Pecado

1 O que somos...


Notas iniciais
Apenas uma memória de Dietrich, um vampiro de... muitos anos de vida - ou quase vida. Dietrich faz parte de uma história que escrevo chamada Habitos Noturnos e ainda está incompleta(mas está postada no site, para os que queiram dar uma olhadinha). Outro detalhe é que, escrevi esse trecho quando a história ainda estava em constrição, assim sendo, não vou mais usar TODOS os elementos aqui citados na história horiginal, por isso, tentem não encarar isso como algo que vai realmente acontecer em Habitos Noturnos.

Era triste admitir, mas eu adorava vê-la em seu leito de morte. Sua beleza parecia cada vez mais surreal quando realçada pelo brilho vermelho do sangue que saía de seu ventre, onde fora rasgado ao nascimento de meus irmãos.

- Vamos, filho... O que está esperando? Já não posso mais viver... Meu corpo não suportaria...

- Eu sei... – Sussurrei friamente.

Para mim, era difícil compreender aquela cena, assimilar completamente os fatos com tão pouco conhecimento. Eu nem sabia o que sentia e se sentia algo. Aparentemente, doze anos de vida não era o suficiente para que um vampiro como eu tivesse alguma compreensão do que era sentir: Eu ainda era uma criança. Eu conhecia apenas o sentimento de prazer porque era o que eu sentia quando sugava uma de minhas vítimas.

Apertei suas mãos, fitando-a de forma inexpressiva.

Minha mãe nunca fora uma vampira fraca, tão pouco possuíra qualquer escrúpulo durante sua vida e acho que posso dizer que herdei parte disso. Mas o que a deixara nesse estado não fora seus inimigos e sim os filhos que tivera. É certo que vampiras não podem ter filhos, contudo, esta regra não se aplicava a nós, Sangue Puro. Podíamos, sim, ter filhos, mas era muito difícil e custava caro a elas: Cada filho sugava sua energia vital e esta não podia ser reposta com nada existente.

O único problema era que eu não sabia de nada disso.

Até dez minutos atrás eu era seu segundo filho, quando mais dois nasceram. Foi aí que minha mãe caiu em desgraça e começou a morrer e me pediu para tomar seu sangue para mim a fim de que tirasse sua vida. Por outro lado, se eu o sugasse, me tornaria mais forte do que já nascera predestinado a ser e eu sabia que essa era sua real intenção.

- Mãe... Queria fazer uma ultima pergunta. – Eu tinha tanto a perguntar, tanto a aprender... Perguntei o que mais me incomodava.

- Sim? – Disse, fraca.

- O que somos?

Ela sorriu de uma forma que jamais esqueceria.

- Somos filhos do céu com o pecado mais profano da terra, meu querido Dietrich...

Ela respondeu a minha pergunta e mesmo sem entender seu significado, atendi ao seu último desejo. Eu a matei.

Notas finais
Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!