A menina virou-se na cama sentindo outra presença deitar-se. Tinha certeza que não era a mãe, que costumava passar noites de quinta, como aquela lavando roupas para fora até bem tarde.

— Pesadelos, Hina? — perguntou a menina sonolenta. Sua mãe trabalhava naquela casa há anos, mas os pesadelos só começaram quando a garota perdeu a mãe.

— O teto continua a mexer e se turvar — explicou, contando o usual pesadelo.

— Quer que eu conte uma história? — perguntou, sabendo o que costumava ajuda-la a dormir após pesadelos.

— A da Bailarina das Cores — pediu.

A garota assentiu, preparando-se para contar. Os olhos atentos da amiga se voltaram para ela enquanto narrava a história. Ela já ouvira muitas vezes, mas sempre pedia, dizendo que ela contava uma versão diferente em cada vez. O que não deixava de ser verdade.