Pase lo que pase - VONDY
6 Este Corazón
P.O.V DULCE MARIA
Eu acreditava sinceramente que esse jantar seria uma espécie de purgatório, onde pagaria por todos os pecados que cometi em relação ao Christopher. No entanto, surpreendentemente, tudo estava ocorrendo de maneira tranquila. Claro, trocávamos olhares a cada cinco segundos, mas isso era algo tão comum que ninguém fez piadas a respeito, ou talvez tenham decidido que não intervir seria a melhor abordagem.
— Sabem o que eu acho? — disse Anahí. — Acho que deveríamos abrir mais uma garrafa de vinho.
— Any, essa é a quarta garrafa que esvaziamos em menos de três horas — advertiu Mai, preocupada com todos nós.
— Ah, Mai, deixe de ser tão rígida. As crianças estão dormindo, nenhum marido nos apressando para ir embora, deixe de ser a nossa mãe, ao menos por hoje — retrucou Chris, fazendo um beicinho.
— Estejam cientes de que ninguém sairá desta casa, a menos que alguém venha buscá-los.
— Eu vou dormir ao lado da Lia, sentindo aquele cheirinho maravilhoso de bebê — disse Chris.
— Então eu vou dormir com a Mapi, Manu e Emi — acrescentou Christopher.
— Quem disse que eu permitirei que você durma com a minha filha? — perguntei, fingindo estar indignada.
— Eu posso dormir com a mãe dela, caso ela queira — ele respondeu de forma tão imediata que fiquei certa de que sequer pensou antes de falar.
— VONDY REINA Y REINA — exclamou Any, toda animada, enquanto batia palmas.
— Desculpe, Dul. Não disse isso com más intenções, foi algo impulsivo — disse Christopher, visivelmente envergonhado.
— Tudo bem, não levei a mal — respondi, sorrindo.
Christian colocou "Así soy yo" para tocar e puxou todos para dançar, tentando dissipar o desconforto que se instalara. Todos começaram a dançar de maneira descontraída, mas minha mente ainda estava presa ao que havia acontecido poucos minutos antes.
Será que Christopher ainda me desejava? Não, ele apenas disse aquilo como uma brincadeira.
E se não fosse uma brincadeira? Poderia ele estar sentindo o mesmo que eu?
Minha mente está confusa, e sinto dificuldade em respirar. Saio da sala em busca de ar fresco, e acabo me dirigindo para perto da piscina, onde me sento em uma das elegantes espreguiçadeiras que Mai possui.
Olho para o céu e percebo o quão deslumbrante está a lua, ela estava tão brilhante.
Retiro meus sapatos e mergulho os pés na água, mas me arrependo imediatamente, pois a água está extremamente fria. No entanto, em pouco tempo meus pés se acostumam à temperatura, e finalmente consigo respirar profundamente.
Ouço a porta se abrir e se fechar logo em seguida. Não me viro, pois sei quem está ali, e não sei se estou preparada para ter essa conversa sem, ao menos, derramar um rio de lágrimas em seus ombros. Céus, como ele está lindo hoje. Seu cabelo, sua barba, seu cheiro... Não há um dia em que esse homem esteja menos do que perfeito. Deus deveria ter piedade de mim em algum momento.
— Posso me sentar aqui? — ele pergunta, ao que eu o encaro e aceno com a cabeça em sinal de consentimento.
— A água está boa? — indaga, enquanto dobra a calça e retira os sapatos.
— Sim, agora está agradável; antes estava extremamente gelada.
— Não está com frio? Aceitaria o meu blazer? — Aceito, e ele o coloca sobre mim antes de imergir os pés na água.
Apesar de meu esforço para não notar o cheiro de seu perfume, foi impossível. O cheiro já me envolvia, transportando-me para o território das lembranças, pois era o mesmo perfume de anos atrás.
— Anda reciclando seus perfumes, Uckermann?
— Só uso este quando sei que você estará por perto para senti-lo. Afinal, se não me falha a memória, é o seu favorito.
— Quando você vai aprender a ser honesto comigo, Chris? — pergunto, sentindo minha voz vacilar.
— Quando você começar a ser honesta comigo. Se estivesse jogando limpo, não usaria esse vestido, ainda mais sabendo que eu poderia rasgá-lo completamente só para ter você junto a mim.
Seus olhos brilham tanto quanto a lua. Sua presença me envolve, e eu me sinto embriagada, não pelo vinho, mas pelo aroma de seu perfume. Juro que, se não fosse por minha família, já teria desistido de resistir e me entregado completamente a ele, mas ainda preciso ouvir a voz da razão.
— Perdeu a voz, Maria?
— Não, apenas estou com dificuldade de pensar claramente. Este vinho mexeu comigo.
— Não há a menor possibilidade de eu ser o motivo de sua falta de palavras? — diz ele, aproximando-se um pouco mais.
— Acho que seu ego está inflado demais. A turnê subiu à sua cabeça, as fãs encheram muito o seu ego.
— Não foram elas que eu queria agarrar todas as vezes em que estive perto, especialmente ao cantar "Este Corazón".
"Este Corazón", a música que me roubou o sono por inúmeras noites desde que assinamos o contrato, junto com a incerteza de como seria cantá-la com Christopher após quinze anos, desde Madri.
FLASHBACK ON
Cheguei atrasada ao estúdio, portanto, acabei não assistindo à primeira parte do ensaio, onde eles finalmente definiram a setlist. No caminho, porém, pesquisei "RBD" no Spotify e conferi as músicas mais tocadas. Que Deus nos ajude.
As reuniões estavam se tornando cada vez mais longas, com algumas pausas para descanso.
Christopher assumiu o papel de diretor criativo da turnê, o que o levou a sentar-se com cada um de nós para discutir o que desejávamos em nossas performances solo e as ideias para as músicas coletivas. Para minha frustração, ele decidiu me deixar por último, provavelmente como punição pelos atrasos dos últimos dias.
Ele me olhou e perguntou se podia sentar ao meu lado, ao que concordei, dando início à nossa conversa. Discutimos como eu queria que fosse a performance de "No Pares", incluindo os novos arranjos que eu gostaria de introduzir, assim como a entrada e a saída da música.
Ele me ouviu atentamente, anotando cada detalhe que eu mencionava, sempre acrescentando algo à performance. Definitivamente, apreciei nossa conversa criativa. Christopher estava fazendo um trabalho magnífico como diretor criativo, e eu estava tão orgulhosa dele que não conseguia conter a vontade de expressar isso.
— Chris, seu trabalho como diretor criativo está incrível; você deveria ter muito orgulho de si mesmo — digo, enquanto faço um carinho em seu ombro.
— Obrigado, Dul. Você não imagina o quanto isso significa vindo de você.
— Não precisa agradecer, estou apenas dizendo a verdade.
Ele me encara e sorri, e eu me derreto completamente. Ele sabe o quanto esse sorriso mexe comigo.
— Bem, você não acompanhou a primeira parte, então perdeu a ordem da setlist.
— Preciso me desculpar com vocês. Acordei muito atrasada, e nenhum Uber aceitou a minha corrida.
— Está tudo bem, sabemos que você não faria isso intencionalmente — diz, pegando minha mão. Congelo por um instante, e ele sorri, fazendo um calor percorrer todo o meu corpo. — Bom, depois de "No Pares", teremos "Este Corazón", e o pessoal teve uma ideia maravilhosa.
— Que ideia maravilhosa é essa? — pergunto, com a voz quase falhando.
Ele se levanta e começa a descrever como seria o início da música: as luzes apagadas, com apenas uma luz vermelha iluminando a passarela; o som de um coração batendo, e eu no final da passarela; ele caminhando até mim para começar a cantar, apenas nós dois, e os outros entrando no refrão.
A partir do momento em que ele mencionou que caminharia até mim ao som de batidas de coração, parei de prestar atenção. Era como se tudo ao redor não importasse; seríamos apenas nós dois naquele imenso palco.
E esse foi o motivo do meu colapso.
FLASHBACK OFF
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