Paulícia - Uma História
4 4° - Alícia
Notas iniciais
No dia seguinte foi uma música diferente que nos acordou mas dessa vez estávamos todas dispostas a levantar. Eu terminei de me arrumar primeiro como sempre, já que pra mim é só tomar um banho e colocar a roupa e o boné.
Quando as meninas terminaram nós fomos para o refeitório e os meninos já estavam lá, mesmo tomando banho depois da gente, deu pra perceber o quanto que elas demoram néh?
Dei um beijo no Jorge, no Mário e no Dan e me sentei do lado do Dan e a Marcelina se sentou ao meu lado.
Alícia: Bom dia povo — eu disse para os meninos que estavam na mesa que eu não havia falado, basicamente o Koki, Paulo e Adriano.
– Bom dia — os três responderam.
Majo: O Paulo deu bom dia para alguém? Vai chover — disse se sentando na mesa.
Paulo: Para de encher o saco o patricinha.
Majo: Pelo jeito alguém acordou de mal humor.
Paulo: Sempre — ele respondeu dando um sorriso falso para ela.
Alícia: o que aconteceu com ele? — eu perguntei baixo pro Dan.
Dan: Ta mal humorado porque acordou cedo, logo ele se acostuma — ele disse e nós dois rimos.
Koki: Do que vocês dois estão rindo?
Dan: De nada, eu só contei uma piada pra ela.
Mário: Então fala pra gente.
Alícia: Fica para outro dia, daqui a pouco o meu vô vem nos chamar para a prova.
Marce: Que prova será hoje?
Alícia: Eu não sei, meu vô sabe muitas provas então todo ano ele vem com uma diferente, as vezes no começo e as vezes no final das férias.
Ficamos conversando enquanto comíamos até que o vô chegou para nos chamar.
Campos: Muito bem turminha, todo mundo já comeu e agora é a hora da prova. Todo mundo vem comigo.
Então todo mundo se levantou e fomos seguindo o vô até a entrada da floresta.
Campos: A prova de hoje é a prova de equipe. Cada grupo vai escolher três pessoas e elas irão se revesar. Uma pessoa terá que achar o bastão no lago e levar para a outra pessoa que estará aqui. Essa pessoa vai atravessar a floresta e entregar para a outra que vai estar no final da trilha. Essa pessoa vai ter que correr até a linha de chegada mais a vitória só vai valer se todos os participantes do grupo estiverem lá. Então quem pegar o bastão no lago tem que ir para a linha de chegada e quem sair da floresta terá que correr junto com o colega até a linha de chegada. Todo mundo entendeu?
– Sim — nós dissemos todos juntos.
Campos: Muito bem, então cada equipe terá dez minutos para escolher as pessoas enquanto eu o Alan vamos terminar de arrumar as coisas.
Cada time se reuniu em um canto e começaram a decidir.
Dan: Quem vai galera?
Jai: Que tal você, a Alícia e o Mário? Vocês são bons nisso.
Adri: Ele tem razão, vocês são os mais rápidos daqui.
Mário: Pode ser então mais quem vai fazer o que?
Dan: Eu fico com a floresta.
Alícia: Não, eu fico. Eu conheço bem a trilha e sei uns atalhos também então para mim é mais fácil. É melhor você ficar com a parte da corrida e o Mário com a parte do lago.
Mário: Por mim tudo bem, e você Daniel?
Dan: Pode ser mais você tem que ser rápida Alícia.
Alícia; Pode deixar comigo.
Val: Vamos ganhar essa galera — ela disse e todos nós gritamos um sim.
Alan: Prontos aqui?
Dan: Sim, já podemos ir.
Então eu, o Mário e o Daniel fomos junto com o Alan e o resto foi ficar junto com o pessoal do outro time que iria torcer.
Do outro time haviam sido escolhidos o Paulo, o Davi e a Margarida. Os três estavam conversando alguma coisa e nem perceberam que havíamos chegado, só pararam de conversar quando o vô começou a falar.
Campos: Muito bem, cada time com três. Vocês já sabem quem vai fazer o que?
– Sim — dissemos todos juntos.
Campos: Pois bem, quem vai ficar com o lago? — o Davi e o Mário levantaram a mão — Então podem ir para junto do Alan que ele vai explicar de onde vocês vão começar.
Então eles começaram a andar e eu segurei o braço do Mário e falei no ouvido dele:
Alícia: Vamos ganhar essa — então eu dei um beijo na bochecha dele e soltei o braço dele — Boa sorte.
Mário: Valeu — ele disse sorrindo e saiu andando.
Campos: E quem vai ficar com a floresta? — eu levantei a mão e o Paulo também — Vocês ficam aqui comigo e os outros dois podem ir para a saída da trilha que eu já vou lá.
Dan: Tudo bem, e eu não ganho um beijo também não? — ele perguntou cruzando os braços sorrindo.
Alícia: Claro que sim — então eu fui até ele e o abracei e deu um beijo em sua bochecha — Boa Sorte Dan, nos vemos no final da trilha.
Dan: Boa sorte — disse se afastando.
Alícia: Valeu.
Campos: Vocês dois vem mais perto — nós dois fomos para mais perto dele — vocês ficarão aqui e esperarão o companheiro de vocês trazer o bastão. Quando ele chegar e te entregar pode ir correndo, só cuidado para não caírem e se machucarem, a floresta tem seus perigos. E você Alícia cuidado viu porque se você sofrer um machucadinho de nada sua mãe vai querer me matar.
Alícia: Pode deixar vô — eu disse rindo. As únicas pessoas que fizeram o meu avô ter medo foram a minha vó e a minha mãe depois que tiveram os filhos.
Campos: Então eu vou lá falar com os dois que falta. Eu não volto mais então se comportem.
– Tá bom — eu e Paulo falamos juntos.
Nós dois ficamos vendo enquanto o vô se afastava. Quando o vô sumiu de vista o Paulo veio me provocar.
Paulo: " Boa sorte" — ele disse me imitando e fazendo barulho de beijo — que coisa mais idiota.
Alícia: Ta incomodado por que Paulo? Ciúmes? — ele fez cara de nojo.
Paulo: Ciúmes? Eu? Nunca. Você pode casar com um deles se quiser que eu não vou ligar.
Alícia: Eu não vou casar com nenhum deles idiota, somos melhores amigos, mais você pelo visto não sabe o que é isso, amizade de verdade.
Paulo: Se for igual a isso que eu acabei que ver eu estou bem sem amigas. Prefiro as máquinas, não falam nada e nem ficam com frescura.
Alícia: É por isso que você é tão sozinho, você só sabe afastar as pessoas a sua volta. Imagino quando você gostar de alguém como vai ser.
Paulo: Não vai ser nada porque eu não vou gostar de ninguém — disse me encarando.
Alícia: Você fala isso agora. Quero ver quando acontecer.
Paulo: Para de jogar praga menina.
Alícia: Não é praga, é a verdade. Eu vou ter dó de você por que se você a tratar desse jeito ela nunc...
Paulo: É melhor você calar a boca Alícia — ele disse me cortando e dando um passo pra frente.
Alícia: Ou o que? O que vai fazer? — eu disse também dando um passo pra frente — Não tenho medo de você.
Paulo: Deveria já que eu posso transformar a sua vida num inferno. Imagina quanta coisa eu posso aprontar com você. — ele disse rindo debochado.
Alícia: Experimenta pra ver se eu não faço da sua um inferno também. — eu disse nervosa e ele parou de rir e ficou me encarando.
Por um momento ficamos assim, apenas nos encarando com raiva. Ele é um idiota mesmo se pensa que eu tenho medo dele. Quando percebi que já estávamos nos encarando a bastante tempo desviei o olhar e me afastei.
Alícia: Faça o que quiser mais depois aguente as consequências — eu disse encostando na árvore perto da entrada da floresta.
Paulo: Então depois não reclame — ele disse me deixando irritada mais antes que eu pudesse falar tudo que eu queria na cara dele alguém me chamou.
XxX: Alícia — eu olhei na direção do lago e o Mário estava vindo com o bastão roxo e logo atrás dele vinha o Davi.
Na hora eu sai de perto da árvore e fiquei na entrada esperando ele e o Paulo fez o mesmo.
Paulo: Rápido cachinhos, mais rápido — gritou incentivando o Davi.
O Mário vinha bem rápido e assim que chegou perto de mim eu peguei o bastão e entrei na floresta.
Como eu já sabia a trilha e alguns atalhos foi mais fácil para mim e eu ia correndo cada vez mais rápido. Eu sabia que o Paulo já devia ter entrado na floresta mais como ele não sabia o caminho direito eu fiquei mais tranquila.
Mais quando eu estava quase chegando na saída da floresta eu ouvi um grito vindo da floresta.
Eu parei na mesma hora e fiquei esperando para ver se eu ouvia o grito novamente ou se era apenas coisa da minha cabeça. Mais não era por que gritaram de novo e dessa vez foi o meu nome.
XxX: ALÍCIA! — reconheci sendo do Paulo a jugar pela voz e vinha do meio da floresta.
Ele parecia assustado, eu estava quase indo procurá-lo quando lembrei que havíamos acabado de brigar. Ele tinha falado que aprontaria muito comigo, o que me garante que ele não está me enganando agora para passar na minha frente e ganhar? Nada, e conhecendo ele, com certeza deve ser uma brincadeira.
Então eu virei para a direção da saída e comecei a correr novamente.
Paulo: ALÍCIA, SOCORRO! — ele me chamou de novo e dessa vez deu mesmo para perceber o desespero na voz dele.
Ele não podia estar mentindo, ele não é um ator tão bom assim para fingir o desespero na voz desse jeito, ele deve estar mesmo em perigo. Soltei um suspiro e comecei a correr de volta para a floresta. Eu devo ser muito idiota mesmo, nós acabamos de brigar, ele me ameaçou e mesmo assim eu estou indo atrás dele. Como eu disse, idiota.
Foi seguindo os gritos dele e ele realmente estava bem afastado da trilha. Fui indo cada vez mais rápido e finalmente cheguei até ele. Ele estava no barranco da floresta beeeem distante da trilha. Mais precisamente pendurado no barranco.
Paulo: ALÍCIA! — ele gritou de novo e eu fui até ele.
Alícia: Retardado. O que você ta fazendo ai? — eu perguntei enquanto me deitava e estendia a mão pra ele que a segurou.
Paulo: Não sei, achei a vista bonita. — ele disse sarcástico — Eu tó caindo caso você não tenha visto.
Alícia: Eu percebi. Eu vou te puxar e você da impulso para cima ta bom?
Paulo: Rápido, eu to quase caindo.
Alícia: No três. Um. Dois. Três. — eu disse e puxei a mão dele com toda a minha força.
Mais na hora que eu puxei ele acabou colocando muita força na perna por que quando ele impulsionou para subir o pé dele escorregou e ele caiu e eu, como eu estava com toda minha força tentando puxar ele acabei indo junto com ele.
Caímos pelo barranco até o fim. A nossa sorte foi que caímos escorregando, pelo menos eu já que consegui me virar quando estava caindo. O barranco não tinha árvores apenas pedras que nos machucavam enquanto caíamos.
Quando chegamos no final do barranco paramos com violência e eu me levantei com dificuldade. Olhei ao redor mas não havia sinal de nada ao nosso redor a não ser mata. Olhei para cima para ver se conseguiríamos subir mais não daria. O barranco era muito ingrime e não havia praticamente nada em que se apoiar.
Eu não sei onde estava com a cabeça quando resolvi ajudar esse ser humano. Agora eu estou machucada, sem noção nenhuma de onde estou e ainda por cima para melhorar o meu dia estou perdida com ele. Meu dia não podia ficar melhor.
Passei a mão pela cabeça para me acalmar e percebi que meu boné não estava. Se eu tiver perdido meu boné por causa desse panaca eu juro que mato ele. Olhei ao redor procurando e achei ele à alguns metros.
Fui até ele e o peguei e coloquei na cabeça. Olhei para o Paulo e ele estava deitado no chão. Não parecia estar desmaiado, só deitado mesmo. Deve estar bem machucado para não ter levantado. Como só estávamos nós dois aqui soltei um suspiro e fui chamá-lo. Quanto antes sairmos daqui é melhor.
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