Pase lo que pase - VONDY
17 Dusk Till Dawn
P.O.V UCKER
Com tudo o que vem acontecendo na minha vida, eu não poderia estar mais feliz. Dulce finalmente pediu o divórcio e deu entrada na papelada, o que me deu uma sensação de alívio e, ao mesmo tempo, de expectativa pelo que poderia acontecer entre nós. No entanto, com o lançamento do meu álbum, eu ainda não consegui vê-la tanto quanto gostaria. Estou mergulhado em uma maratona de visitas a programas de TV e podcasts para a divulgação, enquanto ela, por outro lado, tem que lidar com o processo do divórcio e a sua agenda igualmente apertada.
Ela continua trabalhando intensamente, se dedicando a novos projetos, e a nossa comunicação tem sido mais por mensagens e ligações rápidas do que encontros presenciais. Mesmo assim, cada vez que conversamos, sinto que estamos mais próximos de finalmente ficarmos juntos de verdade, sem obstáculos entre nós.
Em todos os lugares por onde passo, as pessoas perguntam sobre o tema do meu álbum, querem saber de onde veio a inspiração para composições tão carregadas de amor e emoção. Inevitavelmente, as perguntas sobre meu término com Samantha também surgem. Faço o possível para responder com sinceridade, mas sem expor demais os detalhes. Ainda assim, está claro que meu coração está em outro lugar — sempre esteve.
Sei que as meninas têm dado um apoio enorme à Dulce nesse momento. Maite e Anahí estão sempre por perto, visitando-a com frequência, o que me dá um certo alívio. Eu me sinto culpado por não poder estar lá o tempo todo com ela, segurando sua mão enquanto ela atravessa essa fase difícil. Mas a realidade é que, além da minha agenda, há outro fator complicado: o Paco ainda não saiu da casa. Ele está procurando um novo lugar para ficar, e enquanto não encontra, continua lá.
Dulce me pediu paciência, disse que seria melhor que eu não fosse até lá enquanto ele ainda estivesse na casa. Eu entendo, é uma situação delicada. Não quero pressioná-la ou complicar as coisas mais do que já estão.
O que me mantém tranquilo é saber que isso é apenas uma fase temporária. Logo, o divórcio será finalizado, Paco encontrará seu próprio lugar e, finalmente, poderemos começar algo novo sem fantasmas do passado pairando sobre nós.
Entre um compromisso e outro, me pego pensando em como será quando toda essa turbulência passar. Imagino nós dois, sem pressa, sem culpa, finalmente vivendo a vida que sempre sonhamos, sem precisar esconder ou adiar nossos sentimentos. Imagino os dias tranquilos, as noites cheias de conversas e risadas, como era antes de tudo desmoronar.
Enquanto dirijo para mais uma entrevista, meus pensamentos voltam para aquele apartamento em La Condesa. O santuário que mantive por todos esses anos, esperando por esse momento. É como se o tempo estivesse finalmente conspirando a nosso favor. E dessa vez, eu sei que vai dar certo.
Quando cheguei ao estúdio de gravação para a entrevista, eu já sabia que as perguntas inevitavelmente se voltariam para assuntos pessoais. Mas meu foco principal era falar sobre o álbum — um projeto que, sem dúvida, carregava muitas das emoções e experiências que eu vinha vivendo nos últimos anos. Estava preparado para as perguntas e disposto a ser sincero, mas sem perder o foco no que eu realmente queria comunicar.
Assim que me sentei na cadeira, o apresentador me cumprimentou com um sorriso amistoso. Sabia que era uma entrevista importante, não só pela visibilidade do programa, mas pelo momento decisivo em que minha carreira e minha vida pessoal se cruzavam.
— Christopher, é ótimo ter você aqui novamente. Seu novo álbum está dando o que falar, com composições extremamente emocionais e profundas. Me conta um pouco sobre o processo criativo. Como foi para você mergulhar tão fundo nas suas emoções para escrever essas músicas?
Respirei fundo antes de responder. Essa era a deixa perfeita para falar sobre a verdade por trás das músicas, sem precisar revelar todos os detalhes.
— Foi um processo intenso, para ser honesto. Acho que esse álbum é um reflexo de tudo o que passei nos últimos anos — tanto as lutas internas quanto os momentos de clareza. A música sempre foi a minha maneira de expressar o que eu não consigo dizer diretamente, e, nesse projeto, me permiti ser o mais honesto possível. Falei sobre amor, sobre perda, sobre reencontro... é uma jornada de emoções que eu queria compartilhar com as pessoas.
— Falando sobre reencontros, muita gente especula que esse álbum tem uma conexão direta com a sua vida amorosa. Inclusive, muitos fãs comentam sobre o término do seu antigo relacionamento. Isso de alguma forma influenciou a criação do álbum? — ele perguntou, num tom curioso, mas cuidadoso.
Era esperado. Sorri de leve, já preparado para essa pergunta.
— É impossível separar completamente a vida pessoal do que criamos artisticamente. Claro que, assim como todo mundo, eu passei por momentos difíceis no campo pessoal, e isso acaba influenciando o que você escreve. Mas o álbum não é só sobre um término. Ele é sobre amor no geral — o amor que você perde, o que encontra de novo, e até o que nunca vai embora, mesmo que as circunstâncias mudem.
O apresentador assentiu, parecendo entender o que eu queria dizer. Ele prosseguiu, tocando em outros temas do álbum, como a sonoridade, as colaborações e as influências que me inspiraram durante o processo de criação.
— Agora, um tema que os fãs estão ansiosos para saber — ele começou, com um brilho no olhar —, temos chance de ver o RBD reunido novamente para uma nova parte da Soy Rebelde Tour? Eu sei que a turnê passada foi um sucesso estrondoso.
Sorri, já esperando essa pergunta também.
— Bom, nunca diga nunca, certo? A turnê foi uma experiência incrível, tanto para nós quanto para os fãs, e ver o impacto que o RBD ainda tem no coração das pessoas foi algo que realmente nos tocou. A gente sempre conversa sobre o futuro, mas, no momento, cada um de nós está focado em projetos pessoais. Se houver uma oportunidade para uma continuação, com certeza iremos considerar. Só posso dizer que a porta nunca estará completamente fechada.
O apresentador riu, percebendo que eu não entregaria mais do que isso. Mas era o suficiente para acender a esperança nos fãs.
Depois de mais algumas perguntas sobre a parte técnica do álbum e minhas influências musicais, ele voltou a uma questão mais pessoal:
— Você mencionou o amor que nunca vai embora, mesmo que as circunstâncias mudem. Isso soa como algo bem profundo. Você acredita que isso se aplica à sua vida agora?
Eu sabia que estava prestes a caminhar em território delicado, mas decidi ser o mais verdadeiro possível, sem entregar demais.
— Sim, acho que isso é uma realidade para todos nós. Às vezes, você tem alguém que faz parte da sua vida de uma maneira tão intensa que, mesmo quando vocês se afastam ou seguem caminhos diferentes, aquele sentimento nunca desaparece. Ele pode mudar de forma, mas ainda está ali. Acho que é assim que vejo o amor — algo que evolui, mas não morre.
A entrevista foi concluída em um tom reflexivo, e eu saí do estúdio com a sensação de que, embora não tivesse revelado tudo, tinha conseguido transmitir a essência do que estava vivendo e criando. Durante o caminho de volta para casa, pensei em Dulce. Ela era o motivo por trás de tantas daquelas músicas e, mesmo que não pudéssemos estar juntos naquele momento, eu sabia que estávamos caminhando para isso. A ansiedade por vê-la novamente crescia, mas eu sabia que ainda havia passos a serem dados.
Agradeci mentalmente que aquela era a última entrevista do mês. O ritmo estava intenso, e mesmo amando o processo, eu precisava de uma pausa. Lors vinha fazendo um trabalho incrível ao gerenciar minha carreira e a do Christian, cuidando de todos os detalhes com uma precisão que eu nunca tinha experimentado antes. Era como se cada passo estivesse perfeitamente orquestrado, e os frutos desse trabalho estavam aparecendo. Christian, por sua vez, estava no auge de sua jornada, viajando pelo mundo, defendendo as causas LGBT e outras pautas importantes, sempre com sua voz forte e cheia de propósito.
Ele sempre fala sobre o quanto isso dá sentido à sua vida, e eu o admiro por essa dedicação. Quando consegue uma brecha na agenda, corre para o Brasil — um lugar que, para todos nós do RBD, tem um significado especial. As memórias de shows lotados, fãs apaixonados, e momentos inesquecíveis ainda ecoam em nossas conversas. Todos temos uma conexão forte com aquele país, algo quase inexplicável, como se fosse uma segunda casa.
Eu e Chris combinamos de nos encontrar num restaurante fitness que inaugurou recentemente, um espaço moderno e tranquilo, ideal para conversarmos sobre tudo que vinha acontecendo em nossas vidas. Precisávamos colocar o papo em dia, especialmente com tantos eventos recentes. O divórcio de Dulce, meu término, o lançamento do álbum, as discussões sobre possíveis novos projetos... parecia que a vida nunca parava.
Cheguei primeiro e logo me acomodei em uma mesa reservada. O ambiente do restaurante era agradável, com uma decoração minimalista, cheia de plantas e luz natural. Olhei o cardápio enquanto aguardava, mas minha mente estava dispersa, viajando em todas as questões que ainda estavam por resolver.
Poucos minutos depois, Christian apareceu com seu sorriso característico e uma energia que parecia sempre contagiante. Ele se sentou à minha frente, já fazendo um comentário engraçado sobre o ambiente saudável do lugar.
— Cara, até o ar aqui parece light — ele brincou, arrancando uma risada minha.
— Achei que seria um bom lugar para a gente relaxar um pouco, sem muita agitação — respondi, enquanto ele dava uma olhada no cardápio.
— Certo, mas espero que pelo menos o suco não seja detox — ele continuou rindo. — Brincadeiras à parte, me conta como você está. Com tudo que tá rolando, sua cabeça deve estar a mil.
Suspirei e passei a mão pelos cabelos, um reflexo de como eu realmente me sentia.
— Cara, tem sido intenso. O álbum, as entrevistas, as questões pessoais... parece que tudo tá acontecendo ao mesmo tempo. Mas, sabe, mesmo com essa correria toda, eu sinto que as coisas estão se encaixando de uma forma estranha. Dulce deu entrada no divórcio, e isso meio que trouxe uma clareza, sabe? Mas ainda não conseguimos nos ver. O Paco ainda está lá, e ela pediu para eu esperar mais um pouco.
Christian me observava com aquele olhar compreensivo, o tipo de amigo que ouve sem julgar, mas sempre tem algo sábio a dizer.
— Eu imagino o quanto isso está te consumindo, mas é bom que as coisas estejam avançando. Vocês estão lidando com muitas camadas emocionais, e isso não é fácil. Mas, sinceramente, você tá no caminho certo. Ela pediu um tempo, e você respeitar isso mostra o quanto você se importa. Só não esquece de cuidar de você nesse processo.
Assenti, sabendo que ele tinha razão. Era fácil perder o foco em meio ao caos emocional. A gente conversou sobre outras coisas, como o impacto positivo que suas viagens e palestras estavam tendo, e como ele estava feliz por conseguir conciliar tudo isso com a música. Tocamos também no assunto da possibilidade de uma continuação da "Soy Rebelde Tour", mas sabíamos que precisaria de tempo para amadurecer a ideia com todos.
Depois de um tempo, mudamos de assunto para algo mais leve, falando sobre memórias engraçadas da época do RBD e nossas expectativas para o futuro. A conversa fluía como sempre, fácil e cheia de sinceridade.
Quando saímos do restaurante, o sol já estava começando a baixar no horizonte. Caminhei até o carro, com a sensação de que a conversa tinha sido o que eu precisava para aliviar um pouco o peso dos últimos dias. Christian, com seu jeito, sempre sabia como me deixar mais tranquilo. A vida continuava a ser uma montanha-russa, mas eu estava aprendendo a navegar por ela.
Ao chegar em casa, tirei os sapatos e me joguei no sofá, exausto. Peguei o celular, com a intenção de mandar uma mensagem para Dulce, mas hesitei. Parecia que, no fundo, eu estava com receio, como se esperasse uma resposta que eu não estava pronto para receber. Suspirei, tentando afastar essa sensação incômoda, e decidi que antes de qualquer coisa, seria melhor tomar um banho e relaxar.
A água quente deslizou pelo meu corpo, levando consigo parte da tensão acumulada ao longo do dia. O banho sempre tinha esse efeito de me acalmar, de me dar um momento de pausa, como se o mundo lá fora ficasse em suspenso por alguns minutos. Saí do chuveiro, me sentindo um pouco mais leve, mas ainda com a mente inquieta.
De volta ao sofá, me enrolei em uma manta, tentando encontrar algum conforto. Liguei a TV e procurei uma série qualquer, algo que não exigisse muita atenção, apenas para preencher o silêncio. Mas, mesmo com a distração da tela, minha mente continuava a voltar para Dulce. Não penso muito e mando uma mensagem para ela.
"Eu tava pensando em você o dia todo, Dul. Hoje foi minha última entrevista do mês, finalmente um pouco de descanso. Depois, encontrei o Chris e, claro, ele não perdeu a chance de dizer que estou ‘com a cabeça nas nuvens’ por sua causa. Ele sabe das coisas, né? Me conta, como estão as coisas por aí? Conseguiu resolver algo com o Paco?"
"Oi, mi Chris. Que bom que terminou as entrevistas, deve estar exausto. E o Chris sempre faz esses comentários que, de um jeito ou de outro, são verdade. As coisas aqui não estão fáceis. O Paco ainda não saiu, ele está procurando um lugar, mas tem ficado mais em casa com a Mapi. Isso deixa ela feliz, mas a tensão entre nós ainda é grande. Sabe quando você sente que algo vai explodir a qualquer momento? Eu só queria que tudo isso acabasse logo.
"Eu entendo, Dul. Mas sabe que estou aqui para você, né? Sempre estive e sempre vou estar, até o fim. Não importa o que aconteça, a gente vai superar tudo isso juntos, como sempre fizemos. Quando tudo isso finalmente acabar, vai ser só nós dois, sem ninguém no meio. E pode apostar que eu vou estar lá, do anoitecer ao amanhecer, do seu lado."
"Você sempre tem essa maneira de fazer eu me sentir melhor... Às vezes, parece que estou no meio de uma tempestade, mas você é a luz no fim do túnel. Obrigada por isso. A Mapi está bem, isso já é uma bênção, mas ainda tem tanto a resolver… E você, como está com tudo? Lidar com as entrevistas, o sucesso do álbum, e ainda comigo nessa bagunça?"
"Eu? Estou bem, mas só porque sei que no final a gente vai ficar junto. Desde o dia que nos reencontramos naquele apartamento, Dul, eu sabia que nada poderia nos afastar de novo. Tudo que estou fazendo, o álbum, as entrevistas, é por você também. Como se cada passo fosse em direção a esse novo começo que a gente merece. A Mapi também faz parte disso. Quero estar presente para ela, tanto quanto estou para você. Sei o quanto ela significa pra você, e, agora, para mim também."
"Você é incrível, Chris. E é isso que me dá forças ❤️. A Mapi sempre pergunta de você, sabia? Ela tem um carinho enorme por você. Às vezes eu fico imaginando como vai ser quando essa tempestade finalmente passar. O recomeço… nós três, juntos. Eu só preciso ser forte mais um pouco, para que tudo fique no lugar."
"Eu sempre disse que você era mais forte do que imagina, Dul. E eu vou estar aqui, ao seu lado, até tudo se ajeitar. Quando o mundo estiver desabando, pode contar comigo. Só nós dois, enfrentando tudo. E, quando tudo isso acabar, prometo que vou te dar a vida que a gente sempre quis. Até lá, é só uma questão de tempo. Eu estou sempre aqui, esperando por você."
"Eu sei, e isso é o que me faz continuar. Sei que não estou sozinha, e com você do meu lado, parece que tudo vai ficar bem, de algum jeito. Agora tenho que colocar uma princesa para dormir, boa noite mi Chris"
"Boa noite, minha Dul. Eu estarei aqui. Sempre estive."
Coloquei o telefone de lado e decidi mudar para uma série que realmente capturasse minha atenção, algo que me permitisse desligar a mente e relaxar de verdade. Precisava de um escape, algo que me tirasse, ainda que por um instante, da intensidade do que eu estava vivendo.
“But you'll never be alone, I'll be with you from dusk till dawn... Baby, I am right here, I'll hold you when things go wrong... I'll be with you from dusk till dawn... Baby, I am right here.”
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