Notas iniciais
Oiee povo, como estão? eu estou feliz porque as coisas que eu comprei no black friday chegaram e eu amei. Obrigada a todos que deixaram comentários e favoritaram a fic. Agora vou deixar de enrolação, boa leitura.

Eu sei sei que foi idiotice sair da trilha para procurar um caminho rápido, eu sei que foi mais na hora eu não pensei nisso, parecia ser uma boa ideia. Como é que eu ia saber que tinha um barranco no caminho que eu peguei?

Eu estava correndo e não vi o barranco na minha frente. Você pode até me perguntar " Como você não viu um barranco bem na sua frente?" Eu te repondo que não vi porque estava com raiva, quando se está com raiva você acaba ficando cego para algumas coisas. Quando eu ia cair eu consegui me segurar em um galho e firmar meu pé em uma pedra. Eu tentei subir mais não consegui. A minha única escolha na hora era a Alícia e eu gritei por ela. Depois de novo e nada dela vir. Será que ele escutou? Gritei mais alto dessa vez e a cabeça dela apareceu.

Ele me estendeu a mão para me ajudar, não sem antes me chamar de retardado mais eu acho que dessa vez eu mereci isso. Ele disse que iria me puxar e eu daria impulso para cima. O problema foi que na hora que eu dei impulso com o pé que estava firmado na pedra ela deslizou e eu escorreguei e a Alícia que estava segurando minha mão acabou vindo junto. Descemos deslizando " morro abaixo " e só paramos no final dele.

Meu corpo estava todo dolorido e eu deveria estar com uns arranhões feios pelo corpo mais pelo menos estava vivo. Quando fui tentar me levantar senti uma dor muito forte no meu abdomen, levantei a minha blusa e tinha um corte em cima do meu umbigo que parecia ser mais fundo que os outros pois estava doendo muito e era maior, pelo menos não estava sangrando. Abaixei minha blusa e fiquei lá deitado com os olhos fechados. Não tinha a minima ideia de onde estava e ainda machucado.

Fiquei um tempo assim até que senti alguém me sacudir.

– Paulo? Você tá bem? — a Alícia perguntou. Eu havia esquecido que ela estava lá.

– Tô sim e você? — eu perguntei abrindo os olhos.

– Um pouco dolorida mais bem.

– Onde estamos? — eu perguntei pra ela enquanto me sentava devagar.

– Não faço a minima ideia. E por falar em ideia, o que você estava fazendo na beira do barranco seu louco?

– Eu estava procurando um caminho mais rápido pra saída da floresta, não sabia que teria esse barranco no meu caminho.

– Você é um idiota mesmo, por sua causa a gente ta aqui.

– Minha causa nada, sua causa. Se você não tivesse me irritado com aquele papo chato de garotas eu não teria toda essa vontade de ganhar de você.

– Teria sim — ela estava certa mais não precisava saber disso — E não vem jogar a culpa em cima de mim não, até por que eu não sei nem por que eu vim te ajudar. Acabei ficando perdida e ainda por cima com você e ainda levo a culpa. Isso é pra aprender a deixar de ser estupida.

– Tem razão, você é uma estupida — eu disse rindo mais parei na mesma hora pois ela me olhou com ódio.

– Levanta logo e vamos logo tentar sair daqui — ela disse se levantando e eu me levantei devagar por causa da dor mais ela não pareceu perceber ou se percebeu não ligou.

– Vamos por aqui — ela disse apontando para o lado direito — deve ser para lá a saída.

– Nada disso, vamos por aqui — eu disse apontando para o lado esquerdo — Não vou por ai só porque você quer.

– E eu não vou por ai só porque você quer — ela disse apontando pro meu peito.

– Vai sim e sabe por que?

– Por que Paulo? — ela perguntou cruzando os braços.

– Porque eu sou o homem aqui e sou o mais velho — eu disse e ela fez uma cara de indignada.

– Que coisa mais ridícula. Não é só porque você é o homem aqui que eu tenho que te obedecer, até porque eu tenho mais juízo que você e você é mais velho que eu três meses então nem vem com essa idiotice não.

– Nada a ver, eu fico no comando e digo que vamos por aqui

Então antes que ela falasse alguma coisa pra me impedir eu comecei a andar pelo caminho que eu havia falado.

– Paulo! — ela disse atrás de mim — Paulo, para de ser idiota. Vamos por ali. É só você perceber que deveríamos ir naquela direção pra sair da trilha.

– Não. Vamos por aqui.

– Vamos nada, vai você e eu vou por aqui.

Eu me virei para encara-lá e ela estava parada me encarando a alguns metros. Ela estava com os braços cruzados e o boné na cabeça, cara de zangada, estava bonita assim brava embora eu nunca fosse admitir isso para ela.

– Você vem junto comigo, estamos juntos nessa Gusman.

– Estamos nada, se estamos perdidos a culpa é sua Guerra e eu não tenho obrigação nenhuma de ir com você. Então pode ir pelo seu caminho que eu vou pelo meu.

– Você vem comigo Alícia. Vamos por aqui e quando chegarmos no acampamento você pode dizer que eu estava certo. — eu disse e ela começou a rir.

– Até parece. Eu não vou com você — ela disse e eu soltei um suspiro. Que garota mais teimosa. Eu tinha que ficar perdido justo com ela?

– Não me faça ir até ai te pegar. Eu estou machucado mais não aleijado.

– Não. Pode ficar ai mesmo ou continuar andando, pra mim tanto faz — ela disse dando de ombros.

Então eu comecei a andar até ela que ficou olhando enquanto eu me aproximava. Quando eu cheguei perto o suficiente dela ela estendeu o braço e colocou a mão no meu peito me impedindo de dar mais um passo.

– Eu vou.

– Finalmente.

– Mais eu vou só pra ter o prazer de jogar na sua cara que você foi pelo caminho errado e eu estava certa. E também porque eu sei que meu vô me mataria se eu te deixasse sozinho aqui.

– Então vamos logo — eu disse com um pequeno sorriso no rosto. Ela percebeu que ainda estava com a mão no meu peito e a puxou de volta.

Eu me virei e fui andando pelo caminho entre as árvores e ela veio para o meu lado e ficamos andando lado a lado em silêncio, sem nem olharmos um para o outro.

– Queria tanto meu celular aqui — falei depois de um tempo — com o GPS acharíamos o caminho de volta rapidinho.

– Pois é. Mais não temos nenhum GPS aqui então para de moleza e vamos logo — ela respondeu sem nem olhar na minha cara e caminhamos o resto do caminho em silêncio.

Conforme íamos andando a dor no meu machucado no abdômen ia doendo cada vez mais e eu ia andando mais devagar. Depois de mais ou menos duas horas eu parei e me sentei em uma pedra alta que tinha ali perto.

– Preciso descansar um pouco.

– Vamos andar mais um pou... — ela falou mais quando se virou para mim o seu olhar foi direto para a minha barriga — O que aconteceu? Você tá bem? — quando olhei para baixo vi que minha blusa estava com sangue.

– Ta tudo bem sim, foi na hora que eu cai. Acho que na queda eu devo ter batido em algum galho ou pedra e fez um arranhão que está doendo.

– Por que não me falou isso quando começamos a andar?

– Você não precisava saber — eu disse dando de ombros e ela revirou os olhos.

Ela então veio para perto de mim e olhou a minha barriga.

– Levanta a camisa.

– Pra que?

– Para que eu possa ver o machucado — ela disse levantando o olhar até o meu rosto.

– E o que você entende disso?

– Muito mais do que você, disso eu tenho certeza. Agora levanta logo.

Então eu levantei a camisa e ela chegou mais perto ainda para olhar.

– Esse esta bem fundo. Está doendo muito?

– Está doendo um pouco — menti já que estava doendo muito.

– Ele parece que quer infeccionar.

Ela disse e eu percebi que ela evitava olhar para o meu abdômen e olhava diretamente para o machucado. A Alícia tinha vergonha de olhar, o que me fez sorri.

Ela então levantou o rosto ficando de frente para mim e eu percebi que ela tinha alguns arranhões superficiais pelo rosto e na hora me lembrei do avô dela falando para não se machucar. Não foi dessa vez.

– Fica aqui que eu já volto.

Então ela se levantou e ficou procurando algo olhando para o chão.

– O que você está fazendo? — eu perguntei mais ela me ignorou — Alícia? — ela continuou me ignorando — Alícia...

– Quer fazer o favor de calar a boca? — ela me olhou irritada.

– Então me fala o que você tá fazendo.

– Você já vai saber agora fica quieto.

Ela então recomeçou a procurar e ai se afastando cada vez mais. Quando eu quase não conseguia vê-la ela se abaixou e pegou algo no chão e ficou olhando, então ela pegou mais disso e levantou e começou a vir até mim mais antes ela parou em uma árvore e pegou duas folhas da mesma e veio até mim.

Quando ela chegou perto eu vi que eram folhas de alguma planta. Ela colou as folhas no chão e olhou pra mim.

– Tira a camisa.

– Eu não. Pra que você quer me ver sem camisa? — eu perguntei e ela corou.

– Eu não quero te ver sem camisa idiota, eu preciso limpar esse machucado para não infeccionar.

– Eu sei que você ta doida pra me ver sem camisa então não precisa inventar desculpa, eu sou muito bonito para se admirar então não precisa mentir, é só pedir.

– Olha aqui garoto, você não ta se achando demais não? — ela perguntou me encarando.

– Não, sou lindo e sei disso.

– Cala a boca Guerra — ela disse revirando os olhos — tira a camisa pra limpar logo antes que infeccione.

Então eu tirei a camisa ela pegou a folha maior que ela havia pego na árvore e colocou por cima do machucado e começou a passar devagar por cima e senti que a folha era úmida.

– O que é isso?

– É de uma árvore que eu não me lembro o nome agora. Ela tem as folhas úmidas e por isso são fontes de água, seja para beber ou para qualquer outra coisa.

– Você nem lembra o nome da árvore e está passando a folha dela em mim? E quem bebe a água de uma folha? — eu perguntei e ela revirou os olhos sem parar de passar a folha por cima.

– Não é porque eu não me lembro o nome da árvore que eu me esqueci do que ela faz ou como é. E quando se está com sede se bebe qualquer coisa. Mais só pra sua informação também se consegue água com a árvore, mais só quem tiver uma goteira ou fizer um furo fundo nela.

– E o que é isso, goteira?

– é uma coisa com uma ponta para se enfiar na árvore e na outra um buraco para a água sair — ela disse parando de passar a folha por cima do ferimento e pegou uma das folhas menores e me entregou — Pega e mastiga.

– O que? Se ta doida néh?! Eu não vou mastigar isso. O que é isso afinal?

– É uma planta chamada ...( não me lembro o nome agora mais quando lembrar coloco, mais ela existe viu gente ) , ela é usada pelos fazendeiros do Norte para tratar de ferimentos e infecções quando o hospital é muito longe.

– E pra que eu tenho que mastigar isso?

– Pra colocar em cima do seu ferimento para não inflamar. E para de fazer drama, tá parecendo a Majo.

– Tô nada e eu não vou mastigar isso ai não.

– Ótimo, então eu mastigo.

Então ela pegou uma das folhas e ai colocar na boca mais eu a impedi. Não iria colocar alguma coisa que ela mastigou em mim. Preferia eu mesmo mastigar essa folha a ser ela.

– Deixa que eu faço isso.

– Finalmente — ela disse me entregando a folha e eu coloquei na boca de uma vez e fiz uma careta, aquilo tinha um gosto horrível — Eu sei que é ruim mais é pra você melhorar. Quando estiver bem mastigado você pega e coloca em cima do ferimento que eu termino.

Então eu mastiguei bastante aquilo e quando já estava bem mole coloquei na mão e coloquei no ferimento. Ela então pegou a outra folha grande e começou a espalhar com ela por cima do ferimento e aquilo ardia, como ardia. Quando ela terminou de espalhar pegou outra folha da pequena e colocou por cima, então ela se levantou e olhou para mim.

– Eu vou precisar cobrir isso.

– Com o que? Se você não percebeu não tem nada aqui, estamos perdidos.

– Jura?! Nem tinha percebido! — ela disse sarcástica — Eu percebi isso muito antes de você idiota e se estamos perdidos é por sua culpa.

– Minha nada.

– Ta bom Paulo, então não é culpa de ninguém — ela disse e começou a olhar ao redor procurando alguma coisa e antes que eu pergunta-se o o que era ela olhou para baixo, para a própria blusa.
– É isso.

– Isso o que?

– A minha blusa — ela disse como se ela tivesse explicado tudo — eu vou cortar a minha blusa pra amarrar ai. Desse jeito a folha não vai sair.

– E você vai ficar sem blusa? — eu perguntei levantando a sobrancelha e ela riu.

– Sim, adoro sair por ai sem blusa — ela disse e eu encarei ela sério — Claro que não idiota. Só vou cortar a parte de baixo dela.

Então ela pegou uma pedra e furou a blusa e começou a puxar o furo até que a blusa estava apenas com a parte de cima e a barriga dela estava de fora. Com a blusa dela assim eu podia ver as curvas dela já que ela estava com um shorts que marcava bem a cintura. Eu não sabia porque ela escondia o corpo com essas blusas folgadas se o corpo dela era tão bonito. Ela tinha mais corpo que a maioria se não todas da nossa escola. Ela terminou de puxar a blusa e eu não consegui desviar o olhar a tempo.

– Tá olhando o que Guerra?

– Eu? Eu não estou olhando nada — eu disse desviando o olhar.

– Bom mesmo.

Ela então se aproximou de mim e parou na minha frente.

– Levanta.

– Pra que?

– Garoto você só sabe fazer perguntas? Não sabe só levantar não?

– Não, sei muitas outras coisas também.

– Nossa, que interessante. Agora levanta dai idiota

Então eu me levantei e ela se aproximou mais ainda ficando a alguns centímetros de mim.

– Você ama me chamar de idiota néh Gusman?

– Sim, adoro. É uma das melhores partes do meu dia te chamar de idiota — ela disse afastando os meus braços e passando os dela ao redor da minha cintura para colocar o pedaço da blusa atrás, quando ela foi puxar o braço de volta sem querer ela encostou em mim e eu arrepiei. Que porra é essa?

– E por que você adora tanto me chamar assim? — eu perguntei enquanto ela amarava a blusa do lado direito da minha barriga.

– Talvez porque você seja um — ela disse me olhando direto nos olhos e eu percebi que os olhos dela eram de um castanho bem claro e imaginei como seria no sol? E por que merda eu to prestando atenção nisso mesmo? — E também para não te chamar de nomes piores. — ela então se afastou de mim e pegou as outras folhas do chão e me entregou — Guarda para mais tarde você colocar mais.

– Eu vou ter que mastigar isso de novo?

– Vai, agora para de reclamar e vamos andar mais um pouco — ela jogou a minha camisa para mim e se virou e começou a caminhar — Você não vem?

– Vou — eu disse colocando a minha camisa e indo até ela — Vai mais devagar, ainda ta doendo.

– Ta bom — ela disse desacelerando o passo.

– Então, onde aprendeu tudo aquilo?

– Aquilo o que?

– Essa coisas todas com as folhas, árvores...

– Meu vô me ensinou. Eu venho aqui desde pequena então ele me ensinou muita coisa sobre a floresta, as árvores e coisas que ele aprendeu quando era escoteiro.

– Isso acabou sendo bem útil.

– Pois é.

– Bom, obrigado por ter me ajudado lá atrás — eu disse e ela parou de andar, eu parei ao seu lado e ela me encarou.

– Você falando obrigado? — ela perguntou arqueando a sobrancelha.

– Não se acostuma não, não é só porque eu disse uma vez que vou sair por ai agradecendo todo mundo.

Então eu voltei a andar e ela falou alguma coisa que eu não entendi e veio para o meu lado. Continuamos a andar assim, em silêncio por um bom tempo.

Notas finais
Bom gente agora só posto na sexta se tiver tempo senão só no sábado. Beijos.