Passado Obscuro
49 Capítulo 48 - Um Dia Será Nós Dois
Notas iniciais
Dois Meses Depois...
Meu reflexo no espelho mostra o quanto ainda falta para eu ficar pronta. O vestido verde claro ainda está jogado em cima da cama, as maquiagens postas de qualquer jeito na penteadeira e os sapatos do lado do armário.
– Jane! – grita Ginna batendo as mãos na coxa em sinal de protesto. Ela acabara de sair do banheiro, já totalmente pronta. – Faltam duas horas para o casamento e você ainda nem se quer colocou o vestido?!
– Tenho mesmo que vestir isso? – pergunto com uma cara desanimada. – Preferia ir com uma boa calça ou uma saia!
– Você vai ser madrinha! Precisa estar impecável! – exclama Ginna chegando mais perto de mim. Eu reviro os olhos. Ela segurava a barriga de uma forma protetora, com um ar cansado. – Meu Deus, meus saltos estão me matando.
– Eu disse para você colocar os sapatos apenas na hora do casamento, não disse? – eu a ajudei a sentar na cama. Ela respirou fundo. – Agora, fique aqui sentada enquanto eu termino de me arrumar, ok?
Ginna assente com a cabeça. Eu pego o vestido ao seu lado e rumo para o banheiro.
O vestido é verde claro, tomara que caia. Ele vem até um palmo acima do joelho e é de cintura marcada. Depois de cintura, fica mais soltinho, com um tecido bem delicado.
Quem o escolheu foi Sara, que insistiu para que todas as madrinhas tivesse o mesmo modelo de vestido, só que com cores diferentes. As cores foram sorteadas e a minha caiu verde (o que eu adorei, afinal eu amo verde). Ginna também é madrinha, está com o mesmo vestido, só que rosa claro, que combinou bastante com ela.
Sai do banheiro rapidamente. Enquanto conversávamos, eu fiz minha maquiagem básica e prendi meu cabelo em um coque lateral. O meu salto, como o de todas as madrinhas, era preto, com oito centímetros de altura. O coloquei e prendi a fivela.
– Viu? Estou pronta e ainda faltam uma hora e meia para o casamento. – logo quando acabei de falar alguém bate na porta. Vou até lá e a abro.
Meu pai está parado do lado de fora, com uma expressão ansiosa. Ele está com um terno preto, tão bonito que eu não coseguiria reconhecê-lo se passasse na rua. Seu cabelo está puxado para trás com gel, o que eu achei que ficou ótimo nele. Há uma gravata em volta do seu pescoço, mas ela ainda não está colocada.
– Err... Eu ainda não consigo colocar essa coisa direito. – diz, referindo-se a gravata. Eu sorrio e pego na gravata. Faço um nó rapidamente, aprendi isso por conta de meu pai sempre precisar de ajuda para coloca-la.
– Pronto! – exclamo, arrumando os últimos detalhes do seu terno. – Está ansioso?
– Meu Deus! – ele respira com dificuldade e enxuga o suor que cai em sua testa. – “Estar ansioso” é pouco para o que eu estou sentindo agora.
Eu rio e faço carinho em seu rosto.
– Você vai se sair muito bem, pai. – ele retribui o meu sorriso. – Espero que você seja muito feliz. Muito mesmo.
– Obrigada, minha filha. – eu abro os braços e ele me envolve em um abraço terno. – Eu te amo.
– Eu também te amo, pai.
– Desculpe interromper esse momento família, mas precisamos estar na igreja antes da noiva! – Ginna coloca a mão no meu ombro e olha em direção ao meu pai.
– Você está certa Gin! – ele só pareceu notar que estava um pouquinho atrasado agora, pois deu pulou de susto no lugar que estava. – Espero vocês no carro, tudo bem?
Eu e Ginna assentimos com a cabeça e meu pai desce os degraus da casa. Lá embaixo posso ouvir uma conversa entre meu pai e minha avó, algo como “Você está lindo” ou “Meu bebe cresceu”.
– Agora, pegue sua bolsa e vamos. Se eu conheço bem a minha mãe é capaz dela já estar esperando na porta da igreja! – Ginna caminha para dentro do quarto enquanto fala e pega a sua bolsa ao mesmo tempo que seu celular toca dentro dela.
Eu também pego a minha bolsa e, quando vou virar para chamar Ginna para descer, paro. Ela está branca, sentada na cama com uma expressão preocupada.
–O que foi?! – pergunto colocando a mão em seu ombro e sentando-me ao seu lado. Ela cobre a boca com uma mão e uma lagrima solitária desce pela sua bochecha.
Sem sua resposta, arranco o celular de suas mãos e leio a mensagem que se mostra na tela:
“Um casamento? E eu nem mesmo fui convidado? Fiquei magoado, Gin.
– H”.
– Ele está brincando comigo! – Ginna bate a mão na cama com força, deixando as lagrimas de raiva caírem de seus olhos. – E se Harry resolver aparecer lá?
– Ele não faria isso. – afirmo tentando manter a calma. – Harry sabe que se aparecer na igreja não terá a menor chance de sair vivo. Andrew, Ian, meu pai, Logan, Justin... Todos estarão lá e duvido que deixem ele te fazer algum mal.
– Será? – indaga, parecendo mais tranquila. – E enquanto ao bebe?
– Gin, quem controla ele é você! – eu sorrio para ela e coloco a mão em sua barriga. – Se você ficar calma, feliz pelo casamento de sua mãe, é lógico que ele também ficará! Não é mesmo, pequeno?
Ela assente, parecendo mais confiante. Eu pego em sua mão e digo que estarei ao lado dela todo o tempo. Nós nos abraçamos e, quando estou quase chegando na porta de saída da casa, Ginna puxa o meu braço.
– Não conte para ninguém sobre isso, ok?
– Pode deixar, irmã.
***
A cerimônia começa com a entrada do noivo, como todo o casamento que fui. Meu pai entra de braços dados com minha avó, que está com um vestido vinho lindo.
Depois, quem entram são as madrinhas e padrinhos. Há dez pares organizados em uma fila bem feita. Cinco pares que Sara escolheu e os outros Cinco que meu pai escolheu.
A primeira da fila é Ginna, que está de braços dados com um primo dela do interior, chamado Fabrício. E, olha, que primo! Seus cabelos castanhos claros estão bem arrumados em um coque (sim, ele tem cabelo longo), e seus olhos verdes seduzem qualquer menina que chegue a sua frente. Nem preciso falar que Ashley já está de quatro por ele, não é?
O segundo casal são dois amigos de Sara, assim como o terceiro e o quarto. Apenas no ultimo casal entra alguém que eu conheço, a tia e o tio de Ginna.
Então, começa os casais escolhidos pelo meu pai. O primeiro casal é composto por Bob, um amigo do meu pai lá de Ohio, o mesmo que “ajudou” meu pai a consertar o Fusca, e sua mulher, Abigail.
O segundo casal são Rick e Beth, dois vizinhos que ficaram amigos de Sara e meu pai desde que chegamos em São Francisco.
O terceiro é composto por dois amigos de infância de meu pai, os quais eu nunca, na minha vida inteira, tinha ouvido falar. O quarto são primos distantes do meu pai, que eu também nunca tinha visto.
E, enfim, chegamos eu e Andrew. Foi um porre convencer meu pai de deixar Andrew ser meu par no casamento, mas Sara acabou convencendo o marido (quase marido).
Andrew está sexy. Não vou dizer que ele está bonito, porque bonito ele sempre está. Mas hoje, hoje sim, ele está mais bonito e sexy. Seu terno preto tem a gravata da mesma cor do meu vestido e uma flor vermelha no bolso, como todos os outros padrinhos.
– Já disse que você está linda? – Andy sussurra isso em meu ouvido, com seu halito de menta e sua voz arrepiante. Os pelos da minha nuca se levantam.
– Dá pra parar de me provocar? – sussurro de volta, fazendo o biquinho que eu sei que ele odeia.
– Agora você que está me provocando! – rapidamente, sem eu nem mesmo perceber, ele avança em direção a minha boca e me dá um selinho demorado.
– Shh! – reclama o casal de primos em nossa frente. A mulher tem uma cara nojenta, como se não pudéssemos ser felizes perto dela.
Eu e Andrew rimos da cara dela, o que a faz ficar ainda mais nervosa. Mas, obedecemos sua “ordem” e paramos de brincar. Uma musica começa, e logo estamos dentro da igreja.
De braços dados e dedos entrelaçados seguimos a fila conforme a musica. Andrew sorri para todos e as vezes me olha pela lateral do olho.
Sentados mais ou menos no meio dos bancos estão meus amigos, Ash, Ian, Lírio, Justin, Logan e Dora. Mais à frente, apenas a família dos noivos.
Chegamos aos nossos lugares no altar e nos posicionamos como foi feito no ensaio. Andrew se coloca atrás de mim e me abraça por trás, com as mãos na minha cintura.
Meu pai já está no altar, com o rosto branco de nervosismo. Assim que seus olhos encontram os meus eu sorrio, para demonstrar ajuda. Ele assente com a cabeça e sorri também.
A marcha nupcial começa. Todos da igreja se levantam e olham com expectativa para a grande porta de madeira que antecede o grande tapete vermelho, esperando a noiva entrar.
Sara está perfeita. Seu vestido branco tem leves mangas de seda, um decote em “V” e a cintura levemente marcada. Lembra-me aqueles vestidos de casamentos em praias, bem leves e delicados.
Ela carrega seu buquê de rosas vermelhas com louvor e sorri para todos os convidados. Mas seu olhar passa rapidamente por eles, ela está mais concentrada no meu pai, que já está praticamente banhado em lagrimas.
O casamento não demorou muito. Foi bonito tudo o que o padre disse, todas as orações que rezamos. Quando finalmente chegamos a grande parte, eu já tinha derramado algumas lagrimas de emoção.
– Prometo estar contigo na alegria e na tristeza, – meu pai tinha em mãos a aliança e falava isso olhando dentro dos olhos molhados de Sara. – na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-te, respeitando-te e sendo-te fiel em todos os dias de minha vida, até que a morte nos separe.
Andrew e eu, que agora estamos lado a lado, nos encaramos com o olhar emocionado. Ele agarra a minha mão, sorrindo, e sussurra bem baixinho, para que só pudesse ouvir:
– Um dia será nós dois, gata.
Os aplausos enchem o salão, me impedindo de responder Andrew. Depois, apenas vejo as pessoas comemorando. Sorrisos. Abraços. Beijos.
Felicidade.
***
– Eu te disse que eu não sei dançar! – exclamo, brigando com Andrew. Ele tem suas mãos na ponta do sapato social, reclamando de dor. – Meu Deus, tá doendo muito?
– Não, não! Está tudo ótimo aqui. – ele fala isso com certa ironia. Andrew sai da pista de dança improvisada no jardim da casa de festa e se senta na primeira cadeira que vê, abaixando a cabeça em seguida. – Vou precisar de muitos beijos para copensar essa pisada no meu pé.
Eu rio e sento na cadeira ao seu lado. Distribuo beijos pelo seu rosto, o que faz ele se juntar a mim nas risadas. Depois que consegue me fazer parar, toma meus lábios em um beijo demorado.
Que é interrompido por um grito.
– Ginna!
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