Passion
42 Capítulo 38 - Falhou
Notas iniciais
Boa leitura!
Já faz mais de uma hora desde que Cami entrou na lanchonete para me dizer que estava indo ao apartamento de Jordan para conversarem.
German e eu já comemos um hambúrguer e estamos na sobremesa, um sundae grande que estamos dividindo. – Como você acha que estão as coisas?- Pergunto enchendo minha colher com sorvete e levando a boca. – Não sei. Mas realmente espero que esses dois se intendam. Não aguento mais ter que aturar a bunda bêbada de Jordan.- – Eles já estão conversando a mais de uma hora.- Comento. – Aham, coração? Não tenho certeza que eles ainda estejam conversando.- Ele dá um sorrisinho. – Você acha que...?- Pergunto sorrindo. – Ou isso ou essa conversa está sendo bem longa.-– Ah, German. Tomara.- Digo animada. – Vamos ver. Temos que esperar.- Ele diz e enfia um monte de sorvete na boca. Eu o observo se deliciando com o sorvete. Solto uma risadinha. – O que foi?- Ele pergunta. – Você tem calda de chocolate no canto da boca.- Ele levanta a mão para limpar mas eu o seguro. – Deixa comigo.- Me levanto sobre a mesa e lambo suavemente a calda de chocolate, recuo e o olho intensamente. – Humm, você e chocolate. Minhas duas coisas preferidas.- Sorrio maliciosamente. Antes, eu nunca seria capaz de fazer algo sugestivo e ousado como isso, mas depois que German me ajudou a descobrir minha sexualidade, me sinto cada vez mais confiante e menos tímida quando estou com ele. Ele está parado e parece estar segurando a respiração, sua expressão é tão engraçada e tenho que me segurar para não rir. Ele me encara como se quisesse me jogar na mesa e fazer amor comigo ali mesmo. – A conta, por favor.- Ele pede para a garçonete que passa por nós, sem nunca tirar seus olhos famintos de mim. *** Chego em casa com um sorriso enorme. Depois de ter conseguido me fazer gozar três veze; em sua cama, no chuveiro e na cama de novo, German me deu uma carona para casa. Ainda não recebi nenhum sinal de vida de Cami, acho que é um bom sinal. – Alguém em casa?- Grito. – Angie, já chegou?- Mamãe aparece vindo da sala. – Sim.- Digo tirando o casaco. – Como foi as compras com a Cami.- Ela pergunta. – Foram boas.- – É mesmo? Então porque não comprou nada?- Ela olha minhas mãos vazias. – Não encontrei nada pra mim, mas foram boas para Cami.- Uau, respondi sem hesitar ou gaguejar. Acho que desde que conheci German, já menti tanto para minha mãe que agora é algo natural. Isso não é uma coisa legal. Mas se ela fosse mais compreensiva... – Tudo bem então.- Ela me olha desconfiada. – Vou pro meu quarto.- Passo correndo antes que ela possa me fazer mais perguntas e lhe dou um beijo na bochecha. No meu quarto, espero mais alguns minutos e então decido que é hora de ligar para Cami. Não quero interromper nada, se ela estiver ocupada demais para me atender simplesmente vai ignorar. Ligo e deixo chamar cinco vezes antes de uma voz fraca atender. – Alô?- Droga, ela está chorando! – Alô, Cami? Você está bem?- Pergunto preocupada. – Ah, Angie. Eu...eu não...ele...na mesma cama que nós...- Ela não consegue terminar, começa a chorar descontroladamente. – Calma, Cami. Por favor, fique calma. Estou indo agora.- Desligo e saio correndo, descendo os degraus de dois em dois. – Nossa, vai tirar seu pai da forca?- Mamãe pergunta. – Vou na Cami.- Falo apressadamente. – Mas você não acabou de passar horas com ela?- – Ann...é mais é que...emergência de garota.- Fico feliz por não ter que mentir mais uma vez. Isso realmente é uma emergência. Chego na casa de Cami e corro até a porta, bato apressadamente e logo Bárbara abre a porta. – Angie? Que bom que você está aqui.- Ela parece aliviada. – Oi, Bárbara. A Cami está?- Ela dá um passo para o lado e faz sinal com a mão e eu entro na casa. – Ela chegou um tempo atrás e passou feito um furacão em direção ao seu quarto. Acho que ela estava chorando, mas quando fui ver o que aconteceu ela me mandou embora. Você sabe o que ela tem?- – Vou tentar descobrir isso agora. Com licença.- Digo. Subo os degraus e chego a porta do seu quarto. Bato de leve. – Cami, sou eu, Angie.- Demora um pouco mas logo escuto passos e a porta se abre. Cami parece horrível, suas roupas amassadas, os cabelos bagunçados, os olhos vermelhos e inchados. Ela me olha com um olhar devastado e me puxa para um abraço. – Ah, Angie.- – Shhh, tudo bem. Me conte o que aconteceu.- Digo abraçando-a, tentando reconforta-la. Ela tranca a porta novamente e se joga na cama, eu sento ao lado dela e espero que ela tome a iniciativa de falar sobre o que aconteceu. Se o Jordan a machucou eu juro que eu vou fazer picadinho dele. Ela demora alguns minutos mas finalmente começa a falar. – Nós fomos até a casa dele e começamos a conversar. Falamos bastante, ele me falou como se sentia quando eu flertava com outros caras e de como se sentiu traído e machucado em me ver com Thomaz. Eu pedi desculpas e disse que era tudo brincadeira e que nunca o trai e que nunca faria isso, porque eu o amava. Ele disse que me amava também e nós...- Ela começa a soluçar e eu envolvo meus braços nela. Mas ela parece inconsolável. Fica balançando a cabeça e murmurando “ Era mentira, mentira, ele não me ama. Nunca amou.”
– O que aconteceu, Cami? Me conte, eu sou sua amiga.- Incentivo a continuar. – Nós nos declaramos um para o outro e nos beijamos. Uma coisa levou a outra e nós acabamos transando. Foi tão bom, ele foi tão gentil quando eu disse que era minha primeira vez. Foi mágico, eu senti como se saísse do meu corpo.- Sei exatamente do que ela está falando, foi assim comigo e com German. Foi simplesmente mágico. Mas o que será que aconteceu para que ela ficasse assim? Ela funga e limpa o nariz na manga da blusa. – Depois ficamos conversando um pouco na cama dele, mas eu sabia que tinha que ir embora. Fui pegar minhas roupas do chão e foi quando eu vi uma calcinha fio dental vermelha, jogada em um canto. Eu peguei ela e fui tirar satisfações com ele, que me disse que não sabia de quem era e como foi para lá. Eu gritei com ele e nós discutimos, ele acabou confessando que a calcinha era de uma garota que ele tinha levado para casa ontem a noite.- Puta Merda! Isso não pode ter acontecido. – Eu perguntei com quantas vadias ele tinha transado naquela mesma cama, onde nós tínhamos acabado de fazer amor. Ele disse que desde que nós terminamos tinham sido várias, mas que mesmo assim ele me amava, que ele só tinha feito sexo com outras porque estava sofrendo por mim.- Ela ri sem humor nenhum, um riso sarcástico e amargo. – Eu nunca mais quero olhar pra cara dele. Ele tirou minha virgindade sob a mesma cama onde ele tinha comido varias vadias. Ontem, enquanto eu estava aqui no meu quarto, pensando nele, ele estava com qualquer uma. Beijando ela, tocando ela...Urgh!- Ela coloca as mãos no rosto e soluça descontroladamente. Fecho os olhos com força e me sinto um lixo. – Me desculpa.- Peço. Ela levanta os olhos das suas mãos e me olha, posso ver em seu olhar que ela está despedaçada. – Pelo que?- – Por ter armado para vocês se encontrarem.- – Você só queria ajudar, você não sabia que ele era um libertino.- A culpa quase me engole. Crio coragem e confesso. – Na verdade, eu...eu sabia.- Sussurro. Ela me olha com horror. – Como assim você sabia?- Sua voz falha. – Eu vi ele com algumas mulheres quando eu fui ao encontro, e German me contou também.- Ela se afasta e sai da cama, quase em um pulo. – Como você pode? Você sabia e não me contou, e pior, ainda queria me fazer voltar com ele.- – Cami, por favor, eu...- Me levanto e caminho em sua direção, tentando me explicar. Ela levanta a mão e parece enjoada. – NÃO.- – Cami...- Chamo, meus olhos se enchendo de lágrimas. Ela aponta o dedo para a porta. Meu coração dói. – Vá embora.- – Cami, me deixa explicar.- Imploro. – VÁ EMBORA, AGORA.- Ela grita. Quando não me mexo, ela vem até mim e me empurra. Tento ficar firme mas ela vai me emburrando até chegarmos na porta. – Você me traiu, nunca mais quero olhar na sua cara. Eu odeio vocês dois. Eu odeio.- Ela abre a porta e me emburra com violência, eu me choco contra a parede do outro lado e vejo ela batendo a porta. Coloco a mão no meu ombro, ele bateu na parede com força e está doendo. Cambaleio escada a baixo, chorando. Bárbara não está em nenhum lugar visível, graças a Deus. Tomara que ela não tenha ouvido nada. Saio pela porta e sinto o ar frio, já escureceu e eu nem percebi. Caminho pela rua com dor no coração. Cami nunca irá me perdoar.
Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari
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