado que nem sabia por onde começar.
Desliguei o celular e fiquei ali encarando o chão. Estava me sentindo tão bem na hora que eu acordei, mas só bastou esse telefonema do Klaus para estragar tudo isso. Apesar de tudo ele ainda é meu marido e por mais que eu sinta que precisava disso, sei que é totalmente errado.
– Você ainda nem começou a preparar o café da manhã – tomei um susto quando Damon me abraçou e beijou o meu pescoço antes de falar – Tem certeza de que não quer a minha ajuda?
– Eu preciso ir embora – me afastei dele, bruscamente, e caminhei em direção à porta da cozinha.
– Como assim? — estava totalmente confuso, quase mudei de ideia, mas precisava ser firme – Sei que você precisa voltar para a casa do seu pai, mas você tinha combinado de tomarmos o café da manhã juntos.
– Sei que prometi, mas eu não posso – foi tudo que disse – Por favor, Damon, não torne tudo mais complicado.
Peguei a minha roupa e corri na direção do quarto. Damon me seguiu, mas eu fechei a porta antes que ele pudesse entrar também.
– Elena, por favor, abre a porta – ele ficou batendo enquanto gritava.
– Me deixa, Damon – comecei a colocar as minhas roupas rapidamente. Precisava sair dali o mais rápido possível.
– Não entendo o que está acontecendo – continuou – Pensei que estivesse tudo bem entre a gente depois de tudo que aconteceu ontem à noite.
Fechei a minha calça jeans e ajeitei a minha blusa, precisava ser forte e não começar a chorar agora. E lá estava ele me esperando, com seus olhos azuis totalmente esperançosos.
– Olha, Damon, ontem foi ótimo e tudo mais, mas foi totalmente errado – tentei ser o mais firme possível, não podia fraquejar, não agora – Não pode mais se repetir.
Passei por ele, mas Damon segurou o meu pulso impedindo que eu desse mais um passo.
– Elena, o que está acontecendo? — fez com que eu me virasse na sua direção – Você estava de um jeito antes de eu entrar no banheiro e agora está de outro.
– Apenas percebi que esse relacionamento extraconjugal não vai dar certo – dei de ombros – Agora eu preciso ir mesmo, tenho que ir ver a minha filha.
– Nós vamos nos ver amanhã? — perguntou enquanto eu pegava a minha bolsa – Você vai levar o seu pai para a consulta comigo, não é mesmo?
– Sim, eu vou levar – concordei com a cabeça – Mas não vai passar disso, uma visita médica – fui embora logo em seguida, fechando a porta com força atrás de mim.
Por sorte ninguém me viu saindo de dentro do prédio em que o Damon mora. Em uma cidade pequena como Mystic Falls a fofoca rola solta e logo todos estariam sabendo onde eu passei a noite de ontem.
Durante o caminho de volta para casa eu me permiti chorar, mas não muito. Sou uma mulher responsável, tenho um marido e uma filha, são neles que eu tenho que pensar em primeiro lugar, mesmo que esse não seja o melhor para mim.
Precisava ficar um tempo sozinha e colocar todas as minhas ideias no lugar. Infelizmente isso não seria possível, pois assim que abro a porta vejo que todos estão no sofá da sala.
– Mamãe! — Eve veio correndo na minha direção e eu a peguei no colo – Que saudades eu estava de você – apenas a abracei e dei um beijo no topo da cabeça da minha filha.
– Elena, querida, onde você estava? — foi meu pai quem perguntou – Já estava ficando preocupado com você.
– Eu precisei resolver uns probleminhas – disse.
– E ficou resolvendo o problema de ontem à tarde até agora? — continuou – Se eu não te conhecesse bem, diria que estava fazendo algo que não devia e do qual eu não posso falar nesse momento.
– Ora, pai, pare de falar bobagem – revirei os olhos como se isso tudo fosse um grande absurdo, mas espero que ele não tenha percebido que minhas bochechas tinham ficado vermelhas – Só para deixar bem claro, eu estava na casa da Caroline.
– Tudo bem, não está mais aqui quem falou – levantou as mãos em sinal de rendição.
– Tem certeza de que está mesmo tudo bem? — tia Jenna se levantou, se aproximando de mim – Seus olhos estão vermelhos, você andou chorando?
A “desvantagem” da tia Jenna ser minha segunda mãe é que, às vezes, ela consegue me conhecer melhor até mesmo que eu meu próprio pai.
– É verdade, mamãe! — Eve passou a mão pelo meu rosto, parecendo preocupada – Você está triste com alguma coisa?
– Eu estou bem, foi só uma coisa que caiu no meu olho, por isso ele está vermelho – disfarcei – Preciso deitar um pouco, eu e Caroline ficamos acordadas praticamente a noite toda e estou um pouco cansada.
– Tudo bem, vai lá descansar – minha tia falou, enquanto retirava Eve do meu colo – Eu fico de olho em tudo para você.
Concordei com a cabeça e caminhei em direção as escadas, entrei no meu quarto e me joguei na cama. Minha vontade era me levantar novamente e voltar correndo para o Damon, mas eu precisava ser forte, arriscar o meu casamento novamente não era mais uma opção.
Acho que eu já estava ali há mais de uma hora quando tia Jenna apareceu. Ela trouxe uma bandeja com um sanduíche e um copo de refrigerante.
– Acabei de servir o almoço para o Grayson e para a Eve – avisou – Então trouxe algo para você.
– Obrigada, tia Jenna, mas eu não estou com fome – respondi.
– De qualquer maneira vou deixar isso aqui – colocou o objeto em cima da minha escrivaninha – Tenho certeza de que daqui a pouco você vai sentir fome.
– E você, já comeu? — foi a minha vez de perguntar – Você também precisa se alimentar.
– Daqui a pouco eu como alguma coisa – garantiu – Além do mais, daqui a pouco está mesmo na hora do James mamar, não vou conseguir almoçar antes disso.
Eu tinha que concordar com ela sobre isso. Lembro-me de quando Eve nasceu, sempre acabava deixando para fazer as minhas refeições depois da hora da mamada, mesmo que atrasasse um pouco, assim eu ficava mais tranquila.
– Acho que agora, você vai me dizer o que está acontecendo com você – sentou-se na ponta da cama – Não acha mesmo que eu acredite naquela história de estar cansada e de que tinha caído algo no seu olho, não é mesmo?
Dei um longo suspiro e me sentei para poder olhá-la melhor, sabia que não tinha mais jeito de esconder que eu tinha um problema.
– Digamos que eu acabei de fazer uma coisa horrível e que não tem perdão – expliquei.
– É aquela coisa sobre a qual falamos ontem antes de você sair? — balancei a cabeça afirmativamente em resposta – E agora você está arrependida pelo que fez? É isso?
– Não é arrependida e sim, culpada – falei – Também estou me sentindo culpada por não ter ficado arrependida.
– Pelo jeito é algo grave mesmo – ficou totalmente séria, foi impossível não imaginar o que estava passando pela sua cabeça – É algo que vá prejudicar alguém?
– Só a mim, para falar a verdade – dei de ombros – Precisei tomar uma decisão, definitiva. É a decisão certa, de certa maneira, mas não sinto que seja a melhor para mim.
– Olha, Lena, eu sei que às vezes precisamos pensar no bem de todos, mas também precisamos ver qual o melhor para nós – passou a mão pelo meu cabelo – Olhe o meu caso, por exemplo, todos, inclusive seus avós, diziam para eu ficar com o Logan, que seria melhor para nós dois e para o bebê. Mas eu sentia que não ficaria totalmente feliz ficando com um cara que eu não amava, mesmo tendo um filho com ele, também não seria bom para o James crescer em um lar dividido desse jeito.
– Então você escolheu terminar com ele e ficar sozinha com o seu filho – completei – Talvez o meu caso não seja tão simples assim.
Seria fácil demais, eu pediria o divórcio para o Klaus, voltava para Mystic Falls com a Eve e corria atrás da minha felicidade. Mas não tenho nenhuma garantia de que seria bom ficar com o Damon, só ficamos juntos uma noite e não dá para basear todo um relacionamento em apenas sexo, sem contar que eu abri mão da minha vida profissional quando me casei, o que significa que não tenho nenhuma experiência profissional e não posso voltar a depender financeiramente do meu pai.
– Não pense no que fazer agora, com a cabeça quente – ela sugeriu – Se for algo tão importante quanto você está falando, não dá para se decidir em apenas um dia.
Concordei com a cabeça e foi nesse momento que um chorinho de bebê ecoou pelo quarto, tia Jenna estava com a babá eletrônica presa na calça jeans.
– Bom, está na hora do James mamar, acho melhor eu ir lá – comentou enquanto se levantava – Mas sabe que, qualquer coisa, você pode me chamar – sorri antes dela sair do local, era bom ter a minha tia para conversar.
O restante daquele domingo passou sem nenhum problema, decidi deixar os meus problemas de lado a fim de relaxar. No dia seguinte tive que acordar cedo para levar meu pai à sua primeira consulta de rotina, o que significa que terei de ver Damon novamente. Não sei se estou preparada para isso, mas não tenho muita escolha.
Como a tia Jenna ia levar James para dar uma voltinha e tomar um pouco de sol, concordou em levar Eve também. Fiquei mais aliviada, pois assim não precisaria me preocupar em ficar de olho na minha filha e ela também não ficaria presa dentro de um hospital o dia inteiro, o que seria muito chato para um criança de dois anos.
– Olá, Grayson, como tem passado? — Damon apertou a mão do meu pai assim que entramos no seu consultório.
– Estou muito bem – respondeu, afirmando com a cabeça – Na verdade, acho que já posso voltar a minha rotina normal.
– Isso é o que veremos – ele se virou para mim e me olhou de cima abaixo – Olá para você também, Elena.
– Olá, doutor Salvatore – fui o mais formal que eu consegui ser.
Meu pai ficou apenas observando a nossa conversa, parece até que ele estava adivinhando alguma coisa. Era melhor eu ficar quieta.
– Bom, vamos começar logo esses exames – continuou – Grayson, por favor, sente-se na maca.
Ele fez vários exames, que pareciam simples, mas que pareciam ser muito importantes. Sentei em uma das cadeiras e fiquei ali apenas observando todo o procedimento.
– Parece que está tudo normal e o infarto não teve uma extensão muito grande – Damon retirou as luvas e as jogou dentro do lixo – Embora eu ainda tenha que pedir que continue de repouso por três meses antes de voltar a trabalhar normalmente.
– Isso não é justo – cruzou os braços, igual a uma criança emburrada – continuo me sentindo um completo inválido.
– Pare de reclamar, as coisas poderiam ser bem piores – lembrou – E eu vou até te autorizar a fazer exercícios físicos.
– Sério? — pareceu totalmente esperançoso.
– Sim, mas antes eu preciso fazer a solicitação de um exame de sangue – foi até a sua mesa e pegou um papel aonde começou a escrever – É bem simples e você pode fazer agora mesmo aqui no hospital, não precisa estar de jejum.
Ele chamou uma enfermeira para acompanhar o meu pai até o local aonde se faz exame de sangue. Estava me preparando para ir acompanhá-los quando Damon fechou a porta antes que eu pudesse sair.
– Você vai ficar bem aqui – avisou – E vai me explicar direitinho do porque foi embora daquela maneira ontem de manhã.
– Eu já disse que aquilo que aconteceu não passou de uma noite, um momento – insisti – Quero voltar a minha vida normal e espero que você me deixe fazer isso.
– Se é isso por que não me olha nos olhos e repete o que acabou de dizer? – pediu – Ou será que você não consegue?
Não consegui falar nada, apenas desviei o olhar, mais uma vez e fiquei ali encarando o chão. Sabia que tinha acabado de me entregar, mas não podia mentir mirando aqueles olhos profundamente azuis.
– Como eu imaginei, é tudo mentira – deu um sorriso convencido – Agora me conte a verdade, o que foi que aconteceu?
– Quando você estava no banheiro, o Klaus me ligou – admiti – Foi então que eu percebi o quanto tudo que fizemos era errado e, por mais que eu queira, não posso continuar com isso.
– Só isso? — levantou as sobrancelhas, totalmente divertido – Não acredito que está fazendo isso por uma bobagem.
– Não é uma bobagem – fiquei séria – Klaus é meu marido, temos uma filha juntos. E em vez de estar sendo fiel a ele, estou aqui transando com você.
– Você não é feliz com ele, já admitiu isso várias vezes desde que nos conhecemos – revirou os olhos – Prefere mesmo ficar presa a um casamento infeliz e sem amor.
– Não é a questão de eu querer e sim a questão do que eu tenho de fazer – gritei, espero que não tenha ninguém perto da porta ou estaria ouvindo toda a nossa conversa – Não sou mais uma adolescente, não posso ser impulsiva assim.
Damon puxou o meu rosto e me beijou. Fui pega totalmente de surpresa e coloquei os braços em volta do seu pescoço. Ele me imprensou contra a parede e, imediatamente, lembrei do sonho que tive há duas noites em que nós dois transávamos aqui no seu consultório.
– Não podemos... — sussurrei ainda com a boca grudada na sua.
– Você ainda vai continuar a negar o que sentimos? — sorriu, separando os lábios alguns milímetros dos meus – Acho que você já jogou essa teoria de que não quer ficar comigo no lixo.
– Não é isso – continuei – Só estou dizendo que não podemos fazer isso aqui, no seu consultório, no seu trabalho...
– Acho que você tem razão – se afastou totalmente de mim e passou a mão nervosamente pelo cabelo – Saio daqui às seis da tarde, me encontra no meu apartamento?
Precisava negar, eu tinha que dizer não, mas algo dentro da minha cabeça me impedia de fazer isso.
– Combinado! — concordei. Talvez eu me arrependesse da decisão que tomei, mas acho que seria pior se eu não o fizesse.
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