Notas iniciais
Atualizada: 19/10/2016 às 00:33 Três anos... Será que alguém esperou? E eu que jurei que nunca voltaria, olha aqui, atualizando a história na casa dura como se nada tivesse acontecido. Eu escrevi, o word fechou (pra me lembrar a época de ouro) e eu reescrevi. Espero ter captado todo o sentimento que coloquei da primeira vez que escrevi esse capítulo. No fim eu me explico melhor, ou não. RESUMO: Kurt e Blaine são irmãos que ficaram anos sem se falar. Depois de Kurt ser expulso de Nyada e ter que voltar para Lima e Blaine entrar de férias da Dalton Academy os irmãos vão ter que voltar a conviver. Porém muita coisa mudou e muito mais aconteceu quando eles eram mais jovens. No ultimo capítulo, o jogo de twister.

— Está com medo de perder pra mim? — Perguntou Blaine.

— Perder pra você? — Kurt desdenhou. — Eu já ganhei de você nesse jogo várias vezes, Be. Não tente me ganhar novamente, você não vai conseguir. Vou te levar ao chão como todas as outras vezes...

— Eu era uma criança, Kurt. — Blaine caminhou até o tapete. — Eu te desafio aqui, e agora. Eu cresci. Você não vai ganhar de mim dessa vez. — Dizia sorrindo. — Vem. Está esperando o quê pra "me deixar no chão"? — Desdenhou também.

— Você vai se arrepender tanto disso, Anderson...

E então Kurt caminhou até o tapete de twister, arregaçando as mangas e mordendo os lábios de vontade de ganhar e colocar Blaine no chão.

— Manda ver, Quinn. – Blaine disse à garota conforme a entregava o ponteiro do jogo.

Kurt se alongava e estala os dedos. Rachel e Finn se ajeitavam no sofá conforme podiam já que os outros convidados estavam estirados por ali. Fizeram até uma aposta rápida sobre quem iria ganhar e tudo mais, nada muito sério.

— Quer começar? – Kurt disse com um certo tom de esnobe.

— Os mais velhos primeiros. – Sorriu o adolescente ao ver que o irmão revirava os olhos.

— Kurt, pé direito no vermelho. – Girava novamente. – Blaine, mão direita no azul.

Conforme o jogo ia acontecendo o resto dos candidatos, Wes, David, Josh, todos iam embora com um leve acenar de mão já que os anfitriões da festa pareciam ocupados demais para se despedirem com um abraço ou aperto de mão.

O clima parecia tenso e Kurt e Blaine se encaravam fortemente. Rachel estava quase se deitando no sofá e Finn já roncava baixo no sofá com algum fio de baba escorrendo por sua boca. Quinn por alguns segundos se questionou onde achara tanto amor para o garoto.

— Blaine, mão esquerda no verde. Kurt, pé esquerdo no amarelo. – Quinn girava o ponteiro de uma maneira um tanto desanimada, querendo apenas que o jogo acabasse logo. Foi quando seu cérebro teve uma ideia um tanto criativa.

E se a loira forjasse o jogo, de uma maneira que fosse óbvia que um deles fosse perder, para assim a partida acabar e a festa finalmente poder dar-se como encerrada? Sorriu rapidamente e resolveu pôr seu plano em ação.

— Blaine, pé esquerdo no verde. – Disse sorrindo embora ninguém percebesse a maldade naqueles dentes brancos.

O moreno arqueou a sobrancelha tentando entender como faria aquilo, então posicionou-se por baixo do castanho e ficou um tanto torcido naquela posição. Porém não via risco de cair.

— Tudo certo por aí? Pronto pra desistir? – Brincou Kurt.

— Estou apenas começando a me divertir. – Sorriu Blaine, acenando para Quinn continuar.

— Kurt, mão direita no vermelho. – Viu o castanho se debruçar sobre o irmão. – Blaine, pé direito no vermelho.

Uma pequena confusão aconteceu durante alguns segundos até os jovens conseguirem achar uma posição onde não fossem cair. Aconteceu que Blaine estava com o corpo bem perto do irmão. Na verdade, eles estavam praticamente deitados e encaixados. Quinn apenas sorria, fingindo girar o ponteiro e falar o que ele apontava. Quando na verdade...

— Kurt, pé esquerdo no azul.

Quando o castanho tentou fazer qualquer movimento, só ouviu-se o estrondo dos dois garotos no chão. Finn e Rachel acordaram instantaneamente com o som alto, levantando-se no ato para descobrir quem havia caído e quem havia ganhado a aposta de 20 dólares.

— Quem caiu? Quem foi? – Dizia Finn passando a manga da camisa na boca em uma tentativa falha de limpar a baba. Rachel apenas encarou com nojo e voltou o olhar aos garotos no chão.

— Não consigo dizer, os dois caíram. – Reclamou a judia.

— Blaine caiu primeiro. – Quinn disse com um sorriso de finalmente ir pra casa.

NÃO!— Blaine exclamou incrédulo. Não podia ter perdido, não podia!

Kurt gargalhou baixinho e saiu de cima do irmão, que nem esperou o castanho se gabar de ter ganhado o jogo e já saiu com passos fortes em direção à cozinha. Se levantou e decidiu dar um tempo ao irmão.

Blaine na cozinha só conseguia bufar em raiva e descontentamento. Não sabia como aquilo havia acontecido. Estava tão bem, com tanto equilíbrio. Podia jurar que Kurt seria o primeiro a cair, já que ele estava por cima e com os pés torcidos. Aquilo não podia ter acontecido, não com ele.

Inclusive só havia começado a partida pois sabia que iria ganhar. Vivia jogando esse jogo com os colegas Warblers e nunca havia perdido sequer. O que havia acontecido? Nem o moreno sabia como aquilo havia acontecido.

Após um soco leve no balcão de mármore se pôs a pensar o que havia acontecido, o que o havia feito perder o foco e a concentração. Lembrava-se de provocar Kurt e de ver o irmão sorrindo e tentando tramar uma estratégia para não cair. Lembrava-se de olhar aquele oceano azul que era os olhos do irmão e observar a gota de suor escorrendo no canto de seu rosto, se perdendo no pescoço do castanho... Lembrava-se também do perfume do mais velho, assim tão perto, que o fizera lembrar de quando beijou o irmão tomado pela luxúria e...

— Blaine?

O moreno pulou com o susto de seu nome, encarando Finn o observando.

— Cara, eu te chamei umas três vezes. Você tá bem? Teve algum trauma na queda? – Estalava os dedos em frente aos olhos cor de amêndoa do meio-irmão.

— Eu estou bem... – Chacoalhou a cabeça em modo como se os pensamentos tivessem ido embora. – Onde estão todos?

— Nossa, realmente. Você tá na lua hoje! – Gargalhou. – Kurt já subiu, vou levar a Quinn e a Rachel em casa. Tudo bem vocês ficarem sozinhos por um tempo? Ou vão quebrar alguma coisa na casa e eu devia amarrar os dois no pé da escada?

— Hã? – Tentou ignorar o imbecil. – Não, esquece. Pode ir.

Enquanto isso, no andar de cima, Kurt afofava o travesseiro e seu lado da cama já com seu pijama vestido, torcendo para Blaine não reclamar que ficaria ali aquela noite.

Conseguia ouvir Rachel no seu pensamento reclamando sobre o castanho não dormir na casa de verão dos pais dela, e como lá ele teria seu próprio quarto e uma cama para dormir sozinho. E bom, talvez fosse esse o motivo do castanho ter desejado ficar na casa com Blaine.

O castanho se deitou e enquanto se ajeitava no móvel viu a porta se abrir e um Blaine disperso segurando um copo d’agua entrar no cômodo. Pensou em falar algo mas tinha a dúvida se Blaine estaria bravo após perder o jogo, porém foi interrompido pelo próprio irmão respondendo sua pergunta.

— Eu ainda quero saber como você fez pra me derrubar. – Disse em um tom sério caminhando até o closet.

— Te derrubar? – Kurt sorriu acompanhando o irmão com o olhar até a porta do armário. – Você caiu sozinho, feito fruta madura. – Gargalhou e observou Blaine soltar um suspiro e entrar no closet.

Não que Kurt quisesse espionar ou nada do tipo, apenas manteve o olhar na porta do armário, onde o abajur da estante fazia a sombra da silhueta de Blaine na parede branca perto da porta. Acompanhou o irmão tirar a roupa e ficar só de cueca. Isso se fosse cueca... E... ?pa.

O que estava acontecendo?

Tudo isso era bem novo pra Kurt. Até uns dias atrás imaginava Blaine como aquele adolescente magricelo que corria pela casa feliz por conta da neve no quintal, e hoje vê-lo naquele semblante, naquela forma de adolescente homem... Era confuso. Imaginar que seu irmãozinho, aquele que dormia em seus braços todas as noites, houvera se transformado em um homem com torso largo, bíceps rasgados e veias que desciam dos braços e...

— Kurt? – Blaine perguntava parado em frente ao closet, tomando um gole da sua água.

— Oi. – Respondeu fingindo não ter sido flagrado secando cada parte do corpo de Blaine.

Bom, talvez ajudaria se o irmão mais novo não estivesse vestindo apenas uma calça de moletom azul escura, com o peito nu, o encarando com curiosidade no pé da cama. Respirou fundo e lambeu os lábios inconscientemente.

— Eu falei que quero revanche. – Ignorou o irmão agindo estranho e se dirigiu ao banheiro.

— Você vai perder de novo. Vai se desconcentrar e vai acabar caindo novamente. – Brincou. – Eu te falei que você não ganharia de mim, Bee. – Sentou-se na cama, observando o irmão sair do banheiro como quem fosse puxar briga.

— O que você disse? – Blaine sorriu desacreditado. – Pois então fale na minha cara.

— Você. – Dizia pausadamente. – Não. Iria. Conseguir. Ganhar. De. MiM.

— Eu me distraí. – Resmungou indo até a cama.

— Claro, o que te fizer dormir melhor a noite.

Blaine arqueou uma sobrancelha e sorriu com o pensamento rápido que teve. Colocou um dos joelhos no canto da cama e olhou Kurt dos pés à cabeça. O castanho se sentiu estranho com o olhar do mais novo.

— Você não acredita que eu me distraí? – Blaine falou do jeito mais inocente e sexy que conseguiu.

Kurt não respondeu, apenas ficou observando o irmão vir em sua direção lentamente.

— Não falei que não acredito e... – Blaine o interrompeu.

— Eu tinha um ótimo motivo pra me distrair, sabe. Com você em cima de mim daquele jeito, e seu perfume... – Dizia lentamente conforme ia subindo na cama. Já estava na metade do caminho e podia ver os olhos azuis de Kurt se distanciarem e ficarem mais surpresos do que o normal.

Até porque aquilo ali não era nem um pouco normal. A respiração do nova iorquino estava descompassada e ele não sabia ao certo o que fazer ou como agir, apenas deixou o irmão fazer o que estava fazendo.

— Você não acha que era um bom motivo, Kurtie...? – Disse Blaine pondo-se sobre o corpo do irmão, uma perna em cada lado do castanho. – Alguém com um perfume em cima de você?

Kurt não sabia ao certo se era o álcool agindo em Blaine, ou nele mesmo, mas não sentia vontade nenhuma de empurrar o moreno. Apenas queria ver onde isso iria chegar. O castanho se negava a responder, apenas observava.

— Porque eu aposto que você também já deve ter tido algum homem assim... – Aproximou seu rosto da curva do pescoço do mais velho. -... Tão perto...

Kurt esqueceu como se respirava quando sentiu os lábios do mais novo tocarem sua pele, desde os ombros até seu queixo. Aquilo realmente não estava o ajudando a manter o foco.

— E aposto também que você concorda comigo como é difícil se concentrar... – Dizia dando pequenos beijinhos no queixo do irmão. Se distanciou um pouco e viu Kurt completamente perdido, olhar distante e respiração descompassada e num ato involuntário vindo em direção ao moreno. – Não é...?

— É... – Disse como se fosse num sussurro.

— Então eu acho que eu ganhei dessa vez. – Disse Blaine empurrando Kurt levemente contra a cama e fazendo o castanho perceber o que o irmão havia feito. – Eu perdi o equilíbrio antes, você perdeu agora. – Gargalhou alto conforme tomava distância e saía da cama.

— Você não presta, Blaine! – Gritou Kurt conforme jogava almofadas em direção ao irmão. – Você passou dos limites!

Blaine apenas gargalhava e ia até o banheiro pra se esconder do bombardeio de almofadas e travesseiros do irmão. Brigar com Kurt o deixava irritado, mas mexer com o psicológico dele era muito melhor na opinião de Blaine. Gargalhava baixinho ainda, lembrando das vezes que brincava assim com Joey.

Espera, Joey. Seu ex namorado. Blaine se olhou uma ou duas vezes no espelho do banheiro e sentiu seu rosto congelar. Ele não havia REALMENTE passado dos limites como Kurt havia falado, certo? Porque sempre via seus amigos brincando desse jeito, de provocar. Jeff sempre provocava Nick assim, e Joey estava sempre o provocando... Foi quando percebeu.

Jeff e Nick. Joey e Blaine... Todos eles tinham uma certa intimidade... E talvez Kurt e Blaine não tivessem a mesma... Ou talvez tivessem. Passou uma água no rosto e tentou tirar isso do pensamento. Tinha sido apenas uma brincadeira, certo? Embora seu calor não dissesse a mesma coisa, e essa urgência também não dissesse... Enfim. Respirou fundo e deixou suas memórias trabalharem.

“- Para, Blaine! Você está me atrapalhando! – Gritou Kurt conforme tentava trocar de canal da TV com o controle remoto sendo atrapalhado por Blaine pulando de poltrona em poltrona.

— O chão é lava, Kurtie!! – Gritava o menino de oito anos.

O mais velho observou e não se conteve em sorrir ao ver o empenho do menino em não tocar no tapete da sala. Pisava sorrateiramente em passos estratégicos para não cair. Até que foi atingido por algo.

— Ei, isso não vale! – Reclamou ao desviar de uma almofada que fora jogada por Kurt.

— Claro que vale. Você não é melhor que um Power Rangers?

— Sou! – Disse orgulhoso, cruzando os braços.

— Então prova! – Gargalhou Kurt, jogando outra almofada.

Os irmãos ficaram ali por alguns segundos até Kurt finalmente conseguir acertar Blaine, fazendo o menor cair no chão e gemer alto ao atingir o piso frio, fora do tapete.

— Bee, você está bem???? – Perguntou levantando-se do sofá rapidamente. Viu o irmão fazer beicinho para começar a chorar. – Me desculpa, eu não queria te machucar.

Kurt correu até o irmão no chão e o abraçou, tentando fazer a dor sumir de algum jeito, ou fazê-lo parar de chorar. Apertou o abraço e distribuiu alguns beijos pelo rosto do irmão mais novo. Foi quando se surpreendeu com o som de uma risada bem gostosa.

— Você caiu direitinho. – Blaine gargalhava enquanto apontava para o irmão.

— Eu não acredito que você fez isso! – Resmungou.

— Fiz e faço de novo. Ganhei beijo de graça! – Começou a rir e saiu correndo pro segundo andar.

Kurt não podia negar. Blaine era charmoso que só.”

Notas finais
Oie, tudo bom? A gente pode fingir que não se passaram tantos anos e que tudo continua a mesma coisa? Porque eu passei por tanta coisa nos últimos dias e eu só precisava daquele sentimento dos meus 15 anos de volta, daquela epoca onde eu escrevia as histórias e não vivia elas... Que tal? A intenção é atualizar todas, mas vamos ver até quando vai durar esse breakdown!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.