Patience

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Galera, eu precisava de alguma maneira por isso pra fora, é. Cecília e Pietro estavam me matando na minha mente.Bom, vou deixar os cheiros pro fim. Enjoy.

Já sentia a ausência de água nos meus lábios. Uma gota de suor fazia um caminho pelo meu rosto e eu agradeci a mim mesma por usar maquiagem a prova d'água.

Quando ouvi aquela melodia, meu coração falhou por uma fração de segundos. Qual é Cecília? Você já cantou essa música um milhão de vezes desde que ele se fora, vamos lá. Relaxa, você consegue.
Fechei meus olhos e me concentrei. Seria mais fácil, estava sentada em um banquinho e o microfone estava à minha frente em um pedestal.
— Shed a tear because I'm missing you– comecei calmamente com o lábio inferior em um espasmo e a respiração travada. — I'm still alright to smile.
Eu relutava, mas aqueles olhos verdes invadiram minha mente sem pedir licença.


FLASH BACK ON


— O que está ouvindo? — questionei me aproximando de Pietro.
Ele mantinha os olhos fechados e cantava sem emitir som nenhum. Encarei seus lábios grossos por alguns minutos, era mais fácil olha-lo quando ele não me encarava. Seu olhar era doce, mas ao mesmo tempo ameaçador. Os fios dourados alcançavam as sobrancelhas, haviam crescido muito nos últimos meses e ele não fizera questão de cortá-los.
— Guns n' Roses. — ele respondeu ainda de olhos fechados.
Essa banda. A nossa favorita. Por um ano todo a ouvimos juntos, conversamos sobre. Quantas vezes dividimos o fone para ouvir nossa musica? Inúmeras.
— Qual música? — perguntei sentando-me ao seu lado.
Ele abriu os olhos e me encarou. Engoli em seco. Será que eu estava o atrapalhando? Me arrependi de ter me aproximado dele.
— Tudo bem — eu disse me levantando e colocando a mochila em um dos ombros. — Te vejo depois das férias.
Virei as costas e dei dois passos. Uma dor atingiu meu peito e senti dois braços fortes me envolverem.
— Cecília... — Pietro sussurrou e eu senti sua respiração tocar meu pescoço e um espasmo percorreu meu corpo. — Não nos veremos depois das férias.
Meus joelhos fraquejaram e eu não seria capaz de ficar de pé se ele não tivesse me segurado. Afastei meu cabelo do rosto e o encarei. Seus maravilhosos olhos verdes me encaravam marejados e prontos para derramar todo aquele líquido da tristeza em alguns segundos.
— C-como assim? — perguntei incrédula.
Ele pousou as mãos sobre meus ombros e me encarou. Olhou dentro dos meu olhos e eu podia senti-lo invadir minha alma e segurar meu coração em suas mãos.
— Vou mudar de escola.
Sorri sem jeito. Como aquilo poderia ser o fim? Ele só ia mudar de escola. Não iria pra uma guerra ou mudar de país. Passei a mão pelos cabelos e tirei suas mãos do meus ombros. Caminhei em círculos tentando processar a informação. Onde ele queria chegar? Queria me matar do coração?
— Cecília... — ele disse quase inaudível e eu o encarei. Uma lágrima silenciosa percorreu sua bochecha esquerda e caiu sob seu queixo. — Sinto muito.
Meu coração ia explodir a qualquer momento. Senti o café da manha pesar no estomago e uma sensação de náuseas tomar conta de mim. Minhas pernas bambearam e ele me segurou de novo, ali, pela segunda vez aquele dia. Era triste, pois eu não sabia quantas vezes e por quanto tempo ele estaria ali pra isso.
— Pietro, me explica por favor. O que está acontecendo?
Ele me puxou para o banco onde estava e sentamos ali. Ele pegou o celular e colocou um fone no meu ouvido e outro no dele.
— Primeiramente, quero que saiba que você é muito especial pra mim. Eu amo estar com você. Você me faz rir, me faz querer viver. Eu gosto muito de você Cecília! — ele umedeceu os lábios, coisa que sempre fazia quando estava nervoso e continuou. — Meu irmão vai bancar meus estudos em uma escola boa. É uma oportunidade única. Se eu continuar aqui, posso não ter as mesmas chances no futuro.
A essa altura eu já não controlava as lágrimas. Elas desciam num ritmo frenético e eu tentava — sem sucesso — seca-las com a manga da blusa.
— Pietro, nós fizemos uma promessa! Você prometeu, nós prometemos que nunca seriamos duas pessoas separadas!
— Cecília, calma, eu...
Afundei o rosto nas mãos e descarreguei as lágrimas. Só de imaginar Pietro longe era torturante. E o pior não era ele estar longe porquê precisava, mas ele estaria porque queria estar.
Encarei Pietro e ele deu play na música. Aquela melodia alcançou meus ouvidos comprimindo meu coração.
One, Two, One, Two, Three, Four.
Junto com o cantor, Pietro assobiava. Não, não, não! Lamentei mentalmente. Ia começar tudo de novo. Aquela mesma história de sempre. De pensar no nosso futuro, de esperar, de ter apenas um pouco de paciência. Aquele ano fora torturante. Era um martírio ter que esconder de todos o que sentíamos um pelo outro. Afinal, qual era o problema de todos saberem? Pietro ergueu meu rosto e fez com que eu o encarasse. E então ele começou no mesmo compasso da música:
— Shed a tear because I'm missing you, I'm still alright to smile. Girl, I think about you every day now.
Mentira, mentira! Você nunca derramou uma lágrima sequer. Você brincou comigo esse tempo todo, só queria me iludir e eu banquei a babaca acreditando que dessa vez seria diferente.
— Was a time when I wasn't sure, but you set my mind at easy. There is no doubt you're in my heart now.
Fechei os olhos e me concentrei no seu toque em uma das minhas bochechas.
— Said, woman, take it slow and it'll work itself out fine, all we need is just a little patience.
Eu queria odiá-lo, mas eu não conseguia.
— Said, sugar, make it slow and we'll come together fine, all we need is just a little patience.
Escutei toda a música em ambas as vozes, mas confesso que me concentrei na dele. O garoto que estava despedaçando meu coração naquele momento. Quando chegou no ultimo verso, abri meus olhos e o encarei:
— Oh, I need you. Oh, I need you. Oh, but don't this time.
As ultimas palavras modificadas me atingiram como um caminhão de concreto, deixei os ombros caírem e encarei o chão. Pietro tirou os fones e me abraçou. não pude encará-lo.
— Apenas um pouco de paciência. É o que precisamos.
Ele se levantou e eu o vi se afastando.


FLASH BACK OFF


— Oh, I need you.Oh, I need you. Oh,but don't this time — modifiquei as ultimas palavras como ele fizera da ultima vez.
Pessoas iguais a mim, talvez a maioria. Elas ali, em uma quinta-feira afogando as mágoas em um bar de rock. Ouvi os aplausos ecoarem pelo local. Me diziam que essa era a única musica que eu realmente cantava com o coração. Bom, eles tinham um pouco de razão. Eu cantava com o que sobrou do meu coração, o que fora destruído há seis anos atrás.
Desci do palco e fui ao bar. Sentei-me em um dos bancos e pedi uma bebida.
— Acho que é "on this time" — alguém falou às minhas costas. Uma voz conhecida. Fazia um tempo, mas eu a reconhecia.
Girei meu corpo vagarosamente e encarei a pessoa à minha frente. Aqueles mesmo olhos verdes, os lábios grossos e o sorrisinho de canto agora envolto por uma barba rala dourada.
— O que foi? — ele perguntou. — Está surpresa? Foi difícil te encontrar.
Eu não conseguia dizer nada. Não sei se o abraçava, se o espancava, ou saia correndo. Fiquei de pé e acertei um soco no seu rosto.
— Você é idiota? — praticamente gritei encarando-o furiosa.
Ele riu passando a mão sobre o rosto.
— Ainda bem que você não mudou nadinha... — Pietro agarrou meu braço e praticamente me arrastou pra fora do bar. — Senti tanta sua falta... — ele me abraçou praticamente me espremendo em seus braços.
— Não parece — disse com a cara afundada em seu peito.
— Apenas um pouco de paciência — ele disse passando a mão sobre meus cabelos.
Eu queria odiá-lo, pela segunda vez na minha vida, mas foi em vão. Era impossível. Creio que tenha sido muito mais que um pouco de paciência. Foi muita paciência. Foram seis anos de "little little patience" e sem ter certeza que ele voltaria.
— Você é um idiota! — disse retribuindo o abraço.
— Ei, Cecília — eu o encarei. — On this time.
Não pude evitar de sorrir. O que precisávamos era de um pouquinho de paciência. Doeu, mas eu estava ali nos seus braços sentindo seus lábios nos meus.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostados, um incentivo (vulgo comentário) não faz mal a ninguém, certo? Bom, desculpe pelos erros foi às pressas. Em breve tem uma capa melhor, desculpa.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!