Existia algo chamado de “fruta-do-milagre”, e existiam muitas delas de muitos tipos — eram tantos sabores diferentes e cujo tinham promessas de melhoras e de restauração de suas penas. Com a perda da Eudaimonia, junto com o desaparecimento de Eirene, era cada vez mais evidente a nudez do corpo pálido.


Forneceram a Pathos muitas rotinas inclusive, algumas difíceis de seguir e outras mais fáceis. Às vezes traziam resultados, contudo infelizmente, em algumas outras não. Era como se fosse um acúmulo de energia que cresce dentro de si, porém que despenca em seguida com um peso de uma rocha — Pathos em muitos momentos permanecia irritadiça, um labirinto de sensações; portanto as tais rotinas e os sabores a cada momento mudando, cada vez mais fazia florescer um desejo de buscar Thánatos. Afinal, onde estão elas? Cadê elas?


Havia momentos em que Pathos sentia muito frio e tentava cobrir-se com as penas que se esvaem, entretanto nem sempre funcionava, — às vezes, o branco do ambiente ficava tão frio conforme a luz a sua volta que encurtava de dimensão — então era comum que Pathos entrasse dentro da própria Krisis a fim de se aquecer. O ruim disso, é que, o silêncio era ensurdecedor, mais que o lado de fora, como um ruído persistente e agudo. Por consequência, as lágrimas caiam em abundância, alagando todo o breu, não conseguindo respirar e congelando tudo; logo retornava ao branco vazio.


Não tinha muito para onde ir, a não ser permanecer cercada de suas penas, as quais a cada dia desapareciam. Pathos odiava aquela bagunça.


Em situações limitadas surgia uma ponte repentinamente, todavia não se sabia a sua origem. Por medo de ser mais frio que o espaço de onde já estava, cujo ainda lhe restava um pouco de luz para se aquecer devido a ausência de suas penas, preferiria não se movimentar para perto dela. Mas a aparição daquele lugar não lhe impedia de ficar curiosa. Para onde poderia levar aquela ponte?


Determinado dia, Pathos acordou abruptamente de um frio avassalador. Não sabia se retirava as mãos do dorso para secar o gelo do rosto ou se persistia a abraçar seu corpo para tentar impedir que o frio lhe sufocasse. Mais uma vez irritada, tomou uma baga vermelha e esperou ocorrer alguma mudança. Mas nada veio. Novamente apareceu aquela ponte à sua frente. Se repetiu a dúvida na sua mente de onde a levaria.


O gelo das lágrimas caia e esfriava os seus sentidos, ao derreterem molhava as penas e as bárbulas soltas pelo chão; criava uma confusão visual, repulsiva no ambiente que agora não era nada convidativo. Era um horror. Pathos olhou mais uma vez para a ponte. Não sabia se saia do lugar, estava com medo, mas também com nojo do pouco espaço habitável que possuía mediante o que a claridade a permitia ter.


Num pico de raiva, usou sua ira para dar passos descompensados até a entrada da ponte. Parecia que a mesma ainda estava muito longe de alcançar e ao mesmo tempo que olhava para trás, não conseguia ter coragem para regressar todo o percurso.


Ela caiu no chão… com algumas penas grudadas no seu corpo por conta das lágrimas derretidas. Ela se arrastou com as forças das mãos e braços, desprotegendo seu corpo nu. Alguns desses penachos descolaram e seguiram para trás. Mais um pouco: se locomovia com as mãos e as dobraduras dos braços para gerar impulso no restante do corpo. Mais um pouco…

Finalmente conseguiu. Depositou a destra sobre o primeiro espaço alcançado na entrada da ponte. A textura dela era diferente do chão do branco de onde vivia. Era lisa e com um frio levemente agradável. Era fresco.


- Ela chegou!


Pathos ouviu, mas não obtinha força o suficiente para subir seus olhos e ver quem era o dono da voz potente.