Passei a ver minha amiga como uma garota!

5 A conversa intima no meio da aula sem ninguém perceber


Depois de limpar meu uniforme, voltei para o terceiro andar e entrei em sala.

—Ikeda-san, sente-se por favor.

Que professor chato…

Sentando-se na minha carteira, de canto, vejo Haruna esbanjando um pequeno sorriso enquanto escrevia algo em um papel separado.

Pronto, é mais uma carta praquele cara.

Enquanto escrevo o conteúdo que está no quadro, sinto uma pontada na minha cabeça, um papel foi jogado. Sério isso? Não estamos mais no primário!

Pego o papel que está amassado e ao tentar ver quem foi a criança, Haruna estava olhando para mim de canto e apontando bem discretamente para o papel.

Entendi, então foi ela que jogou. Então abro o papel e vejo uma mensagem acompanhada de um desenho fofo de um urso rindo.

“Sora-chan, você demorou no banheiro, o que estava fazendo hein?”

Uma pequena frase para aquele pedaço de papel. Será que ela sabe quantas árvores são cortadas para fazê-lo?

Suspiro e amasso novamente o papel, mas ouço uma batida forte de pé no chão. Olho para o lado e vejo Haruna olhando de canto para mim, fingindo escrever algo.

Agora caiu a ficha, aquilo é o famoso sinceramente, pensava que isso era uma lenda.

Meu coração começa a bater um pouco mais forte, aquele bate-papo indireto é muito perigoso, se o professor pegar, ele irá ler a conversa e saber de coisas que não deveria!

“Tive uma pequena briga com Yuki.”

Amasso o papel em quadrado e estico minha mão, rapidamente ela o pega e começa a ler.

Depois de um tempo, ela o dobra e passa para mim.

“Você ainda conversa com ela? Pensei que depois do que aconteceu com a Maria, você deixaria essas brincadeiras de lado.”

Yuki nunca foi amigável com Haruna e vice-versa. Por isso geralmente converso com elas em situações diferentes.

“O que aconteceu com Maria não vai se repetir.”

Haruna volta a não expressar nada e escreve rapidamente.

“Tem certeza?”

Sempre esperamos o professor baixar a guarda para passarmos o papel para o outro.

“Tenho sim, Haruna. Aliás, qual o nome do capítulo desse treinamento?”

“Se chama: ”

Que nome extenso e autoexplicativo!

“Entendi, é sua primeira vez fazendo isso?”

“Sim! É divertido né?”

O emoji que você desenhou nesse papel não está sendo expressado no seu rosto! Bem… não é para o professor perceber de qualquer forma.

“Haruna, o que vai fazer na hora do intervalo?”

Ao ler minha mensagem, Haruna suspira. Ela não escreve uma resposta de imediato, demorou bastante para ela me passar o papel novamente.

“Irei para o terraço, lanchar com o Yama-san.”

Olho de canto para ver se ela percebe minha inquietação ao ler aquilo. Haruna está olhando atenta para o quadro.

Não tem porque ela comer comigo… estou sendo usado para fazê-la ganhar experiências como namorada, Haruna já sabe como agir diante de um lanche no terraço graças ao que aconteceu ontem.

“Legal, você vai botar em prática o que já aprendeu comigo ontem, né?”

Ela dá um leve sorriso ao ler minha mensagem.

“Sim, é a primeira vez que irei colocar algo que aprendemos juntos em ação, estou nervosa!”

Novamente um emoji desenhado, mas dessa vez a expressão de felicidade dela é igual ao desenho do ursinho sorrindo que colocou ao lado de sua frase.

“Que bom!”

Aquele era o único recado que eu poderia dar. “Por que não almoça comigo para ganhar mais experiência?” Seria o que eu gostaria de colocar, mas acho que isso era idiotice.

O sinal toca para o intervalo, Haruna se levanta e tira de sua bolsa a mesma vasilha enrolada com um pano de cozinha que ela trouxe ontem. Olhando para mim, Haruna faz sinal de positivo com a cabeça. Ali, meu papel é de apenas responder com outro sinal de positivo.

Ela sai da sala e eu fico lá, boiado na minha carteira.

— Parece que hoje irei batalhar pelo pão de melão…

Meu sussurro vem seguido de um suspiro.

***

Tapas… chutes… gritos…

— Você não o levaráááá!

— Morra com seu trocado!

— Capitão! A primeira linha defensiva foi derrubada!

— Consiga mais um pouco de tempo, a senhora está contando o troco!

Observando aquela guerra um pouco distante, percebo que a felicidade que senti ontem ao comer um lanche feito em casa realmente foi incrível.

— Maldito capitão de Kendo!

Falo enquanto dois alunos são jogados aos meus pés por aquela multidão.

— Mesmo sendo algo terrível… Hoje essa batalha está bem mais sangrenta…

— É porque a senhora da cantina avisou que hoje não tem pão de Yakisoba.

Eu quebro como pedra ao receber aquela afirmação de Yuki, que aparece do nada ao meu lado.

— Então quer dizer que…

— Sim… Hoje o Santo Graal, é o pão de Melão!

Fico sem palavras enquanto observo aquela cena de filme zumbi. Todos se empurrando em busca de um lugar em frente ao caixa. Corpos sendo jogados para longe como se fossem bonecos e olhares de desespero e medo tomando conta do ambiente em volta.

— E você Yuki?

— Eu o quê?

— Vai entrar na fila?

— Estás louco, uma dama como eu não entra em um garimpo desses.

Uma dama não pode falar isso depois de quase me matar em modo beserk!

— Então, o que você vai comer?

— Acho que você deveria se preocupar consigo mesmo.

O sorriso maduro de Yuki não caia bem com aquele corpo pequeno.

— Petri-sama!

— Quantas vezes eu já disse para não me chamar por este nome no colégio!

Não consigo dizer quantas voltas Yuki deu no ar antes de esmagar a cabeça daquele pobre guerreiro no chão.

— É difícil ser colega de classe dela, hein? Kouhai.

— Sim… neko… -san…

Não consigo saber quantos dentes ele quebrou, mas suspiro ao ver o pão de melão que Yuki tem em mãos graças ao sacrifício daquele soldado.

— O que você pensa ao se sacrificar por ela?

— Na verdade…

Ele levanta seu rosto e abre o pão de melão que estava com ele.

— Eu já estava na fila, então me ofereci para comprar o dela junto.

Entendi…

Saia da cantina com barriga roncado, pois aquela batalha estava perdida para mim. A guerra pelo pão de melão não é nada comparada à guerra pelo pão de Yakisoba. Mas juntar as duas batalhas em uma só, com certeza era derrota certa para mim.

— Será que dou uma passada lá…?

Penso ao coçar minha cabeça.

Chegando no terraço, abro a porta lentamente. Vejo vários estudantes comendo livremente naquele belo tempo nublado.

Na furtividade, andando devagar pelas paredes, consigo detectar meu alvo no outro lado do terraço, perto da cerca de proteção.

Haruna está sentada ao lado dele, com as mãos entre as coxas e o olhando comendo seu sanduíche. A cara de satisfação que ele faz com certeza me dá nos nervos.

— Olhe como ela está feliz, protagonista de light novel… Mas seus sentimentos de irritação estão transbordando!

— Fique calado eu pervertido! Já estou irritado pela fome e você ainda vem me cutucar.

— Você a quer não é? Você quer sentir novamente o que é ser importante para uma garota. Sentir o que é ser amado, igual quando você namorou com Maria.

Eu apenas ignoro as diretas do eu pervertido em meu subconsciente e continuo observando aqueles dois.

— O que aconteceu com Maria, não tem nada a ver com isso.

Haruna conversa algo e aquele cara apenas sorrir concordando. O sorriso em reposta que ela esbanje me faz ranger os dentes.

— Droga…

Volto para dentro e na escada, me seguro na parede. A fome deve ter me deixado tonto, melhor esperar a guerra pela Santo Graal terminar e ver o que sobrou.

Volto para a cantina, só vejo um deserto, algumas cruzes com capacetes estão presas ao chão.

Procuro alguma sobra e compro um simples sanduiche de presunto e queijo com um suco que é tão industrializado que o gosto não condiz com o anúncio da embalagem.

Não consigo tirar a imagem daqueles dois sorrindo um para o outro de minha mente.

Volto para a sala no fim do intervalo e encontro Haruna já pronta para a próxima aula. Me sento novamente na carteira e verifico os livros para os próximos tempos.

Um papel cai em cima das minhas anotações. Era Haruna novamente.

“Consegui! Tudo saiu como planejamos!”

Não planejamos nada! Mas aquele emoji que ela desenhou novamente fez minha irritação ir embora.

De canto, observo o semblante de felicidade que ela esbanje. Não tem como eu me sentir irritado vendo aquele lindo sorriso.

“Fico feliz por você!”

O sorriso dela aumenta ao ter lido minha mensagem.

Pensei que nossa conversa teria terminado ali, mas já quase no fim da aula, recebo novamente aquela folha de papel.

“Hoje você vai está sozinho em casa?”

Aquelas meras palavras me excitaram, foi do nada!

“Não sei dizer…”

“Minha avó só volta do retiro amanhã, vai lá em casa pelas oito horas, quero treinar mais uma coisa com você.”

— Hoje iremos está sozinho na casa dela, é melhor deixar eu cuidar da situação…

Aqui está, depois de ficar excitado com aquelas palavras da Haruna, logicamente meu eu pervertido iria aparecer!

Espere! Não vou deixar meu eu pervertido controlar a situação novamente! A última vez que isso aconteceu…

— Você fez Maria chorar.

Não! Não! Preciso me acalmar! Não posso cair nas baixarias do meu subconsciente.

“O que você quer treinar?”

Jogo o papel de volta pra Haruna.

“Te aviso lá, okay?”

“Okay…”

Nenhuma mensagem foi trocada depois disso. O sinal do fim da aula toca e ao me levantar, Haruna se aproxima.

— Sora-chan, te aviso quando chegar, okay?

Eu apenas balanço a cabeça em sinal de positivo, observo seus cabelos vermelhos e olhos verdes, o uniforme justo faz seus peitos se destacarem. O movimento de sua cintura é lindo também. Como eu a quero…

— Sora-chan?

— Não é nada. Melhor você ir.

— Okay, tchauzinho~

Haruna sai para o clube de Kendo, não vi Yuki na saída então cheguei cedo em casa. Meus pais ainda não haviam chegado, me deitei na cama e comecei a me masturbar pensando na Haruna e imaginando o que poderia acontecer na casa dela.

***