Patrulha Noturna
1 Capítulo único
Era uma noite fria em Paris e sentada encima de um beiral de telhado, Ryuko tomava um café enquanto observava as ruas calmas e pensava no dia horrível que havia tido. A heroína dragão, de uniforme vermelho e cabelos escuros curtos gostou da ideia de Ladybug de ter patrulhas noturnas em duplas todas as noites, pois assim podia sair de casa e da rotina repetitiva, que as vezes a entediava. A única coisa que a incomodava nas patrulhas era o fato das duplas serem aleatórias, e alguns dos heróis a irritavam as vezes.
Naquela noite seu parceiro era Viperion, que no geral só ficava curtindo a brisa com sua arpa. Mas estava atrasado.
A japonesa estava pensativa enquanto dava goles no café quente quando, sorrateiramente, Viperion chega pelas suas costas dizendo um “olá”, fazendo com que ela levantasse imediatamente, assustada e derramando todo o café.
— Idiota! — Ryuko grita irritada.
Não era comum que ela falasse assim com o parceiro. Os dois costumavam trocar conversas superficiais e nada intimas sobre coisas aleatórias da noite, isso quando ficavam sem trocar uma palavra por horas enquanto Viperion dedilhava sua arpa as vezes com melodias alegres, as vezes animadas, certas vezes tristes e por aí vai. Mesmo que não tivessem uma amizade profunda, Ryuko percebeu que aquelas melodias que ele tocava no instrumento condiziam seu humor do dia.
— Desculpa! — O herói diz calmamente com sua voz serena, como sempre.
Ryuko só bufa e volta a se sentar ranzinza. Seu colega senta ao seu lado e começa a tocar uma melodia intensa e marcante, que parecia traduzir o sentimento de raiva da moça. Ela nunca se considerou uma pessoa transparente, mas Viperion sempre conseguia traduzir seus sentimentos com uma simples melodia, isso a deixava completamente irritada. Não queria compartilhar seus sentimentos com ninguém.
Viperion por outro lado, sabia que sua facilidade em perceber qualquer emoção da japonesa a deixava bastante incomodada, mas ele fazia isso de propósito, a fim de que ela se abrisse um pouco e compartilhasse seus sentimentos com ele. E também era verdade que ele gostava de um modo diferente da melodia interna da heroína, era linda. Queria ouvir e quem sabe tocar.
Era estranho, as vezes o rapaz não conseguia ouvir a melodia da parceira pois as batidas aceleradas de seu próprio coração o atrapalhavam. E ele compreendia muito bem o porquê de seu coração acelerar toda vez que a via. Mas não diria nada a ela pois sabia que se dissesse algo, provavelmente a afastaria, e ele queria a aproximar. O que naquela noite estava difícil, pois a irritara bastante e continuava irritando com sua música.
— Viperion, pode parar com essa arpa? — Ryuko se vira para o jovem que se assusta com a ação repentina da parceira.
— Ryuko, se você teve um dia ruim, você pode desabafar comigo, prometo que tentarei te ajudar. — O herói diz pacificamente enquanto a encara.
A moça sente seu rosto queimar de raiva e também de vergonha por ele simplesmente saber sem ela ter falado nada que teve um dia ruim.
— Sabe, eu gosto de você e não te farei mau, pode confiar em mim e conversar comigo. — Viperion diz calmamente enquanto olha nos olhos da moça e sorri.
— Gosta de mim? — Ryuko pergunta incrédula e cora ainda mais. Simplesmente não tinha entendido o gostar e pensa: gostava como uma amiga ou gostava de um outro modo?
Quando se dá conta do que disse e de como a garota entendeu é Viperion que fica vermelho, o que acontecia raramente. Mas é que aquela realmente não havia sido a intenção dele. Porém como ela já havia entendido de um modo romântico talvez fosse uma boa hora para contar que seu coração tinha uma melodia diferente quando ela estava presente.
— Gosto de você de outro modo, além de uma amiga.
— Como você lê minha mente e consegue saber o que eu estou pensando? Faz eu me sentir completamente transparente diante de você, e somente você! Isso me...
— Irrita? — O de mechas azuis pergunta, já sabendo a resposta.
— Sim, como você sabe? — Ryuko diz exaltada por ele simplesmente saber essas coisas de si mesma.
— Você também me faz sentir coisas que habitualmente eu não sinto...
Viperion é interrompido por um pé em seu peito o fazendo deitar e uma espada próxima ao seu percoço, assim ficando completamente imóvel. Pensou em ativar sua segunda chance, mas ele sabia que ela não faria nem um mal e percebeu que conseguiu mexer com os sentimentos da heroína, por mais que sua reação fora demasiada agressiva.
Ryuko se ajoelha, imobilizando o rapaz serpente dentre suas pernas e posiciona a lamina da espada horizontalmente na garganta dele, o encarando cada vez mais próxima para xinga-lo de muitas formas possíveis, mas acaba se perdendo nos belos olhos azuis que o herói possuía e esquecendo de todos seus sentimentos de raiva, sendo invadida por uma sensação que, ao mesmo tempo que era incômoda, era hipnótica.
Viperion percebendo tudo o que se passava na cabeça da parceira, segura delicadamente em sua nuca e se aproxima até que seus lábios se encontrem.
A sensação de ambos era mágica. A vontade de retornar para a realidade não existia. Ryuko deixou a espada de lado, permitindo que Viperion se levantasse de joelhos e a abraçasse enquanto continuava a beija-la. Logo o herói se inclina, ficando sobre a moça, intensificando ainda mais os beijos, até que se separam, sem folego.
— Devia ter ativado minha segunda chance para poder repetir isso quantas vezes eu quisesse. — Viperion diz sorrindo encarando Ryuko que estava envergonhada e meio paralisada, porém feliz, afinal aquilo havia sido muito bom.
Notas finais
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