Pase lo que pase - VONDY
4 Vestida para impressionar
P.O.V DULCE MARIA
Ao receber a mensagem com a data e o horário do nosso jantar, fui tomada por uma sensação de ansiedade. Não pelo jantar em si, pois já se tornara uma rotina entre nós, mas por um sentimento inexplicável de inquietação. Era apenas ansiedade, sem um motivo aparente.
Dulce Maria, como você adora se iludir, não é? A razão de sua ansiedade está claramente ligada ao fato de que você estará a sós com Christopher, finalmente tendo a oportunidade de conversar depois de tanto tempo. Sem a preocupação de ser ouvida por outras pessoas ou de precisar disfarçar os olhares constantes que vocês trocam quando estão no mesmo ambiente -olhares que, embora involuntários, quase pareciam uma confissão silenciosa de algo mais.
Após aquela conversa no grupo, minha rotina seguiu como de costume. Ser mãe ocupa grande parte do meu tempo, e isso não poderia me trazer mais felicidade. Maria Paula é a resposta às minhas orações; ela é tudo e mais um pouco do que eu pedi a Deus. Nunca conseguirei expressar plenamente o quanto sou grata a Ele por todas as bênçãos que recebi ao longo dos anos.
Poderia dizer que tenho uma família estruturada, mas estaria mentindo. Desde o fim da turnê, sinto que meu marido se distanciou de mim e de nossa família. Tenho plena consciência de que ele pausou toda sua carreira para me acompanhar durante a tour, e agora precisa recuperar o tempo "perdido", mas é como se outra pessoa tivesse tomado seu lugar. Durante a turnê, ele fez inúmeras declarações nas redes sociais, acompanhadas de gestos românticos — como se precisasse mostrar ao mundo que era casado comigo e que éramos uma família feliz. Eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo, cercada de tanto amor e afeto, mas, depois de tudo, esses gestos românticos e declarações simplesmente cessaram, como se nunca tivessem existido.
Recebo uma ligação e atendo no segundo toque, sem sequer verificar quem está chamando.
— Chuckyyyyyy!
Respiro fundo, tentando conter o riso diante desse apelido ridículo que Christian me deu.
— Já implorei por um novo apelido, mas você parece não ter a menor compaixão por mim.
— Não teria a mesma graça, e você sabe disso.
— Sei, mas gostaria de acreditar que sim. O que você precisa, mi amor?
— Poderia me dar uma carona até a casa da Mai no dia do jantar?
— Claro que sim. Você sabe que é no caminho, e eu passaria pela sua casa de qualquer forma. Mas o senhor não está um pouco ansioso demais? — pergunto.
— Gosto de me antecipar. E, sabendo que você já se comprometeu a me buscar, não tem como desistir e dar para trás por medo de ficar cinco minutos sozinha com o Ucker. — diz ele, rindo daquela maneira peculiar que só ele tem.
— Não tenho medo de ficar sozinha com o Christopher. Já não temos mais 20 anos, Chris.
Respiro fundo, consciente de que acabei de mentir para ele e para mim mesma em poucos segundos.
— Vou fingir que acredito em você e nessa mentira descarada. Aliás, vocês adoram mentir para si mesmos quando se trata de "Vondy".
— Chris, você sabe que estamos em outra fase da vida. Vondy não existe mais, você deveria superar.
— Nunca irei superar, Maria. Ainda serei padrinho do casamento de vocês, pode anotar o que estou dizendo. — Afirmou com uma convicção inabalável — Agora preciso ir, tenho um encontro marcado. Não se atrase no dia do jantar e venha vestida para impressionar um certo alguém. Te amo.
— Te amo mais, até logo.
Desligo a ligação, rindo de mim mesma e de como Christian não tem medo de ser sincero em todos os momentos possíveis.
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Os dias passaram rapidamente, e não sei se devo agradecer ou pedir por uma intervenção, pois Paco havia partido de madrugada para uma cidade no interior, onde gravaria a continuação de seu novo filme. A casa sem ele parecia estranha; não havia o telefone tocando incessantemente, nem os membros de sua equipe vindo constantemente para finalizar algo que não conseguiram durante o dia no estúdio. Em resumo, a casa estava imersa em uma paz extraordinária.
A babá me avisa que Mapi está pronta e me esperando, brincando no espaço kids que montamos. Basicamente, era uma Disneylândia de brinquedos para as crianças, com todo tipo de entretenimento infantil. Enquanto isso, permaneço em frente ao meu closet, indecisa sobre o que vestir, quando a voz de Chris invade meu subconsciente: "Venha vestida para impressionar um certo alguém." Afinal, Dulce Maria, quantos anos você tem? É apenas um jantar, deixe de bobeira.
Reviro o closet e encontro um vestido adequado, optando por um salto não muito alto para combinar. Devo agradecer ao clima por estar um pouco mais ameno do que o restante da semana.
Coloco Mapi na cadeirinha do carro e sigo em direção à casa de Christian, que já havia me enviado uma série de mensagens expressando sua impaciência com o nosso atraso.
Ao entrar no carro, ele me abraça e começa a brincar com Mapi, que está sentada no banco de trás. Simultaneamente, conecta seu celular ao rádio e coloca suas músicas para tocar.
— E a babá da Mapi, não veio? — ele pergunta.
— Eu a dispensei. Combinei com Any que seria necessário apenas uma pessoa para cuidar das crianças, afinal, elas não dão tanto trabalho a ponto de precisarmos de duas pessoas.
— Desde quando esse anjinho dá trabalho? — Ele se vira para brincar com Mapi. — Quem é a princesa mais linda do tio?
— E então, o que achou do meu look? Está de acordo com seus padrões? — pergunto.
— Chucky, se eu gostasse de mulheres, largaria tudo só para viver nesse decote e junto a esses seios. Você não brinca em serviço! E esse perfume? Eu poderia senti-lo a quilômetros de distância. Se eu fosse o gatão, largaria tudo e imploraria para ser aceito de volta.
— CHRISTIAN! — digo, batendo levemente em seu braço e balançando a cabeça em desaprovação diante de tamanha loucura.
— Você pediu minha opinião, então estou apenas sendo honesto.
Seguimos o restante do trajeto cantando e rindo das amenidades que Christian mencionava a cada cinco segundos. Era impossível ficar triste na presença dele; sua energia elevava o ânimo de qualquer ambiente e afastava qualquer tristeza.
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