Past Dreams
9 Capítulo 7 - I Will Always Be Here For You / I Need You Here
Notas iniciais
POV Damon
Cheguei ao hospital em desespero. Olhava para todos os lados a procura de Caroline. De notícias da minha garota. Qualquer coisa que me fizesse sentir menos culpado, angustiado ou preocupado. Que me fizesse sentir menos raiva de mim mesmo e dos meus pais... Car!
–Como ela está? – perguntei ao chegar ao lado da loirinha que estava com os olhos vermelhos de tanto chorar.
–Graças a você? – o Heroína levantou, respondendo por ela. – Bem mal. Ainda em cirurgia. – sua voz baixou e ele pareceu menos irado depois que Caroline apertou sua mão.
–Jace, não. – sussurrou.
–Vou respeitar o hospital, Salvatore. Mas a culpa por ela estar aqui ainda é sua.
Decidi me dar por vencido.
–Eu sei.
E saí andando. Precisava ficar tão longe quanto possível dele. Por que a Caroline o trouxe aqui? Ela sabe muito bem que não nos damos bem. Será que a Elena disse alguma coisa e ela quer me provocar? Agora não é hora de perguntar isso. Preciso que a Elena melhore. E o bebê.
Meu celular começa a tocar. É de casa. É tudo o que eu não preciso agora. Arremesso o telefone e o vejo se espatifar na calçada a minha frente. Noto que já andei pra bem longe do hospital. Dou meia-volta e começo a fazer o caminho contrário.
Ao chegar novamente na sala de espera, procuro por Caroline e o Heroína, mas eles não estão lá. Sinto meu corpo gelar. Minha garota não. Volto até a recepção e chamo a atenção da senhora que estava de plantão.
–Com licença, a senhora poderia me informar a respeito da paciente Elena Gilbert?
–O senhor é...?
–Namorado dela. E pai do bebê que ela está, ou estava, esperando.
Ela procurou por um momento no computador, minha ansiedade beirando o limite.
–Ela foi para o quarto há uns dez minutos. Quarto 435, quarto andar.
Sigo para o elevador. Quando chego ao quarto andar, paro no posto de enfermagem que há ali para perguntar em que direção fica o quarto 435. Depois de pegar a devida orientação caminho de encontro à porta e bato antes de entrar.
–Entra! – ouço a voz da Caroline.
Abro a porta e olho direto para a cama em que ela está deitada. Seu rosto está machucado e um pouco roxo, sua mão repousa na barriga e há lágrimas em seus olhos.
–O bebê... – sussurro.
–Está bem. – Elena diz seca. Sua voz está fraca por ela ter acabado de acordar.
Me aproximo dela.
–Podemos conversar? – pergunto, temendo que ela negue meu pedido.
Jace e Caroline levantam e fazem menção de sair para nos dar privacidade.
–Não. – ela diz, segurando a mão da melhor amiga, que senta novamente na poltrona ao lado da cama. – Jace, fica. Eu não tenho nada pra dizer. Não quero conversar com você. Aliás, espero nunca mais ter que ver você. Nem de longe. Agora se você puder fazer a gentileza de ir embora, eu agradeço.
Saio do quarto magoado. Acho que eu mereci isso. Mas espero que seja passageiro. Não posso suportar que ela me deixe. Volto para o meu carro e dirijo de volta para casa. Entro pela cozinha, a fim de evitar algum encontro com meus pais. Preciso contar à Miranda.
Ela está onde eu esperava que estivesse: na cozinha. Estamos no meio da madrugada, mas ela não tem notícias da filha e eu não estava em casa. Com o acidente, Elena não podia atender o telefone.
–Oi, Miranda.
–Oi, Damon. A Elena estava com você? Ou você, por acaso, sabe se ela estava com a Caroline? Não consegui achar nenhuma das duas.
–Miranda, tenho algo pra contar a você.
Sua expressão se distorceu ainda mais de preocupação devido ao meu tom de voz.
–Diz de uma vez, menino. Se enrolar demais não vou suportar. – ela pediu, a voz chorosa.
–A nossa Lena sofreu um acidente. – ela arfou. – Mas está tudo bem agora. Ela passou por uma cirurgia e está no quarto. Já até acordou.
–Não importa. Preciso ver minha filha. Ela está grávida, Damon!
Miranda não me deu a menor chance de explicar que o bebê estava bem. Saiu em disparada pela porta contornando a casa. Suponho que o marido ainda não soubesse sobre meu namoro com a filha deles. Por que com ela? Por que não eu? Agora a mulher que eu amo me odeia, a família dela vai me odiar, os amigos dela vão me odiar. Ela preferiu ficar com aquele garoto no meu lugar!
Vou até o escritório do meu pai tentando fazer o máximo de silêncio possível. Abro a garrafa dele de Bourbon e sirvo um copo. Viro o conteúdo de uma só vez na boca, sentindo queimar como o inferno em minha garganta.
Continuo virando o líquido no copo e entornando do copo pra boca até criar um determinado ritmo. Sem paciência alguma para continuar com esse ciclo de movimentos, largo o copo e levo a garrafa para o meu quarto. Me jogo na cama com a roupa que estava e começo a chorar e a beber cada vez mais até esvaziar a garrafa. Largo o recipiente de cristal de qualquer jeito no chão e me aninho no travesseiro. Quando noto que não vou conseguir dormir, levanto da cama, tropeçando em meus próprios pés, vou até o quarto da Lena, pego um de seus travesseiros e volto para cama, onde fico agarrado ao único contato possível com a minha garota.
POV Jace
Car me ligando a essa hora? Só pode estar acontecendo alguma coisa. Ela sabe que meus pais adotivos não gostam que eu fique no telefone depois de certa hora.
*Ligação ON*
–Onde é o incêndio?
–Jace, a Lena...– minha melhor amiga estava em prantos.
–O que aconteceu, Car?
–Eu tô chegando na sua casa. A Lena tá no hospital.
–Vou me vestir e já estou descendo.
*Ligação OFF*
Não. A garota que eu amo não. Mesmo que ela não esteja nem aí pra mim, eu me importo com ela. É claro que a culpa só pode ser daquele filhinho de papai do Salvatore. Ele vai pagar por isso. E ai dele se chegar perto da Elena agora.
Visto um jeans qualquer e a primeira camisa que encontro no armário. Escrevo um bilhete curto e objetivo para os meus pais e deixo sobre o travesseiro. Desço correndo as escadas. Saio sem levar nada além do celular e meus documentos. O importante agora é saber como ela está.
Quando saio de dentro de casa, Car já está com o carro estacionado lá. Entro tão rápido quanto consigo e fecho a porta. Caroline olha pra mim e começa a chorar de novo. Puxo ela pra um abraço.
–Shh... Ela é a melhor. Vai sair dessa. Agora por que você não me diz o que aconteceu?
–Ela foi atropelada no caminho para o ponto de ônibus. Ela estava indo pra minha casa. Nossa melhor amiga está em cirurgia, Jace. Estou com tanto medo.
–Vai ficar tudo bem, Car. Vamos para o hospital. Quer que eu dirija?
Ela faz que não com a cabeça. Dá partida no carro e em pouco menos de meia hora, chegamos ao principal hospital de Atlanta.
Na recepção, perguntamos por notícias dela.
–A senhorita Gilbert ainda está em cirurgia.
–Obrigada. — Car agradece.
Seguimos para a área de espera e sentamos para aguardar.
Ela deita a cabeça em meu ombro e chora baixinho. Envolvo seu corpo em um abraço e acaricio suas costas numa tentativa de fazê-la se acalmar. De repente ouço a voz da pessoa que eu menos queria se aproximando de nós dois.
– Como ela está? – Damon Babaca Salvatore. Ah, mas eu não vou mesmo deixar que ele saia dessa impune. De jeito algum.
–Graças a você? – levanto – Bem mal. Ainda em cirurgia. – Car aperta minha mão delicadamente em um pedido pra que eu não faça o que estava prestes a fazer.
–Jace, não. – sussurrou um pouco desapontada.
–Vou respeitar o hospital, Salvatore. Mas a culpa por ela estar aqui ainda é sua. – acuso sem medo do que quer que ele possa tentar fazer comigo.
–Eu sei. – sua resposta me pega de surpresa.
Damon vira as costas e vai embora do hospital. Além de fazer mal a ela, ainda vira as costas. Será que não tinha ninguém pior pra Lena escolher como namorado?
–É realmente bom que ele não fique por perto. — Car comentou um momento depois de Damon ir embora. — A Lena não ia gostar de saber que vocês dois brigaram.
–Car, você não entende? Graças a ele nossa melhor amiga está aqui. O próprio Salvatore assumiu isso.
–Mesmo assim, Jace. Ainda que a culpa seja exclusivamente do Damon, a Lena o ama. E também ama você. — Não do jeito que eu gostaria– Se soubesse que vocês brigaram enquanto ela estava em cirurgia, ficaria muito chateada.
Nesse momento ouvimos a voz do médico.
–Os parentes da senhorita Elena Gilbert?
Eu e minha melhor amiga levantamos em um salto, quase correndo até onde o médico estava parado.
–Sim, doutor?
–Eu sou o doutor Magnus Bane. Atendi a moça quando ela chegou aqui. Fizemos uma cirurgia de reparo, apenas para evitar possíveis lesões e fechar os cortes. Precisamos também imobilizar as costelas. Não se preocupem, o bebê dela está bem. Precisamos dar a ela alguns remédios pra evitar um aborto causado pelo impacto.
Minha amiga olhou pra mim com um olhar confuso.
–Bebê? Mas... A Lena tá grávida?!
–Suponho que os senhores então não estivessem sabendo. São irmãos da paciente?
–Melhores amigos. — respondemos juntos.
–Bom, ela já está no quarto. Gostariam de vê-la?
–Sim, por favor!
O doutor Bane nos conduziu pelo hospital até o quarto andar. Passamos por várias portas até chegar à de número 435.
–É aqui que ela está. Pode ser que ainda esteja dormindo, mas logo vai passar o efeito da anestesia. Se me dão licença, preciso voltar ao centro-cirúrgico.
Abro a porta e olho pela fresta. Nossa amiga já estava acordada.
–Oi, Lena. — tentei sorrir. Sem sucesso. — Viemos assim que soubemos.
Ela estava meio letárgica por causa dos efeitos, mas sorriu assim que nos reconheceu.
–Oi gen-te. — sua fala estava estranhamente arrastada.
–COMO VOCÊ TEVE CORAGEM DE DESCOBRIR QUE ESTAVA GRÁVIDA E NÃO ME CONTAR? Achei que fosse sua melhor amiga. — Caroline surtou após sair do transe em que estava desde que chegamos ao hospital.
–Desc-ulpa, Car. Eu des-cobri hoje. Eu ia vol-tar pra sua ca-sa e te con-tar. Mas a-conteceu is-so.
–Tudo bem, perdoo você devido às circunstâncias. Mas o que aconteceu pra você sair de casa e estar tão desligada a ponto de ser atropelada assim?
–Água?
Pego um jarra de água que deixaram ao lado da cama sobre a mesinha junto a um copo. Encho o copo e aproximo da boca da Lena.
–O-brigada. – ela sorri.
–Disponha, Lena.
Ela bebe todo o conteúdo e pega o copo da minha mão. Faço um gesto perguntando se ela quer mais e ela diz que não.
–Então...? – pressiona Caroline.
–Bom, eu saí da sua casa e passei na farmácia. Precisava tirar logo a dúvida. Então comprei o teste e fui pra casa fazer. – sua fala melhora conforme ela vai despertando, a água ajudou. – Ao entrar, dei de cara com o Damon e os pais dele. – faço uma careta. Lena não percebe. – Como eu precisava fazer logo o teste, disse que depois conversava com ele. Então subi pra sanar de vez minha curiosidade, minha suspeita. Quando eu vi o resultado, minha mãe apareceu no quarto e não dava mais pra esconder.
–Tia Miranda brigou com você? Mas o Damon disse que a culpa foi dele. Apesar de que realmente foi, já que ele fez essa criança. – Caroline começou a especular quando Elena fez uma pausa pra beber mais água.
–Não, Car. Minha mãe não brigou comigo. Pelo contrário, disse que me daria todo o apoio que eu precisasse e disse que eu devia ir logo falar com o Damon, porque eu não havia feito o bebê sozinha. E é aí que começa o problema. Assim que soube, Damon quis contar aos pais dele. Que disseram muitas coisas ruins a meu respeito.
–Não posso acreditar nisso! Elena, eles têm que aceitar esse bebê. É sangue do sangue deles.
–Segundo o senhor Salvatore, o Damon devia escolher entre a herança e nós dois. – disse, passando a mão na barriga. – E aquele idiota escolheu a herança, disse que eu o havia seduzido.
–Aquele filho da...
–Jace! – Car chama minha atenção.
De repente Elena começa a chorar.
–Shh, amiga, shh. Ele não merece suas lágrimas.
–Depois que eu liguei pra você, Car, eu subi para pegar a bolsa no meu quarto. Quando eu voltei para a porta da frente, Damon estava lá me esperando. Disse que só escolheu a herança porque precisava sustentar a mim e ao filho. Ele nem perguntou o que eu pensava! Eu disse a ele que não estava doente e sim grávida. E mais outras coisas nada agradáveis de se ouvir e saí andando. Não percebi quando estava andando no meio da rua, até que...
Alguém bate à porta.
–Entra! – Caroline pede.
Era ele, de novo. O Salvatore. Ficou encarando nós três por alguns segundos.
–O bebê... – ele tenta perguntar.
–Está bem. – Elena diz seca. Ela não demonstra a fragilidade que estava evidente há poucos segundos.
O idiota se aproxima da cama.
–Podemos conversar? – ele pede, hesitando.
Car olha para mim e fazemos menção de levantar de onde estamos para deixá-los resolverem o que quer que tenham de resolver.
–Não. – Lena responde, o que surpreende a todos nós. – Jace, fica. Eu não tenho nada pra dizer. Não quero conversar com você. Aliás, espero nunca mais ter que ver você. Nem de longe. Agora se você puder fazer a gentileza de ir embora, eu agradeço.
Damon sai cabisbaixo do quarto, o que me faz sentir um tanto quanto vitorioso.
–Lena, tem certeza de que você não vai se arrepender dessa decisão assim tão repentina?
–Car, uma das coisas que eu tenho certeza é que eu vou ter esse bebê, com ou sem pai. A outra coisa é que não importa o que meus pais façam ou digam, nunca mais ponho os pés na casa dos Salvatore de novo.
Pela primeira vez desde que descobri que estava apaixonado por Elena Gilbert eu a vejo me escolher. E é por isso que eu acabo de tomar uma decisão. Talvez a mais importante de toda a minha vida. Sinto que é a coisa certa a fazer. Não só por ela e pelo bebê, mas por mim.
–Será que vocês podem me distrair pra eu esquecer isso tudo?
–Você já sabe como está o seu bebê? O médico disse que precisaram dar remédios a você para que você não o perdesse.
–A enfermeira me explicou. Preciso tomar muito cuidado com essa garotinha daqui pra frente. Depois desse acidente, e por quase tê-la perdido, minha gravidez é de alto risco. Não posso permitir que minha pressão suba ou desça, não posso fazer esforço, exercício físico pesado...
–Vão ficar tão nojentas essas duas. Minha sobrinha obviamente vai ser mimada, mas a mãe durante a gravidez... Deus! Preciso ir às compras. Ai que paraíso!
Todos rimos com a compulsão da Car. Conversamos por mais algum tempo até que eu decidi. É agora ou nunca! Me aproximo da Car e pergunto a ela se ela pode me deixar conversar a sós com a Lena. Como ela está muito cansada, concorda sem reclamar. Se despede de mim e da melhor amiga e sai do quarto. Noto pelas frestas da persiana que o dia lá fora já está clareando.
–Então, Jace, por que você expulsou minha melhor amiga daqui? Queria o melhor lugar? – sorrio com seu bom humor.
–Você deve ter batido a cabeça. Mas o que eu tenho pra falar é importante. – olho diretamente em seus olhos – Foi muita coisa para um dia só: você descobriu que está grávida, foi acusada injustamente, brigou com seu namorado, sofreu um acidente, passou por uma cirurgia... Mas tenho uma proposta para você. Como você está determinada a nunca mais ver a família Salvatore, eis aqui o que tenho para você: eu quero assumir o bebê. Quero ser o pai que essa pequena vai precisar. Quero ser o que você vai precisar. Pensar nas suas necessidades, respeitando sempre o que você achar melhor.
–Jace, onde você quer chegar com isso?
–Lena, quer casar comigo? – Acho que eu vou morrer internamente se ela me disser que não. Consegui finalmente criar coragem e tomar uma atitude. Por favor, Lena, aceita.
Ela fecha os olhos e noto suas pálpebras tremendo. Uma única lágrima escorre por seu rosto.
POV Caroline
Entro em meu quarto me sentindo exausta. Muitas coisas aconteceram de ontem pra hoje. Minha melhor amiga está grávida, quase perdeu o bebê por culpa do namorado sem escrúpulos dela, nosso melhor amigo quis matá-lo, mas eu consegui convencê-lo de que não valia a pena. Então ele pediu pra conversar a sós com a Lena e como eu estava cansada por ter passado a noite acordada esperando notícias sobre o estado de saúde dela, resolvi vir logo pra casa.
Antes de sair do hospital, encontrei tia Miranda, que estava desesperada pra saber da filha. Sentei em uma cadeira e pedi que ela sentasse ao meu lado. Notei vagamente que já era quase de manhã.
*Flashback ON*
–Minha filha, por favor, me diz como está a Elena? O Damon me contou que ela sofreu um acidente, mas que já acordou.
–É tia. As coisas estão meio confusas agora. Eu liguei para o Damon. Quando ele chegou aqui, a Elena ainda estava em cirurgia. Então ele saiu pra pensar. Quando voltou, ela já havia ido para o quarto e estava acordada. A cirurgia foi um procedimento simples para evitar lesões futuras causadas pelo impacto.
–Sim, mas e o meu neto?
Me assustei. Tia Miranda já sabia que a Lena está grávida?
–O médico disse que está tudo bem, mas que eles precisaram medicá-la para que ela não o perdesse. Aliás, é uma menina. Fizeram um ultrassom nela pra checar se estava tudo bem. E calcularam que ela já está com quatro meses, então deu pra ver o sexo.
–Eu vou ganhar uma netinha! Mas me diz uma coisa, você sabe, por acaso, por que é que a Elena expulsou o Damon?
–Ela contou pra mim e pro Jace que eles brigaram. Ela saiu da mansão Salvatore e estava indo pra minha casa quando sofreu o acidente. Mas não disse mais que isso. O Jace pediu pra conversar com ela a sós.
–Então vou deixá-los conversar. Vou procurar o médico que a atendeu e perguntar sobre o estado dela, quando ela vai ter alta, o que vai ser necessário quando ela for pra casa e coisas assim. Obrigada, Caroline. Você é a melhor amiga que minha filha poderia ter. – e me abraçou antes de ir atrás do médico.
Levantei e caminhei para fora do hospital indo até meu carro para ir pra casa descansar.
*Flashback OFF*
Sentei na minha e finalmente me permiti chorar. Por tudo. Elena, minha nova sobrinha, tia Miranda, o fato de que um dos casais mais perfeitos que eu conheci ter brigado em um momento muito importante, a dor que eu senti quando soube que minha melhor amiga estava no hospital e pela saudade que estava sentindo da única pessoa capaz de me consolar.
Olhei no relógio. Eram nove e meia agora. Duas e meia em Londres. Procuro o número e aperto em ligar. Espero. Sinto uma angústia infinita enquanto espero para ser atendida. E finalmente ouço sua voz. O alívio é imediato.
*Ligação ON*
–Oi meu amor.
–Precisamos conversar. Há tanto para contar. Sinto que é minha obrigação dizer tudo o que aconteceu pra você.
–O que houve, Car? Você está me assustando.
–Ah, Stefan, tantas coisas. Seu irmão, a Elena, seus pais, aconteceu algo terrível.
–Eles estão bem?
–A Lena está no hospital, meu amor.
–Por quê? – sua voz fica alterada de preocupação.
–Há quatro meses seu irmão pediu a Lena em namoro. Ela ficou nas nuvens com isso, mas acho que agora ela preferia que nunca tivesse acontecido. Ontem, estávamos fazendo o trabalho de fim de semestre e a Lena se sentiu mal. Disse que precisava ir pra casa resolver uma coisa com a mãe dela.
–Não consigo imaginar tia Miranda e a Lena brigando.
–E elas não brigaram. A Lena descobriu com o trabalho que poderia estar grávida. E quando chegou a casa, fez um daqueles testes de farmácia e confirmou. Na mesma hora ela conversou com a tia Miranda e elas ficaram bem. Mas aí o Damon foi procurar a Lena.
–Espera, eu vou ser tio?
–Sim, vai. Voltando ao que aconteceu. O Damon quis contar pros seus pais assim que soube. Só que foi uma ideia infeliz. Seu pai ameaçou deserdar ele e isso fez com que aquele idiota dissesse que a Lena era a culpada. Que ela seduziu ele, que foi um golpe dela.
–Esse família não pode ser a minha, Car. Eu tenho vergonha deles. Era realmente necessário fazer a Lena passar por isso? Mas você ainda não disse como é que ela foi parar no hospital.
–Vou chegar lá, meu amor. Ela me ligou logo depois disso acontecer pedindo pra vir pra cá. Perguntei se ela queria que eu fosse buscá-la. – comecei a chorar de novo. – Ela disse que não precisava que logo estaria aqui. A Lena me contou que o Damon foi atrás dela uma última vez antes dela sir de lá. Ele disse que tudo o que ele fez foi pra garantir o dinheiro que sustentaria a Lena e a bebê. Eles brigaram de novo e ela saiu andando para ir até o ponto de ônibus. Um carro veio em alta velocidade e atropelou ela. O motorista me ligou, já que o meu número era o último pra quem ela havia ligado.
–Eu vou matar o Damon! Como ele pode ser capaz de fazer isso? Com a própria namorada? A própria filha? Minha sobrinha! Se acalma, meu amor, a Lena ta bem, não tá? Ela é forte. E minha sobrinha também está bem, certo? – perguntou, se desesperando novamente.
–Sim, elas estão. A Lena teve que passar por uma cirurgia pra evitar futuras lesões e eles precisaram dar remédios a ela pra segurar a bebê. Mas vai ficar tudo bem. A tia Miranda foi conversar com o médico pra saber tudo sobre o estado dela e pedir orientações pra quando ela for pra casa.
–Eu estou voltando para Atlanta. Será que o Jace vai se importar se eu passar alguns poucos dias na casa dele? Só pra visitar a Lena. E não quero ir para a casa dos meus pais. Nem ele nem o Damon merecem minha atenção. São pessoas cruéis demais. E eu quero saber como está minha sobrinha.
–Mas você vai perder aula, meu amor.
–Não importa, Car. É bom pra família Salvatore desperdiçar algum dinheiro. E, além disso, os professores entenderiam perfeitamente. Vou para Atlanta hoje mesmo. Vou voltar pra você, meu amor. Mesmo que só por alguns dias.
–Vou esperar ansiosamente.
–Amo você.
–Também amo você.
*Ligação OFF*
Depois de falar com Stefan me sentia bem mais calma. Ele está voltando! Eu conseguia ficar um pouco feliz em meio a tantos acontecimentos ruins.
Levanto da cama e vou tomar um banho para descansar um pouco. Visto um pijama leve e me jogo na cama, desligando o celular antes de cair na inconsciência.
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