Pas De Lumières
1 Meu Desespero
Notas iniciais
O copo de vidro estava estilhaçado ao chão, e o vinho já era absorvido pelo velho tapete. Virando a cabeça, era possível ver várias luzes se apagando, e a cada uma que era desligada, ele ouvia os gritos desesperados e amedrontados da sua, até então, alegre sociedade parisiense. As lágrimas eram inevitáveis naquele momento.
Cerrou os punhos e bateu com força sua janela, fazendo com que mais pedaços de vidro fossem arremessados para dentro e fora de casa. Sua mão sangrava, mas pouco se importava com aquele fato. França só queria entender o que estava acontecendo com sua amada Paris. Olhava para o andar de baixo, que dava direção à rua, e percebia algumas pessoas correndo. Estavam com medo, querendo um refúgio. Loucas para ver se seus familiares estavam bem.
Ele não entendia o porquê de tudo ter entrado em caos de uma maneira tão brutal como aquela. Ele queria proteger cada uma daquelas pessoas que se encontravam na escuridão que foi se formando a cada luz de casa se apagando.
Ele encara a grande Torre Eiffel que ainda se mantinha luminosa. Aquele símbolo de metal era o que ainda o acalmava naquela situação toda. Mas era apenas uma questão de tempo até que ela se apagasse, assim como o resto de sua esperança.
França pode ver, um pouco mais distante da grande torre, uma forte luz vermelha e laranja se manifestar. Ela foi rápida, e quase ele não pode ouvir, mas ele sabia que se tratava de mais uma explosão. Sabia que mais pessoas inocentes tinham sido vítimas de algo macabro. Vítimas de pessoas que não sentem um pingo de amor, e ele que sentia esse amor por todos da sua população, ficava amarrado sem conseguir ajudar.
O desespero estava começando a se manifestar, e ele não tinha certeza o quanto ainda conseguia manter a lucidez. Parecia que a cada explosão, era um tiro certeiro em sua pessoa. As pessoas, as casas, as ruas, a cidade... tudo estava sendo destruído, e ele estava em casa, sangrando pelas mãos e aos prantos.
“Fique em casa, é mais seguro para você.”
Essas foram às ordens de seus superiores. Ordens que ele deveria cumprir mesmo sendo contra.
E mais uma vez, ele vira para a janela em pedaços, mas testemunha algo que não o faria aguentar até de manhã. A grande torre estava se apagando. Coisa que ele nunca via. Seu coração estava em pedaços e não iria se recuperar tão cedo disso. Esse atentado foi e será mais um dos grandes sofrimentos na vida do amor da França.
“Primeiro Canadá... depois Joana... e agora isso?”
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