Past Dreams

21 Capítulo 19 – The True


Notas iniciais
Desculpem a demora. Aqui está o cap, espero que gostem.

Elena

Coloquei Mila sentada na cama e fui até o armário tirar as minhas roupas que estavam lá dentro. Essa era a segunda vez que eu saía às pressas dessa casa, mas dessa vez é diferente, não sou mais aquela menininha boba de seis anos atrás.

– Mamãe? — a voz da minha filha fez com que eu me virasse na sua direção – O que é que está acontecendo? Pensei que fôssemos ficar aqui.

– Não, minha princesinha, nós não vamos poder ficar aqui – tentei explicar da melhor maneira que eu consegui.

– Então nós vamos voltar para a casa do vovô Stephen e da vovó Amatis? — quis saber.

– Não, nós não vamos para lá – para falar a verdade eu não tinha ideia de onde iríamos ficar, mas, se fosse necessário, eu iria para um hotel com a Mila. Tudo que eu sei é que não podemos ficar nessa casa – Mas você não precisa ficar preocupada, minha princesinha, vai dar tudo certo.

– Acho que eu tenho a solução para você – Caroline apareceu na porta do quarto – Vocês vão comigo para a casa dos meus pais.

– Você não precisa fazer isso, Car – garanti – Sei que você tem que ficar aqui, por causa do casamento.

– Isso foi algo que eu estipulei para deixar todos os meus padrinhos juntos – lembrou – Como já deu para perceber, isso não está dando muito certo.

– Só porque eu e o Jace não estamos aqui, não significa que você tenha que abandonar seus outros padrinhos – continuei – Sem contar que você também tem que ficar com o seu noivo.

– Alec, Izzy e Clary estão muito bem aqui e vão continuar bem – garantiu – Você e a Mila estão precisando mais de mim, então é com vocês que vou estar.

– E quanto ao noivo dela, não precisa se preocupar – Stefan estava parado atrás da minha amiga – Eu vou junto com vocês.

Dessa vez até Caroline olhou espantada para o noivo.

– Mas Stefan – começou – Você não precisa, é melhor você ficar aqui, junto com os seus pais.

– Eu não vou ficar aqui, Caroline – cruzou os braços – Não concordei com essa palhaçada há seis anos e não vou aceitar novamente, você sabe muito bem disso.

– Obrigada por isso Stefan – disse, sorrindo – Só não quero que você se meta em uma encrenca com a sua família.

– Enquanto eles agem dessa maneira não são a minha família – garantiu.

– Só não entendo uma coisa – todos nós nos viramos na direção de Mila – Por que a mãe do tio Stefan não gosta da mamãe e de mim?

Fiquei totalmente sem fala nesse momento. Como ia explicar para minha filha de cinco anos uma coisa complexa? Que aquela mulher que tinha dito que ela não podia ficar aqui era, na verdade, a sua avó, a mesma avó que a rejeitou antes mesmo dela nascer dizendo que nunca faria parte dessa família e que ainda foi o principal motivo para eu ter ido embora de Atlanta?

– Mila, esse é um assunto um pouco delicado – falei, por fim – Quem sabe quando você for mais velha, vai conseguir entender melhor.

– Detesto ser criança – fez biquinho – Queria já ser grande para poder entender tudo que vocês falam.

Se ela soubesse o que era, iria preferir não conseguir entender.

– Bom, acho melhor eu terminar de arrumar as minhas coisas – avisei – Quero sair dessa casa o mais rápido possível.

Por sorte só tive que arrumar as minhas coisas, já que as de Mila ainda estavam na mala. Quando saímos de dentro do quarto, Damon estava ali parado, provavelmente esperando por nós.

– Lena, será que eu posso falar com você? — pediu.

Já estava esperando por isso, afinal, ele não tinha falado nada sobre a confusão lá em baixo e precisava tomar um partido. Respiro fundo e me preparo para encarar qualquer decisão que ele possa tomar.

– Claro! — concordo, por fim.

– Vem, Mila, vamos esperar a sua mãe lá embaixo – Caroline segurou a mão da minha filha – Vamos também, Stefan?

– Sim! — afirmou – E não se preocupe, Lena, Vou descer a sua mala para você, imagino que ela esteja um pouco pesada para você descer as escadas.

Sorri para eles e esperei que eles estivessem bem longe antes de me virar novamente para o Damon. Ele passou a mão nervosamente pelo cabelo.

– Isso não é muito fácil de falar – ficou encarando os próprios pés – Não sei se você já está preparada para isso, mas...

– Tudo bem, Damon, eu entendo – o interrompi – Quero dizer, eu não entendo exatamente, mas se você quer ficar do lado dos seus pais novamente em vez de ficar comigo e com a Mila, essa é uma escolha sua. Mas quero que saiba que não te darei uma terceira chance quando se você se arrepender um dia.

– Espera, Lena, não é nada disso – continuou – Não pensei em dizer isso, em momento algum. Queria te convidar para que você e a Mila fiquem comigo lá no haras.

Abri e fechei a boca várias vezes querendo dizer alguma coisa, mas o som simplesmente não saia. Não podia acreditar que ele estava mesmo fazendo esse convite, depois de tantos anos... isso está mesmo acontecendo.

– Você está mesmo falando sério? — consegui perguntar, por fim.

– Nunca falei tão sério em toda a minha vida – passou a mão pelo meu rosto – Sei que depois do casamento do meu irmão você vai precisar voltar para Phoenix, mas enquanto estiver aqui, quero que você fique lá comigo.

Para falar a verdade eu ainda não tinha parado para pensar nesse detalhe. Vai ser estranho voltar para Phoenix depois de tudo que aconteceu, mas é claro que eu vou precisar fazer isso, afinal eu tenho a minha faculdade, o estágio e a escola da Mila. Acho melhor pensar nisso mais para frente.

– E então, Lena – insistiu – Você não vai responder? Aceita ficar lá no haras comigo ou não?

– Eu aceito! — respondi.

Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, Damon me abraçou com tanta força que eu levantei do chão e ele começou a me rodar.

– Damon... — o chamei – Desse jeito eu vou ficar enjoada.

– Desculpa! — me colocou de pé, totalmente sem graça – É que eu fiquei tão feliz de saber que você aceitou morar comigo.

– Só tem uma coisa – continuei – A casa do haras está totalmente vazia, só tem um sofá na sala e uma cama de casal em um dos quartos. Não podemos ficar lá nessas condições, não é mesmo?

– Mas é claro que não, e eu já pensei nisso – afirmou – Hoje, não tem jeito, vamos ter que nos virar com a casa do jeito que está. E amanhã saímos para comprar as coisas, quero que você participe de tudo na decoração da casa.

– Vou adorar fazer isso – garanti – Agora vamos lá para baixo. Precisamos avisar a mudança de planos para a Mila.

– Também queria falar com você sobre isso – segurou a minha mão – Já concordamos que eu vou assumir a Mila como minha filha, mas não acha que é melhor contarmos a verdade antes disso?

Tudo que eu queria era que minha filha soubesse da verdade, que o seu pai era o Damon, não o Jace. E finalmente chegou o momento de fazer isso.

– Tem razão – afirmei – Mas podemos fazer isso quando estivermos lá no haras? Com calma, somente nós dois.

– Claro, não poderia pensar em algo diferente – deu um beijo no topo da minha cabeça – Ainda não acredito que vamos morar juntos, parece um sonho se tornando realidade. Eu te amo tanto, Elena Gilbert.

– Eu também te amo, Damon Salvatore – aproximou-se de mim e me deu um selinho.

Quando chegamos ao andar de baixo de casa, a senhora Salvatore não estava mais lá, provavelmente tinha ido para o seu quarto ou saído de casa. Stefan e Caroline estavam conversando alguma coisa bem divertida com a Mila, que ria sem parar.

– Aqui estamos nós – disse, fazendo com que os três virassem na nossa direção.

– Finalmente! — Car deu um longo suspiro – O Stefan já colocou as coisas de vocês no carro, acho que já podemos ir, não é mesmo?

– Na verdade, Stefan, será que você pode tirar as coisas do carro novamente? — pedi – Damon convidou a Mila e eu para ficarmos no haras.

– Sério? — minha filha abriu um enorme sorriso – Mas que legal!

– Bom, você sabe que ia ficar muito feliz de te ter lá em casa, não é mesmo? — continuou – Mas já que você prefere assim, não vou fazer nenhuma objeção.

Claro que ela não ia fazer objeção, está rezando para que eu me acerte com o Damon.

– Obrigada por me entender, Car! — sorri.

– Pode ficar tranquila que eu vou cuidar muito bem da sua amiga, cunhadinha – me abraçou por trás e deu um beijo na minha bochecha – Aliás, vou cuidar da sua afilhadinha também.

– Acho bom mesmo – fingiu uma ameaça.

– E Mila, nós precisamos ter uma conversa quando chegarmos lá no haras – avisei – Tudo bem?

– Tudo bem! — ela ficou um pouco desconfiada, mas acabou concordando.

Menos de meia hora já tínhamos passado a minha mala e a da Mila para o carro de Damon e logo estávamos passando pelo portão da mansão Salvatore em direção ao haras. A minha nova vida estava prestes a começar ao lado da minha filha e do homem que eu amo, e tenho grandes expectativas quanto a isso.

Carmélia

– Prontinho, já pedi o nosso jantar – coloquei o telefone na base e me joguei no sofá ao lado da minha irmã – Sushi e sashimi, daquele restaurante que você ama.

– Oba! — disse – Já disse o quanto eu adoro vir aqui te visitar?

– Você é uma puxa saco, isso sim – comecei a fazer cosquinhas na sua barriga, como fazia quando ela era pequena e Katherine começou a se contorcer enquanto ria – Na verdade, eu é quem tenho que agradecer por você ter aceitado ficado comigo hoje à noite.

Quando chegamos em casa depois de ir buscar o Damon no haras, decidi que o almoço de hoje com os meus pais seria para contar a eles toda a verdade sobre o nosso namoro, afinal, com toda a história da Elena e da Mila vindo à tona, já está mais do que na hora de fazer isso. Pedi que ele não estivesse presente, pois tinha que fazer isso sozinha e, meu agora ex-namorado, aceitou isso numa boa.

É claro que não posso dizer a mesma coisa dos meus pais, eles estavam vendo o meu possível casamento com o Damon como um contrato de sociedade com os Salvatore e eu meio que destruí isso, já que não tem outra maneira de realizar esse casamento, pois Stefan já vai se casar e Kath é muito novinha ainda. Sei que os dois vão acabar chegando a razão e entender o meu lado, mas acho melhor eu dar um tempo para eles.

– Por favor, Carm, você é minha irmã mais velha e percebi que estava muito precisando de companhia – continuou – Vou estar ao seu lado sempre, pode ficar tranquila.

– Ainda bem que você não ficou com raiva de mim por terminar com o Damon – falei – Afinal, você sempre gostou muito dele e coisa e tal.

– Não vou mentir, fiquei muito chateada, por que agora que você e o Damon não estão mais juntos ele não vai mais me levar ao haras – se fingiu de brava.

– Uau, muito obrigada, Kath – também entrei na brincadeira dela – Quer dizer que não tinha problema eu ficar em um namoro de fachada para que o Damon te levasse ao haras sempre.

– Mas é claro que não, Carm, a sua felicidade é muito importante – garantiu – E, para ser sincera, já estava mais do que na hora de você fazer isso.

– Como assim? — a olhei confusa.

– Você e o Damon fingiam para os nossos pais e para os Salvatore que vocês eram um lindo casal, feliz e apaixonado – revirou os olhos – Sempre soube que não era assim na verdade.

– Sério? – agora eu fiquei surpresa, sempre achei que estivéssemos convencendo com o nosso falso namoro.

– Pode ficar tranquila que o papai e a mamãe não perceberam – respondeu – Percebia que vocês dois se davam bem e tudo mais, mas isso não era amor.

– Você tem razão – afirmei com a cabeça – Eu tive sorte pelo namorado que os nossos pais arranjaram para mim ter sido um cara tão compreensivo quanto o Damon e que não queria estar nessa situação tanto quanto eu, mas que aceitou fingir que estava.

– Não que eu concorde que fingir fosse o melhor – minha irmã comentou – Mas foi o melhor no momento, tenho certeza de que nenhum deles iria mudar de ideia sobre esse namoro.

– Kath, me faça um favor – pedi – Daqui a pouco você vai fazer dezoito anos, não deixe que o papai e a mamãe tentem arranjar um namorado para você. Seja feliz com quem você escolher e com quem você ame.

– Pode deixar que é o que vou fazer – garantiu – Mas e quanto a você? O que vai fazer agora?

– Curtir a minha vida de solteira até que eu encontre alguém com quem eu queira ficar – dei de ombros – Não estou com a menor pressa mesmo.

– É assim que se fala, irmãzinha! — concordou.

Kath deitou a cabeça no meu colo e ficamos assistindo televisão até a hora do nosso jantar chegar.

Caroline

Chegamos a casa dos meus pais e avisei que eu e Stefan iríamos ficar ali por um tempo. Nem preciso dizer que minha mãe adorou a notícia e disse que somos mais do que bem vindos na casa.

Depois de um lanche reforçado que minha mãe nos fez tomar, fomos para o meu quarto.

– O que aconteceu, Stef? — perguntei para o meu noivo, que estava calado desde a hora que saímos da casa dele.

– Só estava aqui pensando – explicou – Não entendo por que meus pais tem tanto preconceito com o fato do Damon ter tido uma filha com a Elena. Qual o problema que eles veem nisso?

Não digo nada, para falar a verdade eu também não entendo isso. Tudo que me resta fazer é apoiar a minha amiga em tudo que ela precisa contra esse preconceito.

– A Mila é uma criança adorável, todos que a conhecem a adoram – deu um sorriso bobo e não pude deixar de repetir o seu gesto – Tenho certeza de que se os meus pais dessem uma oportunidade de conhecer a neta, se encantariam com ela. – Passei a mão pelo seu cabelo tentando confortá-lo.

– Se fosse uma pessoa qualquer, tudo bem – continuou – Quero dizer, eu não apoiaria, de qualquer maneira, mas faria mais sentido. Só que é a Lena, filha dos Gilbert, que trabalharam para os meus pais durante anos. Acho que isso é mais do que motivo para saber que eles não são golpistas.

– Não acho que eles realmente pensem que os Gilbert sejam golpistas – afirmei – Acho que é mais por orgulho. Eles não admitem que alguém que trabalhava para eles entre na família.

– Faz sentido – concordou – Sabe, às vezes eu tenho inveja deles.

– Como assim? — quem ouvisse de fora poderia até achar irônico, o garoto que tinha tudo com inveja dos filhos dos empregados.

– Sim, eu tenho um pouco de inveja dos Gilbert, no geral – deu de ombros – Passei dezesseis anos da minha vida vendo, todos os dias, como eles sempre foram carinhosos com a Lena e com o Jeremy, sempre querendo saber como eles estão, as notas da escola e tudo mais.

– Coisa que você nunca teve com os seus pais – completei a frase dele.

– Meu pai estava sempre mais preocupado com a empresa do que com a família, só lembrava de mim e do Damon quando pensava se iríamos cuidar bem de tudo quando ele se aposentasse – revirou os olhos – E minha mãe, sempre preocupada com o status social ou planejando algum jantar. Ela nunca viu um caderno meu da escola ou perguntou alguma nota de prova e quando eu estava doente, deixava a Miranda tomando conta de mim.

– Sinto muito por isso, meu amor – dei um beijo no seu rosto – Imagino como isso tudo deve ter sido difícil para você.

– Por isso é no Grayson e na Miranda que eu vou me espelhar e não nos meus pais – continuou – Quando tivermos os nossos filhos, quero participar ativamente da vida deles.

– Filhos? — fiquei espantada por ele estar se referindo a “filhos” no plural.

– Sim, pelo menos três – afirmou – Por mim teríamos o primeiro agora mesmo, mas acho melhor estarmos casados e formados quando isso acontecer, não é mesmo?

Não pude deixar de pensar no bebê que eu posso estar carregando. Certamente é um alívio saber que Stefan não vai ficar com raiva se eu estiver grávida, mesmo assim acho melhor não contar nada no momento, é melhor confirmar com um exame antes de criar falsas esperanças.

– Você podia ter me consultado sobre quantos filhos vamos ter – disse – Mas acho que três é um número razoável.

– Quero que nosso primeiro bebê seja uma menina – avisou – Espero que ela seja um pouco parecida com a Mila.

– Bom, não posso prometer se será um menino ou uma menina – dei de ombros – Mas garanto que ele ou ela será muito amado quando chegar à nossa família.

– Isso pode ter toda certeza – me deu mais um selinho.

Damon

Paro o carro em frente a casa do haras e o senhor Penhallow logo vem me ajudar a abrir a porta.

– Boa noite, senhor Salvatore – me cumprimentou – Não estávamos esperando o senhor novamente aqui hoje.

– Foi uma vinda não planejada – expliquei – E vamos ficar aqui por um bom tempo, na verdade.

– Mas que maravilha – respondeu, animado – Jia está na cozinha, por que não vão até lá?

– Vamos sim! — concordei.

– Mamãe, eu posso ir ver os cavalinhos? – Mila perguntou.

– Hoje não, minha filha – passou a mão pelo seu cabelinho – Já está tarde e já escureceu. Quem sabe amanhã?

– Sério? — quis saber.

– Se você quiser pode até montar em um dos cavalos – disse – Isso se a sua mãe deixar, é claro.

– Se você prometer ficar de olho nela, não vejo por que não – deu de ombros.

Retirei as malas de dentro do carro e levei para dentro da casa, as minhas coisas ainda estavam na casa em que eu morava junto com Carmélia, mas amanhã eu passo lá para buscar. A senhora Penhallow apareceu na porta quando já estava tudo lá.

– Então quer dizer que vocês vão ficar por aqui? – comentou – Mas isso é ótimo, é bom ter alguém diferente no haras, para variar.

– Nós vamos ficar aqui até o casamento da tia Car e do tio Stef? — minha filha quis saber – Vai ser bem divertido.

– Com toda certeza – dei um beijo no seu rosto.

– Vou preparar um café da manhã especial para vocês amanhã – a senhora Penhallow avisou – Pensei em panquecas, mas se vocês quiserem algo especial.

– Bolo de chocolate! — Mila respondeu sem pensar duas vezes.

– Ludmila – Elena a reprimiu – A senhora Penhallow está sendo educada, mas não é para você dar trabalho para ela.

– Ora, Lena, não tem problema – avisei – Jia, por favor, faça as panquecas e o bolo de chocolate para a Mila.

– Está bem – afirmou – E não se preocupe, senhorita Gilbert, não será trabalho nenhum.

Quando ela saiu fiquei encarando Elena por algum tempo, ainda não conseguia acreditar que ela e minha filha estão aqui, ainda me parece algo totalmente surreal.

– O meu pai vai vir para cá também? — a pergunta de Mila fez com que meu sorriso murchasse.

– Não, filha, o Jace não vem para cá – deu uma rápida olhada em mim como se me pedisse desculpas – Mila, você se lembra que disse que precisávamos conversar quando chegássemos aqui? Pois chegou agora.

– Fiz alguma coisa errada? — ficou totalmente receosa.

– Não, princesinha, você não fez nada de errado – Elena me olhou mais uma vez – Damon, você quer falar alguma coisa?

– Acho melhor você explicar tudo – coloquei a mão sobre o seu ombro – Vai saber fazer isso melhor.

– Certo! — deu um longo suspiro e passou a mão pelo cabelo – Mila, lembra quando eu te contei que o seu avô Stephen e sua avó Amatis não são pais de verdade do seu pai? — ela balançou a cabeça afirmativamente – Isso acontece algumas vezes, quando os pais de verdade não podem cuidar das crianças eles as colocam para a adoção e os pais adotivos as amam com todo o carinho que precisam. Você está entendendo?

– Acho que sim – deu de ombros – Mas o que isso tem a ver comigo?

– Quando eu soube que você ia nascer eu fiquei muito feliz, mas eu não tinha o seu pai ao meu lado para me ajudar a te criar – explicou, eu fiquei encarando os meus pés – Então o Jace se ofereceu para te criar como se fosse filha dele.

– Quer dizer que o meu pai não é meu papai de verdade? — pude ver algumas lágrimas se formando em seus olhos e isso me cortou o coração.

– Não, princesinha, ele não é seu pai biológico – ficou passando a mão no seu cabelo enquanto falava – Seu pai, na verdade, é o Damon.

Foi a primeira vez que Mila me olhou desde que a conversa começou. Não sei o que estava passando pela cabeça da minha filha, muito menos que estava pensando a respeito disso.

– Se você é o meu pai – começou – Porque você abandonou a minha mãe antes mesmo de eu nascer?

Passei a mão nervosamente pelo cabelo. Sabia que existia uma grande possibilidade de eu precisar responder essa pergunta, uma das consequências dos meus atos de seis anos atrás.

– Aconteceram algumas coisas que eu não vou poder te explicar – me ajoelhei para ficar na altura dela – Mas só quero que você saiba que eu te amei no momento em que soube que você existia e agora quero recuperar o tempo perdido, com vocês duas. – Segurei a mãozinha dela e fiquei fazendo movimentos circulares com o polegar.

– Quero assumir a sua paternidade, colocar o meu nome na sua certidão de nascimento – expliquei – E você passará a se chamar Ludmila Gilbert Salvatore, o que acha?

– Ludmila Gilbert Salvatore, gostei – sorri – Mas e o meu papai, Jace? Nunca mais vou vê-lo?

Se dependesse de mim nunca mais. Mas é claro que não posso dizer isso. Apesar de tudo, tenho que agradecer ao Heroína por cuidar da minha filha todos esses anos e ele sempre terá um lugar importante na vida dela.

– Claro que você vai vê-lo, Mila – Elena garantiu – Ele pode não ser seu pai biológico, mas ainda é seu pai de coração.

– Igual ao vovô Stephen com o papai, não é? — afirmou com a cabeça – Isso significa que agora eu tenho dois papais?

– Exatamente! — afirmei – E eu estou muito feliz por ser um desses papais – sorri – Será que eu mereço um abraço seu?

– Claro, pai! — ouvir Mila me chamando de pai é, certamente, uma das coisas mais emocionantes da minha vida.

Ela veio até mim e eu a abracei como tinha feito hoje de manhã, só que dessa vez com um significado todo especial.

Notas finais
Bom gente, Agora a Mila já sabe a verdade sobre o Damon ser o pai dela. O que acharam da cena? Fiquem ligadas pois ainda tem bastante coisa para acontecer na história. *** Comentem e digam o que estão achando. Recomendações?