Pauls Daughter
1 Hi dad! Its me, your daughter. Remember?
Notas iniciais
–Lottie! — Chamou minha mãe pela terceira vez. — Você vai chegar atrasada no aeroporto! Vamos!
–Já vou! — Disse apressada correndo pelo meu quarto terminando de pegar todas as coisas que precisaria para a viajem. Isso é, tudo. Por que eu não iria voltar. Pelo menos eu não tinha a intenção.
Dei uma última olhada no espelho (http://www.polyvore.com/cgi/set?id=51661563) e finalmente fui ao encontro de minha mãe, que esperava impaciente na sala.
–Você está linda. Agora vamos, filha.
...
–Mãe, já ta chegando? — Perguntei depois de meia hora de viajem.
–Estamos quase lá, Lottie — ela respondeu. — Você já combinou tudo com Paul? Ele já estará te esperando no aeroporto de Londres na hora de chegada do seu vôo?
–Sim, mãe. Papai já sabe a hora que eu vou chegar.
Na verdade, ele não sabia. Ele não fazia ideia nem de que eu estava indo para Londres "passar as férias". E graças ao ódio que minha mãe tinha pelo meu pai, ela nem ligou para confirmar.
Eu realmente pretendia passar as férias com meu pai, mas minha insegurança falou mais alto. Pensei que ele não aceitaria a minha presença em sua casa. Então se eu simplesmente aparecesse lá ele não poderia negar, certo?
Acho que sim. Se ele não quisesse era só eu ficar em algum hotel. Minha mãe não saberia de qualquer jeito, por isso eu estava confiante de que eu passaria minhas férias em Londres de qualquer jeito. Apesar de Paris ser linda, eu queria mesmo era morar em Londres.
Eu daria um jeito de não voltar. E eu ainda tinha três meses para pensar em como. Eu só estava preocupada com o meu pai. Como será que ele está? Será que ele se casou de novo? E se ele tiver outros filhos e nem se lembrar de mim?
Comecei a bater a perna freneticamente no chão do carro com a anciosidade.
–Charlotte, está tudo bem? — Ouvi a voz de minha mãe.
–Sim, só estou ansiosa. Esperei por essa viajem por muito tempo.
–Eu quem diga! Você me irritou com isso por anos!
–Pois é — eu disse com um sorriso no rosto.
–Chegamos! — Disse minha mãe, depois de mais quinze minutos de viajem.
Paramos o carro e tiramos as malas do porta-malas. Entramos no aero-porto e fizemos o meu check-in. Agora faltava pouco para eu chegar em Londres...
Quantas horas de viajem eram? Acho que umas quatro no máximo. Entramos no McDonald's de dentro do lugar e começamos a comer.
–Por que você trouxe tanta coisa, Lottie? — Perguntou minha mãe depois de um tempo. — São só três meses!
–Eu não queria que faltasse nada — menti descaradamente com um sorriso travesso no rosto.
–Ah, sim, claro. Odeio quando esqueço alguma coisa! — Concordou minha mãe sem nem perceber o real motivo para eu levar tanta coisa.
–Chamada para o vôo 135, Paris-Londres. Quinze minutos para o embarque. — Escutei o alto falante chamando.
–É o meu mãe. Tenho que ir — disse enquanto levantava da mesa colocando o último pedaço do hamburger na boca.
Minha mãe se levantou também e me acompanhou até onde pôde. Me abraçou e com lágrimas nos olhos sussurrou algo como "eu te amo, Lottie. Nunca se esqueça disso, está bem? Vou sentir saudade de você filha. Se cuida e aproveita bastante a viajem, tá?". Meus olhos se encheram de lágrimas também e eu consegui responder "também te amo, mãe. E também vou sentir sua falta".
Nos abraçamos mais uma vez e minha mãe me deu um beijo na bochecha. Retribui e murmurei um "tchau". Me virei e embarquei no avião. Lágrimas ainda corriam por minha face. Procurei o meu lugar no avião. Janela. Abri um sorrisso.
Sempre adorei sentar na janela, ver as nuvens, tudo. Peguei meu Iphone e o meu Beats e coloquei a mala de mão em cima do acento. Sentei e conectei meu Iphone com o Beats, selecionei a playlist que fiz especialmente para essa viajem, só com músicas animadas. Apertei o play e reconheci o começo da musica, comecei a tamborilar os dedos em minha perna no ritmo de "scream", do Usher. Um tempo depois alguém sentou do meu lado mas nem prestei muita atenção.
Ouvi os avisos de que o avião iria decolar mas nem prestei muita atenção. Senti o balanço inicial e a subida. Só quatro horas! Minha animação era tão grande que eu balançava de leve meus braços no ritmo da música fazendo com que o meu vizinho de acento risse de mim. Olhei para o lado e percebi que era uma menina que tinha mais ou menos a minha idade (http://www.polyvore.com/madison_trip/set?id=51740218)
–Oi! — Disse animada.
–Oi! — Respondeu a menina.
–Meu nome é Charlotte, mas pode me chamar de Charlie. Ou Lottie. Mas eu prefiro Charlie.
Ela riu.
–Então tá, Charlie. Prazer, eu sou a Madison, mas se me chamasse de Maddie eu agradeceria.
Sorri. Parece que eu havia feito uma amizade. Era um bom começo. Resolvi continuar a conversa.
–Err... Madie, certo? — Ela acentiu com a cabeça. — Você mora em Paris?
–Na verdade, não. Eu sou de Londres, vim passar um tempo aqui mas já estou voltando. Obvio, porque eu estou em um avião indo para Londres... Mas enfim. E você Lottie?
–Charlie — Corrigi. — E eu sou londrina mas estava morando em Paris. Agora estou voltando.
–Podemos combinar de nos encontrar em Londres!
Afirmei com a cabeça. Ela era realmente amigável.
–Você já está na faculdade? — Perguntei para ter noção da idade dela.
–Ah, sim. Primeiro ano de faculdade, para ser sincera.
–Legal. O que você cursa?
–Gastronomia. Eu sei que não é grande coisa mas eu adora cozinhar.
–Opa, então da próxima vez que nos encontrarmos você vai cozinhar!
–Pode deixar!
...
–Senhores passageiros, afivelem os cintos. Dentro de cinco minutos o avião iniciará o processo de pouso — o piloto disse.
–Bom, então acho que é isso. Você já me passou o seu telefone e eu já te passei o meu. Certo? — Maddie falou.
–Certissímo. Qualquer dia desses a gente combina de se encontrar. Tá?
–Obvio! Vou querer te ver mais vezes, Charlie.
Já nos despedimos no avião, pois sabiamos que estaria uma confusão na saída e talvez não nos encontrassemos mais.
Meia hora depois eu já estava com as malas em mãos, a procura da saída do aero-porto. Olhava de um lado para o outro, perdida. Resolvi encostar em uma das paredes, onde estava mais calmo, com menos movimentação de gente.
Olhei as placas e descobri que a saída não era longe. Caminhei até ela e logo consegui um taxi. Pedi para ele me deixar na casa de meu pai. Como eu sabia o endereço? Simples, minha mãe e meu pai se comunicaram duas vezes depois da separação, para ver com quem eu ficava e para trocar endereços de casa, telefones e e-mail caso fosse algo urgente e precisassem se falar.
Havia se passado mais meia hora quando o carro parou em frente a um prédio de luxo. O taxista me ajudou a tirar as malas do carro e eu o paguei logo em seguida. Me virei e fui até o interfone.
–Quem gostaria?
–Oi. Meu nome é Charlotte Higgins. Eu sou a filha de Paul Higgins. E eu acho que ele mora aqui.
–Ah, certo. Deixe-me checar... Ele não está atendendo. Mas de qualquer jeito, deixe-me ver sua identidade, por favor.
–Claro. Um segundo, deixa eu pegar... Pronto.
Passei a carteirinha por uma portinha que dava dentro da cabine da portaria do prédio.
–Bom, já que a senhorita é filha do Paul legalmente, pode entrar...
Ele abriu o portão e me devolveu a carteirinha. Passei pelo hall de entrada, e cheguei aos elevadores. Abri minha bolsa e peguei o papelzinho onde eu havia anotado o endereço, telefone e e-mail de meu pai.
Chamei o elevador e subi pelo da direita até o sétimo andar. Ao chegar lá, toquei a campainha do apartamento 71. Uma, duas, três vezes e nada. Esperei pelo menos dez minutos, depois fique de saco cheio. Deixei as malas encostadas do lado da porta do 71 e desci na portaria.
–Com licença... Meu pai não está atendendo a porta. Você sabe se ele saiu?
–Deixe me ver... Não, o senhor Higgins não saiu.
–Você pode me dar a chave do apartamento para eu guardar minhas coisas lá, pelo menos?
–Sinto muito, isso eu não posso fazer. Só com a autorização de seu pai.
–Bom, então, o que eu faço?
–Talvez você devesse tentar encontrá-lo no apartamento do nono andar. Ele vai lá bastante.
–Bater na porta de desconhecidos? Mas... — Parei para pensar. Era minha única chance. Sabe-se lá quando ele sairia do nono andar. Então, por que não bater na porta dessas pessoas? — É, tudo bem, eu acho... Obrigada.
Voltei no hall de entrada e chamei o elevador. Dessa vez o da esquerda é que parou no térreo. Subi até o nono andar. Cheguei lá e só tinhauma porta. Era só um apartamento em todo o andar. Aquele apartamento era grande. Bem grande.
Exitei um pouco na entrada. Respirei fundo e toquei a campainha. Dei uma última arrumada no cabelo, arrumei a roupa e esperei um pouco. Ouvi passos do outro lado e depois o barulho da chave girando.
A porta se abriu e eu me vi encarando uma figura adulta grande e... Gorda(http://www.polyvore.com/paul_higgins/set?id=51747587). Será que ele era meu pai? Não deu nem tempo de perguntar e ele já começou a falar.
–Quem é você? — Me perguntou me olhando da cabeça aos pés. — Ah, uma fã! Como você passou pela portaria? Como você descobriu que era aqui o apartamento?
Eu não estava entendendo nada. Uma feição de dúvida surgiu em meu rosto.
–Eu não...
–Sinto muito, você não poderá vê-los — disse ele me interrompendo e fechando a porta na minha cara.
Fiquei parada por uns três minutos até eu me tocar do que havia acontecido. Pisquei descompassadamente sem acreditar direito. Respirei fundo e toquei a campainha novamente.
O mesmo homem atendeu a porta.
–Com lincença, eu gostaria de falar com... — Começei a dizer.
–Harry? — Ele me interrompeu.
–Não! Com...
–Louis?
–Não! Eu quero falar com...
–Liam? Niall? Zayn?
–Não! Quem são esses? Não importa — o homem fez uma cara de dúvida como se pensasse "como ela não sabe quem são eles?" — Eu estou procurando...
–Isso é um truque? Não vai dar certo garota. Já pode dar meia volta e ir embora.
–Mas eu não... Quer saber? Agora você vai me escutar! Eu estou procurando Paul Higgins. Ele está?
–O que você quer com ele?
–Eu gostaria de falar com o meu pai, posso?
–Paul Higgins é o seu pai?
–Acho que eu deixei isso claro...
–Quantos anos você tem menina?
–17.
–Mas isso é... Como... Charlotte?
Fiquei pálida. Ele é meu pai? O homem rude? Calma, pode ter acontecido alguma coisa que deixou ele irritado. Tomara, porque eu não quero um pai emburrado. Eu falei meu nome para ele? Acho que não. É, ele é o meu pai.
–Exatamente. Lottie Higgins a seu favor! — Falei brincando.
–Bom, então nesse caso, me desculpe filha. Eu achei que fosse uma fã, pela roupa. Falando nisso você é fã?
–Fã de quem?
–One Direction.
–Quem? Ah! Já sei! Aquela boy-band que canta What Makes You Beautiful?
–É essa mesmo. Pelo jeito não é fã... — Disse ele sorrindo levemente.
–Por que pela roupa?
–Por causa do Louis. Um dos integrantes.
–O que tem o Louis? Bom tanto faz...
–É.
–É.
Ficamos em silêncio. Os dois sem graça com a situação desconfortante.
–Eu posso entrar? — Perguntei sem jeito.
–Ah, claro Charlotte. Você é sempre bem-vinda, filha.
–Obrigada...Pai.
Ele abriu espaço e eu entrei. O apartamento era gigante! A sala dava o tamanho do meu apartamento antigo inteiro!
–Quantos quartos tem aqui? — Perguntei maravilhada.
–Seis. E uma sala de jantar, sala de tv, sala de estar, sala de jogos, varanda com hidromassagem, e por aí vai...
–Nossa!
–O meu é um pouco menor mas dá para o gasto...
–Tá ótimo, pai!
–Quem mora aqui?
–A banda.
–One Direction?
–Isso.
–Legal. Eles estão aí?
–LIAM!! NÃO VALEU!!
–CALA A BOCA LOUIS!!
–COLOCA UMA ROUPA HARRY, POR FAVOR!!
–EU GOSTO ASSIM, ZAYN!!
–MAS QUE FOME!!
Ouvi gritos vindo de algum lugar da casa.
–Acho que isso responde sua pergunta, não?
–É, isso responde a minha pergunta.
–Vamos, vou te apresentar para eles.
–Tá bom... Mas eu quero ir logo passear por essa maravilhosa cidade! — Disse alegremente.
Ele sorriu e começou a andar pela casa.
–Vem Lottie.
–Já estou indo — disse andando até ele.
Passamos por vários comodos até chegar em uma sala com a porta fechada. Ouvi barulho de tiros.
–HAHAHAH!! MORREU HARRY!! PASSA O CONTROLE PRO PAPAI!!
–CALA A BOCA LIAM!! DROGA...
–UHHH!! QUASE...
–HAHAHA!! DESVIEI LOUIS!!
Meu pai colocou a mão na fechadura e eu dei um pulo para trás me escondendo dos meninos. Não sei o que deu em mim, eu nunca fui envergonhada... Ele olhou para trás e deu uma risadinha.
Quando ele se virou de frente para a porta eu joguei a cabeça para frente e depois para trás para tentar aparecer apresentável. Porque querendo ou não, eles eram famosos e eu passaria um bom tempo com eles já que... é verdade! Porque eu estou no apartamento da One Direction com meu pai? O que...? Isso não faz sentido! Mas de qualquer jeito eu tenho que estar apresentável.
Arrumei a roupa e também dei uma rápida arrumada no que foi possível de minha aparência naquele minuto. Ainda estava atrás de meu pai. Ele entrou na sala e eu continuei parada. Não era possível me ver de onde eu estava.
–Meninos, eu gostaria de apresentar a vocês uma pessoa muito especial para mim...
Notas finais
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