Passado X Presente
6 Bahia
Notas iniciais
Luzes. Verde, amarelo, azul, algumas brancas que brilhavam como super-novas, piscando com uma intensidade cegante para depois desaparecerem.
Música. Tambores que vibravam, pandeiros que brilhavam e rebrilhavam com o próprio som, violões que choravam e vozes que cantavam incessantemente, achando em tudo uma maravilha, em cada respiração um poema.
No meio da festa, a morena dançava.
/.../
Após conseguir se desfazer do rapaz que insistira em acompanhá-la até em casa ("É tarde e moças bonitas como você não deveriam andar sozinhas pela cidade"), Bahia finalmente começou a demorada caminhada até o lar. Pelo chão das avenidas ainda podia se ver o reflexo das luzes distantes do carnaval, e a música parecia ecoar em cada esquina.
O sorriso da baiana parecia eterno, seus dentes brancos visíveis por entre os lábios vermelhos e seus olhos verde-esmeraldas brilhantes. Seus passos pareciam acompanhar inconscientemente o ritmo da batida distante dos tambores. Em conclusão, a morena parecia a imagem da verdadeira felicidade carnavalense, acentuada ainda mais pelo vestido tradicional de baiana que usava.
Na distância, um pequeno edifício repousava, bandeirinhas verde e amarelas agitando-se com a brisa que vinha do mar. A maior parte das janelas exibia luzes apagadas, embora várias estivessem acesas, e vozes saíam delas e derramavam-se pela rua. O sorriso de Bahia pareceu estremecer por um segundo antes que fosse retomado com uma intensidade forte demais para ser verdadeiro.
O saguão estava vazio, o guarda provavelmente em seu pequeno escritório assistindo o carnaval pela televisão que havia ali. Bahia parou por alguns segundos, indecisa, e decidiu usar as escadas. Ao chegar ao seu andar, o sorriso da baiana já havia encolhido visivelmente.
E quando cruzou o umbral de sua porta e trancou-a atrás de si, sua máscara de alegria já tinha desaparecido por completo.
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