Notas iniciais
Escrevi esse poema (?) há um tempo, o deixei no meu perfil, mas ele é bonito demais para ficar só lá.

Eu vivo por dentro. E por dentro tudo é mais pesado. Como debaixo d'água, cada movimento é difícil e gera um pequeno turbilhão. Por dentro tudo é denso, cada detalhe toma destaque com ondulações cada vez maiores. Por dentro é paz e fúria. Não há ventania e, ainda assim, tempestades inteiras se revolvem no interior de mim. A superfície sempre parece a mesma, não deixa nada escapar além do mistério bonito, mas vão. No interior não há fogo que queima, mas enterrado bem dentro ele aquece com calma a água-alma (imitando a Conceição), no máximo, faz entrar em ebulição. Mas só, mas passa. E lá fora é frio, me sinto nua, o vento irritante sobre a minha pele, todos podendo me enxergar tão pequena quanto pareço ser sem adivinhar, sem suspeitar, que há um mar dentro de mim. Mas há o sol, lá fora. O delicioso sol e a imensidão do céu que aos poucos me faz querer voar. Há a leveza, o real. Onde tudo é fácil, cru. Cruel. E raso. Já quero voltar para dentro. E nessa mistura de alivio e tristeza percebo que não nasci para viver fora. Tão natural para mim quanto o roer de unhas é para Vírginia. Um pequeno pecado. Um pecado-membro do meu ser.

Notas finais
Ondulando em mim: Conceição Evaristo, Olhos D'água, e Lygia Fagundes Telles, Ciranda de Pedra.

29 de Julho de 2016
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!