Quando percebo, o céu já está apagado. A luz do monitor brilha em meus olhos naquele quarto que agora está escuro.

“Petri, já vou sair.”

“Okay Neko, não vou demorar muito também.”

Eu e Yuki estávamos evoluindo nossos personagens em uma horda de monstros tartarugas.

Levanto-me ao desligar o computador e olho pela minha janela, percebo que a casa de Haruna ainda está escura. Quando ela está no clube de kendo, é normal chegar por volta das seis e meia.

Olho no relógio e percebo que são seis e quarenta. Fecho os olhos e suspiro, pensando “Ela deve estar com ele…”

Quando ia fechar as cortinas, vejo Haruna entrando em sua casa. Meu coração se acelera e começo a ter um pouco de dificuldades em respirar.

Em uma situação normal, eu não teria problemas em ficar sozinho com Haruna, mas agora não estamos em uma situação normal. Desde ontem pela manhã, passei a ver minha amiga de infância como garota.

— Aoi! Vem comer.

Ouço a voz de minha mãe vindo da cozinha. E agora? Não tenho ideia do que Haruna quer treinar, se eu comer agora posso está sem forma para comer algo que ela preparará.

— Mas ontem ela já treinou .

Não lembro qual o título, mas tenho certeza que não foi esse!

Meu eu esforçado aparece sentado na cama, olhando alguns papéis.

— Aoi-kun, tem certeza que não será algo para comer?

Me escoro na janela e fico olhando o eu esforçado revirar alguns papéis.

— Aoi-san, olhando minhas anotações, percebo que ela não repete treinamentos quando entende o que é para ser feito…

Isso mesmo, hoje fiquei com fome maior parte do intervalo.

— …Ela já treinou conosco: Fazer um pedido delicado para comerem juntos no intervalo; Fazer o lanche e comer juntos no terraço; Um abraço de encontro em frente à casa e perguntando se pode fazer o jantar; Fazer o jantar para o namorado; Tomar um banho na casa do namorado; Comer o jantar com o namorado; Caminhar para a escola com o namorado; Trocar mensagens com o namorado;

Esses nomes são todos autoexplicativos! Que falta de bom senso!

— Então, quais as opções que ainda temos?

O eu esforçado analisa algumas opções depois de ouvir minha pergunta e coça sua cabeça.

— Talvez… tomar chá com o namorado depois de um dia cansativo.

Pare que esses nomes por favor!

— Ou talvez…

Ele faz uma pausa.

— … algo pervertido!

O eu pervertido aparece em sua poltrona confortável e tendo Sakura-chan sentada em seu colo.

— Aois…

Não coloque nossos nomes no plural!

— … o clima frio está totalmente favorável a um ato vergonhoso entre dois jovens que buscam conhecimentos.

O que é esse desejo dentro de mim? É como se o eu pervertido estivesse botando para fora tudo o que eu realmente quero falar.

— Aoi! Vem comer.

Ouço o segundo chamado de minha mãe.

— De qualquer forma, melhor comer pouco aqui em casa para eventuais problemas futuros.

Meu eu esforçado analisa alguns papeis. Eu me viro para a casa de Haruna e já vejo as luzes de dentro acessas. Mas não a de seu quarto.

Vamos comer, ainda falta mais de uma hora, dá tempo de digerir se eu não comer muito.

O eu esforçado e o eu pervertido somem e suspirando, saiu do quarto.

***

— O que estava fazendo?

Meu pai está sentado na mesa enquanto minha mãe pergunta ao trazer alguns prato para a mesa. O prato da noite é curry e omelete.

— Desculpe, estava dormindo, só ouvi o segundo chamado.

O óculos de meu pai brilha.

— Se você estava dormindo, como sabe que foram dois chamados?

Ai está! Aparece o lado detetive de Neko Kanoko! Um escritor de novels buscando seu espaço.

— Eu só estava sonolento na primeira chamada…

Meu pai escora os cotovelos na mesa e faz a mesma posição like a boss que eu fiz ontem com Haruna, mas seus óculos brilhando o deixa parecido com certo personagem de um anime que assisti a muito tempo.

— E se eu lhe disser que foram… três chamadas!

Não faça disso um início de mistério clichê!!

— Vamos os dois, comam logo.

Eu herdei os cabelos negros e lisos da minha mãe, ela realmente é uma mulher bonita, não sei o que viu em um cara tão normal quanto meu pai. A única coisa que eu queria herdar dele seria os olhos azuis, mas assim como os cabelos, herdei os olhos da minha mãe.

— Minha princesa esquecida no jardim da perfeição, sua refeição está saborosíssima!

Meu pai deixa rapidamente aquela posição like a boss e se torna um irritante cara apaixonado.

— Oh querido~ Fiz esse omelete especialmente pra você.

Minha mãe é séria o tempo todo, mas seus olhos castanhos claros se tornam corações ao receber qualquer declaração de meu pai. Por isso são chamados de eternos namorados por nossos conhecidos.

— Vou ajudar Haruna com um pedido dela mais tarde.

Um flash de luz vem da direção de seus olhos.

—Huummm~ Um pedido é?

— Oohhh~ Então finalmente estão namorando?

O tom animado deles me enoja.

— Não é nada disso, estou apenas ajudando ela com algumas coisas do colégio.

— Filho, não perca nenhuma oportunidade!

Depois desse conselho nada paterno, meu pai faz um sinal de positivo com as mãos. Minha mãe faz a mesma coisa.

— Estou arranjando com esses dois…

Sussurro e começo a jantar.

***

— Obrigado pela comida.

Agradeço meus pais e volto para o quarto, são atualmente sete e meia da noite, ela pediu para ir lá as oito. Verifico pela janela e percebo as luzes de seu quarto ligadas.

— Acho que não terá problemas em antecipar alguns minutos.

Tomo um banho e começo a me arrumar. Vestindo minha camisa, meu olhar vai direto no meu computador e logo lembro de Yuki.

— Você sabe o embalo que vai acontecer na equipe se aceitar o pedido dela?

Lembro de suas palavras como se tivessem sendo ditas naquele momento.

— O que aconteceu com Maria não irá se repetir…

Sussurro essa frase três vezes antes de sair de casa. O clima já está começando a ficar mais frio. O outono começou faz pouco tempo, então o ápice do frio ainda não chegou.

Vou até a casa de Haruna com uma camisa T-shit simples branca e uma calça de educação física azul. Ao tocar a companhia, ninguém responde.

— Será que está no banheiro?

Toco novamente e um grito vem de dentro.

— Já vaaai Sora-chan~!

A porta se abre e encho meus olhos com a imagem da Haruna cobrindo seu corpo apenas com uma toalha. Seus cabelos vermelhos ainda molhados escondem um pouco de seu rosto.

Ela realmente estava no banho!

— Entre Sora-chan, você veio um pouco cedo.

— Desculpe por isso.

A sala da casa de Haruna é bem simples, com um sofá branco de quatro lugares escorado na parede bem em frente a uma televisão grande. No centro, um tapete branco e uma mesa para colocar lanches e coisas do tipo, para comer enquanto assiste.

— Pode se sentar, eu vou me trocar.

O corpo de Haruna parece moldado naquela toalha. Meu coração palpita ao ver o decote de seus peitos sendo amassados por seu braço.

Meu rosto cora por completo ao perceber que ela começa a subir as escadas, minha reação foi de abaixar um pouco para ver se enxergo algo por baixo, mas meu senso comum conseguir engolir essa vontade e apenas observo suas coxas recém molhadas.

O tempo passa e minha perna fica inquieta. Estou sentado naquele sofá já faz cinco minutos e nada dela voltar.

Suspiro alto e percebo ela descendo.

— Haruna, demorou bastante pra se trocar…

Haruna desce as escadas com uma saia plissada vermelha, o lado esquerdo daquela camiseta preta está caído, deixando à mostra a alça de seu sutiã. Sua meia ¾ indo até acima do joelho mostra apenas um pouco de sua coxa.

— Haruna… essa roupa?

É a primeira vez que vejo Haruna tão desleixada.

—Ah! Estou treinando

Nice! Nice! Niiiiice!

— Até… que você fica bonita assim.

Haruna realmente é muito linda, com certeza seu corpo deve ser invejado pelas outras garotas. Seus peitos não-grandes e não-pequenos equilibra qualquer roupa.

Se aproximando e ajeitando seu cabelo, Haruna se senta ao meu lado.

Me encolho um pouco, estou muito excitado com toda aquela situação, se aquilo acordar agora, com certeza terá um problema.

— Sora-chan…

Seus lábios não se afastam muito ao dizer meu apelido.

— Oi…

Haruna pega seu celular e abrindo o aplicativo para tocar músicas, aperta em play e seu celular começa a tocar uma música que me traz muitas lembranças.

— Se lembra dessa?

Seu rosto esbanje uma expressão serena e carinhosa ao perguntar olhando a foto do álbum daquela música, uma pequena nuvem no vasto céu azul.

— Aoi Sora… não é?

— Sim… você não sabe como eu gosto dessa música.

Ela fecha os olhos e escora seu corpo ao meu e fecha seus olhos. Ficamos um tempo ouvindo aquela música.

— Nós sempre ouvíamos ela quando crianças.

Eu tento quebrar um pouco aquele clima que me deixava cada vez mais nervoso.

— Sim… depois que tomávamos banho no lago do sítio de seu tio, sempre íamos para a varanda e ficávamos cantando essa música olhando para o céu.

Percebo os olhos de Haruna meio abertos olhando para o nada.

— Você começou a me chamar de Sora justamente por isso, não é?

— Sempre me lembro de nossos momentos juntos toda vez que te chamo de Sora.

Aoi… Sora… Me sinto feliz ao ver que Haruna se importa com nosso passado, com nossas brincadeiras. Com os medos e sorrisos que mostrávamos apenas para o outro.

Ela vira um pouco seu tronco em minha direção, sua coxa agora está tocando na minha e seus seios abraçam meu braço que sente todo aquele aconchego. Seus olhos verdes se encontram com os meus, mas de canto consigo ver seu decote.

Isso é mal, desse jeito ela irá perceber o quanto estou nervoso.

— Sora-chan… eu…

Você o quê Haruna?! Não chame meu nome desse me olhando com essa expressão tão meiga!

Ela abraça o meu braço por completo, nesse momento já estou no ápice da excitação, não consigo fazer meu suricato ficar em sua toca, então uso meu outro braço para disfarça-lo.

Sendo abraçado por ela, meu braço fica aconchegado em seus peitos, minha mão fica em cima de sua coxa.

— Sora-chan, consigo sentir seu coração acelerado.

Isso é ruim. Estamos muito próximos e com aquela música de fundo, me excito totalmente.

— Hoje, depois do treino. Eu e Yama-san ficamos sozinhos…

Sozinhos!

— … e ele tentou me beijar.

Maldito! Como ousa! Amaldiçoou você e todas as suas futuras gerações!

— E… o que aconteceu?

— Eu…

Não fale! Por favor! Não fale!

— …o beijei.

Meu coração se aperta, não sei explicar o que sinto naquele momento. Saber que Haruna, minha amiga de infância e atual paixão, deu seu primeiro beijo com outro cara.

Fico em silêncio… O que posso dizer? Apenas continuo olhando para aqueles olhos verdes, que começaram a lagrimar.

***

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.