Passionate Pact
2 Capítulo 2 - O povo sem sorte pelo despertar
Notas iniciais
“Hoje é o dia que minha filha se soltará dessa forma de cordeiro”
Já havia se passado dez anos depois daquele incidente
O som da guitarra e da bateria ligados aos amplificadores quase no máximo dois irmãos se divertiam tocando enquanto seu pai meio doido ficava tentando fazer incríveis passos de dança, algumas vezes conseguindo ou trás caindo feio no chão e a mãe costurando uma peça de roupa na maquina de costura ao ritmo da musica.
Logo a campainha toca sem parar, estragando momento família. O pai foi atender. Na porta estava o vizinho todo nervosinho com a barulheira que começou ás seis da manhã. O pai olhos pelo olho mágico da porta virou-se em direção aos filhos e disse:
– Ninguém vomitou no sofá, não é?
– Não. – respondeu a filha
– Nem fez xixi?
– Nope! – respondeu o menininho na bateria.
– Ótimo! – falou o pai.
O pai então abre a porta sendo recebido por uma avalanche de queixas do vizinho.
– Senhor Estevão, eu como presidente da associação de moradores do condomínio Flora, tenho que cumprir com meus deveres e lhe avisar que essa é a oitava vez que você recebe queixas por perturbar os outros vizinhos.
– Er... Pensava que o senhor só vinha reclamar comigo nas reuniões!? – Estevão fala todo calmo – Aconteceu alguma coisa senhor Vergílio?
O menino pulava para lá e para cá com uma garrafa de uísque nas mãos enquanto a mãe e a filha tentavam desesperadamente tirar a garrafa do menino antes que alguma tragédia com o sofá onde a criança pulava toda serelepe.
– Nossa nem parece que voltou ontem do hospital! – Reclamava a irmã mais velha.
– Pelo menos eu não estou mais naquela cama dura e horrorosa! – Ele pula escapando dos braços da irmã que estavam prestes a capturá-lo.
– É, voltou para roncar no nosso quarto! O pessoal do hospital só deve ter te dado alta porque seu ronco é mais alto que um elefante fazendo barulho com a tromba!
– Desça daí, por favor, Tiego! – Dizia a mãe aflita. – Você ainda está fraco!
– Ah! Eu estou muitíssimo bem! Ha! A Dana não me pega! Eu to no sofá e ela não pode me pegar.
A garota furiosa pulou no sofá, agarrou o menino pelas costa e começou a lhe dar uns cascudos.
– Quem disse que não? Quem? Fala! – Dana fala vitoriosa até ser mordida por Tiego e solta-lo. — Ah! Seu bicho imprestável do mato! Praga ruim! Ah! Eu vou te pegar e te dar uma surra.
Voltando a conversa que o pai tinha com o presidente da associação de moradores.
– Hm... Entendo. Então ela te botou pra fora de casa de novo. – Ele vira e manda os três pararem com a algazarra. – Pode entrar o sofá ta sempre disponível para meus amigos.
– Muito obrigado. – Disse o presidente. – Sabe, a Emilia parece que de uns tempos para cá não vem batendo bem da cabeça. Ela ficou louca! Louca! Só pode!
A mãe olha o relógio e grita aflita:
– Dana! Olha que horas são! Você nem devia estar mais aqui! Vai ficar de recuperação novamente! – A mãe corre pegando a mochila da garota e jogando com tudo nela.
– Calma! – Disse a menina sem nervosismo. – Não tenhamos pressa.
– Calma nada! Você vai fazer faculdade! Aliás, uma ótima faculdade para arranjar um emprego digno! Então você precisa de ótimas notas! – A mãe já ia pegando a vassoura. – Sai daqui agora.
Dana aos risos sai correndo da mãe histérica falando o discurso maligno totalmente do mal de “se ela não tiver uma excelente educação ela não terá nenhum futuro”.
O presidente da associação de moradores chega para o menino que agora estava sentado em uma poltrona:
– Será que rola um gole desse uísque? – pergunta o homem.
– Beeeeem... Se rolar um adiantamento pode ser até dois goles. – O menino fala todo malandro.
– Menino mau caráter! – Disse o pai. – Puxou a mim!
Dana corre apressadamente, teme perder o ônibus para escola, demorar muito para ele chegar à escola do outro lado da cidade. Em vão. O motorista do ônibus nunca gostou de Dana porque ela fazia baderna e gritaria no fundo do ônibus com outros delinqüentes que o pai de Dana dava aula num centro comunitário. Logo que viu Dana correndo em direção ao ponto, fechou as portas sem se importar com quem ainda ia subir e pisou no acelerador.
– Cretino! – Dana resmunga gritando. – Tomara que sofra um acidente!
A garota sente uma pontada muito forte em sua mão direita. Mas não se importa como dor, pois já sentira varias essa mesma dor chata.
Mas o ônibus partiu e todos olhavam para Dana como se fosse uma doida. Não tinha jeito teria que usar aquele “modo” para ir para escola. Ela olhou ao seu redor, o que poderia usar para ganhar impulso!? Um poste, não! Umas latas de lixo poderiam até ser, mas não dava impulso para lugar nenhum. Ao se virar viu a estrutura feita para fazer reforma na fachada de um prédio, perfeito!
Olhou para um lado não viu ninguém tomando conta e lá foi à menina subindo pela estrutura rapidamente até chegar à cobertura e encontrou um casal num amasso na piscina da cobertura.
– Er... – Dana fica sem palavras para o incomum. – Eu juro que não vi nada! – E sai correndo igual um cego em tiroteio procurando outro modo de sair daquela cobertura e pular para outra, de preferência de uma empresa.
Podia ser extremamente perigoso, mas seu pai adotivo lhe ensinara: “- Você não precisa temer a altura, sabe que do chão não passa! E quando não se tem medo você pode ir longe!”. Por isso nunca desistiu, mesmo sentido o frio na barriga. Depois que ficou órfã viu seu verdadeiro eu bater na porta.
Só mais alguns prédios, podia ver o arranha-céu onde pegaria uma “carona”, pulou em cima de uma torre de radio de um prédio caindo em cima de um container que ficava em cima de panificadora, subiu escadas em direção ao arranha-céu, no caminho encontrou D-Dog e G.B., alguns dos melhores amigos de Estevão.
– Olha cara! É a erva “Daninha”! – apontou o mais alto que era G.B.
Dana fiz uma careta e deu língua por dois. – Muito engraçado, você dois! – Ela disse.
– Calma ai, menina! Cadê seu pai!? Sempre que você usa o transporte alternativo do alternativo ta com seu pai. – falou D-Dog o fortão. – Não é normal ver você por aqui!
– Eu sei disso, meu pai ta em casa o Tiego recebeu alta! – Dana contou sorrindo.
Com essa noticia G.B. deu até um mortal quando passavam para outro edifício. – Então que dizer que meu pequeno aprendiz vai voltar a pular prédio com meus filhotes?
– Talvez! – falou Dana. – O Marques vem hoje?
Dana se deparou com mais outras quatro pessoas que já estavam subindo A escada da torre do arranha-céu. Logo ouve o som das hélices de um helicóptero se aproxima mais e mais. Logo a frente de Dana estava o repórter aéreo daquela estranha cidade.
– Podem subir, mas só dois hoje! Porque eu vou passar pela Belle Broke Avenue! – Falou o piloto do helicóptero pelo alto falante.
– EUUUU! – Gritou Dana. – Eu estudo perto da Belle Broke! Eu por favor!
Pegou impulso e saltou para trem de pouso* do helicóptero. Quase escorregou, mas fez um esforço e conseguiu agarrar-se firme e conseguir se sentar La dentro. Só ela saltou para o helicóptero, mas já havia outras duas pessoas sentadas dentro do helicóptero além do piloto.
– Só um? Ok! – Disse o piloto. – O Rogério vai chegar daqui a pouco ele vai para Midnight Boulevard. – O piloto estava preste a partir. – Senta ai menina, segura ai casal. Vamos embora!
– Tchau erva “Daninha”! – disse D-Dog e G.B. vendo a menina entrar no helicóptero e sumir.
Com certeza aquela era uma cidade nada comum e aquilo a deixava melhor... Era seu charme.
O vento soprava forte. Tão forte que Dana tinha que se segurar bem, pois podia joga lá do helicóptero. Passou por metade da cidade em cinco minutos, viu lá em baixo um tumulto e dentro dele um incêndio.
Estava se aproximando do prédio mais alto da Belle Broke onde os “pássaros” (como as pessoas que praticavam parkuor em prédios gostavam de ser chamados naquela cidade) haviam colocado uma lona no terraço para não terem machucados sérios. Dana olhou, mirou e se jogou do helicóptero quando ele se aproximou o máximo que pode do prédio.
Por sorte nossa garota não caiu fora da lona, tirando dor que sentia nos braços quando foi amenizar a queda e segurar na lona.
O edifício em que estava tinha um formato esquisito de um lado era todo reto do outro era inclinado e coberto por vidros blindados – porque os “pássaros” já tinham quebrado mais de 40 vidraças só mês que havia sido inaugurado. Por isso foram obrigados a colocar outros vidros. Pois seria impossível fazer os pássaros pararem de fazer aterrissagens ali, era como pedir para os pássaros de verdade não voarem mais.
Era só deslizar nas vidraças e rezar para cair em cima de um monte de caixas coberta por mais lonas que os pássaros também tinham colocado lá.
Então aquilo era o destino? Só de seus olhares se cruzarem o destino já havia sido escrito novamente. Mais uma nova pagina que os ligaria um ou outro.
– Já disse, se tentar contrariar minhas ordens... – Luke apontou o revolver para o senhor naquele escritório espaçoso. – Não quer nada aconteça com seus investimentos... Ou melhor, sua família. – Ele falou malicioso. – Sua filha e sua esposa são muito bonitas, sabia?
– P-Por favor, My Lord Luke, não faça nada de ruim com minha família. – O homem se ajoelhou na frente de Luke. – Elas são tudo que me restou! Tudo que amo nesse mundo!
Luke se abaixou um pouco para chegar mais ou menos na altura do homem. – Então cumpra com seus deveres, e se souber que está desviando sangue novamente e vendendo por fora... Eu vou fazer uma viagem até Paris, ver sua linda filhinha. – Ele aponta o revolver contra a testa do homo que estava quase a chorar.
Então o rapaz se levanta com seu olhar triunfante e diabólico. – Fez a escolha cetra!
Eles ouvem um “Tump!” vindo de cima. Luke estranha.
– Que diabos foi isso? – Luke olha para janela
– F-Foi um pássaro! – respondeu o homem ainda um pouco nervoso. – Eles descem pela parede inclinada o dia inteiro.
Não foi necessário esperar muito, mas esses segundos ficaram gravados na visão de Luke. Deslizava abaixo seu antigo bichinho de estimação, a criatura que ele havia desistido de ter para si. Ela... Ela só olhou por alguns segundos para dentro da sala. O vidro era escuro então não pode ver muito bem, apenas a silhueta de duas pessoas e uma delas a fitava. Seus olharem se cruzaram dana sentiu um leve frio na espinha – como se conhecesse a pessoa que a olhava lá dentro -, pois do lado de fora conseguiu ver os olhos frios de cor violeta como se pudessem ver através de sua alma.
Mas no caso de Luke, uma estranha sensação de felicidade lhe preencher. Dana havia crescido, estava linda e parecia ser um jovem tão alegre e sorridente. Talvez essa fosse sua grande chance, talvez deus finalmente teve pena de sua existência quase se extinguindo a beira da insanidade a ponto de “quebrar”.
– Você teve sorte. Vou encontrar uma pessoa hoje. – Luke guardou o revolver. – Como meu dia melhorou vou te dar mais uma chance faça sua parte corretamente e faça o favor de tirar sua família da casa onde elas estavam escondidas.
– “Estavam escondidas”? – o homem perguntou confuso.
– Claro! Hoje até o Diabo sabe onde sua família mora! – Luke saiu da sala e pegou o elevador.
Dana caiu nas caixas e saiu correndo em direção a escola que ficava a umas três quadras dali. Não podia chegar atrasada novamente a endiabrada da inspetora terminara relacionamento e descontava tudo nos alunos infratores e atrasadinhos como a Dana.
– Agora que monstra me devora! Achei até que chegaria cedo!– Dana correu, mas parou na frente de uma padaria. – “pelos menos se for ser devorada vou ser devorada estufadinha!” – pensou enquanto comprava uns pãezinhos doces e sonhos.
Observa o relógio por alguns segundos, sua alma congela. Ela estava mais de uma hora atrasada.
– Eu não vou ser devorada! Vou ser desmembrada e antes irei sofrer três milênios de tortura! – Ela grita depois de pegar a sacola com os pães e saindo correndo da padaria deixando todos lá achando que ela era doida. – Salva alma Jesus que o corpo ta perdido!
Eram exatos 10:39 da manhã de quarta feira. Dia meio nublado, mas sem previsão de chuva. Um frio desgraçado e todos os delinquentes e outros tipos de alunos esperavam no portão da escola esperando inspetora ter piedade de suas miseráveis vidas e deixá-los passarem ou saírem correndo ao saber que ela passara advertência para os alunos faltosos. Dana chega e vai distribuindo seus pãezinhos entre os outros alunos e eles davam dinheiro para ela. Ela chega a portão principal onde estava Cordelio – mais barra pesada daquela escola e de outras 35 da qual fora expulso.
– Oi Dana. – fala ele todo felizinho cheio de falsidade para cima de Dana. – Rola um docinho pra mim? Ou vai você mesmo? – Ele sorri sacana.
– Nem vem seu encosto! Não vou me meter com você de novo. – Dana se afasta um pouco até a ponta da calçada. – Da ultima vez fui suspensa por sua causa, no final quem levou toda culpa fui eu!
– Isso é passado! – Ele tenta se aproximar de dana, mas ela desvia rapidamente. – Soube de um segredinho das Patys bem pesado que você pode usar contra elas... Isso se você quiser, é claro! Lembra que elas disseram que se te vissem novamente iriam bater em você?
– Não me lembre dessas vadias! – Dana resmunga.
– Vamos fazer um acordo? O ultimo sonho que você tem nessa sacola e você e eu nos fundos da escola no antigo prédio do teatro para tratar desse “segredo”, ok?
– Não sei. – Ela fala desconfiada, naquela escola não tinha cobra mais venenosa do que o Cordelio, ah! Esqueci tem as Patys... – Você só me traz problemas!
– Dessa vez não tem erro! Você vai se dar bem pra caramba! – Cordelio diz confiante.
Ela parou, observou, pensou de novo e de novo. Cordelio abre a boca como se esperasse algo. Dana coloca sua mão na sacola e tira o ultimo sonho e o estende perto da boca de Cordelio que morde e fica segurando com a boca, quando estava prestes a comer corretamente o doce ouvem o barulho exagerado do salto da inspetora batendo contra o chão de pedra da escola. A endiabrada se aproximava.
Os alunos dão um passo para traz. A mulher se aproximava com um sorriso estampado na cara e até soltara o cabelo. Estava radiante e isso assustava os alunos. Todos temendo ela estar sorrindo, pois finamente conseguira com o diretor caderno de suspensões ou até de expulsões – sim, naquele inferno onde Dana estudava algumas inspetoras podiam expulsar alunos.
– Podem entrar meus amores! – Ela abriu o portão toda contente.
Passou um minuto e os alunos ainda permaneciam na calçada ou encostados no muro do outro lado da rua. Parecia até filme de faroeste com bola de feno e tudo mais.
– Entrem logo enquanto eu estou de bom humor! – A mulher fala meio nervosa. – Porque eu tive uma noite muito boa sem precisar do sacana do meu ex-noivo! Há-há, eu ganhei no fim!
Lentamente uma menina meio nerd se aproxima e num clima de tensão atravessa o portão, sã e salva todos os outros começam a entrar também. Nesse momento com o movimento dos alunos muitos dos marginaizinhos ou sínicas começam a soltar farpas na inspetora.
– É... Ontem teve, né!? – Falavam uns e outros.
Mas nenhum desses foi mais cruel que o de Cordelio.
– O diretor finalmente teve a vontade de comer? – Cordelio ri vitorioso indo para escola escondido no meio da multidão.
– Entre logo Cordelio! – Disse a mulher meio nervosa.
“Como ele sabia disso? Ela não queria ter ficado com o diretor noite passada, mas o encontrou no caminho de casa e ele agiu tão gentil, ainda mais porque seu ex-namorado apareceu no portão de sua casa dizendo que queria falar sobre reatarem, mas o diretor não deixou e mandou-o ir embora dizendo que o ex era um inútil pobretão. É uma pena, seu não esquecido e ainda amado ex-namorado ia pedi-la em casamento, teve que comprar o anel às pressas nem deu para comprar umas roupas mais apresentáveis, quando soube por uma professora da mesma escola que a inspetora, sua vizinha, que o diretor andava de olho na mulher azarada...”
Isso passou na cabaça de Dana ao esbarrar na inspetora por causa do tumulto dos alunos afobados querendo entrar na escola. Ela não ligou muito para isso, já teve varias dessas curtas histórias passando por sua cabeça num flash desde criança por isso não se preocupava muito, na verdade não se preocupava mais, para ela era apenas aborrecimento, pois depois disse vinha uma rápida e chata dor de cabeça.
Ao entrar na sala se depara com a maioria dos alunos na sala em pé, o professor faltará hoje, mas os alunos esperavam até a aula de educação física para irem embora. Era algo incomum, o professor nunca faltava, Dana sabia disso porque todas as vezes que pegava ônibus do motorista chato para ir a escola encontrava o professor. Ele sempre ia para a escola naquele horário, era um homem de rotina. O que será que aconteceu?
Um engraçadinho se levanta e vai até porta e imita um professor entrar na sala, vai até a mesa do professor se senta na cadeira e fala: — Ola, eu sou o professor de Sexologia!
– Blehrr! Viado! – Dana esnoba o garoto que fazia cara de safado para todas as meninas da sala.
– Vai dar o toba que eu sei que tu gosta! – Falou a menininha superdotada de 13 anos que fora transferida para a sala da turma de Dana ano passado. Aquela turma sabia fazer um estrago com as pessoas em curto tempo!
Algumas horas se passaram e estava na hora de recreio ta turma de Dana. O costumeiro de sempre os meninos playboyzinhos de classe media brigando entre si, nerds falando de computadores e games, nenhuma patricinha no pátio – é claro! Elas estão todas enfurnadas no banheiro retocando a maquiagem. -, os perdedores correndo dos valentões iguais a uns doidos.
Dana caminhava pelo pátio depois de dar umas mordidas no lanche de sua colega de classe. Logo ela percebe que havia uma movimentação das meninas bestas de outras classes. Todas as meninas olhavam para a rua. Do outro lado se encontrava um belo rapaz de óculos escuros encostado em seu carro luxuoso, era Luke, Dana olhou de relance, mas depois prestou mais atenção, assim que ela olhou mais nitidamente para ele, Luke começou a sorrir, todas as meninas ficaram derretidas e Dana ficou mal humorada – odiava esse tipo de gente que sorri de maneira estranha para ela e nem a conhece (era o que ela achava nesse ponto). Luke continuou sorrindo entrou em seu carro e foi embora. Agora sabia onde seu bichinho de estimação estava e iria voltar novamente.
Perto do final da aula de educação física, Dana como sempre não foi escolhida por nenhum dos times para os esportes variados. Nem mesmo para os grupos de atletismo a convidavam, mesmo sabendo que ela era a aluna mais rápida da escola. Ela então vira a cara e avista Cordelio do lado de fora da quadra fazendo o sinal que era para ela segui-lo até os fundos da escola no prédio do antigo teatro da escola.
Não era um prédio muito antigo, mas por causa dos maus tratos e falta de manutenção estava caindo aos pedaços. Com certeza se tornara uma construção nem um pouco segura e de ar arrepiante com os musgos crescendo do lado de fora e de dentro com a pintura das paredes desbotadas
– Nossa escola era famosa por ser pobre, mas fazer peças de teatro magníficas... Pena que a antiga professora foi expulsa há três anos... – Disse Cordelio puxando a mãe de Dana enquanto ia até os fundos, até a porta dos fundos da construção. – perdemos muita verba com o fim do teatro, por isso a escola ta indo de mal a pior.
– Disso to mundo sabe, né!? Anta! – Falou Dana ao chegarem nos fundos enquanto ajudava Cordelio a puxar umas ripas de madeira que impediam a passagem, porque a antiga porta foi completamente destruída por alunos que ia ao prédio para usarem drogas, fazer coisas impróprias, rituais bobos de magia negra ou como a Dana falava “a macumba do bode!”.
– Mas sabe o porquê ela fora expulsa? – Ele disse malicioso.
– Não faço a menor idéia! – Isso ela tinha que admitir.
– Se lembra quem eram as atrizes principais do nosso teatro, as que a professora Jesselina dava mais atenção?
– As Patys... – Dana responde. – Por isso são tão falsas...
– Isso mesmo! Por isso são tão lésbicas! – Cordelio falou rindo baixinho puxando Dana e se esgueirando numa fresta que dava entrada para o palco.
– O QUEEEEE!? – Dana não conseguiu conter com a noticia e soltou um grito.
Cordelio colocou sua mão na boca de Dana e faz sinal para fazer silêncio. – Reze para que elas não tenham te ouvido!
Os dois se abaixaram o máximo que podia e entraram pela estreita passagem improvisada.
Assim que entraram começaram a ouvir as vozes, mesmo que baixas dava para se notar. Parecia uma luta pelo barulho. Ao chegarem mais perto descobrem que era uma encenação de luta. Eram Mila e Jena caracterizadas como homens e a rainha delas Giulia usando um vestido antigo muito chamativo. Aparentava que Mila e Jessica estavam lutando pela personagem que Giulia interpretava.
De trás das cortinas aparece um braço estendendo um revolver antigo falso. O braço faz um movimento como tivesse dado dois tiros. Mila e Jena caem no chão e se fingem de mortas. Atrás das cortinas parece Samira a grande esportista da escola que todo mundo já sabia que ela gostava mesmo de meninas, usando um vestido também muito chamativo.
– Mas que merda é essa? – Dana pergunta para Cordelio que tampava a própria boca para não morrer de rir.
– Espera! Eu já vi essa! – Cordelio cochicha. — A melhor parte vem ai!
Samira se aproxima de Giulia que se joga em seus braços. As suas se olham por alguns segundos. Samira acaricia Giulia passando levemente seus dedos sobre a face da garota até chegar aos lábios. Mais alguns segundos de silêncio. Samira Agarra Giulia em um beijo verdadeiro e com a outra mão rasga parte do vestido de Giulia. As duas começam a se agarrou no palco entre beijos longos.
Dana olha isso tudo muito nervosa e pasma. O que é isso!? É mentira? Não! Por dentro nossa garota só ria, mas a surpresa era tão grande que ficou paralisada. Finalmente teria algo para usar contra aquelas garotas que zuavam dela desde pequena!
– A professora Jesselina parece que introduziu essa “opção” entre as Patys. – Cordelio chegou perto do ouvido de dana e começou a contar a história. – Um dia Jesselina chegou para o antigo diretor pedindo para ligar para a casa das Patys no final de semana para um tal “ensaio especial”. O diretor sabendo que era pelas peças teatrais que eles conseguiam a maior parte dos fundos aceitou o pedido e ligou para casa das meninas. No dia desse ensaio o diretor ainda tinha que terminar de preencher umas papeladas e- – Ele parou ao ouvirem um barulho. Mila e Jena se levantaram e se juntaram aquelas duas fazendo uma orgia. – WELL... Onde eu estava? Ah! Depois que ele terminou seu trabalho ele decidiu dar um espiada, pois ainda não sabia que peça iria ser apresentada... Ele encontrou Jesselina agarrando as meninas e falando besteiras: dizendo que amava todas elas, que se pudesse se casaria com todas elas. E em seguida começou disse que ensinaria elas a beijarem de verdade. E começou a fazer isso até o diretor dar um berro e dizer que ela estava despedida.
– Agora agradeço a Deus por não ter entrado no teatro da escola naquela época! – Dana zombou. – Tipo... Não tenho nada contra elas escolherem a educação sexual e tal delas, mas isso já é pedofilia!
– Verdade. – Pigarreou Cordelio.
Dana riu. Cordelio se aproximou mais de Dana. Logo com segundas intenções.
– Para com isso Cordelio, não se aproxime! – Dana logo avisou.
– Mas por quê? Achei que agora tava rolando um clima tão legal entre nos dois... – Ele sussurrou no ouvido de Dana enquanto segurava firma o pulso dela.
– Me larga! Eu to dizendo para me soltar! – Dana sente a língua de Cordelio em seu pescoço. – Para! Eu não gosto de você!
– Ah Dana... Não seja tão teimosa! – Ele falava sussurrando no ouvido de Dana enquanto passava sua mão por dentro à blusa da menina.
Ela não conseguia se soltar, ele era mais forte é mais – tinha repetido de ano umas três vezes – e começou a se sentir zonza por algum motivo. Ela não queria aquilo, começou a sentir medo, queria que alguém aparecesse como por milagre lá e a salvasse. Ficou se mexendo o máximo que pode, mas ele conseguia imobilizá-la.
Foi quando ele finalmente conseguiu segurar Dana e ai cassar a mão sobre o sutiã dela que dana não consegui agüentar e soltou um grito muito alto que com o eco daquele espaço vazio e fechado fez ficar ainda mais alto, isso chamou total atenção das Patys e de Samira que só se elas fossem surdas não ouviriam o berro.
– QUEM ESTÁ AÍ! – Berrou Samira furiosa.
Cordelio por descuido olhou para as Patys. Nesse momento ele soltou Dana, era essa a chance de nossa garota escapar. Ela se levantou num pulo e começou a correr freneticamente.
– Ali está ela! – Giulia apontava para Dana correndo em direção a uma porta também fechada com ripas de madeira.
Sabia que iria doer, mas era melhor do que ser estuprada pelo Cordelio. Ela foi com tudo contra a madeira. Ótimo, a madeira era fraca e conseguiu quebrá-las com o impacto.
As Patys foram em direção onde estavam Dana e Cordelio, mas na euforia e medo deixaram cair uma garrafa de vinho que se partiu e se espalhou pelo chão do palco.
Cordelio se levantou e começou a perseguir Dana, mas antes ele foi alcançado por Samira era bem mais forte que ele – mesmo sendo mais nova – e o jogou contra uma parede e o segurou pela gola da camisa.
– O que você está fazendo aqui sua praga maldita? Responda!
– Sabe... – Ele falou usando sua falsidade superior as delas, aquela que só se aprende nas ruas. – A mina que saiu correndo tava tudo afim de mim! Mas agora ela veio com uma história de que não queria, sabe... Só pra me ferrar! Eu não podia deixar isso assim! Nem sabia que vocês tavam aqui!
Samira o solta.
– Vamos atrás dessa vadiazinha! – Disse Samira.
Assim eles saíram em direção à porta destruída procurando Dana. Ela nem teve tempo direito para respirar um segundo. Logo ouviu os passos apressados daquelas pessoas que provavelmente não iram fazer coisas nada boas com ela.
Com a corrida deles, o prédio começou a tremer e a entrada improvisada foi tapada com um bloco de concreto que caiu de uma parte do teto do primeiro andar. Giulia se levantou normalmente até um pedaço de madeira e parte das cortinas também caírem no palco, então assustada correu até suas amantes.
Ela corria sem nem pensar em parar, queria estar fora daquele local. Ia quebrando ou abrindo portas com empurrões e chutes. Mas isso deixava um rastro e sempre que pensava que eles tinham desistido, eles vendo o caminho de portas abertas sabiam onde seguir, então voltava a ouvir os passos e ficava mais desesperada.
Até que eles finalmente a alcançaram.
– Pare ai! – Gritou Mila. – É a maldita da Dana! Vamos pega-la e dar um surra nela como nos queríamos ter dado há muito tempo!
– Não se aproximem. – Gritou Dana se entrando de uma sala que tinha outra porta coberta de ripas de madeira.
Eles olham Dana e vêem-na cheia de ferimentos e machucados onde podiam ver linhas de sangue nascerem.
Ela se preparava para correr, as atrizes ficaram pálidas, nem mesmo Cordelio entendeu aquilo. Continuou avançando, mas foi impedido por Samira que colocaram seu braço na frente do rapaz maldoso. Já as garotas pararam na hora.
– Dana, vamos conversar... – Disse Jena. – Por favor... Não ande mais...
– Eu faço o que eu quiser para ficar longe de vocês! – Dana deu mais um passo para trás. – Vocês não vão me pegar! Seus monstros! – E continuou a dar mais passos para traz adentrando ainda mais na sala. – Eu quero que vocês queimem no inferno e morram! – ela exclamou.
Nisso sua mão doeu novamente, só que mais vigorosamente do que todas as outras vezes fazendo que ela segurasse sua própria mão pela dor e desse passos em falso, um desses que acabou quebrando um pedaço do piso de madeira que sem cuidados e a umidade deixou fraco de fácil de quebrar. Por sorte ela não prendeu se pé no buraco, saiu andando para trás perto de outra aparente porta coberta por tabuas de madeira, mas ainda estava confusa porque sua tontura só aumentava e a dor na sua mão era insuportável. Ou seja... Ela se tornara um alvo fácil.
– Ela ficou doida? – Perguntou Giulia assistindo Dana berrar de dor.
– Deve ter machucado a mão em algum lugar daqui! – Disse Samira.
– Eu só digo para pegarmos ela agora! – Jena correu em direção a Dana sendo seguida por todos os outros
Dana num impulso em vão de se salvar se joga contra a tal porta atrás dela.
– NÃO! A JANELA NÃO! – Berraram as atrizes e Samira.
Ela sentiu o vento forte da manhã. Sentiu seu cabelo balançar, sentiu uma leveza misteriosa. Sua mão parou de doer.
Cordelios e a garotas olhavam pela janela quebrada. O corpo de Dana estirado no chão e ao seu redor uma enorme poça de sangue se formava misturando-se com a grama não cortada coberta pelo sereno que a noite trouxera, estranhamente Dana parecia estar dormindo com os olhos fechados e sua face era serena. Os jovens apavorados voltaram assustados para o palco. Não sabia o que iriam fazer. Tinham medo de chegar perto do corpo da jovem.
– “Acorde...” – Disse uma voz feminina. – “É feio dormir na hora do chá!”
“Dana mal conseguia mexer direito seu corpo, ele inteiro doía, somente conseguiu abrir os olhos. Estava em uma aparente estufa imensa cheia de pássaros, plantas e a luz do sol atravessando os vidros da estufa. A sua frente estava uma pequena mesa branca toda delicada e trabalhada com um jogo de chá de porcelana e a sua frente via braços atravessando uma jaula e dentro dela uma mulher sentada usando um vestido negro todo trabalhado e rendado, não conseguia ver seu rosto, estava envolto pelo véu cor da noite com pequenos cristais imitando estrelas de seu chapéu.”
– “desculpe, mas não estou vestida para um chá formal!”- Contou Dana para a mulher dentro ta jaula.
– “Não é o que aparenta...” – retrucou a moça, fazendo Dana notar que usava um vestido parecido com aqueles que moças virgens usavam em casa no século 19. Que mais parecia uma camisola ridiculamente emperiquitada.
“Dana mirou a si mesma pelo espelho que ocupava pequeno espaço na mesa. Logo depois começou a colocar seu chá. A mulher apenas a observava e voltava com os braços novamente para jaula para bebericar aos poucos se chá.”
– “Sabe que eu esperei muito tempo para isso...” – Disse mulher que pelo tom de voz estava sorrindo.
– “Para que?” – pergunta dana antes de tomar um gole de seu chá.
Já no teatro, Samira acendeu um cigarro para tentar se acalmar. Cordelio pediu um também. Giulia mexia nos cacos de vidro e viu que todo o vinho escoou para a madeira velha e fácil de queimar.
– Isso não teria acontecido se vocês não tivessem dando uns pegas umas nas outras! – Cordelio resmungou depois de soltar uma baforada de fumaça.
– Pra inicio era você que não devia trazer aquela putinha da Dana aqui! – Giulia grita revoltada.
– Isso é verdade seu filho de uma puta! – Samira traga ainda mais seu cigarro.
– Fala isso na minha cara sua sapatona! – Cordelio puxou Samira pelo braço a ameaçando.
– Você na tem coragem de brigar comigo! – Samira olhou para as garotas também com tédio de Cordelio.
– E se tiver?
“Terminando seu chá dana abre um pote de biscoitos finos e pega um, já a mulher da jaula pega um pedaço de bolo. Depois que terminou se bolo ela se pôs a falar:”
– “Eu senti uma dor no meu coração quando soube que você tinha nascido um cordeiro de sacrifício novamente...” – Ela coloca o garfo na mesa. E toda contente continua. – “Mas agora... Agora estou tão feliz depois que eu descobri que você iria acordar um dia com todas suas capacidades plenas!”
– “Sou então uma garota de sorte, muita sorte.”
Samira e Cordelio põem-se a brigar deixando as bitucas acesas de cigarro caírem no chão embebido de vinho, não notavam mais o chão começou a queimar, quando perceberam uma verdadeira encenação do inferno começou a feita. Toda saída possível agora não podia ser mais acessada. As outras portas e janelas de andares estavam fortemente presas e madeira naquela hora parecia aço. Então agora descobriram, Dana era muito veloz e facilmente podia escapar deles, então como eles conseguiram chegar até onde ela estava? Simples! Ela correu o mais que podia e foi tentando arrebentar todas as portas que conseguiu por isso todos os ferimentos! Ela só deixou apenas um outro caminho para a morte idêntica a dela.
– “Pobres tolos que tentam se salvar mesmo com suas almas pecadoras imundas!” – A mulher falou para Dana. – “Não é hilário...? No final apenas irão arder na mansão infernal.”
– “Sim, é hilário...” – Dana falou sem perceber o que a mulher falava, pois estava olhando a paisagem ao seu redor.
– “Saberá quando estiver despertada...” – A misteriosa mulher estica seu braço esquerdo até seu limite pegando a mão direita de Dana. – “Quando a lua negra e sua frase selo subir em sua mão.” – Com sua mão direita ela contorna um circulo de escritas desconhecidas na palma de Dana.
“As marcas começam a movimentarem sozinhas sobre a pele da garota contornando seu braço. Parecia que aquelas escritas eram sem fim e não paravam de brotar da mãe pequena dela. Ele percebeu que no topo de seu ombro chegava o desenho de uma lua a traz delas as escrituras de brotaram de sua palma.”
– “É hora de ir brincar Dana...” – A mulher disse brincando no começou, mas depois da pousa continuou num tom sério. – “Logo poderá finalmente conhecer e brincar com suas irmãs, mas é claro... Se elas não despertarem do...”
Uma dor aguda penetra o coração de Dana, ela acorda na grama e vai andando normalmente, mas só deu por si mesma quando estava a algumas quadras de sua casa. Notou que sua camisa estava rasgada e com algumas manchas de sangue. Verificou seu ombro direito, estava tudo normal, a mesma e curiosa marca de nascença que se estendia circulando seu braço e terminava no começo de seus dedos onde sempre ficavam seus dois anéis que tinha desde criança.
– Oi! Dan-! O que é isso!? – Questiona a mãe de Dana apavorada já abraçando a filha. – Corre aqui Estevão! Ai meu deus Dana! Te machucaram?
As memórias de Dana estavam confusas e se duas boca saíram palavras sem seu consentimento.
– Teve uma briga na escola, uma menina se machucou sério e caiu em cima de mim e como eu não tinha outra camisa d escola eu voltei com essa aqui mesmo.
– Graças a Deus! – Estevam se aproxima de Mãe e filha e se junta no abraço família caloroso.
Na sala, Tiego e Vergílio assistiam televisão. Assim começa o jornal.
– “Boa noite. Hoje começamos com dois graves acidentes, um pela manhã: um ônibus colidiu com um carro em alta velocidade e explodiu. Sem sobreviventes, inclusive um dos mortos era um professor da mesma escola onde ocorreu o segundo acidente: o antigo prédio do colégio Margareth Balder que era usado antigamente como teatro sofreu um incêndio, depois que as chamas foram contidas e apagadas encontraram corpos carbonizados de quatro adolescentes, suas identidades ainda não foram descobertas.”
No aconchego dos pais ela só pensou uma coisa ao ouvir essa noticia: “Que povo sem sorte...”.
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