Patas Sujas e as Criaturas da Neve
1 Prólogo
Notas iniciais
Olá! Eu sou um contador de histórias. Meu nome não é importante para a trama dessa história, então não há necessidade de revela-lo. Para iniciar nossa história, vamos para uma pequena casa perto do lago, em um lugar em que poucas pessoas sabem de sua existência, e muito menor é o número dos habitantes desse lugar. Essa pequena casa do lago tinha de fato a sua beleza pelicular, era diferente das outras casas do lago, ela tinha certa aura, uma chama, algo que a diferenciava das outras. Era uma casa do lago especial.
Você deve estar se perguntando por que a enorme ênfase em casa do lago. Porque não dizer apenas casa ou usar outros sinônimos? Em breve você saberá, mas por enquanto, entenda que essa casa do lago merece essa ênfase.
Nessa casa do lago morava uma pequena família. Uma família relativamente pequena, pois tinha apenas dois integrantes. Um pai e um filho. Eles tinham uma vida feliz, se alimentavam de frutas da floresta e peixes que provinham do lago, e passavam o dia todo a velejar em seu pequeno barco, junto da mãe natureza e seus animais.
O pai dessa família tinha uma cabeça um pouco diferente da dos humanos que nós conhecemos. Ele tinha uma cabeça de animal. Sim, você acredita? Uma cabeça de animal. As pessoas que visitavam aquela casa do lago tinham medo daquele pai por causa dessa característica, o que diminuía mais ainda o número de visitantes àquele lugar. Mas, diferente de seu pai, o filho não tinha cabeça de animal. Jura? Juro. O filho era um cara normal, um bom garoto. A única coisa que fazia era cortar a grama perto da sua pequena casa do lago, e coitado, ele cabia dentro de uma mochila de tão pequeno que ele era. E ora bolas, ele tinha um animal de estimação mais peculiar que o próprio pai!
O filho tinha uma libélula de estimação.
Mas afinal, o que essa família e essa casa do lago tinham de tão interessante? Certo que o pai tinha cabeça de animal e o filho uma libélula de estimação, mas, o que de tão emocionante eles fizeram?
Eles servem apenas de palco para contar nossa linda história.
Certo dia, a libélula do filho se cansou de toda essa monotonia. Era todo o dia a mesma coisa naquela casa do lago. E, cá entre nós, viver com aquela cabeça de animal te olhando não era nada aconchegante. E chegou o dia em que a libélula fugiu de seu dono. Bateu suas asas e não mais se encontrou naquele lugar. Fugiu para a floresta. Fugiu para os campos de neve. Fugiu para ter uma aventura, uma vida muito melhor da que tinha antes.
Mas, por ironia do destino, muito tempo depois, a libélula voltou. E dessa vez, ela tinha uma linda história para contar.
Essa é a história que vou contar para vocês.
A História de Patas Sujas e as Criaturas da Neve.
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