Paulícia - Uma História
22 22° - Paulo
Notas iniciais
Pov's Paulo
No dia seguinte acordamos as 9:00, o que já foi um avanço já que esses dias todos que ficamos aqui acordamos cedo, a não ser ontem que acordamos mais tarde por conta da festa e considerando que ontem fomos dormir tarde seria bem melhor acordamos um pouco mais tarde hoje mas tudo bem. Sinto tanta falta da minha casa, da minha cama onde eu dormia até tarde, do meu PC, de tudo da cidade, deu para perceber que eu não me acoatumaria no interior.
Me levantei com a maior preguiça do mundo e sem fazer barulho algum desci da beliche e balancei o Koki que dormia na cama de baixo tranquilamente.
Paulo: Hey japonês, acorda ai — sussurei mas ele apenas resmungou e virou para o outro lado — acorda japonês, anda logo — falei um pouco mais alto e mesmo assim ele continuou dormindo — Porra Koki, acorda logo — balancei ele mais forte até que ele abriu os olhos e me olhou irritado.
Koki: Mais que merda Paulo, o que você quer?! Me deixa dormir — falou já querendo virar para o outro lado e dormir novamente.
Paulo: Ah não! Nem pense em dormir de novo. Levanta que hoje nós temos planos.
Koki: Que planos que ninguém me avisou nada? E tem mesmo que ser a essa hora da matina? Eu quero dormir — falou com a voz rouca de sono.
Paulo: Tem sim que ser a essa hora porque é a única hora que a gente pode fazer isso — falei me sentando do lado dele na cama.
Koki: Isso o que a essa hora da manhã?
Paulo: Aprontar com as meninas — falei e ele arregalou os olhos o que foi uma coisa engraçada de se ver.
Koki: Aprontar com as meninas?
Paulo: É isso ai.
Koki: E por que não falou antes?! Vamos logo — falou se levantando devagar para não fazer barulho e eu ri
Me levantei tentando não fazer barulho também e peguei a mala da zoeira. Abri a mesma devagar e peguei um pote de dentro, fechei a mesma e coloquei de volta no lugar embaixo da cama. Nós dois saimos do dormitório e paramos no corredor.
Koki: Por que não me avisou que iria aprontar com elas hoje?
Paulo: Eu decidi ontem antes da festa. Eu ai te contar na hora de dormir mas como eu discuti com os três patetas eu acabei esquecendo de te falar.
Koki: E você tem certeza de que quer fazer isso? A gorda não estava de olho em você por causa do seu incidente com a Alícia na floresta?
Paulo: Estava mas provavelmente ela já deve ter esquecido isso já que a culpa não foi minha mas sim da neta do dono do acampamento.
Koki: Mesmo assim não é arriscado? Vai que a gorda manda a gente de volta para casa. Eu não sei você mas eu até que estou gostando daqui.
Paulo: Não se preocupa que vai dar tudo certo, a gorda não vai descobrir nada. E alem do mais vai ser uma coisa leve, nada de muito ruim para não levantar suspeitas.
Koki: E então qual é o Plano?! — perguntou animado.
Paulo: É assim que se fala japonês. O plano é o seguinte: aqui dentro — falei balançando o pote que eu havia pego na mala — tem algumas baratas, nada de mais. A gente vai aproveitar que as meninas vão ir agora para o banho já que elas sempre vão antes da gente e vamos colocar essas baratas lá dentro. Então nós vamos ficar aqui escondidos para ver a reação delas quando entrarem no banheiro e virem as nossas amiguinhas — falei animado.
Koki: Mas elas podem desconfiar disso Paulo, de que foi a gente que colocou elas lá dentro.
Paulo: Relaxa que vai dar tudo certo, baratas podem aparecer pelo esgoto não podem?
Koki: Podem mas... — falou querendo argumentar mas eu o interrompi.
Paulo: Mas nada, vai comigo ou não?
Koki: Vou néh, é só que eu acho meio arriscado porque elas podem desconfiar e falar para a gorda mas vamos nessa.
Paulo: Vamos.
Então eu fui na frente guiando até o banheiro enquanto ele olhava atrás para ver se não vinha ninguém. Quando chegamos no banheiro eu mandei ele ficar de olho e entrei.
Sinceramente não sei porque o Sr. Campos inventou isso de dividir o banheiro, isso só atrapalha e irrita a gente que tem que sair do dormitório apenas para tomar banho. Confesso que isso me irritou muito quando eu cheguei mas agora eu até que estou gostando da ideia, assim eu posso preparar uma surpresinha para ela. Se elas estavam com saudades disso agora eu voltei.
Fui até as pias que haviam lá, abri o pote e soltei duas baratas lá em cima. Elas não eram grandes, eram pequenas porque eu não consegui achar as grandes na casa abandonada por isso essas vão ter que servir. Se bem que com o medo que elas tem com certeza elas vão ficar apavoradas e só de pensar nisso já me dá vontade de rir.
Depois fui até o meio do banheiro e soltei o restante das baratas lá. Contando com as duas da pia tinham oito baratas e assim que eu soltei o restante no chão sairam correndo, cada uma para um canto. Uma tentou subir no meu pé mas eu deu um chute de leve nela e ela virou para o outro lado, eu não podia matar porque todas seriam vitais no plano.
Koki: O Paulo, elas estão saindo do quarto, vai logo com isso — falou apressado.
Paulo: Eu já terminei aqui japonês, vamos logo nos esconder — falei fechando a porta e nós dois corremos até a varanda da casa e nos escondemos lá, onde poderiamos ter um vista privilegiada da porta do banheiro.
Bem na hora que nos ajeitamos elas apareceram no corredos, todas conversando animadas embora algumas ainda estivessem com cara de sono por terem dormido tarde a acordado cedo.
A primeira a entrar foi a Valéria e em seguida todas entraram e fecharam a porta. Não demorou nem 2 minutos e elas começaram a gritar uma pela outra e sairem de lá de dentro correndo e pulando igual cangurus e eu e o Koki começamos a rir da cara assustada delas.
Majo: Eca, mega eca! — falou olhando para o corpo provavelmente para ver se não tinha nenhuma nela.
Val: Que nojo, como essas baratas entraram ai?
Lau: Eu não sei mas eu estou morrendo de medo, e se elas forem voadoras e voarem em cima da gente?! — perguntou assustada fazendo eu e o koki rirmos mais do que já estavamos.
No meio de todos os gritinhos a única que estava rindo era a Alícia o que fez todas as meninas olharem para ela.
Marga: Por que você esta rindo?
Majo: Por acaso a gente tem cara de palhaça para você rir da gente?! — perguntou revoltada.
Alícia: Não, desculpa — falou parando de rir — é porque foi engraçado ver vocês com medo das baratas.
Bibi: Você só fala isso porque você não tem medo.
Val: Eu queria que uma voasse no seu cabelo, ai você iria ver só — falou irritada.
Alícia: Em primeiro lugar eu não tenho medo mesmo porque elas não me assustam só me dão nojo e em segundo que essas baratas são pequenas demais para voar — falou e eu parei de rir.
Marce: E como você sabe disso? — perguntou confusa e até eu queria saber como ela sabia disso.
Alícia: Eu li uma vez que as baratas pequenas não conseguem voar, só quando elas estão maiores elas conseguem.
Majo: Ótimo especialista em baratas, agora que você já deu sea aula por que não vai lá e mata elas?!
Val: É, já que você é a única que não tem medo vai lá e mata elas que eu quero tomar banho porque se não eu vou chamar os meninos.
Alícia: Não precisa chamar os meninos não, pode deixar que eu vou lá.
Então ela entrou e o restante das meninas ficaram aqui fora reclamando que estavam com nojo e medo, entre outras coisas que fizeram eu e o Koki rirmos novamente. Depois de uns dez minutos eu já estava ficando cansado de ficar na mesma posição e nós dois não podiamos nos mexer para não fazer barulho porque se não elas descobririam onde estavamos e saberiam que fomos nós.
Então a Alícia saiu do banheiro com um pedaço de papel na mão e todas olharam para ela.
Carm: Matou?
Alícia: Sim.
Majo: Matou todas? Porque se tiver mais alguma lá dentro eu não entro.
Alícia: Matei sim, quer ver? — falou estendendo o papel na direção dela que deu um passo para trás.
Majo: Não! Vou confiar em você.
Alícia: Não se preocupem que eu dei uma geral no banheiro todo e só achei oito...
Marga: Oito? Você ainda fala só oito?
Alícia: Sim, geralmente quando elas saem do esgoto assim custuma aparecer mais que isso.
Val: Ai credo!
Alícia: Mas de qualquer jeito elas já estavam morrendo, o meu vô sempre detetiza o acampamento então em quastão de tempo elas já estariam mortas.
Lau: Então a gente já pode entrar que não tem maia nenhuma?
Alícia: Podem sim, não tem mais nenhuma barata lá.
Marce: Obrigada amiga, nem sei o que seria da gente sem você.
Alícia: Eu sei, vocês não vivem sem mim — falou convencida e as meninas riram dela.
Majo: Não sonha muito não Alícia.
Alícia: Pode acreditar que eu não estou sonhando.
Carm: Ok meninas, agora que a Alícia tão gentilmente tirou as baratas do banheiro é melhor a gente se apressar porque daqui a pouco os meninos vão chegar e a gente nem tomou banho ainda.
Val: Verdade, vamos logo que eu quero tomar um banho bem quentinho para ver se eu acordo.
Alícia: Então vão lá que eu vou jogar isso aqui no lixo.
Vick: E por que você não joga aqui no banheiro?
Alícia: Porque eu sei que as meninas vão ficar com nojo mesmo elas estando mortas.
Majo: Vamos mesmo, agora vamos logo com isso.
Então as meninas começaram a entrar no banheiro e a única que ficou lá fora foi a Alícia. Só que em vez dela andar para qualquer lugar ela ficou lá parada rindo.
Alícia: Podem sair de onde estiverem Paulo e Koki, eu sei que vocês estão aqui — falou um pouco baixo para que as meninas não escutassem ela.
Eu e o Koki nos olhamos sem aacreditar. Como ela sabia que tinha sido a gente?
Alícia: Vamos lá, podem sair que eu já sei que foi vocês e se eu for procurar vocês eu juro que jogo essas baratas na cabeça de vocês.
Então eu olhei para o Koki que deu de ombros e levantou e eu me levantei também e saimos da varanda e fomos em direção a ela que apenas fez sinal com a cabeça para seguirmos ela e nos fomos. Elas nos guiou por alguns corredores onde nós nunca haviamos passado antes. Ela então parou de repente e se virou para a gente rindo.
Alícia: Essa foi bem engraçada, embora eu ainda não entenda porque fizeram issi se não poderiam ver como elas reagiriam.
Paulo: É o que? — perguntei sem entender.
Alícia: Vocês podem ter visto elas lá foram mas dentro é que foi engraçado, você não viram a cara delas de medo quando elas viram as baratas andando pelo banheiro — falou rindo.
Koki: Alícia, você está bem?
Alícia: Claro que eu estou, por que não estaria? — perguntou confusa.
Koki: Talvez porque você não nos entregou quando descobriu que foi a gente que colocou as baratas lá e está até rindo.
Alícia: Olha só, eu poderia mesmo ter entregado vocês só que eu mesma ri bastante por causa dessa pegadinha de vocês e eu sei que se a Diretora descobrir ela manda vocês de volta.
Paulo: E como você descobriu que foi a gente que colocou as baratas lá?
Alícia: Simples, meu vô sempre detetiza a casa toda antes das férias e isso nunca acontece. Tudo bem que as vezes pode sair uma ou outra do esgoto mas nunca oito e elas sempre acabam morrendo pouco tempo depois disso e como as que estavam no banheiro ainda estavam bem significava que elas haviam sido colocadas ali a pouco tempo e eu sei que mais ninguém aqui no acampamento iria aprontar uma dessas a não ser vocês.
Koki: É Paulo, ela foi bem esperta dessa vez.
Paulo: Pois é, surpreendeu hoje hein Gusman!
Alícia: Não foi para tanto, era só prestar atenção. Agora Koki me faz um favor?
Koki: Depende, o que seria? — perguntou desconfiado.
Alícia: Vai lá na cozinha, pega uma faca e se mata? — falou com uma cara de inocente e ele se assustou.
Koki: Como é? Tá doida Alícia? Pirou de vez é?
Alícia: Não, eu só estou brincando. Será que você poderia deixar eu falar a sós com o Paulo rápidinho? Juro que não vai demorar.
Koki: Não sei não, deixar vocês dois sozinhos?
Alícia: É que eu preciso conversar com ele.
Koki: Tá bom, vou deixar os pombinhos a sós — falou rindo e começou a se afastar.
Alícia: Pombinhos é a mãe — falou e fingiu que iria jogar o papel com as baratas em cima dele que gritou e saiu correndo — esse Koki não tem jeito mesmo.
Paulo: Não mesmo afinal estamos falando do Koki. Mas afinal o que você queria falar?
Alícia: A gente precisa falar sobre ontem não? — perguntou e começou a andar e eu a segui.
Paulo: Sim, precisamos.
Alícia: Você teve o interrogatório?
Paulo: Tá mais para briga mesmo com os três patetas.
Alícia: Eles brigaram muito com você? — perguntou enquanto virava em um corredor.
Paulo: Não muito porque eu mandei eles irem cuidar das namoradas deles e me deixarem em paz que eu resolveria o problema com você não com eles.
Alícia: Meu Deus — falou rindo enquanto abria uma porta de um quarto e entrava e eu a segui — pode deixar que depois eu converso com eles sobre isso.
Paulo: Eles são muito ciumentos com você — falei e ela parou no meio do quarto que tinha duas camas se solteiro, uma de cada lado do quarto, um gurda roupa, uma tv na parede e uma porta no canto que provavelmente era o banheiro.
Alícia: É só preocupação. Eles me consideram uma irmã por isso só querem me proteger.
Paulo: Até demais.
Alícia: Digo a mesma coisa de você com a Marcelina.
Dessa vez eu fiquei quieto porque ela tinha razão, eu fazia a mesmoa coisa com a Marcelina e estava falando deles.
Alícia: Agora mudando de assunto ontem eu também tive um interrogatório das meninas.
Paulo: E o que elas perguntaram?
Alícia: Um monte de coisa: se eu gostava de você, se o beijo tinha sido bom, se eu realmente te achava bonito, se eu iria mesmo beijar o Ed...
Paulo: E você iria mesmo beijar ele? — perguntei.
Alícia: Isso nã te interessa Guerra — falou irritada indo em direção ao banheiro.
Paulo: Ok, não está mais aqui quem perguntou — falei a seguindo.
Alícia: A questão é que agora que elas viram a gente se beijando elas acreditam que a gente tem alguma coisa — falou jogando o papel no lixo e lavando a mão.
Paulo: Deixa elas acreditarem então, eu nunca liguei para o que elas pensam mesmo — falei dando de ombros e encostando na porta e cruzando os braços.
Alícia: Eu também não mas acontece que não é você que elas vão ficar irritando por causa disso — falou encostando na pia me olhando.
Paulo: Eu já tenho os três patetas nessa função.
Alícia: Não chame eles assim, só eu posso chamar eles assim.
Paulo: Eu não vou parar de chamar eles assim só porque você quer. E agora o que a gente vai fazer?
Alícia: A gente? Nada, vamos agir como normalmente agimos um com o outro e uma hora elas vão esquecer disso.
Paulo: E sobre o beijo...
Alícia: Não precisamos falar sobre isso de novo.
Paulo: Eu já sei: " Não faça isso de novo " — falei imitando a voz dela que riu.
Alícia: Na verdade não.
Paulo: Não? — perguntei bem confuso.
Alícia: E adianta? Eu já te falei isso antes e você já me beijou três vezes depois disso.
Paulo: E você correspondeu os três Gusman- lembrei ela que sorriu e se apróximou de mim e parou na minha frente.
Alícia: Eu sei disso afinal eu também estava lá Guerra.
Paulo: Então...
Alícia: Então que eu não vou mais falar nada, você sabe o que faz — falou, me virou de costas e me empurou para fora da porta — agora vamos porque se não vão pensar que estamos nos beijando aqui também.
Paulo: Se você quiser — falei brincando e ela me deu um tapa no braço — ai Alícia, eu estava brincando.
Alícia: Eu sei.
Paulo: Então porque me bateu?
Alícia: Não sei, é divertido — falou dando de ombros.
Paulo: Haha! Afinal que quarto é esse?
Alícia: É o meu quarto, aquele que eu dividia com o Pedro.
Paulo: Aqui é bem grande — falei olhando ao redor.
Alícia: É sim, agora vamos logo antes que as meninas resolvam me procurar.
Paulo: Vamos logo então que eu também tenho que tomar banho — falei e ela riu.
Alícia: Ainda bem que eu vou primeiro — falou e mostrou a língua para mim e saiu correndo.
Paulo: Filha da mãe, volta aqui — falei correndo atrás dela.
Alícia: E do pai também — falou ainda correndo.
Então nós ficamos correndo um do outro pela casa toda até que ela entrou no banheiro e fechou a porta.
Alícia: Perdeu Guerra.
Paulo: Te pego depois Gusman, não se preocupe com isso — falei e me afastei da porta.
Alícia: Idiota — falou alto para que eu ouvisse e eu me afastei rindo, mais tarde eu pego ela.
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