Notas iniciais
Mais um desafio desse projeto lindíssimo, uhuu!
Dessa vez foi proposto que fizéssemos uma história que mostrasse o que nos fez amar/entrar no fandom de Naruto. Eu resolvi me inspirar em uma das minhas primeiras one-shots SasuHina (Missing, Emotion and Happiness) que tem quase 10 anos e é muito especial pra mim pois, além de ter sido um dos pontapés para continuar no fandom, foi a história em que recebi minha primeira recomendação. Sempre que olho para ela eu vejo o quanto eu cresci, não só como escritora, e meu coração fica muito feliz. A princípio pensei em fazer uma continuação dela, mas acabei optando por seguir um caminho diferente. Vou colocar o link dela nas notas finais.

Essa one foi betada pela lindíssima @LSSF e a capa foi feita pela talentosíssima @fofarizey ♥

Espero que vocês gostem ♥

Paixão

pai·xão

Sentimento, entusiasmo, predileção ou amor tão intensos que ofuscam a razão;

Uchiha Sasuke nunca fez o tipo de bobo apaixonado, mesmo com mais da metade da escola — e isso você pode incluir garotas e garotos — aos seus pés. Sempre esteve focado em seus estudos — principalmente o inovador clube de arquitetura — no time de natação e a pequena banda que participava nos horários livres do colégio, então nunca teve tempo para, como ele mesmo dizia: as frivolidades do amor adolescente. Mesmo em seus momentos de folga e férias, Sasuke estava mais centrado em aproveitar o máximo que podia de seus momentos com seu amado oceano, navegando com o irmão ou nadando por horas nas águas salgadas, do que ficar e namorar como todos seus outros amigos e colegas.

Isso é claro, até conhecer Hyuuga Hinata.

Com seus olhos cinzentos como a lua cheia, as bochechas sempre vermelhas e os lábios rosados, a nova aluna do Konoha Gakuen não levou mais do que três semanas para conquistar o jovem Uchiha. Mas, como nem tudo na vida era perfeito, ela estava apaixonada pelo melhor amigo de Sasuke, Naruto.

E Naruto, sendo o cabeça oca e lerdo que era, nunca tinha parado tempo o suficiente para perceber a jovem e como os olhos dela brilhavam e como o sorriso era radiante quando ela via o loiro espalhafatoso.

Mas Sasuke percebia.

Percebia como ela sempre jogava os longos cabelos escuros para trás quando se apoiava na mesa para escutar as amigas com mais atenção. Percebia como os dedos delicados seguravam a lapiseira com cuidado enquanto ela desenhava no caderno bonito que ganhara da mãe de aniversário. Percebia como ela sempre tinha um sorriso para todos, até mesmo para ele. Percebia como ela adorava colocar post-its coloridos com lembretes em seus cadernos e recadinhos gentis nos cadernos de seus amigos.

A primeira vez que Sasuke ganhou um desses post-its, voltou para casa com as bochechas doendo de tanto sorrir. Era tão bobo e ridículo, ele pensava, aquele sentimento que preenchia seu coração e torturava sua mente. Era como se ele fosse explodir a qualquer momento e ele nunca havia sentido aquilo em sua vida.

O que Hyuuga Hinata estava fazendo com ele?

Ele tentou se manter afastado. Tentou não olhar para ela durante as aulas, não procurar por ela na arquibancada durante as competições de natação, tentou, principalmente, não encará-la durante a educação física em que ela usava aquele uniforme terrivelmente tentador ou quando a escola resolvera levar a melhor turma do ano — a deles — para uma viagem para praia e ela usou um biquíni azul marinho e sorria abertamente enquanto brincava no mar com as amigas. Tentou não ficar olhando fixamente para ela todas as vezes que saiam em grupo para a lanchonete. Entretanto, Sasuke falhou em tudo aquilo. O rapaz sempre se via ao redor dela novamente. Como se ele fosse uma lua que orbitava ao redor do belo planeta que era Hinata.

Céus, quanto tempo até ele começar a escrever bilhetinhos de amor?

O correto seria Sasuke se declarar, certo? Certo, porém ele não faria isso. Não quando prezava muito pela amizade que construíram e pelas conversas debaixo da macieira, não quando os sorrisos mais especiais eram direcionados ao loiro e não a ele. Não quando o brilho nos olhos exóticos era sempre maior para Naruto.

Não quando ela se declarara para o Uzumaki na frente de Sasuke.

Aquilo, o Uchiha mais novo percebeu, era o que ele precisava para finalmente se afastar. Porém, aquilo o irritou, não deixou de estar apaixonado por ela. Parecia que aquele sentimento nunca desgrudaria de seu peito, mesmo quando ele virava as costas quando via seu melhor amigo e ela caminhando de mãos dadas pelo corredor. Mesmo quando vira, no baile de formatura, o beijo apaixonado dos dois enquanto ela trajava o vestido mais bonito que Sasuke já vira em sua vida.

Principalmente quando, arrumando as coisas para sua mudança para a faculdade, ele encontrou o primeiro post-it que ela lhe dera. Ao pegar o pequeno papel azulado com a caligrafia perfeita, Sasuke sentiu seu peito doer com aquele sentimento.

Foi ali, um dia antes de mudar de país para perseguir seu sonho e segurando o post-it especial, que ele decidiu falar alguma coisa. Talvez não fosse justo com ela, ou mesmo com ele, mas o jovem precisava tirar aquele sentimento de seu peito para que pudesse seguir em frente. Então, sem pensar muito nas consequências, Sasuke mandou uma mensagem para ela pedindo para que ela lhe encontrasse naquele parque infantil perto da casa da morena.

— Eu estou apaixonado por você. — Ele praticamente vomitou as palavras no exato momento que ela parou em sua frente, embaixo da bonita macieira que existia ali. — Desde muito tempo.. Eu só… Estou apaixonado por você.

Sasuke não esperou uma resposta, apenas olhou atentamente para ela uma última vez e virou as costas, andando rapidamente sem exatamente correr.

Daquela vez, ele não olhou para trás em busca dos olhos dela.



Euforia

eu·fo·ri·a

sf.

Sentimento de alegria, felicidade e excitação exagerados, normalmente repentinos;

Sasuke não era uma pessoa que amava muitas coisas. Amava sua família, seus poucos amigos e seus gatos. Amava, principalmente, o mar e como ele sempre havia sido um ponto certo em sua vida. As melhores lembranças do Uchiha mais novo sempre estavam relacionadas às férias de verão, passadas na casa da praia da família, e às viagens de barco com o irmão mais velho. Tão grande era seu amor pelo oceano que ele havia passado oito longos anos longe do Japão, sua família e amigos, para realizar o sonho de se tornar Arquiteto Naval.

A vida na Austrália não havia sido fácil, principalmente no começo, já que o rapaz tinha muitas dificuldades em se relacionar e criar laços. Porém, aos poucos, ele criou um pequeno grupo de amizades e seguiu sua vida normalmente, aproveitando tudo o que a vida universitária poderia lhe oferecer — e isso inclui festas, pegação e, claro, conhecimento — até se formar com honras na Universidade da Tasmânia, saindo de lá com uma vaga garantida numa empresa de construção naval de renome na Austrália, onde trabalhou até resolver voltar ao Japão por um problema de saúde de dona Mikoto.

E agora que ele estava ali, apoiado na grade do mais novo cruzeiro da empresa Yamanaka, que ele projetara do início ao fim. O dono da empresa gostara tanto do projeto do Uchiha que fizera questão que ele estivesse na viagem de estreia do “Pérola”. Aquele, sem dúvida, fora o projeto mais ambicioso do rapaz e ele não pode evitar sorrir quando o viu construído pela primeira vez. Os olhos escuros brilharam intensamente enquanto caminhava pelos corredores, os dedos passando pelos detalhes delicados e o coração palpitando de felicidade pela realização.

Sasuke sempre ficava emocionado quando via um de seus projetos finalizados, mas parecia que o Pérola tinha algo a mais que ele não sabia identificar. Respirando fundo, ele fechou os olhos, aproveitando a brisa fresca e o cheiro salgado. O mar estava calmo naquela noite, um bom presságio para uma primeira viagem e ele deixou um pequeno sorriso tomar conta de seu rosto.

— Sasuke-san? — Uma voz, delicada e melodiosa que preenchera as partes mais profundas de sua mente nos oito anos seguintes a sua formatura do colégio, disse ao seu lado.

Primeiro, ele achou que sua mente estava lhe pregando uma peça, o que não era novidade quando o assunto era Hyuuga Hinata. Por mais que Sasuke houvesse seguido em frente, por mais que sentisse seu coração bater rapidamente após noites quentes e beijos intensos, nunca mais sentiu aquela onda intensa que ela lhe causara. Aquela sensação de não saber o que fazer ou como agir. Nunca mais sorrira feito um idiota apenas por olhar para um pedacinho de papel.

Ele havia seguido, mas, e se irritava muito com isso, aquele sentimento intenso com a morena ainda brilhava dentro de seu peito, como uma chama que, ainda que pequena, nunca se apagaria. Nesses momentos, ele lembrava-se de sua mãe dizendo que Uchihas amavam poucas vezes, mas amavam demais.

Segundo, e aquela alternativa era ainda mais absurda, pensou nas lendas dos marinheiros sobre sereias e quase riu com aquele pensamento e pelo quanto Hinata ainda mexia consigo.

O quão ridículo era ainda sentir algo por sua paixonite de colégio quase dez anos depois?

Sasuke abriu os olhos e respirou fundo antes de virar e ter uma das maiores surpresas de sua vida: Hinata estava realmente ali, segurando uma taça de vinho e com seus olhos de lua brilhando surpresos. O homem arregalou os olhos e abriu e fechou a boca várias vezes sem saber o que dizer. Seu coração batia tão rapidamente dentro de seu peito, que ele tinha certeza de que ela poderia ouvir, estando a poucos espaços de si.

Definitivamente muito ridículo, Sasuke.

— Hinata. — Finalmente o nome dela saiu de seus lábios e ela sorriu daquela forma que, no passado, fazia com que ele derretesse por dentro.

— Faz muito tempo, Sasuke. — Ela continuou, o sorriso ainda no rosto, e se aproximou mais um pouco e o homem teve que refrear a vontade de dar um passo para trás. — Como você está?

Eufórico, ele pensou, talvez um pouco desesperado com pitadas de vergonha.

A Hyuuga continuava tão linda quanto fora no final da adolescência e um pouco mais, com os fios cortados na altura do ombro, os olhos perolados destacados pelo delineador escuro e os lábios destacados com um batom carmesim. O vestido azul marinho — a cor favorita do Uchiha — era como uma pintura no corpo feminino e Sasuke sentiu suas orelhas esquentarem com a visão incrível que era Hinata.

— Aproveitando um descanso merecido depois de muito trabalho. — Ele decidiu dizer, tentando não transparecer o nervosismo em sua voz. — E você?

— O mesmo, minhas primeiras férias após anos e anos de plantões intermináveis na UTI.

Sasuke lembrava-se de algumas conversas que tiveram na roda de amigos e de como ela sempre quisera cursar medicina. O homem sorriu de leve ao saber que ela, assim como ele, havia realizado seu sonho. Ele comentou aquilo para ela e recebeu um sorriso grande no rosto bonito e eles entraram numa conversa agradável sobre os anos que passaram separados.

O Uchiha se surpreendeu como, depois de tanto tempo, ainda era apanhado tão facilmente em uma conversa com a morena, assim como seu coração.

— Você não me deu tempo após aquela confissão. — Ela lhe confrontou após alguns minutos de conversa e o homem sentiu sua gravata de repente ficando mais apertada em seu pescoço.

— Eu nunca fui um bom perdedor. — Sasuke confessou e sorriu amarelo, fazendo com que ela risse levemente e fosse até o seu lado, se apoiando no balaústre do navio.

— Suponho que não. — Hinata tomou um grande gole de seu vinho antes de continuar: — Naruto terminou comigo naquela mesma tarde, você sabia?

Novamente, o arquiteto se viu com os olhos arregalados e, engolindo seco, balançou a cabeça negativamente. Não havia mantido muito contato com o Uzumaki depois que se mudara para a Austrália e, mesmo quando conversavam, Sasuke nunca tocava no nome daquela que tomava conta de sua mente.

— E quando fui atrás de você, para entender melhor o que você havia me falado… Já era tarde demais.

— Hinata… — Ele começou, mas ela colocou seus dedos delicados nos lábios dele, o interrompendo.

— Eu demorei muito para entender e quando finalmente entendi, não tinha mais como ir até você. — As palavras dela eram quase um sussurro e os dedos eram quentes sob os lábios masculinos. — Talvez aquele não fosse o nosso tempo, pensei. Talvez fosse, mas perdemos. Por muitas noites me peguei pensando “e se?”.

Sasuke não sabia onde ela queria chegar, seu coração era uma maratona dentro de seu peito, batendo tão forte que chegava a ser dolorido. Nunca pensou que fosse a ver de novo, muito menos a sentir tão perto de si. O perfume que ela usava começava a inebriar seus sentidos e ele se refreava para manter as mãos longe do corpo feminino.

Isso era algum tipo de tortura, certo?

— Nunca pensei que te reencontraria, Sasuke. — Ela desceu os dedos que estavam em seus lábios para apoiá-los em seu peito, o encarando com aqueles olhos claríssimos que brilhavam como a lua cheia. — Mas eu fico feliz que isso aconteceu. Talvez…

— Talvez agora seja o tempo certo? — Ele completou sorrindo de lado e colocando uma das mãos em cima da dela, sentindo o calor da pele feminina e o arrepio que passou por eles.

O sorriso que ela lhe deu trouxe uma alegria quase insuportável para o peito dele, que só não foi maior que a euforia que surgiu quando, ao ficar na ponta dos pés, ela lhe beijou suavemente na bochecha.

— Sim, talvez seja. — E lhe deu outro beijo, dessa vez nos lábios.

Daquela vez, Sasuke não precisou olhar para trás, já que ela estava bem ali ao seu lado.

Amor

a·mor

sm.

Grande afeição que une uma pessoa a outra, ou a uma coisa, e que, quando de natureza seletiva e eletiva, é frequentemente acompanhada pela amizade e por afetos positivos, como a solicitude, a ternura, o zelo etc.; afeto, devoção.

Se você dissesse a um Sasuke de dezessete anos, aquele que ainda não conhecia Hyuuga Hinata, que ele se casaria com sua paixão adolescente depois de muitos anos que eles estiveram separados, ele riria na sua cara e lhe chamaria de louco. Mas, felizmente, o mundo dava muitas voltas.

Felizmente, daquela fez, o tempo estava sorrindo para eles.

Levou um ano após o reencontro para que eles resolvessem morar juntos e mais seis meses para que Sasuke a pedisse em casamento. Agora, doze anos depois desde que ele se declarara impulsivamente embaixo daquela macieira, ele estava se preparando para um dos dias mais felizes de sua vida: seu casamento.

Seus dedos tremiam enquanto ele colocava o blazer azul marinho e lágrimas se acumularam no canto de seus olhos enquanto sua mãe arrumava sua gravata com um sorriso intenso no rosto. Por muitas vezes, desde aquela noite no cruzeiro, Sasuke pensou se tudo aquilo não era apenas um sonho.

— Vocês vão ser muito felizes meu querido. — Sua mãe lhe disse, colocando a mão direita em seu rosto e acariciando a bochecha dele com carinho. — E espero que me dêem netos logo, certo?

O Uchiha mais novo riu com a fala da mãe e a abraçou fortemente.

— Ei maninho, está na hora. — Itachi, seu irmão mais velho, disse entrando no quarto e bagunçando o cabelo de Sasuke com a mão direita. — Porra, eu nem acredito que isso realmente está acontecendo.

— Nem eu, Itachi… — Sasuke respondeu com um sorriso. — Nem eu.

Quando parou no altar, o Uchiha mais novo sentia o coração bater desesperado, as mãos suarem frio e sua mente revivia todos os momentos que eles passaram juntos até culminar no dia de hoje. Sasuke sorriu.

A vida era feita de surpresas, não é mesmo?

Lembrou-se dos momentos do colégio, dos sorrisos delicados e post-its grudados em seu caderno. Não pôde evitar lembrar a decepção de perdê-la, mas essa lembrança logo foi substituída pela primeira noite deles no navio e como aquela chama, a pequena chama que permanecera acesa em seu coração, se acendera como uma enorme fogueira. Lembrou-se da primeira noite no apartamento deles e o pedido de casamento.

E, no exato momento que a marcha nupcial começou a tocar, lembrou da primeira vez que ela dissera que o amava.

Sasuke não fora um adolescente ligava para paixões e namoros. Não fora um adulto que costumava se emocionar e chorar facilmente. Mas, aparentemente, Hyuuga Hinata tinha o poder de trazer essas coisas à tona nele pois, ao ter a visão dela no vestido de noiva caminhando até si, o Uchiha não pode evitar as lágrimas que escorriam por seu rosto e a emoção que tomava cada pedacinho de seu coração, junto ao amor e devoção que tinha por aquela mulher.

Daquela vez, Sasuke sequer cogitou olhar para trás, já que tudo o que ele mais amava estava ali na sua frente.

Notas finais
Sou muito cadelinha de SasuHina a mais de 10 anos sinhe! hahahah.
Esses últimos tempos tem sido muito nostálgicos para mim, estou revivendo momentos que foram muito importantes e definitivos na minha vida e as fanfics sempre foram um pilar que, mesmo no tempo que passei afastada da escrita, me ajudou muito. Então gostaria de agradecer a você que me acompanha e que me apoia, as amizades que fiz nesse caminho (em especial dona @GatiMatsushita e @MSchinder). E claro, a você que escreve também ♥

Um beijo enorme no coração de vocês e até a próxima ♥

Link para a Missing, Emotion and Happinees: https://fanfiction.com.br/historia/116382/Missing_Emotion_And_Happiness/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!