_________________________JELLAL ON__________________________

Atravessei as barraquinhas sujas e mal montadas rapidamente, com a frente da minha veste estufada, torcendo para que ninguém estivesse me seguindo. Atravessei algumas ruelas sujas e parei em frente a minha casa. Se é que alguém poderia chamar aquilo de casa. Possuia apenas tres cômodos pequenos e mal-conservados. Abri a porta enferrugada e despejei o conteúdo de minhas vestes em cima da mesa. Duas laranjas, três pães e seis maças. Aquilo não duraria até amanhã. Esses furtos estavam ficando cada vez mais difícies. Peguei dois pães e levei ate o outro cômodo onde minha irmãzinha frágil dormia, encolhida entre o cobertor, segurando forte seu único ursinho. Afastei seus cabelos azulados de sua face e a acordei.

- Aqui eu trouxe comida pra você.

- Onee-chan — ela me fitou com ternura — você demorou, eu estava preocupada.

- Como está sua febre? — encostei a mão em sua testa. Estava ainda mais quente. — Coma.

- Itadakimasuu.

Ela mordeu o pão com vontade. Com certeza estava com fome.

- Onde está nosso pai? — odiei o jeito que a palavra 'pai' saiu da minha boca. Ele não poderia ser considerado um pai.

- Ele saiu.

Não pude deixar de notar a tristeza nos olhinhos dela. Aquilo só me deu mais ódio dele.Tanto ódio que senti minha cabeça doer.

- Eu vou ali fora tá?

Fui pegar um pouco de ar, ou iria explodir. Algumas lembraças afloraram em minha memória.

Quando eu tinha oito anos, guardas vieram até nossa pobre cidade para recrutar escravos ilegalmente para uma tal de torre do paraíso. Nós éramos pobres como agora e como pagamento por tantas dívidas nós teríamos nos oferecer para ir á torre. Minha mãe foi no meu lugar. Eu gritei, briguei, era eu que deveria ter ido. Mas ela apenas me pediu para cuidar da Ayano. Meu ''pai'' não faz mais nada, apenas sai, bebe e dorme. Eu o odeio. Assim como essa cidade. Assim como o mundo inteiro. Queria que todos morressem. Se eu não tivesse a Ayano, já teria morrido com certeza. Eu sentia um enorme vazio dentro do meu peito, como se faltasse algo. Como se faltasse alguém.

BOM. Ouvi uma explosão na esquina, Ayano se levantou pra ver o que tinha acontecido também. Quando a fumaça se disparsou pude ver dois homens ( magos provavelmente) torturando um velho. Corri até lá e me puz entre eles.

- EI SEU MERDA!!! SAI DA FRENTE!

- Dois homens armados contra um idoso. SEUS COVARDES! — Gritei com toda a fúria que tinha.

Os dois vieram pra cima de mim, sem saber que eu também era um mago. Desviei com minha magia de meteoro e surrei os dois facilmente. Logo ouvi gritos e guardas vindo. Isso é ruim. Nossa cidade é governada por um tirano e magia é proibida. Tentei fugir mas eles atiraram em mim com armas mágicas, rolei no chão e eles continuaram atirando. Então eu tive a pior visão da minha vida. Ayano se jogando na minha frente, recebendo os tiros e explodindo em pedacinhos. Naquela hora tudo parou. Naquela hora eu senti o puro ódio. Eu senti Zeref. Já havia ouvido sobre ele com uma mulher que havia conhecido antes, Ultear. Agora entendi sobre o que ela estava me dizendo. Cego de ódio, avancei para os guardas e com uma força sobrenatural os matei. E eu queria mais. Queria mais mortes. Queria ver mais gente sofrendo. Ainda cego de ódio, usei meteora para sair daquela maldita em cidade em direção a qualquer outra, para uma vingança contra o mundo. Nem me vi passando por uma placa com os dizeres: MAGNÓLIA.