Peace Storm
1 Capítulo Único: Tormentas de Paz
Notas iniciais
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Eu dedico esse capítulo a Bianca, vulgo Ana Victória do RPG, ela que deu vida aos B.O. de Ana+James junto comigo no Las Vegas High School... Talvez algum dia eu faça um shortfic onde também vou adicionar o Jack e o Logan, mas, no momento será só desses dois :3
O amor jamais seria justo se o coração não fosse aberto às turbulências e anomalias da vida, E o maior desafio do coração é perdoar o silêncio de uma tormenta.
James era um rapaz em seu segundo ano de Design Gráfico. Nascido em Amsterdã com pais canadenses, teve o inglês como sua língua materna, mas aprendeu com facilidade o holandês. Sua infância foi turbulenta por conta do divórcio de seus pais aos seus nove anos de idade, o que o fez ter problemas com álcool em sua adolescência por influência de "amigos".
Ele decidiu mudar para os Estados Unidos para morar com sua mãe e sua irmã mais nova quando adentrou no Ensino Médio.
No Arizona, James conheceu Ana, uma moça brasileira que havia se mudado para os Estados Unidos por conta do trabalho de seus pais. Eles tiveram um relacionamento ao decorrer de seu penúltimo ano; e durou até o dia em que James havia sumido sem dar explicações a nenhum de seus amigos, e muito menos para Ana.
[...]
James adentrou o Café ao lado da universidade. Seus olhos castanhos levemente frios e com uma aparência cotidiana de cansaço, observaram o local que não estava muito cheio, pois apenas era frequentado pelos estudantes da instituição vizinha.
O rapaz caminhou até o balcão e pediu o rápido e amargo Expresso. Esperou o pedido ficar pronto enquanto pagava com as cédulas gastas que possuía, pegou seu copo e buscou alguma mesa vazia. Todavia, apesar de haver poucas pessoas no estabelecimento, também não havia mesas vagas, pois muitos universitários preferiam ficar sozinhos, seja para relaxar solitariamente, seja para terminar seus trabalhos mais concentradamente.
James suspirou com tal visão, mas seus lábios se curvaram sutilmente ao ver a figura conhecida sozinha em uma das mesas.
Ele caminhou até lá, e parou a sua frente, fazendo com que ela levanta-se os olhos de seu celular para ver quem era. Sua expressão se fechou quando reconheceu o indivíduo.
— Aqui está ocupado? — perguntou James, com os ombros encolhidos ao sentir o peso do olhar raivoso dela sobre si.
— Infelizmente, não. — Ana revirou os olhos e sinalizou para ele se sentar.
— A quanto tempo, querida… — James deu um sorriso fraco, ao chamá-la por aquele romântico, porém sarcástico, apelido colegial.
— James, seja maduro e não me chame assim — retrucou ela. — Você não tem moral para me tratar dessa forma depois de ter sumido e nunca ter me ligado.
Ana havia dedicado brigas e desavenças com seus pais na época que namorava James, pois ele jamais tivera boa reputação, especialmente por ser um repetente alcoólatra. A garota jamais ligara para esse fato, pois sempre acreditou que aquilo era uma parte normal da adolescência. Ela bebia escondido, seus amigos bebiam escondidos, a única diferença entre ela e James era que o rapaz estava um ano atrasado, mesmo que fosse muito inteligente. A única coisa que sempre a incomodou foi a forma que o rapaz lhe parecia um desconhecido, mesmo que ela conhecesse como que cada detalhe de seu corpo, jamais sentira que conhecia o mais raso do coração do rapaz. E isso se confirmou quando ele sumiu no final do penúltimo ano.
Reencontrá-lo outra vez era apavorante. Ele parecia a mesma pessoa, mas com o olhar mais cansado, apesar de ter um feição mais sóbria.
James reconhecia cada detalhe de seus erros, mas jamais havia procurado a moça para explicar-lhe o que havia acontecido. Todavia, agora que estava de frente com ela, talvez fosse o momento para tentar lhe explicar.
— O que você faz aqui? — James perguntou, enquanto batia os dedos contra o seu copo de café. — É meu segundo ano por aqui, e essa é a primeira vez que te vejo…
— Eu comecei a faculdade de moda esse ano na Universidade aqui do lado — respondeu seco.
— Ah, faz sentido… Eu estou fazendo Design Gráfico lá… — comentou sem jeito, mas via os olhos de indiferença da garota fitar o celular e, às vezes, alternar para ele.
O rapaz percebia o clima frio e tenso entre eles. Em seu interior, sabia que deveria tomar uma atitude. Explicar-lhe o porquê de ter desaparecido sem dar notícias era necessário.
— Ana... — James começou, mas logo foi cortado por ela, sem ao menos poder dizer uma oração completa.
— Por quê, James? Eu preciso de respostas. Preciso saber o porquê de tudo! — Os olhos dela pareciam doloridos, cheios de amargura, ódio e remorso de mágoas passadas. Ana colocou o celular com o visor apagado sobre a mesa, enquanto encarava o rapaz, como se quisesse dar um tapa em sua face. — Você não sabe o quanto os meus pais me xingaram e me humilharam quando souberam que você havia desaparecido.
— Eu estou disposto a tentar explicar a merda que eu fiz — falou James, abaixando o olhar enquanto soltava um suspiro pesado. — Mas, você estará disposta a me ouvir? — Levantou o olhar, observando a postura defensiva de Ana se desfazer aos poucos.
Ana sempre foi assim. Ela era um oceano agitado que se acalmava rapidamente sem grandes esforços.
— Você sabe que eu tenho uma família em Amsterdã, certo? — Ana apenas balançou a cabeça em concordância. — Meu pai ficou doente no final do ano letivo daquele ano. Eu nunca tive uma boa relação com ele, e eu não queria voltar, mas, minha madrasta insistiu por isso e eu cedi. Melissa me explicou que ele já estava se tratando de um câncer de fígado a um bom tempo, mas, não deixou que ninguém me contasse, pois não queria atrapalhar minha vida aqui na América, e ela me ligou escondida quando meu pai ficou pior. — James suspirou, deixando o café de lado que ia esfriando de pouco a pouco. — Aconteceu muita coisa quando eu fui para lá, mas é uma perca de tempo tentar explicar detalhe por detalhe da morte do meu pai… Então, resumidamente, meu pai morreu, mas antes disso eu consegui perdoá-lo, ou melhor, ele me perdoou, pois eu que fui o babaca por não aceitar o divórcio…
Ana apenas observava James tentando se explicar. Pela primeira vez, ele parecia vulnerável. Ela estava acostumada com a feição do rapaz sendo carregada por sarcasmo e ironia, além de um cansaço enraizado, mas, desta vez, ele só tinha a vulnerabilidade e a tristeza no olhar dele.
— Eu resolvi terminar meu Ensino Médio por lá, pois alguém precisava ajudar Melissa nas despesas da casa e dos gêmeos. Tive que arranjar um trabalho de meio período e outro como professor particular de Inglês. — James engoliu em seco e sorriu triste. Já não havia muito o que contar, pois a vida em Amsterdã jamais lhe fora prazerosa ou demasiado divertida. — Eu queria ter ligado, eu poderia ter ligado, deveria ter ligado… Mas não queria que você esperasse por alguém como eu. Sei que foi difícil para você lidar com as críticas de seus pais sobre mim, mas eles estavam certos… Eu sou um babaca que nunca poderia te dar uma boa vida, um amor estável e muito menos paz.
O rapaz soltou um riso seco. Sua alma parecia ser transpassada por uma faca de dois gumes. Não era fácil recordar daqueles momentos, e muito menos admitir em voz alta o quanto era um estúpido na frente da garota que ele se apaixonou um dia.
— Eu nunca poderei lhe dar paz… — murmurou ele com a cabeça levemente inclinada e olhos baixos, que começavam a ter pequenas lágrimas.
Ana estava chocada com tais palavras e também sentia um nó na garganta por aquela cena. Sempre fora mais fácil apenas gritar com James enquanto ele respondia algo profundamente sarcástico e ignorante. Era mais fácil lidar com o James bêbado do que com ele sóbrio, pois sabia que jamais mentiria naquele estado, enquanto ele sóbrio poderia haver alguma mentira para arrancar-lhe o perdão.
Mesmo com todas as suas dúvidas, Ana levou suas mãos quentes e delicadas até as mãos de James, que estavam sobre a mesa, e sentiu-as tão frias como o gelo, o que a fez se arrepiar, mas não retirou-as.
— Querido — chamou-o por aquele apelido, com o meio sorriso sarcástico na face. — Eu nunca te pedi por paz…
James levantou o olhar e viu que os olhos de Ana estavam fixos nele, o que o fez sentir seus ombros se encolherem ainda mais, pois seu olhar era familiarmente caloroso.
— Eu apenas quero outra tormenta para acompanhar a minha — finalizou Ana com um sorriso no rosto.
— Querida, você é muito brega — comentou sarcástico, fazendo Ana retirar as mãos dela sobre as dele e revirar os olhos, enquanto o rapaz ria divertidamente da reação dela, como se já tivesse se esquecido de toda a dor no peito que sentia.
— Vá a merda, James! — disse claramente irritada, mas não se conteve e riu junto com o rapaz.
— Perdão, perdão! — James riu. Sua expressão parecia menos cansada e mais viva, diferente de sua época de colegial. O rapaz tomou um gole do café e fez uma careta. — Droga, meu café esfriou…
— Pelo menos, mas você está bem quente hoje. — Ana mordeu o lábio inferior e piscou para James, que ficou levemente vermelho com tal atitude, apesar de achá-la engraçada. Ana riu dele, fazendo que ele fizesse o mesmo.
O coração jamais seria fácil de se convencer, mas era fácil de se encantar, mesmo que negasse tal fato para si.
Ana jamais esqueceria das feridas causadas por James, mas também saberia que um coração ferido teria tendência a ferir outro coração, mesmo que não fosse por vontade própria.
As tormentas de Ana e de James poderiam dançar em perfeita sincronia se eles se permitissem tentar outra vez.
A paz nos turbulentos e vivos olhos de Ana se encantava com a tormenta nos pacíficos e mórbidos olhos de James, como na primeira vez. O perigo daquela paixão era o que mais fazia Ana se atrair, por mais que não quisesse ceder, ela já havia se afogado outra vez nos oceânicos olhos de James.
Notas finais
Está disponível também no Spirit Fanfics e no Wattpad.
Espero que tenham gostado, podem deixar seu feedback se quiserem.
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