Paso Doble
5 Capítulo 05
FRANCES
— Francie.
A voz de Dominic irritou meus ouvidos. Eles não eram sensíveis, mas eu estava, por algum motivo, irritadiça naquela noite. Passava de meia noite, meu quarto estava uma bagunça, precisava dormir para aguentar o dia puxado de serviço e não queria lidar com sentimentos contraditórios, principalmente os relacionados com o super ego da dança, Dominic Lacan. Em uma fração de segundos, lembrei-me de quando o conheci e, depois, de como descobri que ele era um garanhão. Conquistava mulheres por conquistar, sem qualquer intenção de se apegar emocionalmente a nenhuma delas.
Não sei o que era diferente comigo, mas ele não costumava insistir tanto. Talvez eu devesse me sentir lisonjeada, mas não.
— O que você quer, Dominic? Estou cansada e você também já deveria estar dormindo.
— Diz uma coisa, você se percebeu essa noite?
Não entendi o que ele quis dizer. Virei-me para encará-lo, aquele corpo moreno ocupando todo o espaço disponível em minha visão. Alto, musculatura invejável, ele poderia ser considerado perfeito — fisicamente. Eu conhecia todas as suas falhas de caráter.
— Não faço a menor ideia do que você está falando.
— Tudo bem que você defendeu o moleque lá fora, ou Jordan ia dar umas porradas nele. O garoto é fortinho, mas tem a atitude de um maricas. Eu mesmo fiquei impressionado com suas habilidades de dança. Tudo bem, também, que o trouxemos para nossa festinha, abrindo precedentes para que todo hóspede se sinta no direito de nos importunar no momento de descanso. Mas você tem certeza que não notou a forma como agiu enquanto ele esteve aqui? Você praticamente flutuou ao redor do cara!
— Ah, mas não fiz nada disso!
Protestei imediatamente, sem nem raciocinar os motivos de meu protesto. Era bem provável que Dominic tivesse razão, já que, desde a primeira vez em que vi Rafael — e ainda nem sabia quem ele era, perdi completamente o juízo. Bastava nossos olhos se encontrarem para que eu não percebesse mais nada. As pessoas desapareciam, as vozes emudeciam, os sons se calavam. O universo perdia a cor e apenas ele, Rafael, reluzia. Não estava acostumada a esse tipo de sensação e não conseguia descrevê-la ou entendê-la.
— Você está vendo coisas, Dominic. — Prossegui. — Ele é bonito, talvez eu tenha prestado atenção nele um pouco demais. Mas foi só isso. Rafael é um hóspede, mesmo que ele saiba dançar ou seja divertido — continua sendo um hóspede.
— Que bom que você tem noção disso, Francie. Porque não parecia, agora mais cedo. E lembre-se que ele deve ser uns dez anos mais novo que você.
— Isso faz diferença?
— Não sei, você se importa?
— Dominic, estou ficando confusa. Vá dormir e me deixe em paz. Já deu seu recado, eu não pretendia me aproximar mais do hóspede e agora tomarei mais cuidado com minha expressão corporal.
Dominic sorriu e beijou-me na bochecha. Senti momentaneamente o chão sumir e minhas pernas amoleceram — aquela sensação adolescente que sentia na presença dele me irritava profundamente. Se eu não resistisse bravamente, estaria entregue àqueles braços fortes. Tudo que eu precisava, na verdade, era um corpo quente na minha cama — só que não sucumbiria ao puro desejo sexual para permitir que Dominic me usasse como já fez com todas que conheceu. Saber que ele me queria já era motivo o suficiente para resistir.
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