Paz
3 Três
Céu nublado. Quase não chove, quase não goteja. A neblina forma uma névoa fina, nada amistosa. O clima define a tempestade que nasce em mim. Meu peito congela, pesa, fere...
Não quero que o sol nasça novamente. Ou quero? Mas, que chova! Que esse aguaceiro me lave, que a dor escorra na pele desnuda.
“Tá tudo bem?”, mal noto alguém falar comigo, observo e reflito antes de responder. Vale a pena ser sincero?
“Sim, sim.”. Um sim para ela, outro para mim. Também quero acreditar. Já não vale a pena ser sincero, não mais.
Forço um sorriso, que não sai como esperado. Na frente do espelho, sorrio novamente, enquanto tento me convencer de que posso fazer aquilo. Finja. Finja. Finja.
Tu não consegues ver a minha inquietação? Ou só queres que eu diga? Queres que eu lhe rogue por amparo? Vem, vem veloz. Vem, vem sem demora! Sorve a angústia num abraço apertado. Joga fora o que te preocupa, mas não me afasta da tua chama.
Fecho os olhos. Imagino que podes me ver, dou o meu melhor sorriso. Ah, o sol nasceu... Meus braços tremem. Abraça-me. Mais. Mais. Mais.
Há esperança de paz? Recita que sim, querido...
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