Pase lo que pase - VONDY

10 Telefonema no final da noite


P.O.V DULCE MARIA

Minhas desavenças com Paco têm sido constantes, em grande parte devido à minha família e seus insistentes comentários sobre Christopher, exaltando suas qualidades e talentos excepcionais. Creio que, se falassem dos outros integrantes do RBD, a situação seria mais suportável, mas o foco sempre recai sobre ele. Isso tem afetado o ego de Paco, provocando nele uma irritação crescente.

Temos saído mais cedo dos almoços na casa da minha mãe, pois Paco invariavelmente recebe uma "ligação de trabalho" e precisa correr para o escritório para resolver algo urgente. Em parte, compreendo; eu também não apreciaria ouvir se a dona Alexandra começasse a falar incessantemente sobre Samantha, caso eu fosse a namorada de Ucker.

Estávamos passeando no shopping com Mapi quando, por acaso, encontramos Mai, Andrés e a pequena Lia. Decidimos almoçar juntos em um restaurante, e para minha satisfação, o humor de Paco melhorou quase instantaneamente ao encontrar seu "gêmeo". Eles rapidamente se envolveram em uma conversa sobre trabalho, já que ambos atuam na mesma área.

Notei a inquietação de Maite e comecei a suspeitar que ela queria me dizer algo, mas não sabia como sair da situação para iniciar seu interrogatório sobre Christopher. Enquanto conversávamos sobre assuntos triviais, eu percebia o olhar furtivo de Maite, como se estivesse esperando o momento certo para abordar o tema que realmente a incomodava. Eu sabia que era apenas uma questão de tempo até que ela encontrasse uma brecha na conversa para começar a me interrogar.

— Desculpem interromper, meninos. Mai, você tem pó compacto na bolsa? Com certeza deve haver algum paparazzi por aqui, e minha pele está péssima. Vamos ao banheiro comigo?

— Claro, amiga. Aproveito para retocar o meu também.

Andrés lançou um olhar curioso para Mai, claramente querendo perguntar o que estava acontecendo, mas se limitou a sorrir para ela. Nós nos levantamos e seguimos em direção ao banheiro. Antes de iniciarmos qualquer conversa, certificamo-nos de que estávamos sozinhas para evitar qualquer risco de que algo pudesse vazar para a imprensa.

— Pode começar, Mai. — Digo, incentivando-a a falar.

— Como estão as coisas com o Ucker?

— Você sabe como as coisas são complicadas, mas estamos nos falando com frequência, trocamos mensagens quase todos os dias. Mas não passa disso, entende?

— E sobre o beijo, vocês não falaram mais?

— O que há para falar? Foi apenas um beijo.

— Amiga, me desculpe, mas aquilo não foi apenas um beijo. Preciso te mostrar algo, mas, por favor, prometa que não vai matar o Christian.

— Deus, dai-me paciência...

Mai começou a mexer em seu celular, especificamente na galeria de fotos, e eu comecei a ficar apreensiva. Ela desbloqueou um álbum com reconhecimento facial, e aquilo estava me deixando ainda mais nervosa. Finalmente, ela me mostrou uma foto de nós dois, eu e Christopher, na piscina, próximos um do outro, e em outra, nós estávamos nos beijando.

O silêncio entre nós era palpável, e eu sentia meu coração bater acelerado. Aquela imagem capturava um momento que eu havia tentado reprimir, mas que agora ressurgia com toda a intensidade. A minha mente estava a mil, tentando processar o que aquilo significava e o que eu deveria fazer a seguir.

— O Christian está pretendendo me chantagear? — perguntei, séria.

— Não, de forma alguma. Ele só queria algo para guardar de recordação para quando você e o Ucker finalmente voltarem a ficar juntos. Mas, além dele, só eu e a Any sabíamos da existência dessa foto... Bom, agora você também.

— Vocês três têm essas fotos?

— Só eu. O Christian vive perdendo o celular, e a Any, sendo esposa de um político, não pode se dar ao luxo de arriscar que algo assim vaze por aí.

— Vocês poderiam formar uma organização criminosa; fariam uma fortuna. — Respondi, rindo.

— Você está pensando em se separar do Paco?

— Sim, eu quero. Mas há muita coisa em jogo. A Mapi ainda é muito pequena, e não sei como ela reagiria ao ver os pais separados. Desde a noite em que beijei o Christopher, eu não consigo mais me envolver com Paco. Não sinto mais vontade, e ele parece nem se importar, passa mais tempo fora de casa do que em qualquer outro lugar.

— Você acha que ele pode estar tendo um caso?

— Seria ruim dizer que eu adoraria que ele estivesse? Assim, eu poderia me separar de uma vez por todas.

— Dulce, você é incrível, sério.

— Agora precisamos voltar, já ficamos tempo demais aqui dentro. Vão começar a suspeitar de nós.

— Vamos, mas precisamos marcar uma noite só para as meninas, com a Any, para conversarmos sobre tudo isso. Pode ser?

— Claro, minha preciosidade. — Respondi, enquanto a abraçava.

Saímos e voltamos para a mesa como se nada tivesse acontecido. O almoço transcorreu de maneira tão tranquila que nem percebemos o tempo passar. Infelizmente, tivemos que nos despedir mais cedo, pois, como de costume, o telefone de Paco começou a tocar, sinalizando que o trabalho o chamava novamente.

Enquanto nos dirigíamos ao estacionamento, percebi o peso da decisão que estava prestes a tomar. A separação parecia inevitável, mas eu sabia que os próximos passos precisariam ser cuidadosamente planejados. Mapi era minha maior preocupação, e a ideia de alterar a vida dela de forma tão drástica me assombrava. Porém, continuar naquele casamento sem amor parecia uma traição não só a mim mesma, mas também à minha filha.

Quando chegamos em casa, minha irmã ligou, pedindo para levar Mapi para passar a noite com ela e suas filhas. Ela mencionou que a levaria para a creche no dia seguinte, já que a escola das meninas era próxima. Aquilo me trouxe um alívio inesperado. Não que eu não adore estar com minha filha, pelo contrário, cada segundo ao lado dela é precioso, mas minha mente precisava de um descanso.

Paco não mencionou a que horas voltaria, apenas avisou para que eu não o esperasse acordada, e eu concordei sem questionar. Na verdade, pouco me importava.

Tomei um banho de banheira, deixando a água quente relaxar meus músculos tensos, e vesti um pijama de seda na cor vinho. Enquanto mexia em uma das gavetas, encontrei meu vibrador e agradeci mentalmente pela descoberta. Eu precisava de alívio, estava extremamente estressada ultimamente.

Abri uma garrafa de vinho e, após algumas taças, a coragem começou a fluir. Resolvi que queria ligar para o Ucker. Mandei uma mensagem perguntando se eu poderia ligar e fui para o quarto, pegando o vibrador antes de me deitar na cama. Em menos de cinco minutos, meu telefone tocou, e o nome dele apareceu no visor. Eu atendi.

A voz de Ucker soou suave e familiar do outro lado da linha, e por um instante, o mundo exterior pareceu desaparecer. Havia uma mistura de nervosismo e excitação dentro de mim, enquanto tentava equilibrar minhas emoções. Eu estava prestes a cruzar uma linha invisível, mas ao mesmo tempo, algo em mim ansiava por essa conexão, por essa fuga temporária da realidade que me cercava.

— Boa noite, mi Chris. — Falo com a voz carregada de desejo.

— Boa noite, Maria. Pelo tom da sua voz, imagino que esteja na quarta taça de vinho.

— Como sabe que estou bebendo vinho?

— Eu conheço o som da sua voz quando está com tesão. E para isso acontecer, ou você bebeu vinho, ou seu marido está em casa pronto para te satisfazer. Mas como você está falando comigo agora, acredito na primeira hipótese.

— Bom, você acertou. Chris, eu não transo desde que te beijei naquele jantar, e eu preciso muito gozar. — Digo com um tom manhoso.

— Maria, Maria... Assim você me tortura. Só de ouvir sua voz, fico completamente duro.

— Então, vamos gozar juntos? — proponho, já sabendo qual seria a resposta.

— Eu queria te fazer gozar na minha boca, mas enquanto não posso te devorar por inteiro, vou me contentar com isso. — diz, respirando fundo. — O que você está vestindo?

— Vou te mandar uma foto, espera um pouquinho.

Tiro uma foto do meu pijama de seda e envio por mensagem.

— Nossa, isso é golpe baixo. Estou quase atravessando a cidade para ficar com você, mesmo correndo o risco de apanhar do seu marido.

— Você não faz ideia das loucuras que eu cometeria só para ter você entre minhas pernas agora.

— Eu sei bem do que você é capaz, Dulce Maria.

Ficamos na linha até ambos atingirem o clímax, e eu nunca me senti tão poderosa como naquele momento. Christopher tinha o dom de me fazer sentir única, desejada, amada e protegida. Ele era o único homem que conseguia me fazer sentir verdadeiramente feliz e completa.

Depois de relaxar completamente, o cansaço começou a tomar conta de mim. Antes de me entregar ao sono, enviei uma mensagem para ele:

"Obrigada pelo orgasmo, estava precisando. Te amo, mi Chris."

"Espero poder fazer isso pessoalmente em breve. Quero te deixar de pernas bambas. Te amo, Maria."

Com o corpo ainda formigando e a mente à deriva, senti uma paz que não experimentava há tempos. Mesmo que a realidade ao meu redor estivesse longe do ideal, naquele momento eu me permiti apenas sentir. As complicações da vida poderiam esperar até amanhã.