Pase lo que pase - VONDY

20 Um final de semana só nosso


P.O.V UCKER

Minha rotina de trabalho tem sido exaustiva, mas, mesmo assim, nunca deixo de lado meus exercícios diários. Era durante a minha corrida matinal, o momento que eu mais uso para clarear a mente, quando o celular vibrou. Era uma mensagem da Dulce.

"Paco finalmente se mudou. Esse final de semana estarei sozinha, minha irmã levou a Mapi para o interior."

Ao ler aquelas palavras, meu coração disparou. A oportunidade que tanto esperávamos estava finalmente diante de nós. Eu sabia que esse fim de semana seria especial, e não podia perder a chance de torná-lo inesquecível. Respondi rapidamente, sem hesitar:

"Que tal passarmos o final de semana no nosso santuário?"

A ideia era simples: trazer de volta o que já tínhamos, reviver aqueles momentos tão nossos, longe dos olhares atentos da mídia e da pressão do mundo exterior. Naquele apartamento, nada e ninguém poderia interferir. Era o nosso refúgio, o lugar onde tudo começou e onde, de certa forma, sempre pertenceríamos um ao outro.

Decidido garantir que tudo saísse perfeito, imediatamente liguei para a equipe de limpeza. O apartamento precisava estar impecável, do jeito que ela sempre gostou. Era mais do que apenas uma questão de organização; era um símbolo do cuidado e do respeito que eu tinha por aquele espaço e por ela. Cada detalhe precisava estar no lugar certo.

Também sabia que precisava passar no mercado. Não poderíamos sair de casa durante o fim de semana, não apenas pela questão da privacidade — que ainda era importante, mesmo que agora não houvesse mais nada nos impedindo de estarmos juntos —, mas também porque eu queria que aquele final de semana fosse apenas nosso. Queria cozinhar para ela, assistir a filmes antigos, rir de coisas bobas e, principalmente, estar presente de uma forma que há muito tempo não conseguíamos.

A mídia mexicana, como sempre, estaria à espreita, pronta para transformar qualquer momento nosso em uma manchete sensacionalista. Mas naquele final de semana, eu queria que o mundo lá fora deixasse de existir. Era apenas Dulce e eu, finalmente livres para sermos quem realmente éramos, sem julgamentos, sem imposições.

Depois de resolver tudo, me senti mais leve, como se a expectativa de vê-la tivesse me dado uma nova energia. Aquele apartamento não era apenas um lugar físico; era onde tudo fazia sentido, onde a vida com ela parecia completa.

Enviei uma última mensagem: "Tudo estará pronto para você. Mal posso esperar."

Depois de passar no mercado e comprar tudo o que imaginei ser necessário, segui direto para o apartamento. Cada detalhe, por menor que fosse, precisava estar em ordem. Queria que tudo estivesse perfeito para receber a Dulce, como se o tempo que passamos longe um do outro nunca tivesse existido. Organizei as compras na dispensa e na geladeira, visualizando mentalmente o que cozinharia para ela. Fazia anos desde a última vez que preparei algo para nós, e a ideia de reviver esse pequeno gesto, carregado de memórias, me enchia de um sentimento nostálgico.

Combinei que ela viria na hora do almoço. A expectativa crescia a cada minuto que passava. Eu sabia que o simples fato de estarmos juntos naquele espaço já significaria muito, mas queria ir além. Queria mostrar, de forma simples, o quanto ela ainda era importante para mim. A comida seria apenas um detalhe, uma desculpa para prolongar o momento.

Enquanto arrumava tudo, não pude evitar um sorriso ao lembrar de um detalhe que sempre me deu esperança: Dulce nunca me devolveu as chaves do apartamento. Mesmo com todas as mudanças na vida dela, mesmo com os anos passando, ela manteve as chaves consigo. Para mim, aquilo sempre foi um sinal de que, por mais que as circunstâncias nos afastassem, uma parte dela ainda pertencia àquele lugar — e, por consequência, a mim.

Talvez fosse uma esperança tola, mas era o que me mantinha firme durante os momentos mais difíceis. Aquela chave era muito mais do que um objeto; era a prova silenciosa de que nossa história, de alguma forma, continuava viva, mesmo nos intervalos em que estivemos longe.

Olhei ao redor do apartamento uma última vez. Tudo parecia em ordem, como se estivesse esperando por esse momento tanto quanto eu. A mesa estava posta, o vinho escolhido, e uma leve trilha sonora instrumental preenchia o ambiente com uma tranquilidade quase poética. O relógio marcava o tempo, mas minha mente estava focada apenas no instante em que a porta se abriria e eu veria Dulce atravessá-la.

Sentei-me no sofá por alguns minutos, tentando acalmar a ansiedade que crescia. Aquele lugar, que por tanto tempo foi um refúgio de memórias, estava prestes a ganhar novos capítulos. Sabia que o caminho até aqui não tinha sido fácil, mas agora, com tudo o que tínhamos passado, a sensação de que estávamos à beira de um recomeço era quase palpável.

E então, como se o universo respondesse à minha ansiedade, ouvi o som inconfundível da chave girando na fechadura. O coração disparou, e eu me levantei, tentando disfarçar a mistura de nervosismo e expectativa.

A porta se abriu, e lá estava ela, exatamente como eu imaginava.

Dulce entrou no apartamento devagar, como se estivesse medindo cada passo. Nossos olhares se cruzaram, e por um instante, não dissemos nada. Ela fechou a porta atrás de si, e o som ecoou suavemente no silêncio do nosso lugar. Sem pensar duas vezes, me aproximei e a envolvi em um abraço apertado, aquele tipo de abraço que diz mais do que qualquer palavra poderia expressar. Quando nos afastamos, não resisti: a beijei, um beijo lento, terno, de boas-vindas, como se aquele momento fosse o início de algo que ambos esperávamos há muito tempo. Ela retribuiu, e por um breve segundo, parecia que o mundo havia parado.

— Você demorou — sussurrei, com um sorriso de canto.

— Trânsito. E talvez eu tenha passado na frente do espelho umas três vezes antes de sair — respondeu, rindo baixinho.

— Valeu a pena a espera — murmurei, tocando de leve o seu rosto. — E agora vamos almoçar.

Ela soltou uma risada enquanto tirava o casaco, pendurando-o cuidadosamente no cabideiro ao lado da porta. Deixou a bolsa na poltrona e seguiu para a cozinha, onde eu já havia começado a preparar tudo. A mesa estava posta com simplicidade: talheres alinhados, taças de vinho, e o aroma dos temperos preenchendo o ar. Cozinhar para ela sempre tinha sido uma das minhas formas de mostrar o quanto me importava, e hoje não era diferente.

— Então, o que está no menu do chef hoje? — perguntou ela, com uma curiosidade que iluminava seus olhos.

— Um risoto de cogumelos com salmão grelhado — respondi, enquanto mexia a panela devagar, sentindo a textura do arroz chegar ao ponto certo. — Achei que era algo que você gostaria. Leve, mas cheio de sabor.

Ela se sentou no banco alto ao lado da bancada e me observava enquanto eu terminava os preparativos, com aquele olhar calmo, mas que parecia atravessar o tempo e as memórias.

— Parece delicioso — disse ela, mordendo o lábio, e depois ficou em silêncio por um momento, como se estivesse reunindo coragem para dizer algo. — Sabe, faz muito tempo que eu não como algo assim, com tanto carinho. Parece que estou revivendo velhos tempos.

— É exatamente a ideia — brinquei, tentando suavizar o peso das palavras, mas sabendo que, no fundo, ambos sabíamos do que ela estava falando.

Depois de alguns minutos, desliguei o fogo e montei os pratos com cuidado. Coloquei um pouco de risoto em cada um e finalizei com o salmão grelhado, regando tudo com um molho de ervas que havia preparado mais cedo. Fomos para a mesa, e eu servi uma taça de vinho para cada um.

— Ao reencontro — disse ela, erguendo a taça com um sorriso sincero.

— Ao reencontro — repeti, brindando com ela, sentindo o calor do momento nos envolver.

Enquanto comíamos, a conversa fluía naturalmente, mas com uma leveza que só quem já passou por muita coisa junto consegue ter. Falamos sobre o trabalho, a correria dos últimos dias, e o equilíbrio delicado entre nossas agendas.

— E o Christian? Como foi o encontro com ele? — Dulce perguntou, enquanto mexia na comida, levando um pedaço de salmão à boca.

— Foi ótimo. Ele está rodando o mundo com as causas dele, levantando bandeiras importantes. E claro, sempre que pode, dá um jeito de ir para o Brasil — respondi, rindo. — Você sabe como ele ama aquele lugar.

— Ele é incansável, sempre foi. Lembro de todas as vezes que ele me puxava para o Brasil com ele, como se aquele fosse o nosso segundo lar.

O almoço seguiu entre risadas e histórias antigas, relembrando momentos da nossa juventude. Mas, aos poucos, a conversa foi ficando mais séria, mais íntima.

— E como você está? — perguntei, sabendo que o peso da pergunta era muito maior do que parecia.

Dulce ficou em silêncio por um instante, abaixando os talheres antes de me olhar diretamente.

— Agora que o Paco se mudou, eu finalmente sinto que estou começando a respirar de verdade. Não é fácil, claro, mas é como se um peso estivesse sendo tirado aos poucos. Tenho mais tempo para mim, e... — Ela hesitou, mordendo o lábio de leve. — Queria passar esse tempo com você.

As palavras pairaram no ar, e eu soube que não havia mais necessidade de perguntar sobre o que ela queria ou sobre o que sentia. A resposta estava ali, clara, entre cada pausa, cada olhar. Ela queria seguir em frente, e eu estava ao lado dela, pronto para o que viesse.

— Eu também quero isso, Dul. Sempre quis — respondi, com a voz mais baixa, mas cheia de certeza.

Terminamos o almoço entre sorrisos e olhares, como se cada gesto, cada palavra, fosse um passo em direção ao que estávamos construindo juntos novamente.

Depois do almoço, fomos para a sala, e o clima entre nós estava mais leve, como se uma grande parte do peso que carregávamos tivesse sido abandonada naquelas últimas horas. Dulce se sentou no sofá e olhando ao redor do apartamento como se estivesse se reconectando com aquele espaço. Era engraçado como, mesmo após tanto tempo, ela parecia se sentir em casa ali.

Eu me deitei no sofá, descansando a cabeça suavemente sobre suas pernas. Ela sorriu de leve, como se aquele gesto fosse a coisa mais natural do mundo, e começou a acariciar meus cabelos com a ponta dos dedos. Seus toques eram leves e ritmados, me trazendo uma sensação de tranquilidade que há tempos eu não sentia.

Enquanto seus dedos deslizavam pelo meu cabelo, senti o peso dos últimos meses escorregar para longe. Fechei os olhos por um momento, aproveitando aquela intimidade silenciosa entre nós. Era como se, naquele instante, tudo o que existisse fosse o calor de suas mãos e o som suave de sua respiração.

— Fazia tanto tempo que eu não tinha isso — murmurei, sem abrir os olhos, apenas aproveitando o momento.

— Eu também sentia falta disso — respondeu ela, baixinho, continuando o carinho nos meus cabelos. — Da gente, assim, sem pressa.

Sorrindo com seus dedos ainda percorrendo minha cabeça, deixei-me relaxar por completo, imerso na paz daquele instante.

— Eu estava pensando sobre o que você disse, sobre não desistir de nós — ela começou abrindo os olhos lentamente e abaixando a cabeça para me olhar. — E eu nunca devolvi as chaves do apartamento porque, no fundo, eu nunca quis deixar isso para trás. Esse lugar guarda mais do que só memórias. É como se, sempre que eu pegasse as chaves, pudesse sentir que uma parte de mim ainda estava conectada a você, mesmo com todas as coisas que aconteceram na minha vida.

Eu respirei fundo, absorvendo suas palavras. O significado por trás daquilo era maior do que qualquer declaração poderia expressar. Era uma confissão silenciosa de que, de alguma forma, ela sempre soube que haveria um caminho de volta.

— E eu sempre soube que esse espaço seria nosso santuário, nosso ponto de retorno — confessei, tocando sua mão levemente. — Nunca consegui vendê-lo, porque sabia que um dia nós precisaríamos dele.

Dulce ficou em silêncio por alguns segundos, olhando para mim. Ela então soltou uma risada baixa, quase imperceptível, como se estivesse refletindo sobre o absurdo de tudo o que havíamos vivido até aquele momento.

— Acho que, depois de tanto tempo, a gente só quer simplicidade, né? — ela disse, com um sorriso no rosto. — Sem os dramas, sem as confusões. Só... a gente.

— Exato — concordei, sentindo uma paz que há muito tempo eu não sentia.

Dulce me ajustou no sofá se levantou lentamente e caminhou até a janela, olhando para a vista da cidade. A luz suave do final da tarde iluminava seu rosto de forma quase poética. Eu a observei em silêncio, percebendo o quanto ela estava mais calma, mais leve, mesmo depois de todas as turbulências.

— Esse final de semana vai ser nosso — ela disse, ainda de costas para mim. — Sem distrações, sem o peso de outras vidas. Só nós dois. Eu preciso disso, e acho que você também.

— Você nem imagina o quanto — respondi, me levantando e caminhando até ela.

Nos encontramos de frente à janela, e eu a envolvi em um abraço por trás, sentindo o calor de seu corpo contra o meu. Ela relaxou nos meus braços, e ficamos ali, em silêncio, por um tempo que parecia infinito.

— O que você quer fazer primeiro? — perguntei, sorrindo ao seu ouvido.

— Vamos começar com um filme? — sugeriu ela, virando-se levemente para mim. — Algo que a gente possa assistir sem se preocupar com nada além de estar junto.

— Perfeito — respondi, enquanto beijava o topo de sua cabeça.

Nos acomodamos no sofá, agora mais próximos do que nunca, enquanto eu buscava algo leve para assistirmos. No fundo, sabia que pouco importava o que escolheríamos. O que realmente importava era o fato de estarmos juntos, finalmente permitindo que o presente tomasse conta de nós.

O filme começou, mas nossas conversas sobre tudo e nada foram preenchendo os espaços entre as cenas. O toque de suas mãos, o som de sua risada suave, a maneira como ela se aconchegava mais perto a cada minuto... Tudo estava no lugar certo.

E, pela primeira vez em muito tempo, tudo parecia exatamente como deveria ser.

Notas finais
Hi everyone, como estão? Nós vondy iremos vencer muito no próximo capítulo, na minha mente eu digo isso com todas as forças hahaha Com o Pacolino fora de cena poderíamos ter muitas cenas do Chris com a Mapi, né? Enfim a família perfeita podendo se formar. O que acham? O mundinho vondy finalmente está entrando em ordem e eu estou muito feliz com tudo isso. Não esqueçam de votar e de comentar, sinto falta de ver a carinha de vocês por aqui. Beijinhoooooos...