Past And Future
13 XIII - Just a Lonely Girl
Notas iniciais
Enfim
Estamos cada vez mais próximos do fim da fic '-' Engraçado que, sempre que me dou conta disso, as palavras acabam sumindo... Ô vida ç.ç
Well, para acompanhar esse cap, tenho três recomendações. Primeira, para aqueles que gostam de músicas agitadas, Hanging On By A Thread, de The Letter Black(http://www.youtube.com/watch?v=-zigHL2kw_M). Segunda, para os que apreciam uma música mais calma, This Broken Soul, de Rebecca Kneubuhl(http://www.youtube.com/watch?v=4v6FFa55f7M). Terceira: Bem, essa é mais para a parte final do cap '-' My Last Breath, Evanescence(http://www.youtube.com/watch?v=HCI99p02ayU) -quase-gêmeo feliz agora xDD-
Boa leitura e aproveitem o cap ^^
-Assim como nós. – repetiu, em um sussurro
Depois de dizer isso, tudo pareceu ficar estático. O silêncio se instalou, enquanto só havia enfrentamento no olhar. Porém, este terminou em alguns segundos, com o choque do ataque de ambos. Uma luta feroz se desencadeara. Eram rápidos, tinham golpes precisos, e, principalmente, conheciam muito bem um ao outro. Realizavam ataques e defesas parecidas, o que dificultava bastante tentar adivinhar qual ganharia. Porém, o loiro tinha uma arma que ela não tinha. Quando percebeu que estava ficando cansado, em parte devido a ela obrigá-lo a usar muita magia, decidiu que era o momento para começar a colocar sua ideia em prática.
-Então, Brendah... – começou, quando ambos tinham recuado de mais uma série de ataques – Realizou seu maior sonho?
A ruiva o olhou confusa, sem entender onde ele queria chegar. E, como fora um comentário que ela não esperava, sua mente lhe trouxe a memória de quando falara sobre isso para ele, sem que lhe desse esse comando ou sequer quisesse.
Ambos tinham acabado de sair do primeiro dia de aula daquele ano. Em vez de voltarem para casa, como o amigo fizera, decidiram ir para a torre do relógio. Brendah sentou-se, observando o eterno crepúsculo, enquanto, só para variar, Lukas ficou de pé, perigosamente perto da beirada.
-Já disse que me dá nervoso quando você fica quase caindo assim? – indagou ela, evitando olhá-lo
-Já disse que é por isso mesmo que faço? – replicou, com um sorriso – Fica tranquila, não vou cair tão fácil.
A garota não pareceu muito convencida, então o loiro rapidamente sentou-se ao lado dela.
-Dá pra acreditar no dever de casa que a professora de português passou? – reclamou ele – Eu estava esperando uma redação sobre as férias, não sobre meu maior sonho.
-E qual o problema nisso? – a ruiva perguntou, sem entender
-Eu sou só uma criança de 8 anos! – protestou ele – Não tenho como saber qual dos meus sonhos é o meu maior.
-Não seja por isso, Lukas. – rebateu ela – Eu sei qual é o meu.
-Jura? – ele quis confirmar – E qual é?
-Um lar. – contou Brendah – Um lugar que, quando eu voltasse, estivesse alguém me esperando. Alguém que me traria a sensação de segurança e carinho, e tiraria essa sensação de que algo falta.
-Você... está falando sobre seus pais? – perguntou, tentando entender o que a garota sentia
-Não sei ao certo. – respondeu ela – Sabe, quando estou perto de você, essa sensação não me incomoda tanto.
-Então não vou mais sair de perto de você. – ele disse animadamente, puxando-a para um abraço – Assim você não sentirá mais isso.
-Isso é alguma estratégia para não ser o único a não entregar essa redação na próxima aula? – brincou ela, já rindo
-Aham. – confirmou o loiro, piscando para ela – Afinal, somos amigos, e devemos nos ferrar juntos também.
A ruiva começou a gargalhar com a resposta, enquanto retribuía o abraço. Só ela sabia o quanto não se importava de ficar reprovada na escola se esse fosse o preço de tirar aquela sensação de vazio de dentro de si.
-Por que a pergunta? – rapidamente questionou, tentando tirar aquela lembrança de sua cabeça
-Bem, você parece tão feliz agora. – respondeu, não sem uma leve ironia na voz – Achei que talvez fosse por isso.
-Eu sou uma nobody. – contestou ela, com os dentes trincados – Não tenho um coração, tampouco sonhos. Não me importo com isso que chama de ‘felicidade’. Não tenho sentimentos.
-É o que vem se repetindo, não é? – rebateu o loiro – Por um tempo, chegou a acreditar. Cinco, seis dias, uma semana, talvez? Mas então você começou a sentir saudade dos seus amigos, saudade da sua antiga vida, e percebeu que tinha sim sentimentos. Mesmo assim, já não podia voltar atrás. Então, começou a repetir isso incessantemente para si mesma, esperando que se tornasse verdade.
A garota avançou novamente, desencadeando uma série de ataques rápidos, cheios de raiva contida no brilho metálico.
-Como pode dizer isso com tanta certeza, Lukas? – questionou, sem parar nem por um momento – Por algum acaso lê mentes?
Lukas continuou simplesmente desviando e defendendo, mas, quando ela falou, percebeu uma brecha, e então segurou seus pulsos, fazendo ela parar bem próxima de si.
-Porque eu te conheço, Brendah. – respondeu – Te conheço muito melhor do que qualquer um. Talvez até mais que você mesma.
A ruiva, por um momento, ficou sem ação, porém sua agressividade voltou e ela conseguiu soltar-se, e o derrubou com um forte chute no tórax. Ao vê-lo caído, chegou a erguer uma de suas adagas, mas hesitou em acertá-lo.
-Você não quer fazer isso, certo? – provocou ele, olhando diretamente em seus olhos
-Não importa se eu quero. – replicou ela, com a voz levemente trêmula – Eu simplesmente vou fazer.
Quando a arma desceu em sua direção, Lukas usou sua keyblade para desarmá-la, acertando com força o suficiente para derrubá-la em cima de si. Ao que sentiu o peso dela em seu corpo, virou para o lado, fazendo Brendah encostar no chão e ele estar em cima dela. Segurou-a pelos pulsos novamente, e aproximou seu rosto do dela.
-Será que não percebe o quanto eu te quero de volta, Brendah? – sussurrou, sentindo o coração disparando ainda mais pela proximidade de seus rostos – Será que não percebe o quanto você quer voltar?
O loiro pode perceber que cada vez mais conseguia atingi-la, estava quase a trazendo de volta. Mesmo assim, ela ainda estava muito indecisa sobre qual era a verdade e qual era a escolha certa.
-Me solta agora, Lukas. – rosnou Brendah
Pelo tom com que aquelas palavras foram ditas, ele sabia que ela estava prestes a mandar um raio perfurá-lo. Então, se ergueu rapidamente, gesto imitado pela garota, que logo recomeçou a atacar. Mas ele via a diferença de quando começaram para agora. Os movimentos estavam mais letais, porém mais descontrolados. A emoção estava a ponto de dominar sua razão, e era o exato momento para fazê-la perceber qual era sua escolha. Recuando um pouco, aproveitando que ela tinha parado por um momento para retomar o fôlego, ele usou sua carta final.
-Quer saber? Cansei.
Dito isso, ele cravou sua keyblade no chão, deixando-se completamente desarmado e indefeso. A ruiva o olhou confusa, mesmo estando acostumada ao jeito favorável a improvisos e por vezes sem juízo do loiro.
-Você está aqui para me matar, não é mesmo? – continuou ele – Para você, só um de nós sairá vivo daqui, não é? Porém, sabemos muito bem que eu não conseguiria, em hipótese alguma, te matar. Então, estou lhe dando a chance. Venha aqui e me mate.
A expressão da garota foi tomada pelo choque. Tanto pela proposta, quanto por perceber que jamais conseguiria matá-lo.
Brendah caiu no chão de joelhos. Seu corpo não aguentava mais todo o peso que carregava. Pôs ambas as mãos no rosto, e, mesmo com as luvas, pode senti-lo nitidamente molhado. As lágrimas saiam sem que pudesse fazê-las parar. Já não conseguia nem mais se concentrar no ambiente a sua volta. A única coisa que sentia era a opressão da escuridão. A mesma escuridão que a fez abandonar seus amigos e acreditar que era uma nobody. Mas agora as palavras que Lukas havia falado em toda aquela luta eram repetidas em sua mente, num ritmo constante.
O ritmo da pulsação de seu coração.
A garota se encontrava perdida na mais pura confusão. Uma confusão negra e rígida, como uma parede. Uma parede que ia cada vez mais se fechando, cada vez mais a enlouquecendo. Ela se sentia sufocada, sem conseguir lembrar sequer de como respirar.
Então, algo quebrou essa barreira. Um toque quente, acolhedor, e que ela conhecia tão bem.
Logo pode sentir que Lukas a abraçava, e estava com uma das mãos acariciando delicadamente seu cabelo. Começou a chorar ainda mais, e seu corpo era praticamente sacudido pelos seus soluços.
-Droga, Lukas, o que eu fiz?... – murmurou, com um leve tom de culpa
O loiro nada respondeu, simplesmente continuou abraçado à ruiva, aproveitando aquela deliciosa sensação de estar tão perto dela, de poder tocá-la novamente.
-Você... – ela ainda hesitou, mas arranjou coragem para perguntar – Poderia me desculpar?...
Ele sorriu e passou sua mão do cabelo para o rosto dela, fazendo-a olhar diretamente em seus olhos.
-Claro que sim, Brendah. – o loiro respondeu, com um sorriso — Não percebe que vim aqui justamente para trazê-la de volta comigo para casa?
A ruiva esboçou um sorriso e abraçou-o, como que agradecendo. Agradecendo por estar ao seu lado.
Foi então que percebeu. Aquela sensação de segurança e afeto que sempre buscara estava bem ali, do lado dela. Em todas as situações, alegres ou tristes, ele estava ali, logo ao lado. Ele sempre esteve ao seu lado.
Ao se dar conta disso, por um momento, esqueceu-se de tudo que passava pela sua mente. Permitiu-se redescobrir o que era ser guiada pelas suas emoções. Passou a mão suavemente até a nuca de Lukas, e aproximou-se até a distância de ambos se tornar nula.
O beijo começou tímido, mas, assim que ele começou a corresponder e puxou-a mais para perto, ambos puderam sentir como era forte aquele sentimento que nenhum dos dois tivera coragem de admitir ao outro. Ela não poderia dizer quanto tempo durou, pois já não havia mais tempo. Já não havia mais toda a loucura pela qual estava passando, já não havia mais aquela solidão opressora há tanto lhe sufocando. Só havia ela e ele, o garoto que a fazia sentir seu coração.
A respiração de ambos estava acelerada quando se separaram. Quando percebeu o que acabara de fazer, Brendah sentiu seu rosto esquentar. Não duvidava nada que estava da mesma cor que seu cabelo.
-E-eu... – começou a balbuciar algo, porém Lukas colocou um dedo em sua boca, pedindo para silenciar
-Certas ações valem mais do que mil palavras, certo? – ele disse, em seguida colocando a mão em seu rosto novamente – E, só para não deixar dúvidas, saiba que eu também te amo.
A garota abriu um extenso sorriso, gesto repetido por ele. O loiro foi quem se levantou primeiro, e logo estendeu a mão para ela também se levantar. Ambos ainda sorriam, pelo menos até ouvir aquela conhecida voz
-Comovente. – a ironia era evidente na voz de Larxene, que se encontrava na plataforma superior a que estavam – Não devo dizer que estou surpresa de ver que você realmente tem uma quedinha pelo pivete loiro.
-Pelo menos ele me trata como pessoa. – replicou Brendah, raiva reluzindo em seus olhos – Eu nunca sequer fui isso para você, não é? Eu era só um objeto, uma arma que você poderia usar a seu favor. Agora chega. Não estou mais do seu lado!
-Vai ser tão simples voltar depois do que você fez? – provocou a primeira
Brendah engoliu em seco com aquele pensamento. De fato, como poderia simplesmente voltar depois da traição que fizera, e de todo mal que causara? Porém, antes que cogitasse desistir, Lukas segurou sua mão.
-Não importa se será simples ou não. – ele disse, olhando diretamente para Larxene – Os amigos dela estarão ao seu lado, isso é que importa.
-Que seja. – a loira falou simplesmente, desaparecendo em meio a um portal negro
Lukas deu um leve sorriso, mas Brendah não conseguiu fazer tal ato. Parecia sentir que sua mãe não sumiria assim, com certeza tinha algo mais em mente. Então, com uma intuição apitando em sua cabeça, virou-se para trás. Como pressentira, Larxene não tinha se direcionado a outro lugar do castelo. Ela estava ali, com pouca distância dos dois, e com três kunais no espaço entre os dedos da mão esquerda. Em questão de pouquíssimos segundos, Brendah entendeu o que ela iria fazer. Antes que sua mente pudesse raciocinar, empurrou Lukas, entrando no raio de acerto dela. Logo sentiu as afiadas lâminas perfurando seu corpo entre as costelas, e o sangue decorrente da hemorragia interna chegar a sua boca.
-Não! – o loiro gritou, em uma voz estridente cheia de pavor
-Patético. – sussurrou a autora do ataque – Você realmente é tão idiota a ponto de abrir mão de sua vida por alguém?
Assim que acabou de dizer isso, Larxene retirou as kunais, fazendo-a sentir ainda mais dor e cair inerte sobre seus joelhos. Sangue escorria do ferimento, traçando uma trilha que quase não se destacava no negro sobretudo. A mulher desapareceu em mais um de seus portais, ao que Lukas rapidamente foi até ela. Antes que sentisse o chão em sua queda, sentiu o caloroso toque do garoto. Moveu seu olhar para o azul tão belo dos olhos dele, e pode perceber que ele se segurava para não chorar. O garoto colocou delicadamente por cima das feridas, enquanto murmurava um feitiço de cura.
-Desista, Lukas. Você está cansado demais para uma magia forte. – ela fez força para ser ouvida, e uma risada lhe escapou, mesmo que isso lhe proporcionasse mais dor – Eu acabei matando a mim mesma...
-Não diga isso, Brendah. – ele suplicou, com tom choroso – Por favor, não fale como se estivesse...
Ele não conseguiu completar a frase. A voz morreu no nó que tinha em sua garganta. E o pior de tudo: sabia que ela estava certa. Tinham lutado bastante a base de magia, o que deixava ambos com pouca energia para fazer uma que a salvasse. A ruiva tossiu, engasgando-se com o próprio sangue, enquanto percebia que sua visão se tornava turva. Suas memórias, por outro lado, estavam perfeitamente nítidas passando em sua mente.
-Peça desculpas a Nick e Juno por mim... – a voz dela saiu mais fraca – E desculpe-me você também, Lukas. Eu nunca quis te causar tanto sofrimento...
-Não peça isso. – o loiro rebateu, tentando sorrir e lhe passar confiança – Você vai poder pedir desculpas para eles pessoalmente.
-Eu queria acreditar nisso... – a garota sorriu, e se aproximou, roçando os lábios dele uma última vez – Me perdoe... e... eu te amo...
A última frase saiu em um sussurro, e Brendah fechou os olhos e pendeu a cabeça. Parecia até estar dormindo aconchegada em seu abraço, com a expressão serena. Mas Lukas sabia que não era essa a verdade.
-BREENDAAAAAAAHHH!!
Notas finais
Bjss e até o//
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