Paz na Guerra
4 Pode ser um espião?
Notas iniciais
—Alisson! – Chamou McCall ao ver a enfermeira morena olhando alguns uniformes que estavam dobrados na sala de mantimentos.
-Oi Scott. – Disse ela respondendo com um sorriso grande. – Aconteceu alguma coisa?
-O rapaz já acordou? – Perguntou ele, nervoso.
-Sim, está no banho, a Lydia está cuidando dessa parte, sabe como ela é melhor que eu quando tem que lidar com isso. – Disse com um sorriso mais tímido dessa vez. – Aconteceu alguma coisa?
-Nada não. – Respondeu ele com o olhar preocupado. – Só estou tentando pensar de que grupo o garoto vem, afinal, lembro-me desse nome, mas não me lembro de qual de nossos grupos ele seja.
-E isso faz diferença? – Perguntou a enfermeira com um olhar crítico. – Até onde eu sei, foi-nos autorizado ajudar todo e qualquer soldado que esteja ao nosso lado nessa guerra, e ele portava NOSSA bandeira no peito Scott, chega de desconfianças! Não basta o que vocês fizeram semana passada com aquele garoto alegando que o mesmo era espião?
-Foi errado. – Disse ele tenso, ao relembrar o que havia acontecido ali há pouco tempo. – Mas não é fácil lidar com situações como essa, nunca sabemos quem está ao nosso lado e quem é o inimigo.
-Confia em mim dessa vez tá? – Falou Alisson enquanto repousava a mãe no ombro do rapaz em sua frente. – Ele não vai fazer mal algum e não deve ser nenhum espião.
-Vou confiar. – Falou ele vendo a mulher ir em direção à velha e grande casa de madeira que servia de enfermaria. – Mas se ele der algum motivo, vou cassar informações desse garoto até na lua se for necessário.
Com essas palavras e uma incessante dúvida sobre o rapaz, Scott dirigiu-se até sua sala, pois era o melhor lugar para pensar e pôr as ideias em ordem, afinal, depois da tortura feita com óleo quente em um soldado inglês na semana anterior, o qual ele jurava ser alemão, o jovem nunca mais havia conseguido pensar racionalmente e se sentia culpado em qualquer atitude que tomava “isso não é coisa de general Scott McCall, você deve levantar a cabeça e ir atrás dos seus, fazer o que é certo e caso esse Stiles seja realmente espião, vai ter o final que merece” pensou ele antes de voltar a analisar o mapa em sua frente.
Allison seguia calmamente até o ambulatório improvisado em uma casa abandonada, a qual julgava ter sido de algum fazendeiro antes da guerra começar, mas com as campanhas e todos os feridos, o espaço estava se tornando pouco, ainda mais se fosse considerar que o campo que estavam era um dos menores dos americanos, e providencialmente era utilizado para socorro nas batalhas. Ela nunca revelaria a Scott, não depois do que havia ocorrido com o jovem Liam, na semana anterior, mas seu instinto dizia para tomar cuidado com o garoto que a pouco havia chegado, algo nele era estranho “pode ser o sotaque, ou a forma como se movimenta, que apesar de machucado e extremamente cansado é mais determinada que a maioria dos soldados que temos em batalha. Mas ele é só um menino, nunca que seria um espião, ainda mais vindo do lado alemão”.
-Allison! – A garota assustou-se ao ver a ruiva em sua frente com uma expressão de poucos amigos, a qual indicava que estava chamando a amiga por muito tempo. – O rapaz já saiu do banho e está esperando na sala ao lado totalmente sem roupas, então, caso não seja muito incomodo e você queira me entregar essas, eu levo para o Stiles.
Sem esperar pela resposta da morena, Lydia tirou das mãos da enfermeira as poucas roupas que carregava, nas quais, pode perceber um uniforme e roupas de baixo.
-Stiles. – Disse ela sorrindo mediante a tentativa do rapaz de se esconder da garota. – Não precisa ter vergonha, já vi muitos rapazes sem roupa, isso não me incomoda.
-Mas deveria senhorita Lydia. – Disse ele sem jeito e ganhando um leve tom avermelhado nas bochechas o que a americana não deixou de perceber.
-Por que deveria? – Falou ela em tom de desafio, afinal, ainda estava intrigada com o comportamento do rapaz em sua frente, o qual parecia ser mais travado que a maioria dos homens ali.
-Uma lady como a senhorita com certeza foi criada para ter o melhor dos casamentos e somente se entregar ao homem que verdadeiramente ama. – Disse Stiles, enquanto ainda atrás da tina, conseguiu pegar as roupas que Lydia havia levado ao mesmo.
-Em que ano você vive? – Perguntou ela de maneira sarcástica, o que não passou despercebido pelos olhos de Stilinski, que logo percebeu que as garotas daquele campo de guerra não foram criadas como Malia, ou as demais meninas de Berlim. – Há tempos que nos comportamos como queremos, e isso incluí seguirmos nossos desejos e vontades.
-Só me impressionei, afinal, fui criado de maneira mais tradicional. – Disse ele com um sorriso torto enquanto colocava a calça que a ruiva havia lhe entregado, notando que a mesma ainda o olhava com questionamento, continuou. – Sou inglês, na verdade, meio inglês, minha mãe era, então, ela tentou me passar todos os melhores ensinamentos cavalheirescos e como respeitar verdadeiramente uma mulher, afinal, ninguém deve ser usado simplesmente para acabar com o desejo carnal.
-Faz tempo que não vejo ninguém falar dessa forma. – Disse Allison que havia acabado de entrar na sala, fazendo os outros se assustarem. – Mas agora chega de jogar conversa fora, me siga que eu e a Lydia vamos limpar os ferimentos e por curativos neles, que com certeza devem estar te incomodando demais.
-Já lidei com coisa pior. – Disse o moreno enquanto mancava em direção à única maca livre naquele lugar apertado e cheio de corpos americanos que ele havia ajudado a colocar naquela situação.
Assim que se deitou na velha maca, o rapaz não falou, não pensou e nem sentiu dor, afinal, a dor física era algo banal se comparado ao que ele sentia em seu interior e temia que realmente pudesse acontecer.
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