Paulícia - Uma História
25 25°- Majo / Jorge
Notas iniciais
Pov's Majo
Já eram 6:23 e deveriamos estar na frente da van as 6:30 para o Alan nos levar até a cidade e ainda não estavamos prontas. Faltavam ainda umas coisas que eram importantes para mim como passar perfume mais uma vez só para garantir que eu estava pronta, checar a maquigem no espelho pela milesima vez para ver se não estava borrada, checar se estava levando tudo que é importante na bolsa: o celular para os futuros snaps, maquiagem para reaplicar, dinheiro e mais algumas coisas.
Alícia: Vamos logo meninas ou nós vamos chegar mais atrasadas ainda — falou já sem paciência de esperar.
Majo: Relaxa menina, já estamos quase prontas e ainda tem tempo — falei enquanto limpava um borrado do batom no canto da boca.
Alícia: Até a gente chegar lá já vamos estar atrasadas e vocês falaram a mesma coisa a uns vinte minutos atrás.
Marce: Espera só mais um pouco, só falta passar mais um pouco de perfume.
Alícia: Se vocês passarem mais um pouco de perfume vai acabar o frasco — falou e eu me virei a tempo de ver ela revirar os olhos.
Marga: Eu já estou pronta, vamos?
Majo: Vamos lá — falei pegando a minha bolsa e abrindo a porta.
Alícia: Graças a Deus, vamos logo com isso que eu já não aguento mais chegar sempre depois dos meninos.
Val: Nós já estamos indo, não estamos?
Alícia: Finalmente. Alguém tem alguma pergunta sobre o plano antes de chegarmos no carro?
Marga: Eu! Como nós vamos fazer para que os meninos saiam de perto da gente?
Alícia: Deixem isso comigo e apenas pensem em não demonstrar nada antes da hora, entendido?
Majo: Sim senhora — falei apenas para provoca-lá.
Alícia: Senhora vai ser você daqui a alguns anos — falou me desanimando. Só de pensar que daqui a alguns anos eu vou ter rugas faz eu me arrepiar toda
Majo: Você também caso tenha se esquecido disso.
Alícia: Não esqueci não mas diferente de você eu não ligo para isso — falou e algumas começaram a rir — agora não perguntem mais nada.
Então já estavamos na frente da van e os meninos estavam nos esperando junto com o Alan e o Sr. Campos.
Jai: Aleluia, achava que não vinham mais.
Val: Não enche Jaime — falou indo para perto do Davi.
Campos: Agora que todos já chegaram vocês já podem ir. O Alan vai levar e buscar vocês as 23:00. Não se atrasem ou da próxima vez não deixo mais. Alícia, fique de olho em todos eles por mim.
Alícia: Pode deixar vô, vou ficar de olho em todos eles. Obrigada por nos deixar ir — falou abraçando ele que retribuiu.
Campos: De nada. Agora vão lá e se divirtam.
Então o Alan abriu as portas e todos entramos e embora tenha ficado um pouco apertado com todos lá dentro a viagem foi bem divertida. Ficamos cantando as músicas que passavam no rádio, conversando e embora ninguém admitisse estavamos todos com aquela ansiedade para chegarmos logo lá, principalmente nós meninas.
Quando chegamos na cidade eu vi que ela era menor do que eu esperava, tinha algumas lojas no centro da cidade ( pelo menos onde eu penso que era o centro ), as casas tinha um estilo mais simples e não tinha muito mais coisa para se ver, mas era até bonita com essa pegada de interior.
Depois de uns 15 minutos a van finalmente parou na frente do que me parecia um bar gigante quase no fim da cidade. A Alícia abriu a porta e saimos da van, o que para mim foi um alívio porque estava muito apertado lá. Depois que todos saimos eu olhei ao redor: a entrada era como a de um bar comum, com algumas mesas do lado de fora e algumas pessoas conversando, na fachada estava escrito " Karaokê ", simples assim.
Alan: Bom galera, se divirtam e aproveitem bastante. As 23:00 eu venho buscar vocês então estejam todos aqui na entrada.
Majo: Pode deixar — falei piscando para ele que riu sem graça e a Alícia me cutucou com o cutuvelo.
Olhei para ela ainda rindo e ela me apontou na direção da entrada. Quando olhei vi o que ela queria me mostrar, o Daniel estava com uma cara irritada e tentava disfarçar olhando para todo canto menos para o Alan, fazendo meu sorriso crescer mais ainda. Parece que o jogo já começou.
Alan: Então até mais tarde — falou se despedindo, entrando no carro e saindo nos deixando parados na entrada.
Jai: Então vamos entrar? — perguntou animado.
Mário: Perai, eu quero falar com vocês meninos — falou e todos os meninos olharam para ele sem entender.
Paulo: Com a gente?
Mário: É, tem mais meninos por aqui que eu conheça? — perguntou irônico enquanto revirava os olhos. Nesses aspecto ele e a Alícia são praticamente gêmeos.
Pedro: Então eu não preciso, a gente nem se fala mesmo.
Mário: Você também Pedro, agora venham logo — falou saindo para a rua do lado e os garotos foram atrás dele mesmo sem entender e nós meninas ficamos confusas.
Marg: Então... — ela ia começar a falar mas a Alícia a interrompeu.
Alícia: Vamos entrar rápido, nós temos pouco tempo — falou nos empurrando porta a dentro.
Val: Mas e os meninos...
Alícia: Eu falei para o Mário na Van que eu precisava falar com vocês mas eles não podiam estar por perto.
Marce: E ele não perguntou nada?
Alícia: Perguntou mas eu falei que era coisa de meninas. Essa é uma das vantagens de ser a melhor amiga, eles confiam em você.
Majo: Tá, eles já estão longe mas e agora? — perguntei olhando ao redor. Era um lugar bonito, tinha seu charme. Havia um palco pequeno em um canto com um cara cantando ( muito mal por sinal ) e um bar do outro lado, algumas mesas espalhadas pelo salão, a maioria já ocupada.
Alícia: Agora a gente... — ela falou me fazendo olhá-la e começou a olhar ao redor enquanto a encaravamos — ... agora a gente vai dançar.
Marga: Dançar o que?
Alícia: Apenas venham logo que eles já vão voltar — falou indo em direção a uma porta grande e nós a seguimos.
A porta dava para um outro salão bem maior que o primeiro. Era mais como uma varanda enorme cercada de paredes, onde apenas as paredes tinham coberturas onde ficavam as mesas ( para os dias de chuva imagino ) e o restante era aberto e dava para ver o céu. Tinha algumas pessoas tocando e outras dançando, algumas pessoas estavam sentadas e um grupo de adolescentes praticamente da nossa idade ( mais meninos do que meninas ) olhou quando entramos o que deixou algumas de nós nervosas. Eu e a Valéria já estamos acostumadas então apenas continuamos confiantes, já a Alícia nem ligou e foi em direção ao grupo que tocava e abraçou o que cantava. Ela falou alguma coisa com ele que concordou e falou para os outros também. Ela veio na nossa direção e nos puxou para a pista de dança.
Alícia: É o seguinte: eles vão tocar uma música, não pensem em nada e apenas dancem.
Carm: Dançar o que Alícia? Eu nem sei dançar direito — falou já nervosa com a possibilidade de dançar na frente de estranhos.
Alícia: Relaxa que a dança é fácil e vocês conhecem bem a música. Apenas aproveitem, dancem o melhor possivel e tentem chamar a atenção — falou e eu olhei ao redor onde alguns garotos e homens já nos olhavam mesmo sem dançar.
Marga: Mas...
Alícia: Mas nada, apenas dance — falou autoritária.
( Música: Dança do bole-bole — Exaltasamba )
Então a música começou a tocar e eu quase ri, ela sabia que todas nós sabiamos essa dança e por isso a escolheu. Garota esperta. Ela, Valéria e eu começamos a dançar praticamente juntas, as outras ficaram com vergonha mas aos poucos foram se soltando e logo já estavamos todas dançando com mais algumas meninas e mulheres da cidade se juntando com a gente.
Pov's Jorge
Jai: Desembucha logo o que você quer Mário — falou quando chegamos do outro lado da rua.
Mário: calma ai que eu já falo, cheguem mais perto — ele falou fazendo sinal para que fossemos para mais perto dele e logo formamos uma rodinha ao redor dele — É o seguinte...
Paulo: Fala de uma vez e sem enrolação Mário.
Mário: Eu falaria se você me deixasse falar.
Davi: Cala a boca e deixa ele falar Paulo — falou para ele que fez sinal de rendição com os braços.
Mário: Bom, eu não tenho nada para falar — falou dando de ombros.
Adri: Como assim não tem nada para falar? — perguntou confuso.
Jorg: Se não tinha nada para falar por que chamou a gente aqui?
Mário: Sinceramente? Nem eu mesmo sei.
Dan: Como assim não sabe? Por que chamou a gente aqui? Porque eu sei que tem um motivo — falou um pouco nervoso o que me deixou surpreso. Nunca vi o Daniel nervoso desde qur cheguei no 3° ano.
Mário: A Alícia me pediu para distrair vocês por alguns minutos...
Pedro: Para que?
Mário: Eu não sei exatamente. — falou coçando o pescoço — Ela me disse que queria falar algo com as meninas e a gente não podia ouvir, por isso ela me pediu para distrair vocês um pouco.
Koki; E você simplesmente aceitou sem nem perguntar sobre o que seria?
Mário: Era coisa de menina, não queria saber os detalhes — falou dando de ombros.
Paulo: Então acho que já deve ter dado o tempo delas néh?! Porque eu quero entrar.
Mário: Acho que sim.
Koki: Então vamos logo.
Então nós atravesamos a rua e entramos no Karaokê. Ele é bem maior do que eu imaginava e tinha bastante gente aqui, bem mais do que eu imaginei que teria. Olhamos ao redor mas nem um sinal delas aqui.
Jorg: Onde será que elas estão? — perguntei olhando ao redor.
Paulo: Não sei vocês mas eu não estou nem um pouco interessado nessas coisas de meninas. Vou dar uma volta por ai e pegar alguma coisa para beber.
Então ele se afastou e continuamos a olhar por ai procurando elas. Onde elas se meteram?
Jai: É melhor darmos uma volta para tentarmos encontrar elas.
Pedro: Não, acho que já sei onde elas podem estar — ele falou e saiu andando e nós o seguimos já que ele conhece o lugar.
Ele foi em direção a uma porta grande que ficava perto da porta de entrada. Assim que passamos por ela eu comecei a olhar ao redor procurando por elas, mas o máximo que conseguimos foi ver um grupo reunido no camto esquerdo. Parecia que todos tivemos a mesma impressão porque ficamos encarando o grupo por alguns segundos antes de seguirmos o Pedro até lá.
Quando chegamos cada um abriu caminho por entre as pessoas que estavam ali para tentar ver o que teria ali no meio da roda. Assim que eu passei pela última pessoa e finalmente consegui ver, eu não acreditei.
No meio da roda estavam as meninas dançando junto com outras mulheres. Elas riam entre si enquanto dançavam e em determinado momento iam descendo até o chão e voltavam rindo. Estavam todas ali e até as mais vergonhosas do grupo dançavam. Não preciso dizer que a mais me chamou a atenção foi a Margarida.
Ela parecia estar um pouco envergonhada por estar dançando, mas continuava seguindo as meninas e parecia se divertir com isso, dando gargalhadas enquanto falava algo com a Carmem que ria junto. Fiquei olhando até que me lembrei que a cena além de ser incomum ainda tinha uma platéia. Olhei ao redor e a roda ainda estava ali ao redor, a maioria garotos da nossa idade olhando elas dançarem.
Claro que não eram todos os olhares para elas, afinal também tinham mais algumas meninas e mulheres dançando com elas, mas elas acabavam chamando mais a atenção por serem de outra cidade. Resumindo: novas opções para eles em uma cidade tão pequena. O restante dos meninos da turma não pareceram perceber e apenas as olhavam dançar.
Quando a música acabou as pessoas ao redor bateram palmas para elas que apenas sorriram agradecendo. Quando a rodinha finalmente se dispersou, elas começaram a conversar entre si enquanto nós nos apróximavamos.
Quando eu cheguei perto o suficiente ela me viu e na hora ficou corada. Eu não posso parecer maluco no meu primeiro dia de namoro, então vamos com calma.
— Oi — eu falei parando de frente para ela.
— Oi — ela respondeu timida.
— Então, eu saio por alguns minutos e você já está chamando a atenção? — perguntei tentando fazer uma piada, mas acabei fazendo ela ficar com mais vergonha ainda.
Droga! Eu acabo esquecendo que ela é tão timida assim. Tenho que tomar mais cuidado com o que eu falo com ela para não acabar magoando ela.
— Hey, foi uma piada. Não precisa ficar assim — falei levantando seu rosto para que ela me olha-se — Foi uma brincadeira de mau gosto, desculpa.
— Tudo bem — ela falou sorrindo.
— Você dançou muito bem a propósito — falei enquanto a tirava da pista e a levava para uma das mesas no canto.
— Obrigada, na hora eu fiquei morrendo de vergonha, mas foi por uma boa causa — falou enquanto se sentava do meu lado.
— E qual seria essa boa causa? Se eu puder saber, é claro, porque quando se trata desses assuntos de meninas é sempre complicado — falei fazendo ela rir.
— Nada haver, você que é um bobão.
— Bobão? Eu? Nunca! — falei convencido e ela revirou os olhos.
— Nós hoje resolvemos ajudar a Maria Joaquina com o Daniel.
— Sério? Era isso que vocês estavam tramando hoje?
— Sim, nós queriamos ajudar eles a finalmente ficarem juntos. Então a Alícia teve a ídeia da Majo fazer ciumes no Dan, mas para não ficar tão na cara nós resolvemos ajudar.
— Tinha que ter dedo da Alícia nessa história. Mas pelo jeito deu certo — falei apontando para onde o Daniel se afastava da Alíciaque estava no canto da pista e ia em direção a Maria que conversava com um menino.
A Alícia apenas o observou se afastar e assim que ela se virou nos viu olhando e abriu um sorriso, piscou para nós e saiu andando para o outro lado.
— Ainda bem que deu certo. Espero que eles dois se acertem hoje.
— Eu também, o Dan gosta mesmo dela — falei voltando minha atenção para ela.
— E ela também, nasceram para ficarem juntos.
— Isso já é com eles dois.
— Sim, mas agora eu queria falar sobre um outro assunto com você.
— Então fale.
— É sobre a Alícia — ela falou meio insegura sobre tocar no assunto.
— O que tem ela?
— Não é necessáriamente sobre ela e sim você, o Dan e o Mário.
— Como assim? — perguntei sem entender onde ela queria chegar.
— É sobre o ciumes que vocês sentem dela. Eu sei que é proteção de amigo e tudo mais e não me importo com isso, juro. Acho bem legal que vocês queiram o melhor para ela, mas as outras meninas não gostam tanto assim. Elas até disfarçam mas dá para perceber que elas ficam incomodadas, por isso que todas nós dançamos hoje, para fazer ciumes em vocês.
— Foi para nos fazer ciumes? É sério isso? — perguntei sem acreditar.
— Sim, mas também porque a Alícia também acaba se incomodando um pouco com isso.
— Ela não gosta? Por que ela nunca falou nada?
— Não é isso, ela sabe que é porque vocês querem o melhor para ela. É porque as vezes isso acaba com as chances dela com alguns garotos, mas ela não fala para não magoar vocês. Ela sabe se cuidar muito bem sozinha sabe, então apenas tente não ser tão ciumento com ela que isso acaba deixando ela meio sulfocada.
— Ela poderia ter falado antes, isso teria sido melhor.
— Mas ela não falou ainda, ela vai falar depois então apenas pense sobre isso ok? As outras meninas também vão falar com os meninos.
— Tá bom.
Então ela se incomodava um pouco com isso e nunca falou nada? Eu vou precisar falar com ela depois, e principalmente tentar não ser tão protetor assim com ela. A Marga está certa, ela sabe se cuidar bem, já está na hora de acabar com isso. Agora eu tenho a Marga para cuidar e ao mesmo tempo tentar não ser tão protetor assim com ela.
— Tudo bem, não vou mais ficar de olho nela. Como você disse, ela sabe se cuidar e agora eu tenho que cuidar de outra pessoal especial.
— Quem? — ela perguntou parecendo confusa.
— Você bobinha — falei e ela corou novamente — Agora vamos aproveitar a noite porque foi por isso que nós viemos aqui. Quer dançar ou beber alguma coisa primeiro?
— Beber alguma coisa, estou morrendo de sede.
— Então vamos lá — falei pegando na mão dela e a levando até o bar. Hoje eu vou aproveitar com ela o máximo que eu puder.
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