Past Dreams
15 Capítulo 13 - Running Away
Notas iniciais
Damon
Passei seis anos imaginando esse momento, o dia em que eu, enfim, reencontraria Elena. Pensei nas milhares de coisas que queria falar para ela e todos os pedidos de desculpa que não sei se seriam o suficiente, mas agora que estamos ali, um na frente do outro, não consigo fazer nada, nem mesmo sair do lugar.
E, é claro, minha filha estava lá também, no colo de Caroline. Parecia totalmente animada e antes de me aproximar ouvi um comentário a respeito de piscina. De repente eu me vi voltando no tempo, para pouco mais de cinco anos atrás, quando eu soube que aquela garotinha tinha nascido.
*Flashback*
Sinceramente, não sei o que eu estava fazendo, não tinha nada mais que me prendia àquele local; eu já me formei, Stefan está estudando na Inglaterra e Elena..., bom, não sei onde ela está, mas não é aqui em Atlanta. De qualquer maneira eu estou aqui encostado no carro que estava estacionado em frente à Academia Idris, o sinal do fim da aula tinha acabado de tocar e não demora muito para os alunos começarem a sair de dentro do prédio.
Depois de alguns minutos eu a vejo, Caroline Forbes, a melhor amiga da minha ex-namorada, ela está acompanhada de mais duas garotas que eu lembro de já ter sido apresentado, mas não recordo do nome. Ela se despediu das amigas e atendeu o telefone, que devia estar tocando, foi então que eu me aproximei.
– Que bom, Jace, fico muito feliz que tenha dado tudo certo – foi nesse momento que ela se virou e percebeu que eu estava ali – Mande um beijo para Elena e para minha afilhada, vou até aí assim que puder.
Guardou o celular novamente e cruzou os braços, sem deixar de me encarar.
– Oi, Caroline! — disse, por fim — Sei que deve estar imaginando o que eu estou fazendo aqui, é que eu queria saber se você tinha alguma novidade sobre a Elena e o bebê. E já vi que tem, pois estava falando com o Heroína no telefone.
– Sim, eu estava mesmo – afirmou – Na realidade, eu falo com ele ou com a Elena, pelo menos uma vez por semana. Ela continua sendo minha melhor amiga, mesmo estando longe.
Fiquei olhando para os meus próprios pés, queria fazer milhares de perguntas, mas tenho certeza de que ela não irá me responder nada.
– A Mila nasceu, ontem no final da tarde – continuou.
Abri e fechei a boca várias vezes, mas não saiu som algum, eu sou, oficialmente, pai... Ontem eu estava mesmo pensando muito na Lena e querendo saber se nossa filha tinha nascido, por isso vim aqui procurar Caroline hoje, agora eu sei exatamente porque.
– Nasceu? — consegui dizer, por fim, embora tenha saído em um tom de pergunta — E como é que ela está?
– Pelo que o Jace falou foi um parto complicado e precisaram fazer uma cesariana – deu de ombros – Mas está tudo bem, tanto com a Lena quanto com o bebê.
Não pude deixar de ficar aliviado, mas, ao mesmo tempo, triste. Queria estar lá com elas, segurando a mão de Elena enquanto ela sentia as contrações, eu deveria fazer isso, não o Heroína.
– Queria muito conhecer a minha filha – digo, por fim – Mila... — qual será o verdadeiro nome dela? Talvez seja uma coisa que eu nunca venha a descobrir.
– Infelizmente não tem como você fazer isso, Damon – lembrou – A Elena não quer te ver perto dela, muito menos da filha.
– Eu tenho esse direito – elevei um pouco o tom da minha voz, sempre acabava de exaltando quando o assunto era esse – Sou o pai dela.
– Não, você não é – balançou a cabeça negativamente – O pai dela é o Jace, é isso que todo mundo pensa e vai continuar pensando – aquilo era como um banho de água fria para mim.
– Pelo menos me diz aonde é que eles estão morando? — já fazia meses que eu tentava descobrir isso. Sei que meus pais sabem, pois eles mandaram referencias dos pais de Elena para os novos empregadores, mas guardam esse segredo a sete chaves para que eu não descubra; Stefan nunca vai me dizer e acho que Caroline também não.
– Mesmo que eu quisesse, não estou autorizada a te contar – respondeu – Tenho certeza de que você correria para lá no momento que eu falasse.
Passei a mão pelo cabelo, ela não estava totalmente errada, faria isso mesmo.
– Só estou te contando sobre a Mila porque acho que você tem o direito de saber – completou – Mas, por favor, não insista de querer saber mais nada.
Ela se afastou e foi na direção do estacionamento dos alunos. Ainda fiquei ali por mais algum tempo tentando assimilar toda aquela conversa, preciso admitir que perdi Elena para sempre, mas meu coração não admite isso.
*Fim do Flashback*
– Damon... — Carmélia me chamou, sua voz me tirou totalmente dos meus devaneios – Acho melhor descermos, você não quer ficar parado o resto do dia, não é mesmo?
Foi nesse momento que eu percebi continuava parado no alto da escada como um completo idiota. Então eu desci rapidamente, parando em frente a Lena.
– Olá, Elena – disse, por fim – Quanto tempo que a gente não se vê, não é mesmo?
– Com certeza – afirmou com a cabeça e cruzou os braços – Parece que faz uma eternidade desde a última vez que nos vimos.
– Quem é ele, mamãe? — me virei a tempo de ver Mila, seus olhinhos castanhos totalmente curiosos. Tenho que admitir uma coisa, minha filha continuava tão linda quanto naquela foto.
– Eu sou o irmão mais velho do Stefan – fui eu quem respondeu – Ninguém nunca te falou sobre mim? – ela balançou a cabeça negativamente – Mas eu já ouvi falar de você e, se quer saber, eu estou muito feliz de, finalmente, te conhecer.
– Mila, minha princesinha, o que acha de irmos lá para fora? – o Heroína a retirou do colo da minha cunhada – Sei que você não pode ir para a piscina, mas pelo menos você pode ficar no sol.
– Tudo bem, papai – concordou com a cabeça – Tchau, moço – acenou para mim enquanto os dois saíam.
Sentia um aperto no coração ao ouvi-la chamar o Heroína de “pai” e a mim apenas de “moço”. Eu era um completo desconhecido para a minha própria filha.
– Espera, Jace, eu vou junto com você – meu irmão apenas me olhou de cima a baixo e caminhou em direção a porta, sem nem ao menos me dirigir uma palavra.
Agora na sala estávamos apenas eu, Elena, Carmélia e Caroline. O silêncio se instalou entre nós e desconfio que era capaz de cortar a tensão que tinha ficado no local com uma tesoura.
– Mas que cabeça minha, eu esqueci de fazer as apresentações – foi Caroline quem falou – Lena, essa é a Carmélia, a namorada do Damon. Você me disse mais cedo que se lembrava dela, não é mesmo?
Então elas tinha conversado sobre a Carm hoje, será que era um sinal de que estavam falando de mim também? Queria muito saber qual foi o assunto.
– Claro que eu me lembro de você, Elena – Carmélia apertou a mão dela – Mas você era bem mais nova naquela época.
– É bom te rever também, Carmélia – deu um fraco sorriso, retribuindo o cumprimento.
– Acho que eu vou subir – avisei.
– Pensei que nós fossemos ficar na piscina junto com os outros – minha namorada falou – Sei que eu não conheço ninguém aqui além do seu irmão e da Caroline, mas vai ser legal ficar conversando.
– Se quiser pode ficar – dei de ombros – É que eu esqueci de arrumar uma coisa lá em cima.
Sem nem ao menos ouvir qualquer resposta de alguma delas, voltei a subir as escadas. Assim que cheguei ao meu quarto eu tranquei a porta, não queria ser interrompido por ninguém, nem mesmo pela Carmélia.
Sei que não adianta nada ficar aqui sozinho e não posso fazer isso por quatro meses até o casamento do meu irmão. Tudo que eu sei no momento é que não aguento ver a minha Lena e a nossa filha felizes ao lado do Heroína e se divertindo com os amigos enquanto eu estou tão infeliz.
Elena
– Já que é assim, vamos logo lá para fora – Caroline comentou quando o moreno desapareceu no andar de cima da casa.
Foi um grande choque ver Damon assim que voltei junto com Jace e Mila, acho que não estava esperando por isso. Mas eu preciso me fazer de forte, não posso fraquejar na frente dele.
– Lena? — minha amiga me chamou, mais uma vez – Vamos até lá?
– Claro que sim, devem estar todos nos esperando mesmo – afirmei com a cabeça – Carmélia, você vem conosco?
– Vou sim – respondeu antes de nos seguir – Tenho certeza de que Damon quer ficar sozinho nesse momento, então nem adianta ir tentar falar nada.
Achei aquele comentário muito estranho, afinal, ele mesmo tinha dito que tinha apenas esquecido alguma coisa no quarto, mas Carmélia não age como se ele fosse voltar logo. A namorada dele parece saber que o Damon ficou abalado por ter me visto e isso não é exatamente normal.
– Então vamos – Caroline colocou um braço em volta do meu ombro – Está fazendo um dia lindo e não podemos desperdiçar ficando aqui, não é mesmo?
Todos estavam ali conversando, rindo e se divertindo, até mesmo Mila parecia animada, Jace deixou que ela colocasse os dois pés na piscina. Nós nos aproximamos e eu sentei ao lado do meu noivo.
– Lena, você sabia que a Izzy está namorando o Simon Lewis? — Jace comentou comigo logo em seguida – Você lembra, não é?
Claro que eu me lembrava de Simon Lewis, ele estudou conosco na Academia Idris, era um garoto calado com uma banda que cada vez que fazia um “show” tinha um nome diferente. Simon estava sempre dando em cima da Isabelle e tentando impressioná-la, mas ela nunca ligou para isso, não parecia ser o seu tipo, mas, pelo visto, eu estava enganada.
– Mas que legal Izzy! — disse, por fim – Por que ele não está aqui com você?
– O Simon não pode se afastar de casa, ele tem que ficar tomando conta da mãe – explicou – Além disso, o convite foi mais para os padrinhos.
– Ah sim! Entendo! — completei antes de falar com a minha melhor amiga – Falando nisso, Car, quem serão os casais de padrinhos?
– Nós escolhemos apenas três casais – respondeu – Você e o Jace, A Izzy e o Alec e a Clary e o Damon.
– Então quer dizer que a Carmélia não será madrinha? — olhei para os noivos repetidas vezes, totalmente confusa – Stef, você não chamou a namorada do seu irmão para ser madrinha?
– Até pensamos em escolher uma outra pessoa para fazer par com a Clary e deixar o Damon e a Carmélia, mas ela não quis – deu de ombros.
– Não faço questão, é sério – garantiu, tinha vários motivos para não gostar daquela garota, mas tenho que admitir que ela é um amor.
– Agora voltando ao assunto anterior – meu noivo continuou – E você, Clary, está namorando?
– Na verdade não – seu rosto ficou tão vermelho quanto o seu cabelo nesse momento – Estou totalmente solteira.
Clary Fray também é um grande mistério para mim. Ela é prima em primeiro grau do Jace, seu pai é irmão da mãe dele, mas eu sempre achei que ela tivesse uma quedinha pelo meu futuro marido, não sei se ele nunca percebeu ou apenas finge ser desligado.
– Já que você está perguntando sobre a vida sentimental de todos – Izzy colocou as mão sobre o ombro do irmão – O Alec está namorando.
– Izzy! — a repreendeu, como se não fosse para nós sabermos sobre isso.
– Ora, Alec, deixa de ser bobo – fez uma careta – É verdade, ele está feliz e totalmente apaixonado.
– Isso é mesmo ótimo – Jace concordou – Quero conhecê-la enquanto ainda estiver aqui em Atlanta.
– Pode deixar, farei as devidas apresentações no dia do jantar de ensaio – garantiu.
Aquela estava sendo uma tarde muito divertida, ficamos horas ali conversando e colocando o papo em dia. Quando percebemos, já estava começando a escurecer.
– Meu filho, vocês ainda estão aqui – uma voz totalmente conhecida veio da porta que levava a sala, quando eu me verei, lá estava a senhora Salvatore – Vocês não estão cansados?
– É bastante conversa para colocar em dia, mãe – lembrou – Já faz mais de seis anos que não estamos todos reunidos, precisamos aproveitar.
Ela deu uma olhada no ambiente. Seu olhar parou, primeiro em mim, depois em Mila, mas não fez nenhum comentário.
– Onde está o seu irmão? — perguntou, por fim.
– Ele foi deitar, Edna – foi Carmélia quem disse – Estava com um pouco de dor de cabeça e preferiu ficar descansando.
– Entendo – deu um longo suspiro – Stef, querido, vou sair para jantar com o seu pai, por favor, não quebre a casa enquanto estivermos fora.
– Pode ficar tranquila – garantiu.
Ela ainda me deu uma última olhada antes de voltar para dentro da casa. Sabia que os pais de Damon e Stefan não estão nem um pouco felizes por eu estar aqui, agora eu tenho certeza disso.
Ainda ficamos mais meia hora na piscina antes de irmos, cada uma para o seu quarto. Mila foi tomar banho no meu banheiro, por sorte, Jace lembrou de levar um muda de roupa para ela.
– Você está bem? — ficou massageando o meu ombro – Você teve um dia bem estressante hoje.
– Surpresa é a palavra – admiti – Sei que uma hora teria que ver algum deles, só não esperava ter que fazer isso tão cedo.
– Sei disso, meu amor – deu um beijo na minha testa – Sabe que eu estou aqui para te proteger, não é mesmo?
– Claro que sei – balancei a cabeça afirmativamente – Será que vocês podem dormir aqui comigo hoje?
– Mas é claro – respondeu na mesma hora.
– Obrigada! — sorri, foi nesse momento que ouvi o barulho do chuveiro desligando – Acho melhor ir ajudar a Mila ou ela vai transformar o banheiro em uma piscina.
Sequei a minha filha e coloquei a outra roupa nela. Depois disso pedi que Jace ficasse um pouco com ela, pois eu precisava andar um pouco, meus passos me levaram até a biblioteca, esse lugar sempre me ajudou a relaxar.
Peguei um livro qualquer na estante e sentei na poltrona, o colocando sobre o meu colo. Já estava totalmente distraída quando ouvi o barulho da maçaneta girando.
– Precisamos conversar, Elena – quando eu olho para frente, lá estava Damon — Perdoe-me. – ele se desculpa por ter me assustado, apesar de eu ter tentado não demonstrar surpresa.
– Conversar o quê, Damon? — meu tom de voz era baixo e, surpreendentemente calmo — Sobre a filha que você tem e nunca se interessou em assumir? Não vai conseguir nada comigo. A menina ingênua que você conheceu não existe mais. Eu amadureci. Estou mais velha e mais sábia agora. Não vou me permitir cair novamente na sua lábia. Eu te amei e o que você fez? Me abando...
Ele se aproxima mais e me beija ferozmente, interrompendo a minha frase no meio. Aquilo me pegou totalmente de surpresa. A sensação dos lábios dele nos meus é maravilhosa, exatamente como eu me lembrava, por um segundo eu quase me entreguei àquele momento, mas eu não podia, não depois de tudo que Damon me fez.
– Damon, não! — usei toda a força que eu tinha para empurrá-lo e dar um tapa em cheio no seu rosto.
– Elena, por favor! Me dê uma chance. Eu sei que errei, mas posso consertar! — implora, estava esperando pelo momento que ele ia se ajoelhar aos meus pés. Faltou bem pouco para isso.
Eu lhe encaro com um sorriso irônico e um olhar de desprezo, infelizmente não consigo evitar que as lágrimas inundem os meus olhos, aquelas lembranças estão vivas na minha mente há seis anos, agora mais do que nunca. Olhei para baixo e comecei a rir.
– Você... você realmente acha que sua filha de cinco anos vai aceitar migalhas de alguém que ela nem conhece? Ela não precisa de você, Damon. O Jace tem feito muito bem a nós duas por todo esse tempo. Ele me dá tudo o que eu preciso. Age como pai da Mila. Aposto que você nem sequer sabe o nome dela, não é? – ele balança a cabeça negativamente em resposta à minha pergunta. Aquilo tudo estava preso na minha garganta todo esse tempo e era bom poder desabafar — Você NUNCA será o que ela precisa, Damon. NUNCA.
Viro-me de costas para sair de dentro do aposento, espero que tenha conseguido fazer isso rápido o suficiente para ele não ver a lágrima silenciosa que escorre pelo meu rosto. Não quero ir para o meu quarto ainda, vou ter que explicar para o Jace o porquê de estar assim e não quero, não agora.
Vou então para o lado de fora, que agora está totalmente vazio, é incrível como esse lugar continua tendo o poder de me acalmar. Era para cá que eu vinha quando precisava pensar um pouco sozinha, quando eu ainda morava nessa casa. Sentei em um banco de plástico próximo à piscina e fiquei olhando para a água, que se movimentava um pouco por causa do vento, involuntariamente eu levei uma das mãos até os lábios, não queria pensar naquele beijo, mas era impossível.
Será uma longa estada em Atlanta...
Fale com o autor