Peço
1 ✗ ... e sei que ela também pede
Notas iniciais
Ela encarou a tela do computador pelo que parecia ser a centésima vez. E ali ela continuava a encarar uma página em branco. Aquela página em branco talvez não significasse a escassez de palavras, aquele vácuo representava a confiança que nela, agora, já era nula. Ela, inevitavelmente, já não era, e não se sentia, capaz de criar todas aquelas vidas por intermédio das palavras. Parece que todas as palavras foram roubadas da vida dela com imensa violência e intensa crueldade. Muitas estórias e cenários se passavam na mente dela, apenas de encarar aquele espaço em branco. Era a ausência de vida e força. Ela me disse que exteriorizar gera nela uma dor que ninguém seria capaz de entender e muito menos sentir. Ao mesmo tempo em que dentro dela queima com intensidade a vontade de criar outras e novas estórias, diferentes de todas aquelas que se perderam, mas ainda continuam, insistente e dolorosamente, dentro dela. Ela ainda sente todas aquelas velhas estórias dentro dela, como se nunca houvessem se perdido. Ela diz que a memória viva daquelas palavras mortas a causam uma morte simbólica e horrível. Ela se diz drenada porque todas as orações se perderam no tempo. E ela ficou. Estagnada. A dor nos olhos dela pode ser sentida mesmo que não os encare. Em momentos assim parece que ela treme em desespero e desesperança. E eu me pergunto o que será da existência dela. Ainda peço, insistentemente, como um mantra, que algo de bom e confortante ainda esteja reservado apenas para ela, para que ela possa se sentir em paz, em calma, para que ela possa encontrar outra alegria, para que ela possa ser capaz de ser feliz, para que ela possa ser capaz de encontrar o sorriso da alma. Peço, e sei que ela também pede, suplica, implora, para que um dia ela possa ser capaz de se encontrar em e com alegria nas palavras, novas palavras. Que ela não perca o dom, que ela não perca a fé, que ela não perca a vontade. Que ela encontre o caminho.
Mariana Neves
21-12-2014
18h35min
Notas finais
E para quem leu até aqui, muito obrigada! Se sentir vontade de comentar algo, faça-o, por favor.
Beijos e, talvez, até uma próxima :)
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