Pase lo que pase - VONDY

27 Dulce Maria de volta ao mercado?


P.O.V DULCE MARIA


A parte burocrática do meu divórcio já havia sido resolvida, e tudo o que restava era oficializar o fato de que "Dulce María estava de volta ao mercado". Mas, na verdade, isso não era bem verdade. Christopher e eu estávamos vivendo o que parecia ser uma lua de mel prolongada. Cada momento juntos tinha um sabor de novidade e alegria, como se o passado não nos afetasse mais. Além disso, estávamos incluindo a Mapi em todos os nossos programas diurnos, o que tornava tudo ainda mais especial.


Christopher, sempre atencioso, parecia empenhado em conquistar Maria Paula, como se ela ainda precisasse ser convencida. Ele comprava presentes para ela quase diariamente, pequenos mimos que faziam seus olhos brilharem de felicidade, além de alguns presentes para mim. Mas o engraçado é que ele parecia esquecer que já havia conquistado a Mapi desde a turnê. A conexão entre eles já era natural e espontânea, como se ele fosse, de fato, o tio favorito dela.


Enquanto vivíamos essa fase de encantamento e harmonia, a mídia mexicana começou a especular sobre um possível término entre mim e Paco. Rumores e manchetes sensacionalistas pipocavam em todos os lugares, com teorias que iam desde traições até desentendimentos irreconciliáveis. A pressão da exposição pública sempre fez parte da minha vida, mas dessa vez era diferente. Não se tratava apenas de mim — tinha a Mapi e o Christopher envolvidos agora, e eu precisava lidar com isso de maneira cuidadosa.


Foi então que, em uma conversa conjunta com Christopher, decidimos que era hora de abrir a boca e contar a verdade para os fãs. Não fazia mais sentido esconder o que já era evidente. Nosso relacionamento estava evoluindo, e embora não quiséssemos transformar nossa vida pessoal em um espetáculo, sabíamos que era necessário esclarecer a situação antes que as especulações tomassem proporções maiores.


— Está pronta para isso? — Christopher me perguntou, sentado ao meu lado no sofá, enquanto ele passava o braço por meus ombros, me envolvendo com o calor familiar que só ele sabia transmitir.

Suspirei antes de responder, sabendo que aquilo seria um passo grande, mas inevitável.

— Sim. Acho que já passou da hora. Não quero mais que as pessoas decidam a nossa história por nós.

Ele sorriu, aquele sorriso que sempre acalmava minhas inquietações.

— Não importa o que digam, estamos juntos nessa.

E ali, naquele instante, soube que estávamos prontos para enfrentar o mundo, de mãos dadas, com a certeza de que nossa história estava apenas começando.


Antes de fazer qualquer postagem oficial, decidi ligar para o Paco. Queria que ele estivesse ciente da situação e que tivéssemos uma abordagem conjunta. Expliquei a ele sobre os rumores crescentes e como seria melhor colocarmos um ponto final em todas as especulações. Ele, surpreendentemente, concordou sem relutância. A pressão da mídia estava começando a afetar seu trabalho, e ele queria se ver livre da constante vigilância que o seguia para onde fosse.


Preparamos um texto juntos, trocando ideias por mensagem até chegarmos a um comunicado que deixava claro: nosso divórcio era real e não havia motivos para maiores especulações. Não iríamos entrar em detalhes sobre os motivos pessoais, mas enfatizamos o respeito e o desejo de manter uma boa relação em prol da Maria Paula. Queríamos que todos soubessem que a prioridade era o bem-estar dela.


Assim que postamos o comunicado em nossos respectivos perfis no Instagram, a internet, como esperado, foi à loucura. Meu telefone começou a vibrar sem parar, as notificações inundando a tela até o ponto em que o aparelho travou. Isso, claro, não era nenhuma novidade — meu celular já tinha seus anos de uso, e crises de travamento se tornavam cada vez mais comuns. Mas dessa vez, o volume de mensagens era absurdo. Fãs, amigos, jornalistas... todos queriam saber mais, comentar ou simplesmente expressar apoio.


Christopher, que estava ao meu lado o tempo todo, observava a minha reação.

— Acho que seu telefone não está aguentando o tranco, hein? — ele brincou, com um sorriso suave.

Soltei um suspiro misto de alívio e cansaço.

— Acho que não, mas sinceramente, não vou deixar isso me afetar. Fizemos o que precisávamos fazer.

Ele passou o braço pelos meus ombros, puxando-me para perto

— Você foi incrível, Dul. Agora é só deixarmos as coisas seguirem seu curso. O mais importante é que estamos juntos.

Concordei, descansando a cabeça em seu peito, sentindo o peso de semanas de tensão começar a se dissipar. Por mais que esse anúncio tivesse sido importante, eu sabia que o verdadeiro desafio seria o que viria a seguir — viver essa nova fase sem a sombra de Paco, mas com a presença constante da mídia e o impacto que isso teria em nosso relacionamento.

— E agora? — perguntei, meio distraída, ainda olhando para o telefone que não parava de vibrar.

— Agora? — Christopher sorriu, levantando-se e puxando-me pela mão. — Agora a gente toma uma taça de vinho e celebra essa nova etapa. Você merece.


Sorrindo, o segui até a cozinha. Era isso. Uma nova fase realmente havia começado, e eu sabia que, com ele ao meu lado, tudo parecia um pouco mais fácil de enfrentar.

Christopher abriu a garrafa de vinho com um estalar suave, e o som do líquido se derramando nas taças preencheu o silêncio confortável que pairava sobre nós. Entregou-me uma taça com um sorriso tranquilo, e eu aceitei, sentindo o aroma suave do vinho subir enquanto girava levemente o copo em minhas mãos.


— Ao fim de um ciclo — ele disse, erguendo a taça —, e ao começo de algo muito melhor.

— Ao começo de uma nova vida — acrescentei, brindando com ele antes de tomar um gole.


O sabor suave e encorpado do vinho trouxe uma sensação de leveza, e por um momento, pude me deixar levar pelo presente, sem preocupações com o que a mídia ou o mundo ao nosso redor estava dizendo. Era apenas Christopher e eu, comemorando silenciosamente essa nova etapa.

Nos sentamos no sofá, lado a lado, e a conversa fluía naturalmente, como sempre. Falamos sobre Mapi, sobre como ela tinha aceitado bem a nova dinâmica e como, aos poucos, estávamos encontrando um equilíbrio. Ele riu ao lembrar-se da pequena tentando ensinar-lhe a jogar um de seus jogos de tabuleiro favoritos, o que havia se tornado uma tradição nos finais de semana.


— Você sabe que ela está completamente apaixonada por você, né? — brinquei, observando seu rosto iluminar-se com um sorriso.

— Acho que a gente formou um bom time, não? — ele respondeu, com um brilho nos olhos. — Eu me sinto tão bem com ela... como se já fosse minha filha, de certa forma.

A sinceridade em sua voz me tocou profundamente. Mapi sempre fora meu maior tesouro, e saber que Christopher tinha esse carinho genuíno por ela só reforçava o quanto eu tinha sorte.

— Eu sabia que ia ser assim — admiti, apoiando a cabeça no ombro dele. — Desde que você apareceu novamente, senti que as coisas seriam diferentes dessa vez. Mais... certas, sabe?

Ele ficou em silêncio por um momento, apenas acariciando meu cabelo enquanto refletia sobre minhas palavras. Era uma pausa confortável, preenchida pela intimidade que só o tempo e o respeito mútuo podem construir.

— Dulce... — Christopher começou, a voz baixa e séria. — Eu sei que o divórcio foi um processo longo e doloroso, e agora que isso acabou, quero que saiba que não há pressa. Não quero forçar nada. Podemos viver as coisas no nosso ritmo, do jeito que faz sentido para nós.

— Obrigada por dizer isso. Eu realmente preciso desse tempo. — Senti o peso das palavras, sabendo que ele compreendia o que eu ainda não conseguia expressar completamente.


Ele me puxou para mais perto, e eu sabia que, com ele, esse novo começo seria vivido com paciência e compreensão. E, no fundo, eu sabia que estávamos exatamente onde deveríamos estar.


O tempo passou devagar naquela noite. Depois de mais algumas taças de vinho, acabamos com as pernas entrelaçadas no sofá, conversando sobre a vida, sobre o passado, e sobre tudo o que esperávamos do futuro. Não havia promessas feitas naquele momento, apenas a certeza de que estávamos juntos, e que isso era o suficiente.


Com um sorriso satisfeito, Christopher desligou as luzes, e ali ficamos, no escuro, apenas apreciando o silêncio compartilhado. A vida estava prestes a se transformar mais uma vez, mas dessa vez, eu estava preparada.


Na manhã seguinte, o sol invadiu o quarto, banhando tudo com uma luz suave. Eu me virei preguiçosamente para olhar Christopher, que ainda dormia tranquilamente ao meu lado. Por um momento, apenas observei, deixando o pensamento de que essa paz finalmente havia chegado encher meu coração.


Levantei-me devagar, tentando não fazer barulho, e fui até a cozinha para preparar o café. Era uma rotina simples, mas era exatamente o que eu precisava. A tranquilidade depois da tempestade.


Sentada à mesa com uma xícara de café fumegante nas mãos, abri o celular para ver como estavam as reações nas redes sociais sobre o anúncio do divórcio. O alvoroço ainda era grande, mas, surpreendentemente, os fãs estavam mais respeitosos do que eu havia imaginado. Claro, havia os curiosos, os que especulavam sobre a minha relação com Christopher, mas, no geral, o apoio era imenso.

Suspirei aliviada, sabendo que aquela era apenas a ponta do iceberg, mas era um bom começo.

Christopher entrou na cozinha pouco depois, o cabelo bagunçado e a expressão sonolenta. Ele sorriu ao me ver com o celular na mão, provavelmente adivinhando o que eu estava fazendo.


— Alguma novidade? — perguntou, enquanto pegava uma caneca para si.

— Nada muito diferente do que esperávamos. Muita especulação, mas no geral, estão sendo compreensivos. — Dei de ombros, colocando o telefone de lado. — O importante é que o peso maior já saiu das minhas costas.

— E agora? — Ele se aproximou, me puxando pela cintura. — O que vem depois?

Sorri, levantando minha xícara.

— Agora, nós apenas vivemos...

Christopher me puxou para mais perto, e nossos olhares se cruzaram com uma cumplicidade que falava mais do que qualquer palavra. A sensação de liberdade, de finalmente podermos seguir em frente sem a sombra de Paco, trouxe um alívio imediato. Eu sorri para ele, sentindo uma leveza que não sentia há tempos.

— Viver... soa como um bom plano — ele disse, com aquele sorriso despreocupado que sempre me encantou.

Ele me beijou a testa e, sem soltar minha cintura, me guiou para a mesa onde o café estava servido. Sentamos juntos, aproveitando o silêncio da manhã, que parecia um prenúncio de dias mais calmos.

Depois de alguns minutos, Christopher quebrou o silêncio.

— Pensei que poderíamos levar Mapi para aquele parque que ela ama hoje. Talvez dar uma pausa em toda essa agitação? — sugeriu, com um tom leve, mas preocupado.

Eu sorri. Ele sabia exatamente como aliviar a tensão dos últimos dias.

— Acho uma ótima ideia. Mapi vai adorar — respondi, já imaginando o sorriso no rosto dela.


Conforme o dia foi avançando, o caos das redes sociais começava a diminuir. A notícia do divórcio estava em todos os sites de fofoca, mas de alguma forma, eu estava em paz. Christopher estava ao meu lado, e isso tornava tudo mais suportável.

Algumas horas depois, já estávamos prontos para sair. Mapi desceu as escadas correndo, empolgada com a ideia de passar a tarde no parque. Ela correu para os braços de Christopher, que a levantou no ar, fazendo-a gargalhar alto.


— Vamos, tio Chris! — disse Mapi, com o sorriso contagiante que iluminava qualquer ambiente.


Saímos de casa e passamos o dia entre brincadeiras, risadas e pequenos momentos de afeto que me faziam esquecer do turbilhão de mudanças que haviam acontecido nas últimas semanas. Ver Christopher e Mapi interagindo de maneira tão natural me dava uma sensação de pertencimento. Nós três, juntos, parecia tão certo.

Mais tarde, de volta para casa, depois de um dia longo e cheio de aventuras, Mapi adormeceu rapidamente, exausta, e Christopher se ofereceu para colocá-la na cama. Observá-lo cuidar dela com tanto carinho e atenção só reforçava o quanto ele era a pessoa certa, não só para mim, mas também para minha filha.

Quando ele voltou, se aproximou devagar e sentou-se ao meu lado no sofá, passando o braço ao redor dos meus ombros.


— Eu poderia me acostumar com isso — ele murmurou, em um tom sereno, me puxando para mais perto.

— Com o quê? — perguntei, curiosa.

— Com essa sensação de paz, com nós três juntos, com essa nova vida. — Ele me encarou com um olhar profundo, cheio de sinceridade. — Isso aqui... é tudo o que eu sempre quis.

Eu sorri, sentindo uma onda de gratidão por termos nos encontrado de novo, por termos superado os desafios e estarmos construindo algo verdadeiro.

— Eu também, Chris — respondi, encostando minha cabeça em seu ombro. — Eu também.


Ali, naquele instante, tudo parecia finalmente se encaixar...