Patience?

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Estava travada no fundo da pasta de arquivos. Agora está livre para que vocês possam ler. Fui desafiada e conclui.

Não é comum mas, está acontecendo, não posso ver nitidamente, porque, as lagrimas não deixam.

"Entrei na loja e o cheiro de rosas me atingiu, rosas e todos os outros tipos de flores. Um cheiro agradável mas, enjoativo.

O sino pendurado na porta fez um barulho baixo e fino, avisando a minha chegada, prateleiras e mais prateleiras de flores encobriam da minha visão o balcão principal, tive que desviar muitas vezes de braços verdes cheios de flores coloridas para chegar até lá. Uma senhora idosa estava sorrindo e conversando com uma mulher que embrulhava um jarro com tulipas lilás. Não tenho certeza se é esse o nome da flor, mas parecem.

A mulher atrás do balcão sorriu pra mim e entregou o embrulho na mão da senhora que agradeceu, e saiu em direção ao caixa, em algum lugar por aqui, fora do meu campo de visão.

Me aproximei da ruiva e me inclinei no balcão, em seu macacão azul tinha um crachá enfeitado, no qual se lia: Lana.

— Bom dia! Em que posso ajuda-lo?

Endireitei a minha postura e coloquei as mãos nos bolsos da bermuda caqui.

— Estou procurando flores para minha namorada — ela conteu uma risada — Eu sei que é meio óbvio.

— Meio?

Dei de ombros envergonhado

— Desculpe! Tem alguma flor específica? Um limite de preço?

Olhei em volta, observando as flores com cuidado.

— Não sei. Não entendo disso. Só não rosas, ela não é muito romântica sabe?

— A maioria dos homens compram rosas, provavelmente deve ser a única flor que vocês conhecem.

— Você pode estar um pouco enganada — Sorri

— Duvido — Ela se direcionou ao final do balcão e levantou a portinhola para sair lá de trás — Por aqui, acho que tenho alguma coisa em mente para você.

A segui por entre as flores até uma área ao ar livre, de onde se conseguia ver o céu e pedaços dos edifícios que estavam por toda a parte em Manhattan.

Ela me pegou observando.

— Poderia ser mais lindo se, não tivessem esses prédios atrapalhando.

Dei mais uma olhada e esfreguei meu cabelo nem liso nem cacheado.

— Tem razão.

Ela apontou um arranjo de flores azuis que eu desconhecia.

— Trezentos dólares!

— O que? — Encarei o arranjo que nem era tão bonito assim — É brincadeira né?

— Sua namorada não vale a pena?

Suspirei

— Isso é jogo sujo — Apalpei o bolso atrás da carteira até encontra-la — Feito!

— Vou embrulhar! — Ela sorriu graciosamente — Uma ótima escolha.

— Espero que ela goste.

— Ah sim! Ela vai amar."

A porta se fechou devagar e eu fiquei ajoelhado no meio do carpete branco, sentindo como se uma mão apertasse minhas entranhas.

"- Christopher? — Kerry perguntou

Ajeitei o celular na orelha antes de responder.

— Liv está por aí?

— Hum... Não — Risadinhas ecoaram do fundo da ligação

Revirei os olhos mesmo que elas não pudessem ver.

— Oi garotas! — Anunciei

Um tumulto de vozes explodiu, então uma voz deliciosamente conhecida sussurrou.

— Ei amor.

— Liv! — Anunciei

— Eu — A felicidade era evidente em sua voz, como sempre.

— Só queria saber onde estava.

— Quer meu número? — Ela riu irônica

— Eu liguei para você primeiro, mas caiu na caixa postal — Menti

— Christopher! — Anna chamou — Deixa a Liv ter espaço, sabe, respirar.

— Eu só... — Tentei me defender

— Anna! — Liv gritou de volta — Cale essa sua boca cheia de batom vencido.

— Liv?

— Chris... — As risadas entre as meninas não paravam

— Eu ligo mais tarde.

— Okay! — O telefone ficou mudo

Encarei o arranjo de flor azul em cima da mesa de centro.

Presciso dar um jeito de falar com uma delas sozinha.

Rolei a lista de contatos procurando um nome específico.

Reynolds.

Fiquei olhando os desenhos de edifícios colados na minha parede.

Ele atendeu no nono toque.

— Conhece mensagen de texto?

— E aí Rey!

— Cara. Tenho alergia a colocar o celular na orelha.

— Preciso encontrar Kerry, mas essas meninas parecem que não desgrudam!

— Você quer ficar sozinho com a minha gata?

Eu ri

— Mais ou menos..."

As flores azuis estavam balançando, tão lentamente, tão bonitas, não tinham noção do que estava acontecendo.

Paciência?

Com a mão pura soquei o jarro de vidro, fazendo voar água, flores e sangue para todo lado.

"- Não acredito nisso! — Kerry deu gritinhos e pulou como se não tivesse 25 anos e sim 12.

— Shhhh

— Claro que eu te ajudo! Meu Deus — Ela segurou meu pulso e saiu me puxando shopping afora — Porque meu Rey não segue seus exemplos?

Dei de ombros envergonhado

— Eu tenho que contar para Anna, para Angel, para Van...

— Ei! É segredo.

Ownt...— Ela suspirou e mais uma vez questionei sua idade — Oque você vai vestir? Terno? Uma dessas suas bermudas totalmente fora de moda?

— Não! Nada de terno!

— Uma gravata? Aí... Imagina o Rey em uma gravata? Consegue imaginar?

— Definitivamente não.

— Não para gravata ou não consegue imaginar?

— Ke! É sério. Nada de escolher minhas roupas!

Ela fez uma cara triste

— Uma camisa polo pelo menos?

Olhei de lado para ela

— Tudo bem! Vamos comprar esse anel!

— Eu queria algo que combinasse com o verde dos olhos dela.

— Nada disso! Tem que ser algo que combine com os cabelos.

— Ouro? — Arregalei os olhos

Ela entrou no Tiffany's e, me arrastou para dentro.

— Não seja pão duro!

— Tiffany? Meu santo Deus! Você vai me fazer ver na Guccy e na Loboutin também?

Guccy! Meu Deus! Você é um gênio!

— Nem-pense-nisso!

Ela riu

— OK! Mas tem que ter uma pedra bem chamativa, você conhece sua Liv"

O corte nem foi tão grande, não machucou tanto quanto as palavras: Provavelmente você gosta de correntes.

"Puxei a manga da camisa com dois dedos para lá e para cá, aliviando a pressão nos bíceps. Essa camisa está uns bons tamanhos a menos que o meu, definitivamente não caibo mais no uniforme do time de futebol americano do high school.

Também pudera. Quanto tempo eu não jogo? Só coloquei a camisa do time porque esse é um dia nostálgico para nos. Estamos comemorando o aniversário de Hardy, ele é daqueles que não cresceram, mesmo tanto tempo longe do colegial a festa dele é uma típica festa de garotos de 17, 18 anos. Copos de bebidas coloridos, uma casa de dois andares alugada na beira de uma nascente, onde a maioria, dos já bêbados, estavam nadando, com, e sem roupas. Adolescentes que eu nunca vi e caras maiores da faculdade. A maioria de uniforme do time e as meninas com o uniforme de líderes de torcida. Como a Liv, que vinha em minha direção, saia curta, um top que um dia deve ter sido uma blusa super apertada, e o cabelo loiro cheio de fitas coloridas.

— Christopher! — Ela sacudiu os pompons acima da cabeça — Me sinto tão feliz! Isso tudo me lembra meus dias de glória.

— Todos seus dias são de glória. — Passei os braços em volta da cintura dela, eu queria muito que a noite chegasse logo. Quase soltei a bomba ali mesmo, mas me contive, surpresa é surpresa.

— Não, meus dias eram mais gloriosos ainda! — Ela me deu um selinho estalado — Capitã da equipe, ensaiar coreografias, sem trabalho, deixar os garotos malucos e nada de arrumar casa — Ela jogou a cabeça pra trás — Que saudade da minha mãe fazendo tudo por mim.

Aproveitei a brecha e beije o pescoço dela. Ela agarrou meus cabelos e me puxou para beijar a minha boca.

— Vem! Vamos dar um pulo no lago!

— Você quer entrar lá? Congelar? — Perguntei incrédulo

— Como se nunca tivéssemos feito isso — Ela puxou um copo de bebida da mão de alguém que passava e tomou um gole depois ofereceu a mim — Vai! Aproveita a volta no tempo!

— Liv! Eu tenho trabalho amanhã. Não vou beber isso.

— Meu Deus! Como você mudou.

— Você continua a perfeita de sempre.

Ela sorriu deslumbrante e me puxou pela blusa em direção ao lago."

Não consigo acreditar, não caiu a ficha, estou só, atordoado e vazio, na noite que devia ser a mais feliz da minha vida.

"- Simplesmente não acredito. — Hardy se jogou na minha cama, não estava aguentando em pé, de tão bêbado.

— Ele ta se fodendo muito! — Reynolds completou.

— Você não deveria está na empresa? — Perguntei lançando um olhar pra Rey.

— Tinha? — Ele olhou o relógio — Vejo vocês depois caras!

Hardy gruniu com a cara no meu travesseiro.

— Ei. Leve ele com você. Está bagunçando os meus lençóis!

— Vocês vão bagunçar daqui a pouco mesmo... — Puxei ele da cama, que foi cambaleante atrás de Rey.

Arrumei a cama novamente, varri o chão do apartamento, coloquei as flores na mesa de centro, desenhei com algumas pétalas azuis o nome dela. Liv. Sei que ela não é romântica, mas no fundo, epero eu, que todas gostem de algo assim. Liguei o aquecedor, acendi algumas velas e fui tomar um banho. Um banho digno. Só me restava esperar."

Abri a porta em disparada. O botão do elevador já estava brilhando mas continuei o apertando repetidamente, até enjoar e correr direto para as escadas de incêndio.

"As 22 a companhia tocou, eu tomei um susto, estava esboçando plantas de apartamentos no meu caderno da faculdade, coloquei do lado da cama e fui direto abrir a porta. Amaldiçooei o porteiro em silêncio por deixar ela subir assim direto.

Abri a porta com as mãos suando, ela estava linda, como sempre, em seu vestindo vermelho longo e apertado. O cabelo preso em um coque que não era o suficiente pra segurar todo cabelo. Ela estava com uma expressão de raiva.

— Anna me trouxe até aqui com a desculpa de uma festa e levou meu carro!

— Oque? — Eu sorri

— E sério Chris! — Ela me deu um empurrão fraco — "Já que você vai transar não precisa de carro"

— Carro ou entrar? — Perguntei divertido

Ela olhou por cima do meu ombro e abriu um largo sorriso.

— Aí senhor!

Dei um passo para trás e ela entrou em disparada.

Rodou cada cantinho do pequeno AP e cheirou cada pétala, sorrindo como louca, depois veio correndo em minha direção e me abraçou, tão forte, mais forte do que jamais tinha abraçado. Senti meu coração formigar, mesmo tendo três anos de namoro, senti um frio na barriga.

— Eu — Ela beijou minha testa — Amo — Beijou meu nariz — Você — Eu a beijei.

— Eu também amo muito você! Eu te amo com toda a minha vida, com toda minha carreira. Eu só...

— Christopher! Oque seria de mim sem você?"

Corri até a porta de vidro que me separava do mundo lá fora, mas não consegui abrir, esqueci a chave lá em cima.

Esfreguei o cabelo desesperado, o porteiro não estava lá! Meu Deus! Esse é o trabalho dele.

"Nos jantamos, rimos, falamos das pessoas, assistimos um capítulo da nossa série preferida, Breaking Bad, nos beijamos e nos agarramos até eu criar coragem.

— Esse jantar foi perfeito! — Ela disse esfregando a cabeça loira de baixo do meu queixo.

— Eu.. Claro que foi! Tudo com você é. — Abracei os ombros dela com uma mão e com a outra tateei em volta procurando a caixinha que eu tinha escondido por ali.

— Você e sua manina de me endeusar. Já ... — Ela parou de falar quando entreguei em sua mão uma caixinha vermelha de veludo."



Depois de um choque inicial, oque pareceu ser horas para mim, ela abriu a caixinha com o cuidado que alguém teria com uma bomba ativa. A pedra do anel parecia brilhar mais perto dela.

Sorri e peguei a caixa da mão dela, colocando o anel em seu dedo.

Ela estava muda, mas tinha um meio sorriso no rosto. Empurrei ela um pouco para longe do meu corpo e a olhei nos olhos, ainda segurando sua mão.

— Christo...

— Shhh! Olívia. Você quer se casar comigo?

Ela vôo em cima de mim e me enlaçou com os braços. Me apertou mais que uma hora atrás, quando se afastou estava com lágrimas nos olhos.

— Desculpa — Disse bagunçando meu cabelo de vagar — E-eu não. Eu não posso Chris.

Dei um meio sorriso torto e encarei os olhos verdes cheios de lágrimas.

— Como assim?

— Eu não quero casar Chris!

— Mas eu pensei que você ia gostar da ideia! Uma casa só nossa, crianças, um coelho. Você vive falando que quer ter um coelho. — Eu estava atônito

— Talvez você goste de correntes, da graça nisso tudo.

— Correntes?

— Eu estou falando... — Ela suspirou e acariciou minha bochecha — Você está curioso? Precisa ver como isso realmente é?

— Eu preciso de você!

Ela estava com a voz tão baixa

— Eu preciso de espaço.

Tentei falar mas ela me interrompeu:

— Porque, amor… Eu posso ver seu rosto. Tão perto do meu, todos os dias.

Novamente ela me impediu de falar, tampando minha boca com os dedos pequenos e fofos que eu sempre adorei beijar.

— Não! Antes que pergunte! Não. — Uma lágrima caiu do rosto dela vagarosa — E-eu... Amo você, amo querer agarrar você quando está perto. Mas não quero você todos os dias, não quero uma casa para cuidar — Ela abaixou a cabeça desviando o olhar e soltou meu rosto — Você está chorando! Oh meu Deus! Eu não mereço você.

— Não — Esfreguei os olhos apressado — Claro que merece. Ei. Olhe p ara mim. Eu sou seu.

— É exatamente disso que estou falando! — Ela mordeu o lábio inferior — Sou uma bruxa mesmo.

— Para com isso Liv! Não consigo entender! Casa comigo!? — Pedi desesperado

— Eu só preciso que você seja paciente...

— Eu te amo, você me ama!

— Não pegue meu coração. Porque essa é a única parte que é realmente minha. Entende? — Ela enxugou meus olhos — Chris! Pare de chorar! Por favor!

— Você também está chorando. — Repliquei

— Você precisa do meu choro! Eu não mereço o seu... — Liv falava como uma criança querendo algo.

— Para.

Não é comum, mas está acontecendo, não posso ver nitidamente, porque as lagrimas não deixam.

— Eu presc...

— Para! Liv. Para!

— Amor apenas… As vezes preciso ficar sozinha — Ela levantou do sofá e tirou o anel colocando em cima de uma das almofadas então caminhou até a porta, que, se fechou devagar e eu fiquei ajoelhado no meio do carpete branco, sentindo como se uma mão apertasse minhas entranhas.

As flores azuis estavam balançando, tão lentamente, tão bonitas, não tinham noção do que estava acontecendo.

Paciência?

Com a mão pura soquei o jarro de vidro, fazendo voar água, flores e sangue para todo lado.

O corte nem foi tão grande, não machucou tanto quanto as palavras: Provavelmente você gosta de correntes.

Eu estou louco ou ela me chamou de cachorro?

Me levantei esfregando o cabelo. O único problema é que provavelmente eu gosto de ser o cachorrinho dela, ela não pode me deixar por fazer tudo por ela. Não tem nenhum sentindo nisso.

Não consigo acreditar, não caiu a ficha, estou só, atordoado e vazio, na noite que devia ser a mais feliz da minha vida, a noite que eu estaria cantando por conta de um motivo maior. A noite que eu não dormiria.

Não posso deixar o amor da minha vida ir embora assim!

Abri a porta em disparada e fui atrás dela. O botão do elevador já estava brilhando mas continuei o apertando repetidamente, até enjoar e correr direto para as escadas de incêndio.

Cheguei no saguão sem fôlego e com os pulmões doendo, mesmo assim corri até a porta de vidro que me separava do mundo lá fora, mas não consegui abrir, esqueci a chave lá em cima.

Esfreguei o cabelo desesperado, o porteiro não estava lá! Meu Deus! Esse é o trabalho dele.

Olhei através do vidro e consegui ver a cabeleireira loira dela, dentro de um carro. Imaginei o barulho de um beijo estalado mesmo estando longe. Só a imagem dela beijando outra pessoa me fez querer vomitar. Ela saiu do carro, que não era o da Anna, não era o dela, não era muito menos conhecido.

Ela estava pior do que antes no apartamento, o cabelo estava desarrumado, a maquiagem borrada pelo choro. O cara que estava ao volante estava gritando com ela, ela estava fingindo que não ouvia.

Os olhos dela se encontraram com os meus, e a boca dela formou um O completo.

Acho que eu sorri.

Não me lembro bem.

O cara do carro jogou um copo de café amassado pela janela, molhando ela e arrancando com o carro.

Ela ficou no meio da rua. Parada.

Eu dei as costas e voltei para elevador.

Agora eu entendi.

É o pior dia da vida dela!

Não do meu.

Ela perdeu a maior coisa que já tinha conseguido.

Eu?

Eu ganhei a liberdade.

Notas finais
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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!